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terça-feira, 24 de junho de 2025

LINHAS

Deus não escreve por linhas tortas,
pois tua sensibilidade inspira perfeição
mesmo quando tropeço e fecho portas,
Teu amor me abre outra direção

Deus de imensidão,
mas em meu peito faz morada
Senhor da criação,
que dos meus tropeços dá risada

Deus não escreve por linhas tortas,
mas entende os desvios do coração
mesmo onde deixei trancadas as portas,
Ele entra com chave de compaixão

Deus que sussurra nos ventos
e acalma as tempestades,
me guarda nos desalentos
e me livra de toda maldade

Deus de beleza que se curva às minhas falhas,
onde habita realeza e faz da dor lição,
me chama por nome entre as batalhas
e me coroa em meio à contradição

Deus não escreve por linhas tortas,
mas sabe ler minhas tentativas tortas,
traduz silêncio, cruza as minhas portas
e dança comigo em minhas derrotas

Deus de maravilhas,
que me conduz a ilhas — internas, solitárias
que ama, partilha,
e não desiste das minhas partidas diárias

Deus não escreve por linhas tortas,
mas faz poesia do que rejeitei
E quando penso ter perdido as rotas,
descubro que foi ali que mais me encontrei

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A deus sob sete palmos

Abraçada sou pelo concreto da caverna
Por entre os poucos feixes de luz que invadem a tumba 
Permito minha pele se despedir das lamúrias da existência 
Por entre o medo é o horror vou debulhando os grãos de minha lágrima 
Choro em silêncio 
Choro em gritos silenciados pela dor
A dor que despeço agora 
Ela que me despedaçou por hora me encontra à mim 
Que ódio tenho da vida que levei 
O rancor se perpetua em minha carne
E costura a musculatura e ligamentos de meu falso riso
Tão estúpido quanto os olhares aos quais se dirigiam
O ódio se afeiçoou à mim 
E eu descrente da esperança me entreguei a ele
Como virgem que romantiza o desmatar de suas matas
Ele massacrou meu verde e instituiu estradas
Que a nada leva se não ao jogo de me perder
Violentada fui por tratores que não trataram de cuidar do que roubaram
Maculada fui por pés descalços que me juraram resiliência 
Eu fui destituída de meu prazer
Fui corrompida por puro prazer
Fui sem ao menos ser
Porém hoje de mãos dadas ao destino
Me repouso sob sete medidas de meus caminhos
Sepulto viva o meu pesar
Com peso e pessoal me deixo ir
Me tento
Me pecado
A cada dia que passo ultrapassam os meus ais
E desconheço uma razão plausível para continuar moribundo 
Apodrecem os meus sonhos em mim
Apoderam-se de meus ossos a dor
Fina, aguda, silenciosa como a prostituta da luz vermelha
Essa goza múltiplas nascentes por naufrágio de mim
Que deus se perdoe, de por capricho e egoísmo
Depor favorável às Irínias e conceber à mim 
A deus entrego o adeus de minha carne
A deus entrego o que não prestou
E restou de si
Eu me entrego
A man!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

De homem e criatura

Sempre fui o cara que confiou em deus
Meus medos e vãs memórias escrevi pelos rastros seus
Mas deixei de brincar
Conheci o teu corpo, o teu cheiro, os teus ais
Tais evidências quem me testemunharam deuses
Fecho os meus olhos na esperança que você se aproxime
Me exibe o teu pecado
Estou pronto para banhar o meu corpo no enxofre
E escrever nos tropeços meus vôos
Estou voando em encontro teus beijos
Ao encontro de teu sexo ao meu
Te devoro, te oro, devoto
De vez em quando te sacrifico em pequenas mortes
Te assassino em roubos de respirações
Te prendo em meus braços num ritual humano
Num culto que encurta minhas dores
Num canto que atrai tua emoção
E sangra os teus olhos de gozo e paz
Em consagração de homem e criatura
E então deus é quem confia em nós

