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quinta-feira, 4 de setembro de 2025

ESPERE E VERÁS

eu te esperei 
aguardei
nos recôncavos da monta
de lembranças que guardei
no ruído dos louvores que, mal educadamente,
nos obrigava degustar
ouvia falar de tuas simplicidades e graça 
seu talento como bom contador de histórias 
e construtor de plot twists estratégicos
esperei por tuas surpresas
esperei por teu olhar de complacência indeléveis
esperei pela tão sonhada paz
eu era todo teu, Esperança 
depois de tua morte
e rezo nos grãos de minha mostarda 
pelo teu renovar 

que vida poderia suspirar 
sem a brisa leve 
de como um novo raio do velho sol 
acariciar meus rosto na manhãs

terça-feira, 19 de abril de 2016

No dia em que Maria se morreu

Nem sei
Disseram que os dias passam
Mas os dias se enrugam
Gastam minhas utopias 
E nem pia minha gota d'água 
Eu se chama derrota
Que se acende sem escolta
Sem proteção do que nem se teve
E se atreve arriscar sinais
Nem sei se os sinos tocaram
Talvez pela sina sinalizaram os ais
Mas todos os dias eram talvez
E Maria era dor em vida
Risos coreografado sem sintonia
Com o que sinto
E sem cinto se situou no chão 
E nunca se levantou
Em si caiu
E ecoou no chão o seu silêncio 
Os sons que todos ouviam
E calavam
E traduziam
E adestravam
No dia em que Maria se morreu
Foi o único dia em que por mim
Se passou vida
Que descanse eu em paz
Ou morra de rir

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A deus sob sete palmos

Abraçada sou pelo concreto da caverna
Por entre os poucos feixes de luz que invadem a tumba 
Permito minha pele se despedir das lamúrias da existência 
Por entre o medo é o horror vou debulhando os grãos de minha lágrima 
Choro em silêncio 
Choro em gritos silenciados pela dor
A dor que despeço agora 
Ela que me despedaçou por hora me encontra à mim 
Que ódio tenho da vida que levei 
O rancor se perpetua em minha carne
E costura a musculatura e ligamentos de meu falso riso
Tão estúpido quanto os olhares aos quais se dirigiam
O ódio se afeiçoou à mim 
E eu descrente da esperança me entreguei a ele
Como virgem que romantiza o desmatar de suas matas
Ele massacrou meu verde e instituiu estradas
Que a nada leva se não ao jogo de me perder
Violentada fui por tratores que não trataram de cuidar do que roubaram
Maculada fui por pés descalços que me juraram resiliência 
Eu fui destituída de meu prazer
Fui corrompida por puro prazer
Fui sem ao menos ser
Porém hoje de mãos dadas ao destino
Me repouso sob sete medidas de meus caminhos
Sepulto viva o meu pesar
Com peso e pessoal me deixo ir
Me tento
Me pecado
A cada dia que passo ultrapassam os meus ais
E desconheço uma razão plausível para continuar moribundo 
Apodrecem os meus sonhos em mim
Apoderam-se de meus ossos a dor
Fina, aguda, silenciosa como a prostituta da luz vermelha
Essa goza múltiplas nascentes por naufrágio de mim
Que deus se perdoe, de por capricho e egoísmo
Depor favorável às Irínias e conceber à mim 
A deus entrego o adeus de minha carne
A deus entrego o que não prestou
E restou de si
Eu me entrego
A man!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

R.I.P

Suddenly
Houve um ou dois suspiros
E tudo se fez black and blue
Os antigos coloridos das vestimentas
Se tonificaram no rubro que escapava dos olhos
Eram salientes as manobras que a vida escolheu
I wish I could cry or
Kill all the things I have within my alma
We are so cruel to each other 
That we forget we're also another 
Goddam!
Perceptível é a mazela humana
Quando a felicidade do outro 
Começa a nos incomodar
E finda com o last of drop of beauty you had 
Please, quando eu partir não velam o meu corpo
Depositando sobre ele a atenção que nunca me deram
Quando eu partir let me go
In peace
With all the piece de mim 


