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terça-feira, 19 de abril de 2016

No dia em que Maria se morreu

Nem sei
Disseram que os dias passam
Mas os dias se enrugam
Gastam minhas utopias 
E nem pia minha gota d'água 
Eu se chama derrota
Que se acende sem escolta
Sem proteção do que nem se teve
E se atreve arriscar sinais
Nem sei se os sinos tocaram
Talvez pela sina sinalizaram os ais
Mas todos os dias eram talvez
E Maria era dor em vida
Risos coreografado sem sintonia
Com o que sinto
E sem cinto se situou no chão 
E nunca se levantou
Em si caiu
E ecoou no chão o seu silêncio 
Os sons que todos ouviam
E calavam
E traduziam
E adestravam
No dia em que Maria se morreu
Foi o único dia em que por mim
Se passou vida
Que descanse eu em paz
Ou morra de rir

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Toco uma pra ti

Tomo o teu corpo como um piano
Preto e branco
Componho minha música
Entre ais e encaixes
Entre desejos e movimentação
Entre entradas e permanências
Nos teus olhos tatua o gozo sua alucinação
E ela rege nossa manifestação
Com o receio que se perde no lençol
Descobrimos as bases que mascaram nossa imperfeição
E masco tua saliva temperada com Halls preta
E gosto do frescor
Sem frescura tonalizo o humor
Eu rio
E nos inundamos
Nesse oceano que em mim seca me afogo
E o fogo nos brinda em flamejantes lampejos
E silenciosamente a sinfonia dança outra vez


segunda-feira, 28 de março de 2016

Fome

Eu sou tecido por fome de você 
E ela não se confunde com apetite
Ela transa com a necessidade 
Se esparrama com a gula
Se tempera por pecado
Eu tenho fome de você
E meus caninos ladram silenciosos meus desejos
Minha saliva elimina no ar o meu hormônio 
E ele se funde às tuas castrações 
E eu gosto delas
Gosto
E gosto outra vez
Eu tenho fome de você 
E sonho com minhas mãos em teus ossos
Eu perfuro tua pele e encontro teus umbrais 
Eu te depilo os nãos com os dentes
E alívio o teu pensar
Eu tenho fome de você
E de você quero comer

sexta-feira, 11 de março de 2016

Rio

Todo mundo tem uma dor escondida
Uma ferida de estimação 
Um canto desafinado 
Todo mundo tem um não ter e desejar
Eu tenho um choro represado em torno as pupilas
Uma menstruação tingida nos olhos
Um Alasca nas íris 
Eu tenho um choro engasgado 
Que inundaria uma cidade 
Tendo um ombro amigo
Eu tenho um querer ter

quinta-feira, 10 de março de 2016

R.I.P.

As lágrimas que em mim rolam
São de meu corpo que se alivia
Do gozo que sufocamos 
As lágrimas que em mim rolam
Hidratam o agreste de meu peito
Onde em devoção sepultei o coração 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Novo dê novo

Um novo amor
Um novo ciclo
Pra trocar
Pra conviver
Com a pitada do outro
Com as singularidades 
Que denotam plurais mundos
Outrora vulgar
Outrora noite fria e chata
Por hora abraçado e afagado pela voz
Voz que em silêncio ensurdece o olhar
Olhar que ilumina os pesadelos 
Que em mim pesam o preço 
De um novo amor
Um novo ciclo 
Pra tocar
E viver você

sexta-feira, 4 de março de 2016

Sexo, transa ou amor. Sei lá...

Fale mais baixo
Nossas paredes têm ouvidos 
Geme alto
E distraiamos o cupido
Que cante o nosso corpo 
A musicalidade que o acalme
Que clame o nosso corpo
Pelo cansaço do tempo
E ele nos deixe em paz

Eu vou te matar, amor
Eu vou te matar, amor
Eu vou te assassinar de amor

Derrame em mim o teu gozo
Tatue no silêncio o nosso prazer
Execute o balé de fogo
Deixe o suor se envolver
Arranhe meu espírito 
Desfrute de meu invadir
Nas paredes ecoe teus gritos
O fogo nao irá se extinguir
E rejeitaremos a paz