terça-feira, 16 de abril de 2013

De volta pra casa

Fecho-me o meu quarto
Me abro inteiramente pra ti 
Espero ouvir teu silêncio
Tua mão, Pai, sobre mim
A tua voz acalma as minhas lágrimas
Pra que a paz caminhe nas terras de meu coração
Faze-me saber teus caminhos
Chama-me pra dançar tua canção
Lembra-te de mim, por tua bondade
E minh'alma se pousará no bem
Minha semente herdará a tua terra
E em tuas veredas caminharei
Eu retorno, pois sei, Senhor 
Que são tuas palavras as mais doces
E é o meu peito o teu altar
Vem, Santo Espírito
E ore por mim
Converse dos medos que me esvaziam
Converse dos segredos que conhece
Estou solitário e aflito
Sensível à presença que me preenche de ti
Redime-me, ó Deus
Pois quero retornar aos teus braços de Pai
Perdoe-me, ó Deus
Pois viver neste mundo não dá mais

sábado, 16 de março de 2013

Eu contei pra Deus. Ele chorou.

Quarto vazio. Cama quente. Coração transbordando. Palavras frias. Chove!
Nas gotas destas lágrimas de São Pedro procuro tua face.
Não encontro.
Mas ao ferir a face do chão elas gritam o teu nome.
Lanço-me ao chão. É o lugar que o teu amor me faz estar.
E eu amo. Mesmo sem experimentar amar.
O mundo ao meu redor perfura minha paz com metralhadas de razão.
Mas já a perdi. Loucamente me disponho a ti e ponho meu coração na mão do vento. O vento sempre é, por natureza, leviano, mesquinho, menino. Mas me leva.
Eu construí-me a mim. Apenas para hospedar suas sanguessugas.
Elas rejeitaram o meu sangue. Cuspiram minha vida como se fosse eu insípido.
Eu estava temperado de amor.
Agora entendi o porque do amor não encher barriga.
Emagreço.
Esguio.
Rolo na cama esperando a chuva passar. Anseio pelo sol.
Ele não vem.
Você não vem.
Paro. Continuo. Quarto vazio. Cheio da presença de tua ausência.
Me deito. Cama quente. Aquecida do fogo de meu cu.
Limpo a boca. Coração transbordando de falências.
Silencio. Palavras frias. Aquecidas por tuas promessas.
Chove. Deus não suportou tamanha emoção.
E continua a chover.
  

sexta-feira, 1 de março de 2013

E quando se acaba a fé?

Já não tinha as lágrimas pra despencar das janelas da vida. Coitado, nem palavras tinha. Tinha, era tudo o que possuía. Tinha, do verbo ter e não ter mais.
A tua mente era povoada por toda sorte de ensinamentos que a eficácia deveria produzir fé e esperança. Mas nota de falecimento: A esperança morreu. E em seu peito sepultou as montanhas que outrora se transportavam com as sementes de mostarda.
Será possível que você não percebe que nesta vida tudo muda? Será que ainda não conseguiu a capacidade de distinguir sonho da realidade? E o que é o real, realeza? Caia nela.
Como se pode envolver com algo tão antagônico a você? E não me venha com esta de que opostos se atraem. Pois os oposto se atraem, mas não se misturam. Assim é dentro de seu peito, sonhos que não se fundem à realidade de suas possibilidades. Na realidade, se confundem.
Você percebeu que tuas unhas dos pés voltaram a crescer? Estão tão grandes como estavam na semana passada quando cortei. Corte o mal pela raiz ou se arranhará o peito. Abandoe estes teus pés que não te caminham conquistas. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Deus me fez anjo, mas a vida me possibilitou também demônio

