Mostrando postagens com marcador paixão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador paixão. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de julho de 2025

INVENTOS

ela é sol no meu peito 
o próprio dragão que São Jorge guerreou
eu também tentei não me queimar
me falhei em me amar
brinquei com fogo

ela é do rio o seu leito 
o sabor da saudade que minha boca não beijou
você também tentou nada falar
e me encalhei em teus segredos deixar o calar
brinquei com fogo

me cala quando fala
me cala sem calor
atrapalha os ventos 
sempre inventos do pavor

ele é só atitudes sem noção ou graça 
declarações vazias, alimentos da azia da praça 
o próprio Brasil escaldado no verão nas varandas 
teu me prometes mata virgem, mas não andas

eu sou todo lembranças da vida que passa
poesia soletradas dos escuros que te interessa
mas te quero o bem tão quanto quero pra mim 
e amanhã nosso fim será a degustação do fim 

Desculpa, Shakespeare 
se ousou eternizar histórias de amor
Romeo e Julieta morreram de amor
eu quero é viver de amar

terça-feira, 17 de junho de 2025

FELIZ OUTONO

Hoje a manhã acordou com anseio de amanhã. Como se os ponteiros do tempo estivessem embriagados pela pressa e pudessem pular a dor, adiantar a mágoa, silenciar o que ainda pulsa. Mas não pulam. Não silenciam. O hoje insiste em ser estilhaço do ontem, com a maturidade tardia que só a ferida aberta nos ensina a suportar.

O tempo não recua. As chuvas não se devolvem ao céu em forma de lágrimas. Um abraço quente não permanece onde a vaidade já cavou trincheiras. Sim, o amor é guerra. E amar talvez nosso último ato de revolução.

Hoje é um dia que não deixou de ser especial. E a memória insiste em peças pregar na narrativa do meu recordar. Rasteja em sua noite precoce como um cão ferido buscando o próprio rastro.

Um armandinho sorrateiro da lembrança me castiga com imagens sonoras que antes seriam ternura — hoje são afiados espelhos retrovisores. Caminho encontros e despedidas empregados nos pretérito-mais-que-perfeito. Todavia perfeito nada é.

Carrego no lombo teu corpo despojado de gentileza. Carrego tua infância eriçada, tua defesa armada, tua rispidez travestida de trauma da qual nunca experimentará a cura. Carrego tua voz encostada nas paredes da casa como mofo que não se deixa arrancar, como uma promessa que se apodreceu no tempo ou ainda a leveza de fitar teu corpo já cansado no banco grande e desconfortável da varanda.

E nas ruas, o silêncio. O silêncio do teu adeus nunca dito — apenas vivido. O silêncio que sempre foi a condição gentil.

Queria te desejar a morte em mim, mas na saga tortuosa pela indiferença, acabo te levando flores.
Flores mudas, flores vencidas. Pois fétido já está o requebrado da tua rigidez. E você ainda não percebe.

Meu peito hoje está lavado de esperança — como as escadarias do Bonfim, onde celebro um luto não autorizado. Despi-me de você sem mee despedir do âmago que eu criei.

Contemplo tua ausência como quem contempla um corpo desacordado de si, sem a intrepidez vivaz, enquanto se reza um reggae à meia-luz, entre velas e cinzas.

Feliz o homem que se permite, mesmo temendo, abrir o frasco de um amor guardado — não para ressuscitar, mas para finalmente enterrar os restos dos ossos do almoço insípido que preparei para o meu juízo.

Feliz aquele que aprende a despedir-se sem testemunhas, sem rito, sem culpa. Bem-aventurado o que não por mera aventura degusta o miocárdio quente que ainda pulsa teu nome, pelo simples apetite do possuir.

Feliz o outono, que em seus gravetos erguem guaritas de lucidez. Que a ti revele outra alma, não melhor, apenas menos cruel com os afetos que depositava na armadilha da defraudação. Afetos teu pra ti. Ah, se vc se rendesse de amor por ti. Quem sabe ainda haveria vida!

Feliz outono! Que em seus gravetos de guarita a verdade lhe traga um outro alguém que lhe toque o coração, sem rolá-lo numa mesa de bilhar, encapando em redes que pescam virilidade nesse amor que jaz como um losing game.

