você me fere
quando se adere ao teu medo
que, cheio de dedos, nos afasta
sem sequer nos tocar
quando se adere ao teu medo
que, cheio de dedos, nos afasta
sem sequer nos tocar
você me fere quando
o nada nos faz
nas encostas desse rio
nado em braçadas
rumo ao nada
seco, me derramo silenciosamente
como quem constrange deus
como quem exuma a mãe
como quem não se cabe em si
você é cabide
onde repouso
sem jamais pousar
meu amanhã