Ao me ver passar não olhe os meus rastros
Meus caminhos não são seguimentos para covardia
Quando virar minhas costas não pronuncie o meu nome
Minha presença não é lixo para alimentar tuas iras
Não cole em mim
Por que dentro de meu estômago há um mundo de trabalhos mal feitos
Que me alimentam, sustentam, tornam homem de carne e osso
Que costuram em torno aos corpos os pecados maestrais
Não sou santo de pau oco
Tenho vida escondida por detrás desta santidade
Não sou sepulcro caiado
Sou sujeira que se banha para viver
Não sou puro, nem imundo
Sou eventualidades
Sou processo que processa sentimentos
Gases que implodem estúpidas convenções
E espalham no ar o colorido do medo da vida
Sou nobre e franca honestidade
Sem cera, sincero, negro
Sou filho de deus e nele encontro minhas tristezas
E são delas que se animam minhas pernas
E percorrem o mundo virgem
Que sangram com a penetração de meu pé
Sou aquele que destrói
Sou aquele que modifica
Sou daquele que não tem dono
Mais livre que o ar que falta em meu pulmão
Eu sou gente, sou humano
Sou aquele acerto que deu errado
Sou estes olhos que me lêem torto
Por cima dos ombros caídos
Estas bocas que me pronuncia cheia de salivas de condenação
Sou estes ouvidos que se constrangem ao reconhecer a própria voz
Anjo esculpido por deus e habitado em terras demoníacas
Prazer em se reconhecer?

domingo, 30 de setembro de 2012

Domingo, dia que tudo morre

Adeus
Bye bye
Até logo
Talvez

A paz
Distrai
O relógio
Talvez

O domingo se foi dormindo
Segunda a primeira a chegar
Nem lembro o coração atino
Amor que ficou pra trás

À Deus
Que faz
O aborto
Nascer

Apraz
Destrai
O remorso
Morrer

O domingo se vai fugindo
Sete dias pra retornar
Nem vejo o tua cor tingindo
O coraçao que logo vai parar

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O meu maior medo é esquecer o rosto de meu pai

Eu e papai, década de 80

Com todo o respeito e educação, posso falar?
Não precisa me ouvir
Temo macular teus ouvidos que gritam por santidade
Não, não estou alterado tampouco preciso respirar fundo
Preciso é respirar lento, raso, tímido
E quem sabe poluir as narinas dele com vida
Mas ele não respira mais
Morta estão tuas lembranças que assassinam essência
E Deus,
Deus amou o mundo de tal maneira 
Que tirou o meu pai dele
Entre lutos que se repetem 
procuro manter viva em mim suas gargalhadas
A maneira crente de esperar pelo Pai
Hoje eu acordei querendo ser Deus
Só pra dar vida novamente ao meu pai
Não, Deus
Não me venha com tua sentência 
És tu que sabe de todas as coisas
Eu não falo das coisas
Eu clamo pela existência
Não, Deus
Não chores, pois não estou proferindo setas inflamados contra tu
Estou retirando com minha frágeis mãos de homem
Os dardos que fazem o rio vermelho fluir de meus olhos
Eu disse que não precisava me ouvir
Isto não é uma oração
Respeite-me em meu secreto
E deixe-me clamar por mim
Hoje acordei humano
E é o meu pai terreno, o de carne e osso, que me acolheria
E restaram só os ossos
E eu nem sei onde estão
Não queimamos no inferno
E ardemos no fogo que o próprio homem maquina para o nosso fim
Estaria a vida eterna na permanência das lembranças?
O meu maior medo é esquecer o rosto de meu pai
Temo a morte em vida
Morrer e esquecer de repousar minhas lembranças
Hoje eu acordei moribundo
Morto
Vivo
Vivo
Mort
Viv
Vi
M

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Quem tem fé remove maquiagem da face

