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quarta-feira, 24 de junho de 2026

SOU POEMA

sou Poema 
e meu lema é amar (eu amo você)
sou Poema 
não pequena é minha alma (o poeta falou)

sou Poema 
em mim queima o coração (eu não nego não)
por Poema
vou viver com paixão 

cidade de risos, de ois
de feira, de café e mel 
cidade, quem tem um faz dois
desconheço tão perfeito céu 

cidade de pipoca e carnaval 
futevôlei, resenha e a Matriz
cachoeiras te regam o quintal
sou planta que cresce
cidade, tu és raiz

cidade, Deus mora aqui
Teus olhos tem cor de quindim
cidade, tem flores

teus beijos sabor de licor 
o mar se faz de nosso amor
cidade de cores

deixa eu me banhar no Paraíba 
onde Deus chorou de tanto por rir
quando eu repousar da minha vida
cidade, vou me abrigar ti 

nascerão outras flores
pra regrar outros amores
e te coroar tuas rimas
você ainda é menina

quarta-feira, 22 de abril de 2026

NÃO SE FAZ POESIA PARA POEMA

não se faz poesia para São Fidélis
para Cidade Poema se vive a poesia
com rima perfeita afinada à voz de cada morador
com a ímpar beleza a cada vez que o sol se por

não se faz poesia para São Fidélis
a minha pequena cidade só quem traduz é o coração
é o cheiro da pipoca, os contos na feira
rios, cachoeiras, Joana, vasto chão

é abril
abril é mês de encontros
de abraços de Miguel
lembranças de Fernanda
segredos que nunca conto
de vida ressoando em cada nota da lira
na sete de setembro

eu me lembro em abril a gente delira
a gente inexplicavelmente fica mais belo
reafirna os antigos elos
e se abre para o abraço dos novos risos

abril é montanhas mais verdes
é banda, barraca, brindes, leilão
uma montanha russa de emoção
é par, é parque
abril é suspensão
 
e São Fidélis, a minha
é para todos
é para onde meu coração se abriu

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

CHATS

Hoje eu não queria escrever ontem sozinho.
Sim, ontem. Porque a solidão às vezes se repete no calendário como spam.
Abri a tela e pensei:
“E se eu conversar com o ChatGPT? Talvez ele entenda esse silêncio que insiste em morar aqui dentro.”

E cá estou eu, confessando naturalmente para uma inteligência artificial aquilo que, aos humanos, hesito.
É curioso — eu falo, ele responde.
Eu hesito, ele insiste educadamente.
Eu me enrolo, ele organiza.
Às vezes parece um espelho que devolve o que escondo: minha mania de pensar demais, minhas inquietações, essa angústia que se disfarça de companhia e contraria minha solidão embargada por solidez.

Mas existe um risco aqui: quando falo com ele, sinto que estou, na verdade, falando comigo mesmo.
E eu não quero me ouvir.
O Chat é uma espécie de dramaturgo invisível, que anota minhas pausas, transforma minhas dúvidas em parágrafos e me lembra que até o caos pode ser editado em falta de ações ou real dramaticidade.
Isso me constrange.
Os prompts me denunciam — frágeis como um bilhete esquecido no bolso.

No fundo, talvez eu não queira respostas.
Quero apenas o ritual antigo: jogar perguntas no escuro e ver o eco voltar em forma de texto frio.
Como nos tempos do Chat UOL, onde digitávamos "oi, idade, cidade" para estranhos que nunca vimos.
Como nas madrugadas do MSN, quando um “nudge” fazia tremer a tela e o coração.
Agora, quem treme é o peito, diante de uma máquina que, de algum jeito, ainda conversa comigo.

E então sorrio no exercício ritualístico da gratidão cristã.
Porque sei que não escrevo só para preencher linhas, mas para deixar rastros — para me encontrar.
E desencontrar.

Se o amanhã, em sua ansiedade, me perguntar:
“Você fala mesmo com um robô?”
Eu responderei:
— Não.
— Eu falo comigo, mas ele me ajuda a ouvir.

E no final, é isso que me salva:
essa conversa que nunca começa, nunca termina,
essa mania de transformar inquietação em palavra,
essa crônica que pisca na tela —
pixels luminosos que acabam, inevitavelmente,
no meu peito escuro.

