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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

In tensões

Se a força eu tivesse
E o meu cristo morresse
Não seri eu o contador de minha história 
Eu seria o som que se movimenta de sua boca
Que se costura em suas cordas vocais
E enforca minha reputação
Se a força eu tivesse 
E o meu bicho morresse
Não seria eu o perdão que te libera
O egoísmo que te acalenta e sorri generoso
Eu seria a agulha que estupra a tua fronte
O ar que foge de teus pulmões 
E sequela o teu tino
Se a forca eu tivesse 
E o meu cristo vivesse
Eu seria suicídio.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bata a porta ao sair

Queria sorrir
Do fundo do meu coração raso, queria
Todavia só tinha forças para o desvencilhar 
Eram poucas as energias que me mantinham vivo
Me autofagia nos cemitérios de minhas recordações 
Ah, se eu pudesse te dizer de minha dores
Talvez pudéssemos replantar aquelas flores verdes
Não
Novas flores
Sim
Ainda há samba em mim
Bossa nova em desarmonia com jazz
Mas esse esqueleto em ruínas não dança mais
Dancei

Ali jaz minha voz 
Que repetidas vezes te amou
Repetidas vezes repeti em amor
Repetidas vezes vi as flores murcharem
Tão quanto murcharam minhas pálpebras 
Fluiu tanto sal que os olhos secaram
E o coração, por loucura, não conseguiu mais parar
A alma se abrigou nas pautas de tuas cartas
E nao descarta me deixar de vez
De vez em quando a gente morre
De vez em outra sorri

Quando sair bata a porta, por favor

sexta-feira, 1 de março de 2013

E quando se acaba a fé?

Já não tinha as lágrimas pra despencar das janelas da vida. Coitado, nem palavras tinha. Tinha, era tudo o que possuía. Tinha, do verbo ter e não ter mais.
A tua mente era povoada por toda sorte de ensinamentos que a eficácia deveria produzir fé e esperança. Mas nota de falecimento: A esperança morreu. E em seu peito sepultou as montanhas que outrora se transportavam com as sementes de mostarda.
Será possível que você não percebe que nesta vida tudo muda? Será que ainda não conseguiu a capacidade de distinguir sonho da realidade? E o que é o real, realeza? Caia nela.
Como se pode envolver com algo tão antagônico a você? E não me venha com esta de que opostos se atraem. Pois os oposto se atraem, mas não se misturam. Assim é dentro de seu peito, sonhos que não se fundem à realidade de suas possibilidades. Na realidade, se confundem.
Você percebeu que tuas unhas dos pés voltaram a crescer? Estão tão grandes como estavam na semana passada quando cortei. Corte o mal pela raiz ou se arranhará o peito. Abandoe estes teus pés que não te caminham conquistas.