sexta-feira, 19 de junho de 2026

GOODBYE

estou preso em tua teia
amarrado em teu calcanhar
te querer corre em minha veia
teu abraço é ego em placenta 

te imventei pra minha cena
te guardei nas palavras mal ditas
sussurrei o teu nome por pena
das manhãs de esperanças perdidas

I don't know how to say goodbye 

teu perfume está nas infindas dores
tuas juras desenha chuva serôdia
lavando as cores das flores
essa poesia é monocórdia

eternidade de vaidade
é tão frágil o coração 
toda mentira é verdade
só velando a intenção 

I don't know how to say goodbye
I don't know how to say goodbye
I don't know how to say... when you lie

domingo, 7 de junho de 2026

GRITO

 tenho dores silenciadas 
pelas vozes que circundam a razão 
tenho razões que perco 
movido pela busca da aceitação 

sou cíclico 
repetições 
sou petições sem ofício
no ócio das ações sou ópio 
entrelaçado por opinião barata

eu valho pouco
e por muito me encalho
sufocado pelos ais do silêncio 
sou atalho de mim
em constante busca 
do fim
do recomeçar 

que da próxima vez
meça eu a infinitude 
e me deixe gritar 

sábado, 30 de maio de 2026

CABIDE

 você me fere
quando se adere ao teu medo
que, cheio de dedos, nos afasta
sem sequer nos tocar

você me fere quando
o nada nos faz

nas encostas desse rio
nado em braçadas
rumo ao nada
seco, me derramo silenciosamente
como quem constrange deus
como quem exuma a mãe
como quem não se cabe em si

você é cabide
onde repouso
sem jamais pousar
meu amanhã

quarta-feira, 27 de maio de 2026

EM CAIXAS TU

juntei meus cacos espalhados pelo chão 
meus pedaços de juras curtas
compridas foram as esperas
palavras de calor, hoje pedras brutas

ainda dói olhar a tristeza na alegria
ainda é pranto o seco silêncio 
paixão é sempre carnaval
encarnado prazer de fantasia 

uma noite acolhida pelo frio
um Djavan já em vã promessas 
longe das luzes que te pinta belo
perto do diabo 
e tantas rezas

me abri para o esquecimento
sabendo que isso ainda era lembrar 
cataloguei os bons momentos
em caixas de papelão sobre o guarda-roupa 

guardei-me pra mim 
resguardei-me de ti 
destruí o imaginário 
e me construí o fim

depois de um final
antecedido pela dor
sempre chega o recomeçar 


terça-feira, 26 de maio de 2026

EU MENTI

eu menti
dizia que por já três semanas 
que não pensava em você 
mas pra te esquecer eu me lembro

eu menti 
te escondo em cavidades das palavras 
pra ninguém perceber
um sol à meia-noite inodoro

o rio enquanto eu choro
embalo o peito e corro
espalho o pensamento 
o vento a favor de mim

eu fujo, tento, calo
verdades nunca falo
te amo no que invento
um rei sem ser real pra mim

como pode alguém morrer
se no peito ainda pulsa, enfim