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quinta-feira, 4 de setembro de 2025

ESPERE E VERÁS

eu te esperei 
aguardei
nos recôncavos da monta
de lembranças que guardei
no ruído dos louvores que, mal educadamente,
nos obrigava degustar
ouvia falar de tuas simplicidades e graça 
seu talento como bom contador de histórias 
e construtor de plot twists estratégicos
esperei por tuas surpresas
esperei por teu olhar de complacência indeléveis
esperei pela tão sonhada paz
eu era todo teu, Esperança 
depois de tua morte
e rezo nos grãos de minha mostarda 
pelo teu renovar 

que vida poderia suspirar 
sem a brisa leve 
de como um novo raio do velho sol 
acariciar meus rosto na manhãs

quinta-feira, 8 de maio de 2025

ARREBOL

a casa nunca é vazia
enquanto em mim cê habitar
nas falas que calam, nas risadas
ou ideias tolas que jurei tatuar

a ausência tua nunca foi partida
nem a presença a satisfação 
toda rua um beco sem saída 
cê no inverno faz intenso verão 

ainda em estação que não era certa
semeei em ti minha devoção 
nas chuvas dos choros, poesias discretas
colhi o colorido de teu coração 

o riso nunca é tristeza
canto do rio o anseio do mar
no olhar a moradia da beleza
em teu beijo o meu afogar

a ausência tua nunca foi partida
nem a presença a satisfação 
toda rua um beco sem saída 
cê no inverno, paz de verão 

agora que foi
volta nas voltas do sol
agora que foi
traz de volta o arrebol


quinta-feira, 13 de março de 2025

PALADAR


Treino minha mente para distrações banais na tentativa idiota de esquecer teu nome. Graça doce que pronuncio no treinamento da fé. E eu odeio sobremesas.
As contrariedades que tua existência produz em mim desafiam os alicerces em que se estabelece minha autoproteção ingênua e tua perspicácia sorri pra mim. Eu gosto disso!
Vivo no paradoxal movimento de lembrar de te esquecer para não recordar a razão ímpar da saudade que amarga o peito. Tua presença agridoça meu dia. Me liquefaz como uma vitamina de leite e abacate com biscoito maisena. Eu gosto disso!
Gosto de imaginar o sabor de tua boca ao encontro de todas as bocas que em meu corpo clamam por ti. Nosso olhar silencia a multidão, nossos compassos silencia a reserva, nossas mãos aquietam a vontade, nosso hálito amenizam as fugas. Minha boca se encharca de ti. E eu gozo disso.
Entre tantas outras coisas, eu quero lamber o teu cérebro.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Flâmula

O meu corpo chama pelo teu
E eu me queimo
As marcas se latifundiam na alma
E na pele se funde o silêncio ao pavor
Sem medo me povoo
Distribuo os meus calafrios aos risos fúnebres 
Eu salivo tua fúria e defraudação 
Na língua esculpo minha intenção 
Para que se lembre as chamas de meu tecer
Teço minha trama fina
Maculo minha organza 
E me deito em camas frias
Acariciado das mãos de teus bacanais
Sou flâmula de voce 
Beijos de teus desaforos 
Sou desejo atraído por paixão  
Sou paixão sem carbono
Sou brisa fria

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Dois tragam um

Me tranque no teu quarto de guardar trecos
Ou me transporte pro teu quarto escuro
Separe os filamentos da lâmpada 
E destrua o abajur
Se concentre ali
E eu me centro em você 
Em teu centro destruo tuas ramificações 
Misturando prazer e dor
Reencontro e despedidas de quem iniciou
Pra pausar
Ou terminar
Ir e vir
Paradoxalmente gozar
Sem temer o retorno da razão 
Sem se queixar 
Das coreografias que os ponteiros dançaram 
Sem culpar o tenpo que perdemos
A gente é de encontros
De soma e multiplicação 
Assim como é o transpirar
E depois de todo esse doar 
Nós que fomos dois
Tragaremos um
É gargalharemos do prazer
Em te conhecer

