terça-feira, 14 de julho de 2026

HOJE

às vezes as desdenha

não provêm do interesse de não querer comprar 

mas dá disponibilidade que ofertamos

por carência, anseio,

preciso esperar o amor chegar 


e se amor ainda não habita em mim

toda jura é projeção do vazio

ou da vaidade

que a gente teima cultivar

pelo medo só silêncio do quarto,

da cama fria e vazia, 

dos ecos secos nas paredes do quarto 


amor é ser inteiro, entregue 

o amor é pra ser escuta e zelo

O amor é quando fogem as palavras 

e o abraço é habitar


e o que estrutura ,

não se engane,

nessa negadas curas

o amor é infame


rem todo amor é eterno

mas nenhum amor deveria nossa 

essência raptar


o que você perdeu amanhã por amar hoje?


terça-feira, 7 de julho de 2026

Corrida de corres

hoje meu vício é a corrida
corro para esgotar os corres
me esquecer dos rios que jorram dos cortes
eu rio feito nobre pra esconder o frio
tua presença me ausenta a paz

hoje de manhã as assombrações amarraram o sol
o vulto das lembranças sangrou o afã
todo percurso era curso de ofegância
hoje de manhã era raios fúnebres de ontem

quanto tempo leva pra a insensibilidade pousar?
quanto tempo leva para Sísifo coreografar sua repetição 
minha pernas já estão falhas dessa castigo, deuses
cansado estou de rodopiar no eixo de mim

e eu ainda corro, desesperadamente corro
corpos com tantas outros esperos cruzam comigo
todo mundo de todo passo firme é de urgências 
tão crentes quanto o negar a deus



segunda-feira, 6 de julho de 2026

PEDRA

O menino que virou pedra

Há dias em que me sinto profundamente acompanhado.

Os abraços chegam. As palavras aquecem. As pessoas se demoram em mim com uma generosidade que eu reconheço, admiro e agradeço. Ainda assim, quando a porta se fecha e o silêncio toma conta da casa, descubro que existe um mundo muito maior do que aquele onde todos conseguem entrar.

É um mundo só meu.

E, curiosamente, nele cabem todas essas pessoas que amo. Elas estão lá. Habitam minhas memórias, meus afetos, minhas gratidões. Mas, por alguma razão que ainda não sei explicar, continuo sendo o único morador.

A solidão não grita. Ela sussurra.

É uma dor aguda, fina, constante. Dói por existir. Dói porque, mesmo cercado de acolhimento, às vezes me sinto incapaz de acreditar que ele seja suficiente. Então me culpo. Penso que talvez exista em mim uma fome antiga, dessas que não se alimentam com o pão do presente porque continuam presas à escassez do passado.

Talvez eu ainda não tenha sobrevivido completamente às minhas antigas dores.

E, para que ninguém perceba, eu performo. Sorrio. Converso. Abraço de volta. Faço graça. Pareço inteiro. Mas toda performance cobra um preço. Volto para casa esgotado, abusado de mim mesmo, destruído pela exaustão de sustentar um personagem que, no fundo, só queria pedir colo.

Tenho um choro maior que o Paraíba do Sul quando atravessa São Fidélis. Um rio inteiro represado atrás dos olhos.

Às vezes também carrego pedras no peito, mais brutas que a Serra do Sapateiro. Rochas que não nasceram comigo, mas que aprendi a carregar como se fossem parte do meu corpo.

E, ainda assim, há beleza.

Há uma delicadeza em mim que floresce como a Bela Joana. Há poesias que insistem em nascer, mesmo quando tudo parece árido. Há ternuras que sobrevivem às rachaduras. Há uma esperança teimosa que continua acendendo pequenas luzes dentro de um coração cansado.

Talvez seja por isso que eu me reconheça tanto no Itacolomi.

Dizem que é um menino transformado em pedra. Às vezes penso que também me tornei isso: alguém que endureceu para não quebrar, alguém que aprendeu a permanecer imóvel porque o movimento parecia perigoso.

Mas, hoje, o que mais desejo não é continuar resistindo.

É voltar a fluir.

Quero reencontrar o menino antes da pedra. Antes dos medos. Antes das ausências. Antes de acreditar que precisava suportar tudo sozinho.

Talvez a verdadeira coragem não esteja em permanecer firme como uma montanha.

Talvez esteja em permitir que o rio, enfim, encontre passagem por dentro de nós.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

PROFUNDOS

toda madrugada tua voz vem me chamar
nos meus sonhos mais profundos 
uma noite virada só pra colecionar 
os meus monstros mais profundos

pra que fugir
se em tudo você está
se habita meu falar
se grita meu silêncio?

pra que mentir
se o sol já vai raiar
e tudo revelar?
no fundo te pertenço 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

ATÉ QUE O AMOR NOS SEPARE

o poeta nunca mentiu
quando disse que era eterno o amor
o poeta nunca mentiu 
quando rimou o amor com a dor

o amor se eterniza no silêncio da casa
nas paredes rabiscadas em tintas de suor 
o amor se eterniza no inverno da brasa
tão sublime como perdão sem pudor

o amor se eterniza do ódio que inflama 
nas injúrias que atropelam a sinceridade
amor se eterniza na saudade que clama
feito albergue sem hospitalidade 

o amor se desdém do amor
e deixa o amar sem jeito
o amor em si desbota a cor
muitas vezes é só um aperto no peito