Eu, sigo.
Com a alma sangrando em silêncio e o peito limpo da esperança de retorno. E torno a dizer, sê feliz!
Não te espero mais. Não te desespero menos. Mas também não te expulso. Pode ficar, você  faz parte. Te guardo e te felicito junho. Porque há dores que não viram cinzas — viram poesia.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Temática incerta

Não disfarce o intento que te perturba
Entube as vozes dos olhares adversos
E adicione o teu fogo ao meu
Case a nossa fome voraz 
Com a sede de nossos lábios secos
Confundamos os sentidos dos trens 
Fundamos o peso do globo sobre nós
Tenhamos o tempo pra nós
E o desfrutamos com tempo pro café
Nada é em vão
Assim como não é vão entre nossos corpos
Sempre quem pouco ama
Muito medo tem do amar
É o verbo morre sem ação
E eu quero conjugar o tudo
Transo com o inteiro
Sem frações 
Sem divisões
Sem matemática certa
Sou da soma de um com um formar um
Com trações 
Com visões
Com temática incerta
Sou da soma de eu com você 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Me peça um abraço

Foi teu olhar que envenenou meu coração 
Certeiro como um golpe de capoeira
O teu ziriguidum entorpeceu e fraco estou
O que era solidão virou poeira

Foi teu sorrir que arrebatou o melhor de mim
Quem dera guardar eu essa pureza
O teu gracejo me enfeitiçou 
Grato estopim
Tão bom contemplar tua beleza

Bem, bem me olhando
Vem dançando
Vem tecendo o teu sorriso
Deixa eu me envolver

Ah, vem

Tem um desejo escondido 
No meu jeito
Me peça um abraço
O dou num beijo em você 

sábado, 16 de janeiro de 2016

Porque sempre se apaga a paixão

Antes de tudo quero que saibas
Que esse todo fogo se apagará
Quando a chuva chegar
O que ficará serão as cinzas de nossas emoções
Nestas descansarão o meu corpo nu
E minha alma vagará 
A minha alma oferecerá vagas para outros calafrios povoarem
Não será eterno esse amor
Não será pra sempre a minha dor
Não será para amanhã o que te prometi
Ah, se no nosso relógio os ponteiros acertassem o suspirar!
Do que me resta hoje te ofereço
Eu escreveria mil poesias
Para te falar do que nem sei amar
Se você deixasse
Eu esculpiria tuas risadas em minha rima
Se você deixasse 
Eu aqueceria tuas pernas frias com a palma de minha mão
Eu te trataria como um beija-flor
Que coroa a sutileza duma flor
E dela desvenda a doçura que só o beijo sabe falar
Se você deixasse eu não te deixaria
Eu te apertaria contra o meu corpo
Eu seria rio que refresca a pele
Eu seria até pra sempre
E todos os dias eu cantaria com você
Sim, eu abraçaria a vergonha sem vergonha
E revelaria o quão ridículo é o amor
E deixaria os sábios rirem de mim
Mas antes que me deixes
Quero que saibas que por acaso 
Em ti acender alguma fagulha de paixão
Será com calmaria que conservarei o incêndio
Que me provoca o teu sorrir
Isto, meu bem, sorria pra mim
Enrosque a tua perna na minha
Encaixe os meus dedos entre os teus
Não esconda o calor que tempera em suor tuas mãos
Simples assim
Sorria e me desminta do tudo que falei do amor
Faça me sentir novo e infantil
Desenhe timidez em meu rosto
Mude a minha aparência
E cale também meu coração
Mas não se esqueça
Que antes de mais nada o incêndio se apagará
E a gente vai se queimar outra vez

Com quantos graus de febre já se sabe se é paixão?