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Puro desconhecimento

O amor não é puro
Assim como é santo o ciúme 
O amor é desconhecimento sabido
Terra virgem que se prostitui
O amor é equação de terceiro grau
Efetuada por terceiros
Quem irá nos proteger de nós?
Quem irá desatar os nós de nossa garganta?
Quem beijará o sapo que não transamos engolir?
Quem gozará por nós?
Se o amor fosse luz 
Onde se esconderiam minhas traições?
Se o amor fosse incondicional
Onde treparia a dor com querer?
O amor é trama ilegal
Subsequenciais medos arraigados com o risco
Tesão que não sambam as pernas
Porra que sempre é louca e quente
Amor é o querer você me dominar a não desejar
Ai, amor

sábado, 16 de abril de 2016

As ruas de tua boca

É bossa a harmonia do som de tuas palavras
É deleite
É manjar dos pecadores 
A textura de tua boca é o que deseja
A sequidão de meus lábios 
Tão vermelha quanto o fogo
Em contraste com o alvo de tua face
Onde se transcreve tua ingenuidade de menino
Onde se reflete as artimanhas de minhas mãos 
Ah, como me refresca o menta de tua saliva
Que não mente pra mim
Que me hidrata o coração 
Que me inunda de tesão
E imunda a tensão 
E a faz se sentir pertencente ao mundo
Tão natural quanto a luz dos olhos teus
Olhos que sangra pureza
E dilacera os lugares secretos em que se esconde a paixão 
E livra o meu peito 
Do livro que por saber ler
Me recuso inscrever
Ah, se eu pudesse capturar o cheiro que foge de tua boca
E penetrar os meus olhos com o gosto teu
Ah, se as ruas de tua boca falasse de mim
Ah, se tivesse eu pernas para em ti caminhar meus indicadores
Em todo amanhecer 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Meu mal bem

Meu bem
É o ciúme o meu mal
Ele se acostumou aos meus encostos
Costurou-se firme em minhas costelas
Em fio de nylon
Em nó cego
E me permitiu ver a circunferência do umbigo
Ali na doçura das confusões de minha interpretação
Me afoguei

Meu bem
Você pega o meu medo
E abraça até que ele se sinta
Como parte de nós
Assim como o prazer
Parte que à parte dos parte em dois
E sinaliza nosso mal querer
Querer latifundiar o que é por natureza inóspito 
O coração


terça-feira, 12 de abril de 2016

Eu que sorri

Eu que ontem morri 
De ri
Hoje mato a fome 
Da solidão 
Submergido no agridoce molho
Do choro que não hidratei 
Me seco
Seco
Tratei em mordomia cristã 
As unhas que ceifaram minhas gargalhadas 
Rateei a partitura de seu som
Eu licenciei o silêncio nu
Ontem eu sequestrei a leveza do mundo
E imundo dancei com o chão da escuridão
Ontem à luz sorriu pra mim
Tímida 
Mas cores sagradas não permanecem
Assim como o beijo que partilhamos
Com palavras que não chamam nosso nome
E nos arrumam em pedaços soltos e perdidos
Oxalá, encontrar a parte que tatua-te
Quem me dera, contar as estrelas
Que no céu de minha boca colocastes
Só para me ver dormir e salivar por ti
Eu te espero como o gozo anseia a face
Te espero em cheiro forte
E espessura densa e invasiva 
E te deixo ficar
E te permito fixar o teu trono em mim
Para que não seja real o que digo
Pois o amor é plebeu
E o sorrir criadagem

segunda-feira, 11 de abril de 2016

O tempo do lar

O tempo parei para ti
Por ele paguei em solidão
Tão sólido olhar sobre mim
Foi tudo em vão
Um vão se instaurou dentro em mim
Ruptura razão e coração 
Nem cora o teu rosto sentir
Minha desilusão 
Quem muito ama pouco se quer amar
Em outras camas construirei meu lar
Ou então 
Tire a teia de aranha
Me olhe, desmonte essa banca
Se entregue por inteira
Não se acanha
Sem manha 
Amanhã é tarde demais




domingo, 10 de abril de 2016

Gozo

Deixa a noite dançar de organza
Seduzindo a estrada que nos municipaliza
Deixa as deixas das insinuações nos levar
E dance ao som do vento que acaricia o ar
Deixa as provocações alcançarem suas rixas
Não se lixa pras crases mal colocadas
Se permita a novas contrações
E aglutine corpos físicos 
Se seja espasmos
Esteja entregue
Entregue tuas represas ao mar
Gratuitamente
Não temas naufrágio 
Pois o amor é fogo
E o amar sequências de oceanos
Por hora rio
Outrora riacho
Diacho, o verbo é água 
E o imperativo não represar 
Deixe as unhas desse gozo cavar seu leito
E não sucumba as represálias do deserto do mal olhado 
Permeie lentamente os poros da pedra 
Acaricie em preliminares atentas
E não se atente aos conselhos meus
Sempre quando vem chuva
O céu é novo

quarta-feira, 30 de março de 2016

Por bem

Me traga teu sol
Fume o meu crepúsculo 
Desata meus nós 
Conjugue-me em si
Pra ti
Não quero saber das fugas do destino
Em mim vou tecer as tramas que colhi
Pra mim
Olha a flor do abacateiro dançando sem par
E eu me dando por inteiro
E você a se masturbar
Meu amor é fevereiro 
E você é Natal
Não é leve a mal
Me tenha por bem

