eu me sinto só
mas não vazio
excesso
excesso de eu nos outros
de outros em mim
que nunca ficaram
fincam
sempre a(mar) sem amar a volta
sempre per(doar)
como quem doa o próprio ar
conjugo o amor no erro
eu fico
tu somes
ele promete
eu sonho com paz
mas namoro a trincheira
porque amar, pra mim
sempre foi guerra sem medalha
dispenso o conflito
mas conflito me escolhe
me disponho a dois
e me deixam em ímpar
meu voo é terra
porque cansei de cair do céu
achando que era destino
quando era abandono com asas
sou casa sem visita
porto sem chegada
coração em modo avião
esperando uma mensagem
que nunca aterrissa
e ainda assim
olha o vício:
se você bater
eu abro.
porque amar, em mim
não é verbo
é víscera
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