quinta-feira, 3 de maio de 2012

Pedro

Para findar a semana dos desamores, os INsanidades precisava falar de algo mais inusitado, embora tão quanto humano e poético...

Havia uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho eu via umas pedras
Muitas pedras
Haviam pedras em todo lugar
Em toda rua
Em torno nua e crua
Havia uma pedra no meio do peito
Em um peito e meio sorria discreto
Haveria de haver gesto que assovia verdade
Ou mesmo protesto que denuncia maldades
Haveria de ver menos idade
Nova idade
Novidades
De quem muito amou
E pouco muito tinha pra dar
Haviam sim, muitas pedras
Muita brita que em concreto constrói defraudação em concreto eu
Discreto em casamento de areia e cimento
Ciumento
Mentor
Havia muito eu, muito meu, pouco nós
Havia do verbo haver e não houve mais
Havia prato
Havia preto, prego
Havia vôo que não avua
Haviam avuadas palavras em erros de Português
E havia discussões em Inglês
Havia Portugual
Havia o mundo em pedras que não constrói
Destrói
Herói
Havia uma beleza
Que não se põe em mesa
Havia pedregulhos em entulhos sentimentais
Havia um vazio rompido pelas pedras 
Lançadas no vidro da janela
Duvido que não haviam pedras nos sapatos
Dois patos na lagoa
Que codificava minha razão
De não saber ser 
Podre
Pobre
Odre novo
Havia eu que nunca full de você
Havia eu que nunca fui de você
Havia você que nunca
Pedra de mim
Havia pedra em masculino
Paixão em desalinho
Menino sem paixão

*baseado numa historia real 

6 comentários:

  1. ''Novidades
    De quem muito amou
    E pouco muito tinha pra dar
    (...)
    Havia muito eu, muito meu, pouco nós
    Havia do verbo haver e não houve mais''

    :') INCRIVEL!!!!! VOCE ARRASA EM TUDO VAL! como pessoa, como amigo, como poeta.... parabéns

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  2. Tentei descobrir em que história real se trata, mas acho que não sei, mas parece que foi algo no espectro do amor. Essa muitas pedras parecem muitos obstáculos os quais você teve de enfrentar, eram muitas pedras sendo jogadas, como se fosse uma tortura diariamente... as janelas quebradas parecem ter haver com decepções... e quando você fala que "havia muito eu e poucos nós", e que "havia eu que nunca fui de você", você parece expor um relacionamento que teve como obstáculo o egoísmo, ou a independência. Não faço ideia dos fatos que se passaram com você, mas a poesia mostra os sentimentos disso tudo.

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  3. As histõrias pelas quais os Insanidades bebe sao delicadamente temperada por humanidades, seja em amor ou egoismo, indiferenca, decepcao ou semelhantes! Obg, querido!

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  4. Ana Laura Meirelles3 de maio de 2012 01:49

    Se existir alguém que seja mais sua fã que eu, me avise!!!
    Você é incrível.
    Com o pouco que sei dessa história sinto o quanto você é sensível e o quanto sabe amar...é, amar de todas as maneiras possíveis que existem no amor.
    Te admiro muito!

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  5. Adorei!
    Pedro Faria

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  6. como eu disse, é como ouvir uma música com outros olhos. :)

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