Nesta noite eu conversei com Deus e confesso, ouvir a tua maciez em voz por alguns instantes acalmou o meu turbulento coração. Eu quase sorri pra Deus.
Nesta noite quase fui eu quem dei colo à Deus, que se emocionara ao ver minha face olhar em seus olhos. Ele chorou. Na terra isto se revelou em chuva. Enchente. Vendaval. Ele sempre exagerado e desajeitado em dizer "eu te amo". E este "eu te amo" não tinha os comuns sons de "bom dia". Mas o meu coração estava ocupado demais com o movimento de seus batimentos para dar ouvidos ao coração de Deus.
Fotos, fatos, feixes de luz entre escuridão submergia a minha mente nas lembranças das escolhas e construções que se desmoronavam em si. Eu culpava Deus. Ele tem o dom e é dono da vida, a mesma que sentia fugir de meus dedos como areias, e eu não sabia contá-las os grãos. Analfabeto! Na vida a gente também destrói para construir. Naturalidades! Era necessário retornar, recomeçar os primeiros vigésimos quartos passos para se rir outra vez. Mas as musculaturas de meu rosto estavam cerradas para o bom viver.
Nesta noite eu desconfiava do amor e fingia não crer ser ele possível à mim. Seria mais fácil? Nesta noite eu me deparava com o sepulcro caiado que me tornei e via o perfume das próprias mortes que em viviam me contornar a aura. Era preciso deixar o cadáver e sepultar não somente na mente e coração as mentiras que me projetei defraudador. E então corri pra janela dos fundos do apartamento que dá para o Corcovado e ordenei que o mesmo se movesse, mas a montanha não respondeu a pergunta que não fiz. O Cristo não se aproximou para que eu me entregasse em teus braços. 
Esta noite demorou amanhecer. E quando se fez manhã o sol tardou a chegar. Dia nublado e frio, mas não retornou a chover.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Sanidades de Valdemy dos Santos Braga, meu Pai

Por mais que clamasse o meu raciocínio para não expor em minhas INsanidades o calor de sentimento que povoa o meu peito neste dia vinte e um de março, eu não poderia sucumbir e fraquejar em minha transparência e honestidade. Sim, hoje o meu peito dói e esta dor é bem diferente de todas as outras que eu já senti. Esta é a única dor em toda minha vida que em mim produz força e alegria. Eu sei que este meu discurso parece por demais paradoxal, mas esta dor me lembra a falta de meu amado pai e profunda raiz que em meu peito o seu amor sustenta sua pessoa in memorian.


Mas então, paro e penso: se sobrevivo com constante dor e companhia da ausência de meu Neguinho de Gás, o que mais não suportaria na vida? Tudo! Até a morte!
Ele é a única pessoa que os anos não me permitiriam esquecer, o levo literalmente em meu nome em poesia, me chamo Valdemy, aquele que por seus amigos a vida daria. E o mais cômico foi que assim que ele se foi. Roubado a força e vitalidade por aqueles que ele muito amou. Meu pai não foi mártir, tampouco santo, foi homem e construiu sua trajetória calçado no amor!
Ele é o único homem que eu tatuaria na pele. Eu assinaria a sua rubrica em meu pulso esquerdo, e aqueceria o seu nome no calor de meu sangue que pulsa ao caminho do coração. Eu declararia o meu amor em arte, de corpo, alma e espírito!
Me recordo sorrindo a última vez que o vi. Deitado naquele leito frio do hospital, parecia criança que esperava ansioso pela chegada do pai, mas cheguei como filho e o prometi amor eterno. Prometi a minha vida. Eu morreria ali por ele. Mas ele preferiu viver em mim e repercutiu a sua escandalosa gargalhada nos risos tímidos que eu almejava traçar e colorir as minhas feições comas lembranças de seus gostos, carinhos e atitudes. Ele passou a viver em mim de forma natural e permitida. Vivo não como se fosse o meu pai, mas como se o meu pai não morresse em mim.
Morte, que palavra fria e inóspita para falar de um homem de tanto vigor e jovialidade! O que é a morte se não a vida em mim? Meu Deus, o que digo! Deus? Desculpe-me o riso irônico, mas foi a tua paternidade que esperei cego e sedento naquele mesmo dia vinte e um. Não sei se você não veio, ou me recuso a acreditar que não. Apenas sei que me levou o que mais me fazia ver você em sutilezas de verdades! Perdoe-me a arrogância de ser menino, mas que o meu pai me segure ou olhe com aquele olhar repressor quando estivermos cara a cara. Não sei se teria estômago o suficiente para travar o refluxo de desorientações que ainda povoam em mim, mas de qualquer forma, assim como o meu pai me ensinou, a ti mesmo rebelde darei toda glória. Ele te amou muito, Deus. Foi por isto que o levou pra si? Tudo bem, não precisa falar nada. O silêncio fala muitas coisas e eu terei toda uma eternidade para te ouvir.
É pai, não sei se ainda reconhece minha voz. Ela mudou, né? Os anos já tem passado pra mim e eu estou com barba, rugas, barriguinha e precisando de óculos, mas aproveite o silêncio que provocou Deus por sua falta de palavras e ouça o meu coração pulsar, ele chama o teu nome: Valdemy. E é ele que me permite em ti viver! Te amo!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Oração por Heitor Silva