Eu vou te matar, amor
Eu vou te matar, amor
Eu vou te assassinar de amor

Ah, se vou...


quinta-feira, 3 de março de 2016

O sol sempre vem

Hoje o dia amanheceu cinza
Até parece que o sol ainda não acordou 
Logo eu que pensei que tudo termina 
Quando ele vem, quando ele vem

Os teus olhos já não tem vida
Neles não me vejo mais
Não me encontro mais

Meu bem, relaxa que o sol vem
Enquanto me abraça fica tudo bem

Não me deixes, por favor
Nos cemitérios do amor
Se está frio o amor
O sol já veio com o seu calor

Meu bem, me relaxa que o sol vem
Enquanto me abraça fica tudo bem

quarta-feira, 2 de março de 2016

Insônia

Em Sônia se revelou a noite
E trouxe junto a dor e caos
Nas tuas luas o som não permite
Fez silêncio o vendaval

Em Sônia desfez-se o infinito
E os sentidos não se salvam
No frio do sol são fritos
No frio do sol que me amava

Quando mais quero o sono não vem
Quando mais espero pra te ver
Os meus olhos não se fecham pro amor

Quando mais quero o sono não vê
Quando mais espero você não vem
Pros meus olhos te abrirem o amor

Em Sônia nasceu a madrugada
E o teu rosto de desfez por lá
Sobre minha cama enrugada 
Sob o teto que vi desfigurar

Em Sônia se findou as coisas bonitas
E o meu grito silenciou o chão
Sonhos protegidos por palafitas 
Fitas não protegem coração

Temática incerta

Não disfarce o intento que te perturba
Entube as vozes dos olhares adversos
E adicione o teu fogo ao meu
Case a nossa fome voraz 
Com a sede de nossos lábios secos
Confundamos os sentidos dos trens 
Fundamos o peso do globo sobre nós
Tenhamos o tempo pra nós
E o desfrutamos com tempo pro café
Nada é em vão
Assim como não é vão entre nossos corpos
Sempre quem pouco ama
Muito medo tem do amar
É o verbo morre sem ação
E eu quero conjugar o tudo
Transo com o inteiro
Sem frações 
Sem divisões
Sem matemática certa
Sou da soma de um com um formar um
Com trações 
Com visões
Com temática incerta
Sou da soma de eu com você 

terça-feira, 1 de março de 2016

Amor do verbo desapessoar

Pessoas riem
Pessoas choram
Pessoas dizem "não vá embora"
Enquanto no peito grita
Por favor, me deixa em paz

Pessoas calam
Pessoas pecam 
Pessoas vivem enquanto morrem
Enquanto no peito grita
Por favor, me toque um pouco mais

Eu prefiro ficar sozinho 
À viver essa multidão abandonado
Eu prefiro ficar num cantinho
Construindo meu mundo estrelado

Eu prefiro te olhar nos olhos
À ter tua boca me dizendo amar
Eu prefiro executar meu solo 
Mas eu pré-firo o real amar

Pessoas desapessoadas
Pessoas desapossadas
Pessoas desprovida 
De um bocadinho de amor

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Meu amor é bem

Tens o meu fogo e meu gás
Me dê teu corpo pr'eu queimar
Tens toda tristeza do meu olhar
Me dê as sinfonias de teus ais

Tens as minhas insônias e delírios
Me dê teu gozo pr'eu contar
Tens toda pureza de meu xingar 
Me dê tuas ânsias e pecados

Vem pra casa
Vem pro quarto
Pra cama
Mesa
Banho
Vem que meu amor é bem
Meu amor é bem
Meu amor é bem simples

Sempre sem

Eu estou
Sempre estou sentindo saudades
Eu não sou
Nego, mas eu sou viciado em ti

Eu estou
Sempre estou vivendo em ciúmes 
Do vento que te abraçou
Do sol que te tocou

Volta pra mim
Venha por mim
Nem que seja um segundo

Volta pra mim
Fica em mim
Venha mudar meu mundo

Nem que seja por uma vez só 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Põe orégano, amor