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Adeus

Sutilmente cercado por minhas íntimas cobras
Utilizado como consolo de meus prazeres
Ignorado pelas sinapses desta mente traiçoeira
Cai inóspito e oco nas sangrias de meu choro
Ignotas foram as juras das companhias amigas
Desleais os anseios que coreografei 
Impactado por relâmpagos de realidade me calei
Observando a morte chegar chorei




quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bata a porta ao sair

Queria sorrir
Do fundo do meu coração raso, queria
Todavia só tinha forças para o desvencilhar 
Eram poucas as energias que me mantinham vivo
Me autofagia nos cemitérios de minhas recordações 
Ah, se eu pudesse te dizer de minha dores
Talvez pudéssemos replantar aquelas flores verdes
Não
Novas flores
Sim
Ainda há samba em mim
Bossa nova em desarmonia com jazz
Mas esse esqueleto em ruínas não dança mais
Dancei

Ali jaz minha voz 
Que repetidas vezes te amou
Repetidas vezes repeti em amor
Repetidas vezes vi as flores murcharem
Tão quanto murcharam minhas pálpebras 
Fluiu tanto sal que os olhos secaram
E o coração, por loucura, não conseguiu mais parar
A alma se abrigou nas pautas de tuas cartas
E nao descarta me deixar de vez
De vez em quando a gente morre
De vez em outra sorri

Quando sair bata a porta, por favor

domingo, 17 de março de 2013

Eu já pensei em me suicidar

"Conversando com um grande amigo ficamos a pensar sobre vida e morte... E nos perguntando: Qual o nosso medo maior, vida ou morte?"


Eu já pensei em me suicidar. E ponto final.
Mas foram reticências.
O medo pela vida me teceu o temor da morte. 
A vida que corria em mim, corria o risco de minha fraqueza. Senti que fosse morrer nas mãos deste fantasma que calava meu sonho, sufocava a minha respiração. Eu gritei.
Ninguém ouviu. Ninguém ouve. Apenas eu.
Parecia que ele me mataria através de minhas mãos.
Mesmo sozinhos somos unidos pela mesma lembrança. Medo. Ou covardia.
Corro para a varanda e não tomo ar. Tomo o egoísmo de solucionar a minha questão. Questão de vida. Resposta de morte.
Temo ser estranho, maluco. Alguém já se sentiu assim?
Sou perseguido pela companhia deste alguém que domina minha cabeça. E eu o desconheço. Mas habita em mim. Preenche os vazios que me constitui vazio.
Fujo da varanda e encaro o espelho. Olho pra mim. Não me vejo.
Encontro-me com um bicho nos fundos do quartos dos fundos. Íris. 
Eu não sou deste corpo. Não constituo esta matéria.
Eu reprovei.
Reprovei no curso da vida e discurso filosofias que me enganam. 
Tentativas de permanecer de joelhos. 
Súplicas por conformidades. Vacilo!
Eu sofro por saudades da época em que sonhava.
Sofro por falta das sobras, das divisões, matemáticas afetivas.
Sofro por que tudo acabou e eu não percebi.
Sofro e percebo o sofrimento. Ele é árduo pra mim.
Eu já pensei em exclamações, mas sou pontuado em pingo negro e solipsista.
Eu já pensei em morte, mas temo depois dela ainda encontrar vida.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Suicídios noturnos diários

O encontro é com o que me perco
O que me interessa
É o que não tenho pressa
Deixo ser, fluir sem fruir dos arrependimentos
Tenho as visões que me mostram o que não quero ver
Assim como tua voz que me explicam as perguntas que não fiz
Teus te amos amortecem o impacto de meus suicídios diários
E escrevem com líquido estranho que rola de meus olhos meus diários noturnos
Eu morto e vivo, vivo e morro nos morros que escala pra longe de mim
No árido deserto que festejam nossos entes
Entrego a paz que nunca assassinei
Ali me alimentos de areias e sucos de meu corpo
Meu suor tão doce quanto as lembranças que perdi
No hálito que deserdo os nossos bens 
Calei minha respiração
Perdi a minha voz
E ainda levei você sobre meu corpo, donzela solidão