Calado estou
Sorrindo
Me faça um favor
Vem vindo pra mim
Me traz teu amor
Estou pedindo
Assanhe o calor
Deixa eu te sentir

Vem cá
Distraia a razão
E dance comigo
Vem cá 
Desfaça a proteção 
Se transe comigo

Dispenso o saber 
Dos medos
Deixa eu pertencer
Ao teu corpo e fim
É tenso morrer
Por zelo
Amar? Vai entender
Se deixa sentir

Vem cá
Sim, traia a razão
E dane-se comigo
Vem cá
Se faça em paixão
Se queime comigo



terça-feira, 24 de novembro de 2015

Escombros

Retiro a acelga da geladeira
Desligo a tevê e Wi-Fi 
Tempero com sal e alfavacas um bife de terceira
Eu que era vegetariano me alimento de sangues
Frio
Eu que era vegetariano canto um novo drama pra mim 
Ponho à mesa minhas solitudes
Disponho no corpo reais frustrações 
Distraio o choro
Retraio o riso
Eu traio à mim em silêncio 
Caio em mim em gritos que nunca esbocei
Mas são os mesmos que me sufocaram 
Os mesmos que focaram o meu peito por moradia
E fincaram com jeito as armadilhas 
Que me inventaram arrepios e pios
Ventaram sobre mim calmaria 
Com porcão de cal que me caiou 
E escondeu o esqueleto 
Que resultou da carne fétida 
E de terceira
Me alimento de mim fracassado 
Tenho por sobremesa o coração assado
Com juras e boas intenções 
Em tensões preliminares vou vomitando minhas destrezas
Rezas por mim
Pelo nome e amor de Deus me liberes
Do encontro com os escombros da casa que sonhei pra mim
E ti



terça-feira, 28 de abril de 2015

Nue

Nue.
Nue.
Meu amor 
é tão grande que cabe o
meu amor
que se esbalda feito criança
na ânsia de
devorar os doces de festas infantis
devo orar pelo meu
amor?
devo encaixá-lo
nos corpos dos amantes que 
me gemem?
gêmeos são os desconhecimentos de 
meu amor
foram os cimentos 
que a ele mentiram 
me tiram o
meu amor
feito lobos
que tiram doces de bocas de
crianças
criam ânsias
em poucas poses de contos
e nada conto ao 
meu amor
só pra que 
meu amor
continue
nu e
meu amor.
Nue.
Nue.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

De roupa e sem -em-amor-

Eu investi os meus últimos sais 
para te convencer de parar nossa guerra e
então ouvir a rouca e tímida voz 
que se cansava à nossa espera
era um som que ruía do coração
- ex nosso- 
fuzilado por "foi tua culpa"
tentava outra emoção
-dis-posto-
engalfinhado entre suas multas
acalentado por tuas suas queixas 
quem ama não desleixa
se deixa correr pelos fluxos dos rios
quem ama se goza sem transas
se trança em lençóis
se doa
mesmo que doa
os amores se sepultam
porém os amores não morrem
quem morreu
fui eu
eu fui
e não soube voltar
tampouco subi ao céu
vivi a cultuar tua presença
ausente
e presente
em mim
que sem roupa limpa e clara
se sepulta em si
-em-amor-

domingo, 26 de abril de 2015

De roupa e sem mudo

Assim como se veste um defunto fresco e gelado
assim fui trocando minhas roupas claras
fui despindo o meu corpo dos cheiros das castanhas moídas
fui sepultando os paladares de teu hálito
esquecendo das texturas dos cravos de tua língua
cultuando o falecimento múltiplo de nossa paixão
eu via o mundo
você o ouvia
eu era cego
você...
ah, você era deficiência 
e então fomos parando
e pairando sobre nosso ar veio o cheiro das flores 
a sensação dos dias de Finados nos circulou
e foi ela a última graça que dividimos
sem jeito ficamos sem jeito
e o jeito foi fechar teus olhos
e dizer adeus
sem nada dizer
pois mudo também era eu
eu que sempre mudo
de roupa


