sábado, 30 de maio de 2026

CABIDE

 você me fere
quando se adere ao teu medo
que, cheio de dedos, nos afasta
sem sequer nos tocar

você me fere quando
o nada nos faz

nas encostas desse rio
nado em braçadas
rumo ao nada
seco, me derramo silenciosamente
como quem constrange deus
como quem exuma a mãe
como quem não se cabe em si

você é cabide
onde repouso
sem jamais pousar
meu amanhã

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