quarta-feira, 27 de maio de 2026

EM CAIXAS TU

juntei meus cacos espalhados pelo chão 
meus pedaços de juras curtas
compridas foram as esperas
palavras de calor, hoje pedras brutas

ainda dói olhar a tristeza na alegria
ainda é pranto o seco silêncio 
paixão é sempre carnaval
encarnado prazer de fantasia 

uma noite acolhida pelo frio
um Djavan já em vã promessas 
longe das luzes que te pinta belo
perto do diabo 
e tantas rezas

me abri para o esquecimento
sabendo que isso ainda era lembrar 
cataloguei os bons momentos
em caixas de papelão sobre o guarda-roupa 

guardei-me pra mim 
resguardei-me de ti 
destruí o imaginário 
e me construí o fim

depois de um final
antecedido pela dor
sempre chega o recomeçar 


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