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quarta-feira, 18 de maio de 2016

Dois tragam um

Me tranque no teu quarto de guardar trecos
Ou me transporte pro teu quarto escuro
Separe os filamentos da lâmpada 
E destrua o abajur
Se concentre ali
E eu me centro em você 
Em teu centro destruo tuas ramificações 
Misturando prazer e dor
Reencontro e despedidas de quem iniciou
Pra pausar
Ou terminar
Ir e vir
Paradoxalmente gozar
Sem temer o retorno da razão 
Sem se queixar 
Das coreografias que os ponteiros dançaram 
Sem culpar o tenpo que perdemos
A gente é de encontros
De soma e multiplicação 
Assim como é o transpirar
E depois de todo esse doar 
Nós que fomos dois
Tragaremos um
É gargalharemos do prazer
Em te conhecer

sexta-feira, 4 de março de 2016

Sexo, transa ou amor. Sei lá...

Fale mais baixo
Nossas paredes têm ouvidos 
Geme alto
E distraiamos o cupido
Que cante o nosso corpo 
A musicalidade que o acalme
Que clame o nosso corpo
Pelo cansaço do tempo
E ele nos deixe em paz

Eu vou te matar, amor
Eu vou te matar, amor
Eu vou te assassinar de amor

Derrame em mim o teu gozo
Tatue no silêncio o nosso prazer
Execute o balé de fogo
Deixe o suor se envolver
Arranhe meu espírito 
Desfrute de meu invadir
Nas paredes ecoe teus gritos
O fogo nao irá se extinguir
E rejeitaremos a paz

Eu vou te matar, amor
Eu vou te matar, amor
Eu vou te assassinar de amor

Ah, se vou...


quarta-feira, 2 de março de 2016

Temática incerta

Não disfarce o intento que te perturba
Entube as vozes dos olhares adversos
E adicione o teu fogo ao meu
Case a nossa fome voraz 
Com a sede de nossos lábios secos
Confundamos os sentidos dos trens 
Fundamos o peso do globo sobre nós
Tenhamos o tempo pra nós
E o desfrutamos com tempo pro café
Nada é em vão
Assim como não é vão entre nossos corpos
Sempre quem pouco ama
Muito medo tem do amar
É o verbo morre sem ação
E eu quero conjugar o tudo
Transo com o inteiro
Sem frações 
Sem divisões
Sem matemática certa
Sou da soma de um com um formar um
Com trações 
Com visões
Com temática incerta
Sou da soma de eu com você 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Que título dar?

Eu quero comer o amor 
E como sobremesa degustar
O corpo, a tara, o espasmo
Não quero ser servido 
De masturbações de abraços 
Quero ser possuído pelo teu
Preciso de meus braços entrelaçados 
Em outros braços 
Ser apertado e virgem
Descoberta que trava a língua 
Essa tal também terá teus laços feitos
Eu quero peito contra peito
Guerreando feroz 
Se ofendendo entre batimentos
Na paz de uma abraço 
Encaixando com perspicácia em outro tronco
Quero o meu sexo beijando o teu sexo
Seja pau
Seja vale
Seja encharcado e não seco
Necessito de encontros
De contos sussurrados no ouvido
Quero apoiar o meu queixo em teu ombro
E procurar teu ouvido
Ali, secreto, quero ministrar arrepios
E lentamente roçar minha barba 
Na haste que sustenta firme tua cabeça 
Quero pirar tua cabeça
Quero penetrar em tuas sentenças
Causar confusão
Caçar fusão
Casar com você
Mesmo que você seja só nessa noite
O amor

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Aquele rapaz que em me transe