Deus, é só olhar através de minha janela, que vejo nestes raios de sol que nos aquece em São Fidélis a soberania de teu poder e graça. Pai, você nos fez em cuidado e inteligência, de fato, nos sonda e conhece cada centímetro, milímetro e curva das células que nos cobre, como pele, que assinam tua sensibilidade artística.
Tua palavra, Senhor, fala de vida, fala de renovo, de ar, de sopro e por ela que anseio neste momento. Eu anseio ouvir você nos falar ao pé do ouvido e colocar aquele ingênuo e amigo menino de pé. Deus, foi você que desenhou o Heitor. Foi o Senhor que construiu o seu coração, não somente de músculos, mas de gentileza, doçura e amor!
Deus, a gente espera ouvir mais uma e muitas vezes o som de seu violão que acalmava os nossos corações, cantar sua alegria em melodias de romances e paixão. Queremos ouvir tua voz, como criança, agradecer à você e festejar sua cura. Deus, o Senhor, pode isto e tudo muito mais. O Senhor tem o dom da vida. Tuas palavras tem dom de vida eterna e paz. Canta pro Heitor desta vez, meu Paizinho! Canta uma melodia angelical com sua doce voz que me lembra o som de muitas águas, isto, você tem um oceano em tuas palavras, eu, apenas tenho o salgado rio de sinceras lágrimas em meu olhar, mas tenho fé, tenho graça, tenho você como Deus!
Hoje o meu coração se une a muitos outros corações, e estes se casam para bombear fé ao coração delicado do menino Heitor. Hoje nos unimos em família, em corpo, numa só voz. Fala através de nós, em nome de Jesus, o teu Filho.
Obrigado, Deus, pelo o que creio que fará por esta família, que hoje só por você pode esperar. Amém!