segunda-feira, 28 de março de 2016

Fome

Eu sou tecido por fome de você 
E ela não se confunde com apetite
Ela transa com a necessidade 
Se esparrama com a gula
Se tempera por pecado
Eu tenho fome de você
E meus caninos ladram silenciosos meus desejos
Minha saliva elimina no ar o meu hormônio 
E ele se funde às tuas castrações 
E eu gosto delas
Gosto
E gosto outra vez
Eu tenho fome de você 
E sonho com minhas mãos em teus ossos
Eu perfuro tua pele e encontro teus umbrais 
Eu te depilo os nãos com os dentes
E alívio o teu pensar
Eu tenho fome de você
E de você quero comer

domingo, 27 de março de 2016

Onde morri

Foi a solidão que me acompanhou noite afora 
Enquanto choveu no meu rosto a tristeza do teu desamor
Fez-se posto de abastecimento de dor
Uma sensação de perda se depositou nas palavras que vi
A lua rejeitou o sol que se esfriou 
Calado eu canto meu pranto já sem ardor
Foi a tua mão que me coordenou à estrela que eu vi cair
Enquanto eu dançava no teu fulgaz amor 
Me encontro aonde morri
Porque me deixou
Logo já não vou chorar
Vou recompor a minha cor
Você vai se assustar
Ao ver o sol brilhar
Em meus olhos
Logo já eu vou vestir de colorido meu rancor
O dia vai surgir
Quem nunca chorou por amor?

sábado, 26 de março de 2016

Desenhos

Eu poderia estar agora desenhando o teu corpo nu
Mas ainda desenho minhas intenções
Para que você compreenda meus olhos
Imploro tuas mãos
Ainda frias
E exploro no teu beijo teus secretos labirintos
Eu segrego de você a razão da fúria
Mas no incêndio polar você polipolariza as chamas
E outra vez não se chama

sexta-feira, 11 de março de 2016

Rio

Todo mundo tem uma dor escondida
Uma ferida de estimação 
Um canto desafinado 
Todo mundo tem um não ter e desejar
Eu tenho um choro represado em torno as pupilas
Uma menstruação tingida nos olhos
Um Alasca nas íris 
Eu tenho um choro engasgado 
Que inundaria uma cidade 
Tendo um ombro amigo
Eu tenho um querer ter

quinta-feira, 10 de março de 2016

R.I.P.

As lágrimas que em mim rolam
São de meu corpo que se alivia
Do gozo que sufocamos 
As lágrimas que em mim rolam
Hidratam o agreste de meu peito
Onde em devoção sepultei o coração 

quarta-feira, 9 de março de 2016

Espaço

Mastigo o meu amor pra você se alimentar
Você não sabe o sabor de viver
Só sabe sonhar
Eu dei o meu melhor pra você
Você desdenhou
Pintei você em papel machê
Mas já desbotou
O pirão tá ralo 
E o peixe escaldado 
Bota farinha pra não engasgar
Você não sabe o valor da calma
Não me cozinha do ponto vou passar 
Na parede está tatuada a raiva
E no colchão estampado o amor
Está  caindo teto
Está ruindo a casa 
Eu já fui pro espaço 
Acabou 

terça-feira, 8 de março de 2016

E nem paga aluguel

Há um amor que mora em mim
Na espera de visitar o teu peito
E tomar um chá, um suco, cerveja
Quem sabe faxinar aquele quarto de guardados
Trocar a luz da varanda
Ou apenas pendurar umas samambaias 
Ou pintar o amarelo das paredes
Há um amor que vivi em mim
No desejo de fugir do fundo do peito
E fazer serenata em tua janela
E desafinado fazer teu rosto sorrir
Ainda intrépido saquear teu jardim
Roubar-lhe o melhor beijo
Mas ele já selecionou as melhores sementes
Pra em ti semear fartura de prazer
Há amor pra viver e doar
E numa casa só 
Com você conviver

segunda-feira, 7 de março de 2016

Novo dê novo

Um novo amor
Um novo ciclo
Pra trocar
Pra conviver
Com a pitada do outro
Com as singularidades 
Que denotam plurais mundos
Outrora vulgar
Outrora noite fria e chata
Por hora abraçado e afagado pela voz
Voz que em silêncio ensurdece o olhar
Olhar que ilumina os pesadelos 
Que em mim pesam o preço 
De um novo amor
Um novo ciclo 
Pra tocar
E viver você