Sou um passarinho sambando
Em fio de alta tensão
Um equilibrista emocional

Em teus neurônios 
Fui tatuando minha real intenção
Você desprezou o meu amor

Você reclama do sal
Você reclama do ponto do arroz
Amante do colesterol
Come a sobremesa
É o amor pra depois

Azeite extra virgem derramo
No calor de teu coração
Modo saturado, substancial

Na Física fui reformulando
Padrão de ação e reação
Você desdenhou o meu labor

Você reclama do sal
Você reclama do ponto do arroz
Amante do colesterol
Come a sobremesa
É o amor pra depois

Põe orega no amor


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Pão doce

Eu não quero saber de teu ex amor
Não tenho tempo pra brigar 
Alimento os ciúmes com o que teu olhar falou
Está no teu rosto tatuado 
O caminho em que a lágrima dançou 
Deixa eu cuidar
Eu que afino o coração ao teu sono
Eu que mudo o rumo da poesia
Só pro teu nome caber e rimar
Eu que nem acho graça nas rimas
Acho graça é de você não gostar de passas
E gostar de mim
Faz cara feia
Tenta
Nem disfarça 
Tão belo assim
Acho graça você beijar o chocolate 
E se surpreender com o doce de meus lábios 
Acho que mentes pra mim
Coro a face
Sem disfarce
Tão simples assim
Feito pão doce com leite condensado 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Fulano, sicrano, beltrano

O meu sexo encaixa com teu
As mãos tem o mesmo falar
Os erros de meu Português
Num beijo você vai calar

Os meus combinam com os teus 
A boca o mesmo paladar 
Os meus amigos são os teus 
Menina, relaxa

É de você que estou falando
O meu amor não é 
Fulano, sicrano, beltrano 
É em você que eu estou pensando
O meu amor não é 
Fulano, sicrano, beltrano

Se você disser que vem
Eu te espero amanhã
Se é pecado esse amor
Por que Deus criou a maçã?

Se você disser que vem
Eu te encontro por aí 
O pecado é não viver 
Esse amor que está em mim

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Namorar você

Eu te quis até o momento
Em que deixei de me querer 
É de cortar o peito
Não estar com você 
Morar no teu coração 
Que distração do destino 
Que me abraçou 
E não quis te acolher 
Prefiro não ter
A te ter sem te ter
Perdoa a minha canção 
Mas é de coração
Quero namorar você 
O destino comigo brincou
E foi por puro prazer
Prefiro sofrer
A viver sem saber
Perdoa meu coração 
Mas essa canção
É pra dizer 
Quero namorar você 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

* não sei que título dar

Me dê teu corpo pr'eu pintar
Minha loucura
E minha obsessão

Me dê tua pele pr'eu encarnar
Minha ternura
E minha oração 

Me deixa bicho solto
Deixa eu semear fogo
Ser vulcão 

Vou incendiar teus medos
Vou descabelar teus tetos
Tua casa bagunçar 
Sou o amor
Cheguei

Deixa eu citar teu nome em minha poesia
E depois canção 
Deixa eu gritar teu fogo
Deixa eu ser teu santo, purificação
Deixa eu tocar teu sexo
Deixa eu beijar teu coração 

No amor não há pudor

Hoje o céu está tingido de um tom carnal
Talvez refletindo o teu bem me quer
É, aliás te lembro não te quero mal
Me diga que mal há num beijo, mulher

Bem, pra fim de conversa, 
Sei que Deus não vai gostar
Dois corpos em controvérsia 
Se negando o querer
É, aliás te lembro não te quero mal
Me diga que mal há num beijo, mulher 

Então, me beija
Me encara boca a boca
E se entrega
Me tempera em teu sabor

Se seja
Foi Deus quem fez o amor
Se despeja
No amor não há pudor

Se não vai se arrepender 
De não dar o braço a torcer 
Isso Deus não vai perdoar 
Se negar amar
Se negar amar


Pleno

Então vista teus lábios
Com o sorriso mais pleno
Esqueça esses cacos
São  de um amor pequeno
Vai, vista teus lábios
Com o sorriso mais doce
Desnuda a alma
Com a gargalhada que te trouxe