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Eu não preciso de tuas mentiras

Eu não preciso de tuas mentiras
O teu amor inscrito em minhas córneas
Já me cantam o teu te amo
E estas sonorizações perturbam o meu auto-amor
Auto-zelo
Auto-credo
Credo e cruzes, sigo-te como um piloto automático
Farejo o teu cheiro como cão sarnento e faminto
E satisfaço-me das migalhas
Que caem de teu pão sofrido por insônias
E refaço o meu humor
Acreditando que me queres 
E apenas se cala
Diante o medo do amor
Eu pinto pra mim a cena perfeita pra nós dois
Eu assovio a nossa trilha enquanto grito o teu nome
E despedaço minha pele correndo ao encontro de ti
Eu iludo minhas ilusões cansadas de arquitetar castelos de areia
Eu teatralizo Shakespeare, o inspiro
Eu sei que não gosta destes gêneros
Mas por eles hoje deixei de me matar seis vezes
Não teria coragem de morrer sem você
Eu sei que não vives por mim
Nem bebes de minha água
Eu sei
Eu sempre sei
Quem é que não sabe quando se sabe?

terça-feira, 10 de julho de 2012

O HOMEM QUE AMEI: E que não amou

Ele chegou manso, calmo, delicado. Um gentil cavalheiro revelado entre lindos olhos verdes que iluminavam uma torre de 1,90m de puro morenos músculos e torneiros. Os seus cabelos eram tão negros quanto à cor que tingia o meu mundo que parava apenas só para ver o seu riso branco esboçado em carnudos e rosados lábios para mim. Quem não apaixonaria? Eu amei!
O homem que amei tinha a calorosidade de tocar o meu corpo frágil e imprimir em seus apertos as marcas de meus pelos que avolumavam erupções vulcânicas em suas digitais. Aqueles toques me tocavam a alma em melodia de qualquer pop sensual. Eu perdia o meu ar.  Eu perdia o meu tino. Eu perdia os meus achados de uma vida inteira que se representava insignificante ante si. Foi a primeira vez que eu morri! Morri em mortes pequenas, cada vez que parte de seu corpo penetrou as cavernas de minhas escuridões e medos que ofuscavam o desejo. Morri em morte pequenas, todas as vezes que parte de seu corpo endurecido por sua certeza de vontade revelou o seu inteiro que habitava em mim todos os dias. Morri em pequenas mortes ao som de grandes gemidos de dor e alegria. Morri e sepultei a mulher que nunca fui, mas abrigo encontrava em mim.
O homem que amei me beijava a boca como quem se lambuza de manga madura e doce, manga espada, suculenta, tropical! Foi nele que descobri o prazer do beijo, o encontro que se ansiava entre um oceano e outro e eu salivava ao cheiro de sua pele e suor que me comunicava fogo. Cheiro de homem! Cheiro de macho. E ele dizia me amar. Como renunciar tanto amor? Eu me entreguei!
Ele sabia a maneira simples e colossal de franzir os lados esquerdo e direito das extremidades de meus olhos, sabia corar minhas maças, sabia atropelar as minhas palavras ou mesmo silenciá-las. Ele sabia me saber e quando já me tinha como um livro lido e relido obrigatoriamente, o homem que amei deixou de me amar. Ele amou a sua torre e cerrou as suas portas pra mim. O farol que resplandecia em seus olhos se avermelhavam em mil pavor. Ele não já me possuía como antes, pois já exibia irônico a posse de mim. Ele de desapossou de meu amor, de minha paz, de minhas alegrias. O homem que amei me conjugou no passado. No pretérito perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito. Ele se aperfeiçoou de mim e eu perdi a graça de ser graciosa e desejada. E de graça me lancei aos teus braços a procura do mesmo abraço que outrora me aqueceu e os mesmos congelaram ainda mais o meu peito. Que aperto me gargalhou. Os seus lábios não sorriam pra mim nem pronunciava com mel o meu nome. Os seus lábios não mais me saboreava ou consumia. O rio secou. A sede inundou. E a morte nasceu. Eu me suicidei!