Hoje o sol não sairá 
A chuva não virá trazer teu lixo 
Para o meu portão 
Não me importo em ficar sozinho
Outra vez
As goteiras no assoalho desenham teu adeus
Frio e seco
É que a tempestade que caiu ontem
Inundou o teto da casa
E eu não tinha forças para me lavrar
Um amor que tem o calor do inferno 
E a luminosidade do pavor
Não me aqueceu 
Petrificou meu peito por meio flocos de gelo
Eu contemplava os cristais
E neles refletia as memórias tuas
Ainda havia o teu suor na fronha que não troquei
Ainda subsistiam suas marcas em meu corpo
Ainda sangrava as vias por onde
Trafegou o teu egoísmo 
E eu ali parada, calada, tímida e conturbada
Dançando com a masturbação
Sem música para acompanhar 
Os teus olhos já não posavam nos meus
Neles hoje repousa o transe da solidão 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Isso não é poesia

A noite estava fria
era canção e poesia
na rua não havia mais ninguém
nenhuma alma viva denunciaria minha fome
tampouco testemunharia meus rugidos
os cômodos estavam vazios, frios
mas as irradiações de calor inflamavam as paredes
sabíamos o que queríamos
e queríamos muito mais que querer
queríamos ser
e deixar ser revelados
corpos nus
e o contorno de teu labirinto desmitificado
boca hidratada por um apetite
que desenhava as marcações d cena que acenava pra nós
timidamente éramos dois
pele coberta de suor
temperada pelo agridoce produzido pela transa de fluidos
nossos fluidos
meu e teu
teu e todas as vezes que neguei sede não ter
Como minto pra mim!
é, isso só aguça o desespero de dedilhar as bordas de teu umbigo
e corroer as fibras do cordão que te orienta
escalo tuas seis montanhas feito criança que engatinha
e agito o pico de teu peito
eles acordam menores vulcões
outrora adormecidos 
e agora acalentados por minhas unhas
essas escavam a tua pele
preparando o solo onde semearei meu rio
ele vai invadir o teu corpo e hidratar o teu prazer
selará a semeadura de nossas excitação
e será uma
e outras vezes
até que a rua acorde com os gemidos teus e meus
que traduzem a língua que só as línguas sabem dizer
é esse idioma que vou cantar pra você
destemido vou assinar a obra de escalar-te
fincarei minha bandeira em teu pico mais alto
e nela tatuarei a liberdade
de ser teu e ser de ninguém
e não ser vazio
mas preenchido de satisfação
encontros, histórias

de gozo doce
de rio espesso
de gargalhar agora ofegante, calmo, tímido
exorcizados pelo tremer e tentar
sacramentado pelo salgado suor.
Dentre tantas outras coisas que encenei
não estava falando de poesias
estava transando você

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Se preciso for não ame

O amor não seria revelado de uma única vez
Mais que um sentimento ele se revela como entidade que nos consome 
É carbono em sarça 
Ardente
Some teus ais aos deleites dos prazeres
Sem prazos
Sem prestações 
Lhe preste ações e este se encarregará de te subtrair traições 
Traia o amor
Atraia o seu corpo para tua cama
Acalma a calma que agita o teu peito
E aqueça o seu jeito com tuas conjugações 
O amor se conjuga em primeira pessoa
Em pronomes de tratamentos ridículos esse responde aos desesperos
Perturbe o amor
Retribua os seus gestos com maliciosas mãos 
Tribute suas juras com migalhas
Odeie-o e ele se tornará verbo em carne
Em cheiro
Em suor
Entre gozos e sedes
O amor vai amar você 
Nada nesse mundo
Submerga-se nessa superfície virgem 
Nada nesse mundo teria tamanhos ais 
Seduza o amor
Se faça intrusa em seus medos
Se entrosa com sua língua 
Masturbe o amor
Transe com ele se preciso for,
Mas não ame
.