domingo, 6 de novembro de 2011

Igreja de Cristo? Um amor que morre e não ressuscita

Com sobriedade e tristeza que esboço no negro destes caracteres a dor que povoa o meu peito e mente nesta manhã de domingo. Isto, neste domingo, o dia em que, como cristãos, comemoramos a ressurreição de Cristo Jesus. Lembrança remota de amor!
Não quero fazer do INSANIDADES DE VALDEMY uma válvula de escape de meus refluxos, mas quero me apresentar aos meus Insanos e Insanas sem a máscara da proteção da arte e magia cênica e expor minha humano-frustração com o rumo que tem tomado a Igreja de Cristo em nosso cotidiano.
Me sinto, sim, na tranquilidade em falar sobre isto, eu vivi, vivo e minha escolha constante é por Cristo, mas afirmo meu repúdio, abominação e discrepâncias por religiosidades! O que creio é num cristianismo revelado no amor de Cristo de vir ao mundo e viver como homem, apenas para me ensinar e motivar a ser capaz.
Como muitos sabem, cresci num lar evangélico e neste universo religioso me dediquei ao ponto de dedicar aproximados três anos de minha vida para viver integralmente no exercício deste ministério, mas eventualidade aconteceram e novos rumos a vida traçou, mas os mesmos não rabiscaram a imagem que tenho de Deus, tampouco minha conduta em relação ao meu credo, mas confesso que me vi liberto da cosmovisão e paradigma que fui como cavalo adestrado ensinado por lideranças, das quais até me orgulho e expresso gratidão, por bem ou por mal elas contribuíram para eu ser quem sou hoje, e como eu já disse certa vez, me deram alguns limões azedos na vida, mas minha escolha seria de as mesmas oferecer uma deliciosa e gelada limonada em dias quentes e infernais. Eu aprendi com a vida e com minhas perdas, dentre elas a perda de meu pai, a conhecer à Deus por mim mesmo. Foi ele quem absorveu, absorve e carrega minha dores e medos. É a Deus que presto culto e louvor, na prática de uma adoraçao como estilo de vida, meu pessoal e fashion estilho de vida que só comporta à mim como Valdemy. Vocês não poderiam, ou ao menos conseguiria viver minha vida em meu lugar. No palco da vida a arte é diferente. Não tomo seus paradigmas e moldes como estatutos de auto-julgamento, nem para julgar o meu próximo, pois a eles devo amor.
Eu sei que não preciso me auto-afirmar em minhas escolhas de vida, mas me doe saber que em pleno século XXI, com todas suas dores e abusos, fome, corrupção, existam pessoas que se importam com um par de taças de vinho ou risos entre amigos que não professem minha fé. Eu me embriago do vinho. E não me embriago do sangue dos sonhos e vida de meus irmãos. Quem nunca cometeu pecado que atire a primeira pedra. Quem?
A Bíblia Sagrada no livro de Jó, capítulo 9 verso 14, nos diz que há esperança para árvore que ainda cortada, seca, morta, aos cheiros das águas brotará, como planta nova florescerá em ramos novos e frutos que vivem e multiplicam-se. Ainda á esperança e vida pra mim e para o Cristianismo. Louvado seja teu nome, Deus!
Não entendo, a Bíblia também denomina como bom pastor aquele que dá a sua vida por suas ovelhas, mas o que vejo é pastor ordenando ovelhas numa ligação via celular oferecer a outra perdida no aprisco a exclusão da própria vida. E ninguém tem mais amor do que dar sua própria vida por seus amigos. E eles oferecem a morte e ruptura. Brasa separada consegue sustentar o fogo? Não. Melhor sermos dois a sermos um?
Eu não julgo, apenas não entendo, como criança inocente que precisa do colo do pai. Acho que estamos trocando o coração pelo egocentrismo do umbigo. Talvez eu deveria neste instante, dar um foda-se, mas seria mais um pecado à me importar, o falar de palavras torpes. As palavras torpes são, de fato, mais ásperas e pecaminosas que as palavras que semeiam morte, julgamento e condenação.
O seus preconceitos e julgamentos não me trazem vida, mas confesso que as águas de tuas lágrimas em oração honesta por minha vida me tangeriam o coração e no meu espírito produziria vida.
E eu ainda me culpo, por ver em mim a morte de um amor que outrora senti e escolhi por vocês, meus irmãos. Irmãos? Sonoridade estranha. Eu já não sei orar por eles, Deus. Perdoe-me.
Perdoe-no, Pai, eles ainda não aprenderam, não sabem o que fazem.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Coisas que nunca encontrei respostas