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Amores sem fundos

Disse "obrigado, abraço" e um riso escrito em "rs"
No interior era tomado pela razão de que isso não se agradecia
Filia-se entre os nós que faleciam
Que não descansa em paz
E se cansa de paixões
Como um câncer
E era de touro com os pés no chão
Quando o amor fali e resta a educação o corpo inflama
Outrora inflamado por desejos
Agora congelado por despeitos
Antes houvesse pavor, dor e descontentamento
Quando os íntimos se distraem o que resta é vazio
E nele se atraca o meu âmago
Amargo ele se refaz em manhas
Todas as manhãs se desfaz das lingeries mal-dormidas
E se alimenta dos mal-comidos banquetes
Pus a banca e não banquei o meu peito
Assinei cheques de amores sem fundo
Fundi-me em banho-maria
Banhado de ira me fudi em copo sem fundo
Creditei o cu como garantia
Acreditei que haveria refluxos
Por Crer, ditei luxos contínuos
E leiloei a mim
Quando o estômago do amor se satisfaz, o que resta é o arroto
E nesse som não reconheci meu nome 
Por fim a conta paguei
Sem me dar conta de que já houvera sido contada essa estória
Sem me dar contra a parede
Nem entre as coxas 
Ele disse: pare de encontrar
Desencontre e entre
Eu parei
E ele foi
Parando foi
Educadamente
Educa mente a parede
Sem me dar conta de mim

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Se preciso for não ame

O amor não seria revelado de uma única vez
Mais que um sentimento ele se revela como entidade que nos consome 
É carbono em sarça 
Ardente
Some teus ais aos deleites dos prazeres
Sem prazos
Sem prestações 
Lhe preste ações e este se encarregará de te subtrair traições 
Traia o amor
Atraia o seu corpo para tua cama
Acalma a calma que agita o teu peito
E aqueça o seu jeito com tuas conjugações 
O amor se conjuga em primeira pessoa
Em pronomes de tratamentos ridículos esse responde aos desesperos
Perturbe o amor
Retribua os seus gestos com maliciosas mãos 
Tribute suas juras com migalhas
Odeie-o e ele se tornará verbo em carne
Em cheiro
Em suor
Entre gozos e sedes
O amor vai amar você 
Nada nesse mundo
Submerga-se nessa superfície virgem 
Nada nesse mundo teria tamanhos ais 
Seduza o amor
Se faça intrusa em seus medos
Se entrosa com sua língua 
Masturbe o amor
Transe com ele se preciso for,
Mas não ame
.



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Esqueci do que iria escrever

O tempo parou
E nesse meio tempo
Fiquei meio que...
Ah, não sei o que queria dizer
Mas disse
Eu confessei o meu mal
E mal tive tempo pra...
Com fé sei...
Não, não sei
Sem tempo fica difícil ficar
Com tempo fica fácil fixar
E eu fissurei o contra-tempo
Não que fosse contra o tempo
Ou o tempo contra mim
Éramos conta-gotas
E de gota em gota desgastamos o gás
Gostamos dos desgostos
Outros nos tornamos
Sem ter 
Sem ter 
Sentido
Não operante
Errante no tom da ópera
Sem tempo pro que antes era dom
Erra o som
O bom da coisa
A tal coisa coisada
O mau coise que opera o com do tempo

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Gozo, peido e paixão

O que buscava era qualquer dor que lembrasse o rosto que me feriu. Qualquer tom, qualquer quer, qualquer qual.
É que chega um momento na paixão que a única verdade que podemos exibir é a mentira. Tiras de fantasias são amarradas aos laços de fidelidade. O engraçado é pensar que nem fiel à mim fui.
Armadilhas brancas são costuradas às estabilidades transitórias. Juras que cobram juros sem correção, mas erros libertinos. Risos são trocados por gargalhadas. Arrotos e peidos amargos por educação fria e cognitiva. As rugas salientam-se como profundos rios que nunca naveguei, nem ri. Águas que nunca fluíram em meu gozo. Gozado imaginar que hoje estamos secos. Ou encharcados de tantos esforços.
Eu morreria hoje se hoje me amasses. Ouvi dizer que era pra sempre o amor e a morte um até breve. Eu te veria outra vez e outra vez haveria o amar.
Se preciso fosse eu iniciaria uma guerra. Silenciaria as batalhas que travo com meus pulmões. Se preciso fosse eu deixaria de precisar. Apenas seria penas. Ar. vento. Calmaria. Mas não seríamos paixão. Caixão.
Eu revi minha mágoas. Cada puta que amei e não pariu a graça.
Se o nosso olhar se cruzasse at least por uma vez mais, descobririam os intentos que tramamos contra os queres. Querer querer não querer mais.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Toda verdade sobre mim é mentira - PARTE II