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Mulher-macho, sim senhor

Por ti 
eu ponho minha mão no fogo
ponho o meu coração em leilão
nem ligo
eu jogo o teu jogo
sou dessas que não "faz" questão
com paixão

Me pinto
e faço a princesa
se minto, passo à questão de esquecer
não liga
pois tem sobremesa
meu gozo e a tentação de viver

Meu fogo não deixa fumaça
Meus traços nunca deixarão me deixar
Não negues pois sou, sim, desgraça
sou fêmea e me viro macho ao amar


domingo, 25 de agosto de 2013

Eu transei domingo de manhã

Uma xícara grande de café. Sem açúcar, por favor.
Não. Apenas isto mesmo, obrigado!
Por acaso vocês teriam mel?
Sim mel. Mel de abelha. Para adoçar o café. Não gosto de café amargo e também não consumo açúcar. 
Não? Como não tem mel? E sal? Vocês teriam sal?
Poderia ter um pouco de sal?
Não é para o café, mas para aumentar a minha pressão arterial. Apenas uma pitada debaixo da língua e já me sentirei como se tivesse os meus polos dilatados, transpirarei frio, congelado, mas o meu corpo suspirará o calor que responde ao tráfego do sangue em minhas veias. As minhas pupilas mudarão de cor e delataram o cão que ladra entre minhas pernas. Por que me olhas tão espantada? Por acaso nunca sentiu sensações como estas? Tão humanas e corriqueiras! 
Experimente! Mas tome com cuidado. Sem euforia para que não engasgue. Isto! Toque os teus lábios com delicadeza na borda da xícara. Permite-a também tocar os teus lábios e levemente penetrar tua boca com o negro deste café quente. Isto! Sente os teus lábios encharcados? Com calma. Com prazer em degustar. Isto! Calma, não é pra engolir tudo numa única golada. Aprecie. Sem pressa. Coloque um pouco mais de sal sob a língua e a deixa dormecer, deixe-a ser moldada ao corpo do café que a envolve, sinta os arrepios que se revelam em pequenos vulcões sobre tua língua e engasgue. Isto! Engasgue ao encontrar o negro com o negro. Profundo. Fundo. Funda o teu gosto entre o sal, o amargo e o doce que em breve cuspirá sinalizando as revelações da plenitude de teu gosto ao corpo desta xícara grande de café preto passado no saco. Gostou?
Agora respira. Inspira as decomposições de tuas descobertas. Relaxa. Não estás enfartando, apenas se fartando do delicioso gosto do negro café.
Bom dia!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A porra é doce

Saudade
Salga o meu coração
Cor vermelha
Cora a minha emoção
Cora a dor
Cora o peito
Não tenho peito 
Para encarar
O tão caro
Tornou a ação 
De viver o são
E era apenas é
Ou nem foi
Quem fui
Foi eu
Cheio de primeira pessoa no plural
E singularizei
O peito
Que tive
Retive
Salgou
Com doce de açúcar da porra
Porrou o meu coração
Que de cor não conservou
Se fez servo da saudade
Que o sangrou de ais  
Sai saudade
Ainda tenho idade 
Para salvar o peito

quarta-feira, 31 de julho de 2013

De homem e criatura

Sempre fui o cara que confiou em deus
Meus medos e vãs memórias escrevi pelos rastros seus
Mas deixei de brincar
Conheci o teu corpo, o teu cheiro, os teus ais
Tais evidências quem me testemunharam deuses
Fecho os meus olhos na esperança que você se aproxime
Me exibe o teu pecado
Estou pronto para banhar o meu corpo no enxofre
E escrever nos tropeços meus vôos
Estou voando em encontro teus beijos
Ao encontro de teu sexo ao meu
Te devoro, te oro, devoto
De vez em quando te sacrifico em pequenas mortes
Te assassino em roubos de respirações
Te prendo em meus braços num ritual humano
Num culto que encurta minhas dores
Num canto que atrai tua emoção
E sangra os teus olhos de gozo e paz
Em consagração de homem e criatura
E então deus é quem confia em nós

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Um fígado, por favor

Uma dose de amor
Eu já digo que te amo
Estou gritando meu calor
E a tristeza não engano
Bebi sete taças de vinho

Gargalhadas pelo ar
Três tesões por entre as pernas
Vou fruir, vou farrear
Vou viver sansões eternas
Bebi quatro copos de cervas

As feridas calam a dor
A nudez descobre do pano
O meu beijo quer ardor
O meu corpo quer fulano
Bebi dois quarto de cachaça

Trapalhadas ao andar
Tem vazio em minhas cisternas
Vou cair, vou externar
Vou viver paixões internas
Pedi um fígado, por favor

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Fui. Fomos. Fodemos.