"Não perca amanhã... o terceiro capítulo de nossa série em conto: "O Homem que amei e não amei"

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Este texto é de Valdemy: Ensaio sobre a morte de meu pai

Culto dominical - 1991
Em meio a tantos turbilhões de acontecimentos e novidades, sinto-me por vezes perdidos diante os focos e anseios de meu coração. Me apresento forte e decidido para as pessoas que me rotulam, claro, fomentadas pelas palavras que assino sobre o meu corpo e olhar, porém sou tão menino e sensível como aquele Cristo que se apresenta na cruz e confia ao pai os seus temores. Cristo também temeu e mesmo assim não acovardou em dores o amargo do cálice. Cristo, nem mesmo ele, foi por todos amados ou produto de tendência de alta costura. Quisá eu! (risos)
Eu sinto que preciso parar o meu mundo que gira em voracidade e me apresentar franco e destemido à mim. Sem medo de ser feliz! Livre! Livre de mim!
Oh, meu Deus, se eu pudesse dar vazão aos meus cara-miolos que me humaniza! Mas tememos as naturalidades. Transcender pode ser mais atrativo e justificador dos medos. Sem julgamentos, me diga: O que atrairia Deus ao homem senão a peculiaridade em ser humano? Deus tem os anjos cantarolando Sua majestade pela eternidade, não seria outro anjo que ele procuraria em mim. E eu nem sei cantar!
Eu me deparo comigo nesta madrugada e me felicito por ver em meus olhos, o mesmo amor que lapidava ternura anos passados. O corpo mudou, as rugas já traçam os seus sucos como traças que corroem madeira, mas minha cara-de-pau ainda se inspiram em esculturas e belezas. Não tenho mais a mesma voz e até o primeiro porre alcoólico já vivi, mas não é num gole de destilado que se destila a minha essência ou caráter, tampouco em meu justificar. Em meu corpo assino o meu mal e encontro com o meu bem da honestidade.
São as canções de infância que me fazem acalmar o espírito que nem agitado está, mas pior, adormece. As notas destas canções me lembram as notas de ensinamentos de vida que o meu pai me ensinou. E um novo rumo se acende. Esperança, a primeira que ressuscita!
Como podem os estúpidos dizer que o meu pai faleceu? Como posso eu, sendo filho dele, dar ouvidos aos tolos? Ainda mais tolo me pinto. Como pode morto está aquele que vive e respira orgânico através de mim e ainda outros dois mais?  
Falar sobre vida e morte angustia e sufoca as pessoas, mas quem não morrerá? Para morrer, só basta está vivo/ E morreu fedeu, acabou! Ou se continua. Normal! Natural! Mas não é desta morte que estou falando, se bem que, paradoxalmente à tudo que outrora disse: Existe morte?
Me leva que quero ver o meu pai! Não, eu não quero morrer ou me suicidarei, pelo amor de Deus, eu tenho amor aos momentos e este me reserva esta vida. Então a viverei, sem sentenciá-la o fim. Eu apenas quero ver o meu pai e hoje eu vi. E ainda vivo! E descobri outra vez, que ele vive em mim!
Este não é um texto para ser bonito ou te fazer chorar, este é apenas um texto que escrevi pra mim e o leio em voz alta, para que a parte em mim que abriga o meu pai possa escutar e ele se emocionar através de minhas pupilas que se dilatarão para que seu amor se revele em lágrimas e estas toquem o meu rosto, lembrando do carinho que ele sempre fazia em mim... nas madrugadas tão frias como a noite de hoje.