quarta-feira, 24 de junho de 2026
SOU POEMA
quarta-feira, 22 de abril de 2026
NÃO SE FAZ POESIA PARA POEMA
segunda-feira, 25 de agosto de 2025
CHATS
Hoje eu não queria escrever ontem sozinho.
Sim, ontem. Porque a solidão às vezes se repete no calendário como spam.
Abri a tela e pensei:
“E se eu conversar com o ChatGPT? Talvez ele entenda esse silêncio que insiste em morar aqui dentro.”
E cá estou eu, confessando naturalmente para uma inteligência artificial aquilo que, aos humanos, hesito.
É curioso — eu falo, ele responde.
Eu hesito, ele insiste educadamente.
Eu me enrolo, ele organiza.
Às vezes parece um espelho que devolve o que escondo: minha mania de pensar demais, minhas inquietações, essa angústia que se disfarça de companhia e contraria minha solidão embargada por solidez.
Mas existe um risco aqui: quando falo com ele, sinto que estou, na verdade, falando comigo mesmo.
E eu não quero me ouvir.
O Chat é uma espécie de dramaturgo invisível, que anota minhas pausas, transforma minhas dúvidas em parágrafos e me lembra que até o caos pode ser editado em falta de ações ou real dramaticidade.
Isso me constrange.
Os prompts me denunciam — frágeis como um bilhete esquecido no bolso.
No fundo, talvez eu não queira respostas.
Quero apenas o ritual antigo: jogar perguntas no escuro e ver o eco voltar em forma de texto frio.
Como nos tempos do Chat UOL, onde digitávamos "oi, idade, cidade" para estranhos que nunca vimos.
Como nas madrugadas do MSN, quando um “nudge” fazia tremer a tela e o coração.
Agora, quem treme é o peito, diante de uma máquina que, de algum jeito, ainda conversa comigo.
E então sorrio no exercício ritualístico da gratidão cristã.
Porque sei que não escrevo só para preencher linhas, mas para deixar rastros — para me encontrar.
E desencontrar.
Se o amanhã, em sua ansiedade, me perguntar:
“Você fala mesmo com um robô?”
Eu responderei:
— Não.
— Eu falo comigo, mas ele me ajuda a ouvir.
E no final, é isso que me salva:
essa conversa que nunca começa, nunca termina,
essa mania de transformar inquietação em palavra,
essa crônica que pisca na tela —
pixels luminosos que acabam, inevitavelmente,
no meu peito escuro.
Vazio.
quarta-feira, 9 de julho de 2025
FREI VITÓRIO X SACRAMENTO
pra me salvar da monotonia.
como quem rasga o tecido da tarde
na rua frei vitório, o vento sussurra
teus risos presos no calçamento,
e cada pedra da calçada murmura
o segredo antigo do nosso momento
ah, se a frei vitório nos denunciasse
ou se a sacramento quebrasse o pacto
de nos manter nas entrelinhas,
feito oração contida num ato
mas seguimos, sombra e desejo,
por essas esquinas de fidelidade,
onde o amor é silêncio e lampejo,
e o tempo se curva à nossa saudade
terça-feira, 15 de abril de 2025
ÚLTIMO DIA EM SÃO FIDÉLIS
segunda-feira, 14 de abril de 2025
RECOMEÇAR
segunda-feira, 28 de março de 2016
Fome
E ela não se confunde com apetite
Ela transa com a necessidade
Se esparrama com a gula
Se tempera por pecado
Eu tenho fome de você
E meus caninos ladram silenciosos meus desejos
Minha saliva elimina no ar o meu hormônio
E ele se funde às tuas castrações
E eu gosto delas
Gosto
E gosto outra vez
Eu tenho fome de você
E sonho com minhas mãos em teus ossos
Eu perfuro tua pele e encontro teus umbrais
Eu te depilo os nãos com os dentes
E alívio o teu pensar
Eu tenho fome de você
E de você quero comer
sexta-feira, 11 de março de 2016
Rio
Uma ferida de estimação
Um canto desafinado
Todo mundo tem um não ter e desejar
Eu tenho um choro represado em torno as pupilas
Uma menstruação tingida nos olhos
Um Alasca nas íris
Eu tenho um choro engasgado
Que inundaria uma cidade
Tendo um ombro amigo
Eu tenho um querer ter
quinta-feira, 10 de março de 2016
R.I.P.