Fode o fogo
Figo o figo aberto
Penetro o dedo médio
Sem medida em suas repulsas
E pulsa, pulsa, pulsa
Não me peristáltico
Recebe
Cede
Sede
Destruo a sede de tua segurança
Sedativo
Ativos
Seguro cabelo
Aperto a nuca
Violento
Nunca sem 
Perto
Com
Fomos e retornamos
Fugas 
Encontros 
Conto por contos
Diálogos
Vinho
História, historiza e ria
Rio, rio, gargalho, espasmos, medo
Não
Sim
Talvez
Agora
Ontem
Irei
Fomos
Fodemos
Demos e rejeitamos
Anos, anus, amo

domingo, 7 de abril de 2013

Por que nem sempre se precisa amor

Morda meus lábios
Vem
Escreva teu idioma em minha língua
Tatue no manejo de minha fala o teu sabor
Datilografe o teu sinal nas palavras que irei falar
Fale por mim
Fale de mim
Me cale
E talhe o teu punho em mim
Que sejas forte
Porte de desequilíbrio
Esqueçamos as certezas e rações
Que demos vazão aos poros que transpiram fúria
Perfure o meu centrar
Drible estes gols que prometemos na vida
Não faça gol
Faça faltas
Quebre minhas pernas
Ou acerte minha cara
E eu não vou vibrar por você
Vamos comemorar juntos
Entrelaçados
Unidos
Esculpidos
Munidos de tesão e ódio
Sem amor
Com paixão de um dia
Com palavras de um silêncio
Com verdade de uma mentira
Com glória
Ou com Maria
Sem que assim seja
Que seja o ensejo
Nem sempre se precisa sempre
Nem sempre se precisa amor
Mesmo quando sempre se conjuga amar
Sem jugo
Leve
Me leve pesado
E amanhã ao acordar sejamos puro esquecimento

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Não trepa nem sai de cima

Quero
Te quero sem querer
Queria des-querer
Desejar o frio na barriga
Dar barriga a trama desta novela que ambientamos
Trame os teus nós e prenda o meu corpo
Que treme de queridos indesejados espasmos
Trate de destratar o sorriso que me tara
Me tenha
E venha
Se perca e se encontre em minhas banhas
Se engorde do gozo de mil velas
Se queime nesta estação quente
Sim, queira
E trepa
Feito planta trepadeira implante os teus dentes em mim
Mas não morda os pingos de meus i's
Vem pra cima, vem com tudo
E não esconda nada
Nade em teu prazer
Sê livre
Sê você
Sê cliché
Sé sexo

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Eu. Naufrágio

Chega de papo
 E papa a minha carne
O meu fogo está cozinhando o meu humor
Sinto em terras firmes o meu rio florescer
Hoje é sexta
E se fosse segunda ou quarta
O mesmo canto eu iria querer
Sou tempestade independente dos ventos
Sou saudade independente dos colos
Venha como vulcão e me cola nas paredes de tua casa
Destrua as paredes de minhas futuras gerações
Gere em mim suturas e abrigos
Costura as minhas aberturas
Ou preenche minhas cavidades solipsistas
Me queira em tua cama
E arme barraca em meu terreno para abrigar o teu corpo
Guerreie e sinalize paz  em meu tesouro
Seja amor, mas não me ame
Me come e rumine
Nojento
Tal como é o prazer e a vida
Chega de poesias
E rima
Rema
E eu? Sorrio em me afogar 
Em ti

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A pequena morte da borboleta negra