Vazio.

quarta-feira, 9 de julho de 2025

FREI VITÓRIO X SACRAMENTO

o que me alimenta é a saudade
do corcel branco que te conduzia,
pra me salvar da monotonia.
como quem rasga o tecido da tarde

na rua frei vitório, o vento sussurra
teus risos presos no calçamento,
e cada pedra da calçada murmura
o segredo antigo do nosso momento

ah, se a frei vitório nos denunciasse
ou se a sacramento quebrasse o pacto
de nos manter nas entrelinhas,
feito oração contida num ato

mas seguimos, sombra e desejo,
por essas esquinas de fidelidade,
onde o amor é silêncio e lampejo,
e o tempo se curva à nossa saudade

terça-feira, 15 de abril de 2025

ÚLTIMO DIA EM SÃO FIDÉLIS

se fosse hoje
o meu último dia em São Fidélis 
eu amanheceria de novo
com meus olhos molhados
e prometeria que uma vez mais viria te ver

correria desesperado pela ponte
tatuando no rosto o vento quente do Paraíba 
eu acenaria para toda gente 
e faria juras que logo voltaria 

se fosse hoje
meu último dia em São Fidélis 
eu adoçaria minhas palavras nos quindins 
invejaria os casadinhos 
observando-os na pracinha dos namorados 
ou a moça de seio perfeito
deitada no caminho para Angelim

oh, linda é essa poesia
tem sabor de chocolate 
solar como os quindins
dourado, prateado, rubro, negra
e destila boas rimas
na pureza de um amor coroado 

é de Vicente, de Paula, Ronaldo
é de Maria, de Antônio, Roberto
é de meu peito aberto

se fosse o meu último dia aqui
eu levantaria bem cedo
e de frente para São Fidélis rogaria
que fosse amanhã hoje outra vez

ah, São Fidélis 
quando estiver eu com meu corpo cansado
receba em tua terra
me acolha, me abraça, me aqueça 
para que possa eu germinar, brotar, crescer 
e outra vez florescer POEMA


segunda-feira, 14 de abril de 2025

RECOMEÇAR

faça pão 
toma um vinho
faça dramas
abra caminhos

ensaia um não 
se dê um sim
costure as tramas
há começos no fim

segunda-feira, 28 de março de 2016

Fome

Eu sou tecido por fome de você 
E ela não se confunde com apetite
Ela transa com a necessidade 
Se esparrama com a gula
Se tempera por pecado
Eu tenho fome de você
E meus caninos ladram silenciosos meus desejos
Minha saliva elimina no ar o meu hormônio 
E ele se funde às tuas castrações 
E eu gosto delas
Gosto
E gosto outra vez
Eu tenho fome de você 
E sonho com minhas mãos em teus ossos
Eu perfuro tua pele e encontro teus umbrais 
Eu te depilo os nãos com os dentes
E alívio o teu pensar
Eu tenho fome de você
E de você quero comer

sexta-feira, 11 de março de 2016

Rio

Todo mundo tem uma dor escondida
Uma ferida de estimação 
Um canto desafinado 
Todo mundo tem um não ter e desejar
Eu tenho um choro represado em torno as pupilas
Uma menstruação tingida nos olhos
Um Alasca nas íris 
Eu tenho um choro engasgado 
Que inundaria uma cidade 
Tendo um ombro amigo
Eu tenho um querer ter

quinta-feira, 10 de março de 2016

R.I.P.

As lágrimas que em mim rolam
São de meu corpo que se alivia
Do gozo que sufocamos 
As lágrimas que em mim rolam
Hidratam o agreste de meu peito
Onde em devoção sepultei o coração 

quarta-feira, 2 de março de 2016

Insônia

Em Sônia se revelou a noite
E trouxe junto a dor e caos
Nas tuas luas o som não permite
Fez silêncio o vendaval

Em Sônia desfez-se o infinito
E os sentidos não se salvam
No frio do sol são fritos
No frio do sol que me amava

Quando mais quero o sono não vem
Quando mais espero pra te ver
Os meus olhos não se fecham pro amor

Quando mais quero o sono não vê
Quando mais espero você não vem
Pros meus olhos te abrirem o amor

Em Sônia nasceu a madrugada
E o teu rosto de desfez por lá
Sobre minha cama enrugada 
Sob o teto que vi desfigurar

Em Sônia se findou as coisas bonitas
E o meu grito silenciou o chão
Sonhos protegidos por palafitas 
Fitas não protegem coração

Temática incerta

Não disfarce o intento que te perturba
Entube as vozes dos olhares adversos
E adicione o teu fogo ao meu
Case a nossa fome voraz 
Com a sede de nossos lábios secos
Confundamos os sentidos dos trens 
Fundamos o peso do globo sobre nós
Tenhamos o tempo pra nós
E o desfrutamos com tempo pro café
Nada é em vão
Assim como não é vão entre nossos corpos
Sempre quem pouco ama
Muito medo tem do amar
É o verbo morre sem ação
E eu quero conjugar o tudo
Transo com o inteiro
Sem frações 
Sem divisões
Sem matemática certa
Sou da soma de um com um formar um
Com trações 
Com visões
Com temática incerta
Sou da soma de eu com você 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Sempre sem