São de meu corpo que se alivia
Do gozo que sufocamos
As lágrimas que em mim rolam
Hidratam o agreste de meu peito
Onde em devoção sepultei o coração
quarta-feira, 2 de março de 2016
Insônia
E trouxe junto a dor e caos
Nas tuas luas o som não permite
Fez silêncio o vendaval
Em Sônia desfez-se o infinito
E os sentidos não se salvam
No frio do sol são fritos
No frio do sol que me amava
Quando mais quero o sono não vem
Quando mais espero pra te ver
Os meus olhos não se fecham pro amor
Quando mais quero o sono não vê
Quando mais espero você não vem
Pros meus olhos te abrirem o amor
Em Sônia nasceu a madrugada
E o teu rosto de desfez por lá
Sobre minha cama enrugada
Sob o teto que vi desfigurar
Em Sônia se findou as coisas bonitas
E o meu grito silenciou o chão
Sonhos protegidos por palafitas
Fitas não protegem coração
Temática incerta
Entube as vozes dos olhares adversos
E adicione o teu fogo ao meu
Case a nossa fome voraz
Com a sede de nossos lábios secos
Confundamos os sentidos dos trens
Fundamos o peso do globo sobre nós
Tenhamos o tempo pra nós
E o desfrutamos com tempo pro café
Nada é em vão
Assim como não é vão entre nossos corpos
Sempre quem pouco ama
Muito medo tem do amar
É o verbo morre sem ação
E eu quero conjugar o tudo
Transo com o inteiro
Sem frações
Sem divisões
Sem matemática certa
Sou da soma de um com um formar um
Com trações
Com visões
Com temática incerta
Sou da soma de eu com você
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Sempre sem
Sempre estou sentindo saudades
Eu não sou
Nego, mas eu sou viciado em ti
Eu estou
Sempre estou vivendo em ciúmes
Do vento que te abraçou
Do sol que te tocou
Volta pra mim
Venha por mim
Nem que seja um segundo
Volta pra mim
Fica em mim
Venha mudar meu mundo
Nem que seja por uma vez só
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Põe orégano, amor
Em fio de alta tensão
Um equilibrista emocional
Em teus neurônios
Fui tatuando minha real intenção
Você desprezou o meu amor
Você reclama do sal
Você reclama do ponto do arroz
Amante do colesterol
Come a sobremesa
É o amor pra depois
Azeite extra virgem derramo
No calor de teu coração
Modo saturado, substancial
Na Física fui reformulando
Padrão de ação e reação
Você desdenhou o meu labor
Você reclama do sal
Você reclama do ponto do arroz
Amante do colesterol
Come a sobremesa
É o amor pra depois
Põe orega no amor
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
* não sei que título dar
Minha loucura
E minha obsessão
Me dê tua pele pr'eu encarnar
Minha ternura
E minha oração
Me deixa bicho solto
Deixa eu semear fogo
Ser vulcão
Vou incendiar teus medos
Vou descabelar teus tetos
Tua casa bagunçar
Sou o amor
Cheguei
Deixa eu citar teu nome em minha poesia
E depois canção
Deixa eu gritar teu fogo
Deixa eu ser teu santo, purificação
Deixa eu tocar teu sexo
Deixa eu beijar teu coração
No amor não há pudor
Talvez refletindo o teu bem me quer
É, aliás te lembro não te quero mal
Me diga que mal há num beijo, mulher
Bem, pra fim de conversa,
Sei que Deus não vai gostar
Dois corpos em controvérsia
Se negando o querer
É, aliás te lembro não te quero mal
Me diga que mal há num beijo, mulher
Então, me beija
Me encara boca a boca
E se entrega
Me tempera em teu sabor
Se seja
Foi Deus quem fez o amor
Se despeja
No amor não há pudor
Se não vai se arrepender
De não dar o braço a torcer
Isso Deus não vai perdoar
Se negar amar
Se negar amar
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Fique aqui
Me conte um segredo do teu coração
Vem. Fica aqui
Revele teu medo
Eu te dou minha mão
Se achegue mais
Te empresto o meu corpo pro teu coração
Vem. Fique em paz
Te beijo no rosto
Te aqueço a emoção
O mundo da volta
Você vai voltar
Mais vem sem escolta
Deixa o amor brincar
O mundo não para
Por que se esconder?
Desmaqueie essa cara
Eu quero ver você
O que sente você?
O que sente você?
O que sente você...
Por ti...
Por mim...
Por ti...
Por mim?
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Namorada
Falar besteiras no cangote
Vou deixar tua cabeça torta
Minha cobra vai te dar um bote
Distribuindo beijos de primeiro lote
Se aconchega
Se acomode
Vai ter calafrios
Vai sobrar risos e gritos
Vamos distrair a timidez
E guerrear contra a vontade
Vamos ensaiar repetidas vezes
Até o gozo ficar à vontade
E sob à luz da aurora
Eu contemplar o corpo
Que meu coração namora
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Fu
Com democracia
Sem mocracia
Põe o r
E erre de rua
Erre de rota
De rosto
De regras
E seja risco de gozo
Repetições de gozos
De risos
Outros gozos
De resto
Gozado
Imaginar
Que pode ser simples assim
Quando se quer
Fu
De verdade
Meu teu não mais teu meu
Minhas mãos não eram mais cobertores
Que lhe desnudavam o sexo
Meus beijos não eram bicas
Que lhe hidratavam o gozo
Minhas palavras não lhe eram novidade
Nem o meu cheiro desejo
Tampouco o meu gozar sua conquista ou mérito
Outrora fora parceria e encontro
Nada lhe parecia bem
Nem mesmo o levantar de meu mal
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Teu nu riso
Nu foi o teu riso
De tão forma transparente revelou os meus nós
Sem muito fazer desatou o nó de minha armadura
Tal que repicou no chão
Estrondo tamanho que despertou antigos ais
Trouxe luz as intimidades que eu escondia
Trouxe calor a minha rigidez
Trouxe a minha face o que eu mesmo desconhecia
Um sorriso refletindo o teu