A minha longa vida sempre foi marcada por questionamentos e dúvidas em relação aos mais variados assuntos. Já cheguei à graça do entendimento de saber que somos como seres humanos, pessoas sugestionadas à mutação, mudança de mente e hábitos, mas ainda sim, me encontro por horas no lugar de Zequinha, aquela criança-adolescente do seriado brasileiro, Castelo Rá-tim-bum, que entre muitos por quês desenhava as assimetrias que produziam lacunas em sua cognição, mas por que? Por que? E sempre um adulto sábio e experiente retrucava impaciente -Por que sim.- Mas por que sim, não é resposta.
Estou rindo sozinho aqui, só pensando no mundo de perguntas que já fiz ao meu pai, rs! A mais comum, aquela que todas as crianças fazem foi: Mas como eu fui feito? Como eu nasci? A resposta veio com toda maior tranquilidade e sutileza: Ah, para te fazer papai teve que se deitar com a tua mãe... Resultado, nunca mais permitir uma pessoa se deitar ao meu lado. Não sou normal, eu cresci também pensando que beijo na boca engravidava, sim, é estúpido, eu sei, mas naquela época eu não sabia, embora discrepantemente nunca tenha acreditado no Papai Noel.
Tantas coisas que nos ensinam e nos modelam de acordo à valores e pretensões que somente à estes mesmos paradigmas competem interesse. Mas então vem a vida e suas experiências e nos permite um pingo em alguns "i's" desenhar e um leve sentimento de liberdade nos ocorrer, mas o conhecimento nos aprisiona em nós mesmos, nos antissociabiliza e nem sempre podemos voltar à trás.
Religião? Eis um assunto do qual nunca encontrarei respostas. Francamente me remete o entendimento de ser a maior estupidez criada pela espécie humana. O que nos religa a religião? Ela só nos segrega e afasta. E eu não falo apenas em relação ao próximo, mas tomo como partida de meu próprio eu. Como posso amar ao meu próximo como à mim mesmo se o meu eu deve ser morto a cada dia como princípio de efetivamente seguir um credo? Credo em cruz! Estaria ai uma boa justificativa para uma chacina, eu mato você assim como eu mato à mim mesmo. Não acompanho!
Há uns anos atrás um adolescente me procurou pra conversar. Tinha completado suas quinze primaveras e sentia desesperadamente os seus hormônios pulsarem salientes em seu sangue. Um abraço era suficiente para sentir um Everest rugir em meio seus sustentáculos de locomoção, ou em metáfora mais adequada, sentia um Mauna Loa cuspir feroz e descontrolado suas lavas por entre sua cueca apertada.
E era exatamente sobre os vulcões que ele queria conversar. Como controlá-los? Em que pensar? O coitado havia sido orientado por uma pessoal liderança religiosa à correr, isto correr, running, jogging, cada vez que sentisse o tremor de suas placas tectônicas se chocarem, mas chocado fiquei eu ao saber que em pleno século XXI provocar e descobrir minhas erupções solitárias era pecado. -Deus criou o sexo para o homem e para a mulher e não para o prazer solitário.- Meu Deus, mas se eu não conhecer o meu prazer, como permitirei o meu próximo se encontrar comigo em momentos de prazer e volúpias? Não deveria ser aplicado ai o ao próximo como a si mesmo? Está na hora de deixarmos de abraçar o cadáver de uma cultura de fé e cultivá-la numa nova perspectiva.A de diálogo.
Este menino cresceu e hoje aos seus dezessete anos e em vida vulcânica ativa se condena amargurado por macular suas mãos perante deus. Na verdade ele ainda não desbravou suas matas virgens, mas por diversas vezes matou sua vontade de ver o corpo de sua namoradinha despido das convenções culturais e sociais e em toques delicados e curiosos, como de um historiador foi descobrindo nele o seu sexo in maturação. Nunca entendi o por que posso tocar a face de alguém, posso ver seus olhos, mas o nu ser proibido como pecado, sujeira e despudor. Me sinto um lixo, às vezes.