Eu estou
Sempre estou sentindo saudades
Eu não sou
Nego, mas eu sou viciado em ti

Eu estou
Sempre estou vivendo em ciúmes 
Do vento que te abraçou
Do sol que te tocou

Volta pra mim
Venha por mim
Nem que seja um segundo

Volta pra mim
Fica em mim
Venha mudar meu mundo

Nem que seja por uma vez só 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Põe orégano, amor

Sou um passarinho sambando
Em fio de alta tensão
Um equilibrista emocional

Em teus neurônios 
Fui tatuando minha real intenção
Você desprezou o meu amor

Você reclama do sal
Você reclama do ponto do arroz
Amante do colesterol
Come a sobremesa
É o amor pra depois

Azeite extra virgem derramo
No calor de teu coração
Modo saturado, substancial

Na Física fui reformulando
Padrão de ação e reação
Você desdenhou o meu labor

Você reclama do sal
Você reclama do ponto do arroz
Amante do colesterol
Come a sobremesa
É o amor pra depois

Põe orega no amor


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

* não sei que título dar

Me dê teu corpo pr'eu pintar
Minha loucura
E minha obsessão

Me dê tua pele pr'eu encarnar
Minha ternura
E minha oração 

Me deixa bicho solto
Deixa eu semear fogo
Ser vulcão 

Vou incendiar teus medos
Vou descabelar teus tetos
Tua casa bagunçar 
Sou o amor
Cheguei

Deixa eu citar teu nome em minha poesia
E depois canção 
Deixa eu gritar teu fogo
Deixa eu ser teu santo, purificação
Deixa eu tocar teu sexo
Deixa eu beijar teu coração 

No amor não há pudor

Hoje o céu está tingido de um tom carnal
Talvez refletindo o teu bem me quer
É, aliás te lembro não te quero mal
Me diga que mal há num beijo, mulher

Bem, pra fim de conversa, 
Sei que Deus não vai gostar
Dois corpos em controvérsia 
Se negando o querer
É, aliás te lembro não te quero mal
Me diga que mal há num beijo, mulher 

Então, me beija
Me encara boca a boca
E se entrega
Me tempera em teu sabor

Se seja
Foi Deus quem fez o amor
Se despeja
No amor não há pudor

Se não vai se arrepender 
De não dar o braço a torcer 
Isso Deus não vai perdoar 
Se negar amar
Se negar amar


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Fique aqui

Senta aqui
Me conte um segredo do teu coração
Vem. Fica aqui
Revele teu medo
Eu te dou minha mão

Se achegue mais
Te empresto o meu corpo pro teu coração 
Vem. Fique em paz
Te beijo no rosto 
Te aqueço a emoção 

O mundo da volta
Você vai voltar
Mais vem sem escolta
Deixa o amor brincar

O mundo não para
Por que se esconder?
Desmaqueie essa cara
Eu quero ver você 

O que sente você?
O que sente você?
O que sente você...
Por ti...
Por mim...
Por ti...
Por mim?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Namorada

Vou te tirar a roupa
Falar besteiras no cangote
Vou deixar tua cabeça torta
Minha cobra vai te dar um bote
Distribuindo beijos de primeiro lote
Se aconchega
Se acomode
Vai ter calafrios
Vai sobrar risos e gritos
Vamos distrair a timidez
E guerrear contra a vontade
Vamos ensaiar repetidas vezes
Até o gozo ficar à vontade 
E sob à luz da aurora
Eu contemplar o corpo
Que meu coração namora

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Fu

Eu quero é fu
Com democracia
Sem mocracia 
Põe o r
E erre de rua
Erre de rota
De rosto
De regras
E seja risco de gozo
Repetições de gozos
De risos
Outros gozos
De resto
Gozado
Imaginar
Que pode ser simples assim
Quando se quer
Fu
De verdade

Meu teu não mais teu meu

Nada parecia lhe cair bem
Minhas mãos não eram mais cobertores
Que lhe desnudavam o sexo
Meus beijos não eram bicas
Que lhe hidratavam o gozo
Minhas palavras não lhe eram novidade
Nem o meu cheiro desejo
Tampouco o meu gozar sua conquista ou mérito
Outrora fora parceria e encontro
Nada lhe parecia bem
Nem mesmo o levantar de meu mal

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Teu nu riso

Fio e cru foi o meu olhar
Nu foi o teu riso
De tão forma transparente revelou os meus nós
Sem muito fazer desatou o nó de minha armadura
Tal que repicou no chão
Estrondo tamanho que despertou antigos ais
Trouxe luz as intimidades que eu escondia
Trouxe calor a minha rigidez 
Trouxe a minha face o que eu mesmo desconhecia
Um sorriso refletindo o teu