quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

VÍSCERA

 eu me sinto só

mas não vazio

excesso


excesso de eu nos outros

de outros em mim

que nunca ficaram

fincam


sempre a(mar) sem amar a volta

sempre per(doar)

como quem doa o próprio ar


conjugo o amor no erro

eu fico

tu somes

ele promete


eu sonho com paz

mas namoro a trincheira

porque amar, pra mim

sempre foi guerra sem medalha


dispenso o conflito

mas conflito me escolhe

me disponho a dois

e me deixam em ímpar


meu voo é terra

porque cansei de cair do céu

achando que era destino

quando era abandono com asas


sou casa sem visita

porto sem chegada

coração em modo avião

esperando uma mensagem

que nunca aterrissa


e ainda assim

olha o vício:

se você bater

eu abro.


porque amar, em mim

não é verbo 

é víscera