Este rapaz me disse em nossa última conversa que está apaixonado, como se isto mudasse todo o curso de sua história. Estupidez! O que seria a paixão senão um derramar de dejetos em substâncias orgânicas-hormonais em nosso sangue? Assim como a adrenalina, endorfina ou ocitocina. Orgânicamente falando uma hora o nosso cérebro deixa de nosso sangue poluir, por isso deixamos de apaixonado estar assim como uma roupa mudamos? Não. A paixão não se explica em palavras, mas se vive. Se joga, amigo! Seriam estas palavras que eu ouviria sem um pingo esforço de pensar. Cliché por demais. O que ele na verdade quer é descobrir o seu vulcão e isto não é mau, é de humano pra humano, de animal pra animal. É de vida, porra!
Mas eu disse: O que você quer é comer esta garota. Mas então fiquei a imaginar: Por que é o homem que come a mulher,na prática sexual se visivelmente é a vagina que engole, come o pênis e ainda é submersa por líquidos, fluídos, salivas?
Quase que eu não escrevi isto. Ou escrevi de uma forma mais rebuscada, polida, poética, mas pensei, por que não posso falar abertamente sobre sexo se somos todos com excessão de Adão e Eva provenientes de uma ato sexual? É, o meu, o teu, o nosso pai e mamãe transaram para que pudéssemos ser concebidos. Até teus pais fizeram sexo um dia na vida.
O sexo deve ter uma importância imensa pra deus e eu fico a me imaginar: Será que deus já transou um dia na vida? Sim, eu sei que os deuses mitológicos adoravam, melhor gostavam, por que adorar só a deus. Enfim, os deuses mitológicos curtiam uma boa transa. Zeus que o diga! Este como curtiu... um deus Facebook com uma lista de muitas amigas e amigos, diga-se de passagem! Mas e o deus Judaico-Cristão? Nunca li em seu livro um comentário que ele tenha dado uma fugidinha, rapidinha, ou pego em uma das esquinas das nuvens ou nas cozinhas de seu tabernáculo. Mas eu vou perguntar isto a ele quando eu chegar no céu, por que pelo menos para o meu julgamento final eu passarei por lá. Mas se for pra ficar só cantando eu vou preferir descer ao Hades, mais quentinho, sempre tem festa, bons vinhos e muitas mulheres e homens disponíveis. Eu não nasci pra viver só cantando pra toda eternidade, né?
Será que estou sendo muito pós-moderno ou pós-contemporâneo?
Temos o livre arbítrio, mas se não fizermos em exatidão o que de nós deus espera, sofreremos amargamente a consequência do castigo dos céus. Onde entra liberdade nisto? Desenha, por favor.
Gente, uma vida saudável e ponderada é estressante por demais. Por isto amo as mulheres, nunca estão satisfeitas com nada, sempre tem uma gordurinha, pneuzinho, estrias, celulites, sempre em volta a acessórios plásticos que as travestem em perfeições. São os travestis as mulheres perfeitas, sinceramente. Quem nunca viu um traveco na rua e comentou: Perfeita, até parece mulher!
Um amigo recém casado estava estes dias comentando de seus desencontros com sua mulher. Sempre a elogia, mas nunca estão perfeitas e quando ele diz ensandecidamente que tem algum erro em sua produção ela se transforma num grande monstro e ele jura que a teme. Estas eram suas palavras: Eu nunca entendo minha mulher. Quando é sim é não e quando é não é talvez!
Eu sentenciei que no dia em que ele a compreender poderá se definir publicamente gay, é, apenas um gay pode entender uma mulher, o gay ele transita entre os dois universos, ele é homem e é mulher, está no meio do caminho e não no meio do muro. Uma questão de sensibilidade e perspicácia natural de gênero e sexo.
Eu também já me perguntei o por que me permito ser bombardeado por tantas perguntas, mas isto eu também não sei e nem encontrei respostas. Alguém se habilita avaliar?