Hoje vi uma borboleta. Sei que pode não haver absolutamente nada de interessante em começar falando isso. Borboleta. O que são borboletas? Mas me perguntei: quantas vezes vejo uma borboleta na semana? No ano? Na vida? Vejo lagartas em todas formosuras que conheço. 
Poucas coisas têm mudado em minha vida. Meses passados eu mudava de grande amor a cada transa. Trepe, gozei, beijei na boca? Deixei de amar. Agora sinto-me preso ao último adeus que soletrei. E me pergunto se deveria ter me despedido com um "eu te amo". Por que as mulheres querem tanto ouvir isso, caralho? Se ao menos houvesse me pedido antes da transa, seria mais fácil, teria um  motivo, razão e circunstância. Mas de graça? Gratuitamente, pra que mentir? Mas quer saber de uma coisa? Saquei algo. Amor castrado não é como coito interrompido, como costumo dizer. Amor castrado é como amor castrado, não vivido, podado. Não há outros parâmetros de comparação. É foda! Quero dizer, não é... O homem quer fuder. As mulheres querem que os homens se fodam. E assim seguimos o instinto de nos satisfazer. Esquecemos que há uma parte que também gozaria tão igualmente daquele momento. Só momentos...


(AARON e CINDY se encontram na bancada de um bar) 

CINDY - Você tem fumado mais que o normal.

AARON - E você parece muito bem.

CINDY - Obrigada. Fui ao salão hoje. Percebeu. (Risos)

AARON - Tá sozinha?

CINDY - Ninguém nunca tá sozinha a essa hora no Print's... Estou com a tequila.

AARON - Tequila te...

CINDY - Tequila não "me". Tequila "nos". (Vira a tequila e beija ardentemente AARON)

AARON (Rindo surpreso) - Cindy.

CINDY (Levanta o anelar direito para o garçon, indicando outro shot) - Aaron Ford. 

AARON - Eu estava achando que a gente...

CINDY - Achando? (Ri) Eu já encontrei. (Debruça no balcão) Disfarça e olhe pra trás. O moreno alto, forte, cabelos curtos e de camisa azul claro...

AARON - É o Marx.

CINDY - Sabe de uma coisa!? Ele beija bem, muito bem. Pegada, dança, pau, calor... Mas não fuma. E nada melhor que o gosto de tequila e cigarro misturado. (Risos)Tesão! Se importaria de me dar um...? Cigarro.


Sabe quando vem aquela vontade avassaladora de chorar? Dizem que ela nos atinge como um chute bem dado no saco, exatamente no ovo esquerdo - esse dói muito mais, uma dor que persiste, aguda. Eu nunca tive essa vontade. Em toda minha vida, chorei apenas uma vez. Mas não vou falar sobre ela. Eu nunca falo sobre. Nem a menciono. E já mencionei. Sou cercado por muita gente que chora pra se convencer de que sofre. Testificar a dor, carência, perda. Gente que troca atos de piedade e falso amor por mazelas de sofrimento. Valha-me Deus. Apenas observo o jogo que se constrói em volta do querer e o desdenhe. Nega que me quer que te convenço a me querer. Sem paciência pra tamanha brincadeira. Quando eu quero, eu quero mesmo. E quando não me quererem, poucas vezes me faço me quererem. Pra quê? Mas dou corda. Bato palmas pros loucos dançarem. Até que percebam que sou eu o meu querer. Minha masturbação. Meu gozo. Eu ri agora. Ri pra caralho. Porra! Meu antigo terapeuta sempre dizia que eu me desminto a todo momento. Eu continuo dizendo que ele deveria tomar no cu. Terapeuta da porra! Vou levantar agora dessa cama e fumar um baseado. De leve. Verde esperança. Paz! Tranquilidade. Agora estou olhando perdido para o teto. Eu não disse, mas nem sai da cama, o baseado sempre fica nessa caixinha preta com recortes de filmes em PB colados. Coisas que herdei dela. Essa cama... Não havia me dado conta do tanto que era imensa. Sabe quando vem aquela vontade avassaladora de chorar? Então, acho que caiu um cisco no meu olho.

Será que amanhã eu poderia te contar que nunca brochei?


[...CONTINUA...]

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Sobre sintomas de pré-apaixonar

Um nó
fita e embrulha o peito
aperta o estômago
seco
torce a lágrima que cai
para que caia minha cor
e ela não para
macula o meu jeito
torto
magro
eu

torço pela perda
do peito
e deito
esqueço e lembro
o rosto queima
o coração cora e congela a saliva
as mãos acompanham o balanço das pernas
danço agora sem música
eu
e os pensamentos
sobre o peso do travesseiro
travesso e leve
sem razão
sem ação
são os nunca é
é o sempre seria
você

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Eu quero amor e deixar a impureza sair

Por mais que eu tentasse
Ou apenas me protegesse a minha psiqué
Eu estava fadado a morrer de amor
A fuga do destino me levava à caminhos tortuosos
Desfiladeiros íngremes temperados com chuvas serôdias
O chão tinturado à barro deslizava o meu tremor
E minhas forças despencavam montanha à baixo
Eu estava no traçar da trilha da morte
E simultaneamente eu tinha sede por vida
E o que é o viver se não os feixes de um abrir e fechar dos olhos
Não me acordem, nobres senhores
Deixe-me seguir livremente o cumprimento de minha jornada
Deixe-me surgir bruto para minhas emoções
E Ser lapidado pelo inexplicável sabor de ser paixão
Na textura dos tecidos que inflama o amor
Sabe quando você quer chorar e se permite?
Eu quero amar e deixar a impureza sair



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Muralha da China

A tua voz já não ouço
Tua mão
Meu pescoço
Minha idas e os meus ais
Tuas voltas e vendavais

O meu riso
O desgosto
Arame liso
Muito esforço
Minhas tinas e os meus tais
Despedidas e temporais

Mudou
Secou
Mudei
Molhei
Meu rosto

A tua paz já não torço
Tua face 
Meu desgosto
Minhas piras e meus reais
Tuas tiras irracionais

Mudou 
Secou
Mudei 
Murei
Meu coração

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Vírus do tipo paixão

Não te dou meu coração
Sem ele, me diga
Como vou te amar?
Posso dar-te uma canção
Que repita em discos riscados
Como é bom te amar!
Não te roubo o céu azul
Pois o subo: Como vou voltar?
Mas te pinto o infinito num salto nu
Olhos nos olhos
Um só olhar
Olha pra mim
Eu olho pra ti
Olho pros olhos que nunca me "viu"
Vira pra mim
Eu viro em ti
Viro pro vírus
Que nunca sorriu
Todavia seduziu
Me encantou
Me matou

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Let me breath again

Please, come to my world. Let me breath again.
Silence. Do not tell me anything. It doesn't matter. Just breathe my soul.
I know we don't know anything. We're children, stupid children. And we're just trying to do our best but should we do it? I don't know. I don't know what is the best. You know?
I am a fucking stupid man. But I always feel like a super man. All the men are like me. Ever!
I don't wanna be on the crest of a wave. I swear. 
I only wanna you. Let me breath again.
Here I am just for you, do not stand my heart up. Set your feelings free. Is it the best?
Let me put the cat out of the beg: I love you!
Don't laugh at me. You always ask me to say simple things, so I'm trying to do it in this way. I love you, sweetheart!
Oh Jesus, what a shammer. Maybe you're right. Maybe I don't love you. Maybe I only wanna a partner. But isn't it a love? I love me and I can love another person. 
Please, come to my world. Come to us.
Don't you remember the time when we were happy? Don't you remember when I used to touched your skin? The way you loved me? 
I got it! You already forgot the way you hurt me. Do you know my name? 
Darling, when you love all, you love nobody. And you forget everything. 
I could ask you to put everything that doesn't run over under the table and just live. But I'm trying to love. Sometimes you die when the love is your choice. Is it the best choice?
I cross my heart, I won't let you go far from me. I swear!
Once and for all, let me breath again! And breathe you!