A borboleta que veio trazer as boas novas pra mim já alçou o seu voo
Com tempo tudo naturalmente torna a sua fórmula
E os desencontros formulam as preces
A borboleta que veio espanar as minhas poeiras se perpetuou de despedidas
Borboleta negra
Inseto incestuoso
Sensações de derrota
Você pode beijar cem bocas num amanhecer
Pode transar dez corpos numa tarde
E sequer ter o coração fragilizado
O teu coração pode nunca beijar as mesmas mãos que o prende
A borboleta vem e vai quebrando o silêncio deste quarto
Onde apenas a melodia dos roncos dos carros na avenida comparece
A borboleta faz aparecer as minhas folhas secas
Tão necessitadas de água como a minha saliva amarga
Minhas hortelãs não disfarçam meu hálito
E eu transo com o mundo para preenche a minha multidão
Assim como a sávia, lichia ou manjericão também me equilibro em busca do sol
Mas eu caio, vacilo e não me vacinaram meus pais
A borboleta se fantasia de lagarta num carnaval que dura o ano inteiro
Mas minha fantasia está dura demais para mim
E de repente a borboleta cai
O pó se espalha sobre meu ombro
E eu saboreio o gosto de gozar sem querer
Nem sempre o sexo é à dois ou à três

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Vazio capital

O vazio preenche-me
Silencioso, grita as minhas vozes roucas, trêmulas sufocadas
O estranho revela a minha face conhecida
Os meus trejeitos arquitetados em niemeyeres conjunções
O que minha boca produz são apenas cacos de hipocrisia
Quem mente em meu corpo é o coração
Na malícia de enganar a mente e defraudar o teu
Que ainda não saiu das fraudas
O meu jeito de ser te encanta, atrai e trai
O meu jeito de ver te constrói capitais, mas não pecados
E o que é a vida sem pecados?
O que é a marca sem história?
Não me convences com esta pureza provinciana
Tampouco com estes arrepios contidos
Esqueceu que já toquei tuas partes
E nelas apartei de ti o parto interrompido?
E te continuei o coito
Coitado de você
Ainda não se esvaziou de si
Há um rio espumoso e esbranquiçado em teus sustentáculos
Ande, deixe tuas pernas tremerem
O desestruturado constrói eixos de brasis
E do nada se faz desordem com progresso e retrocesso
E outros vai e vem até que de teu útero se ouça as margens plácidas de seu gozo 

domingo, 9 de dezembro de 2012

E feito maconha

Não dita tua regra no certeza que regarei teus caprichos
Tampouco fale comigo como se estivéssemos trocando as cuecas
Eu não gosto de cuecas
Eu não admiro castrações, nem suportes
Eu deixo as minhas partes à parte 
Eu não negocio o meu prazer
Mas quanto você pagaria pelo meu peito?
Se é sofrer o amar, me proporcione risos
Me instigue segurar a barriga com minha respiração
Faça cócegas no lugar de onde deus te arrancou violentamente de mim
Excita o meu peito em movimentos circulares, apenas o bico
E feche o bico de tua arrogância
Cale-te
Não diga mais nada ou estragará o silêncio
Ele em instantes gritará as intenções que te negam
Eu sei
Não conheço tua mente, mas leio as rubricas que elas indicam em braile em tua pele
Pele branca, pele fina, pele doce, pele loira
Que em segundos não seguidos pela multidão atraca o meu couro negro
E eu gosto, eu sucumbo
Permito o teu corpo fundir ao meu
Admito teu cheiro entorpecer minha boca feito maconha
Intensa, meiga, delicada
Em belezas que se tangem e separam
Em esculturas que se desmoronam em fumaça liquefeitas de nós dois
Em uma única tragada de naturalidade seca




sábado, 3 de novembro de 2012

Pecado prato principal

Boca carnuda, rosada, penso que macia
Pele que tonaliza cafajestices 
Olhos que incendeiam tentações
Cheiro que sinalizam pecado
A tua presença é fogo em mim
Tua brincadeira é jogo sério e perigoso
E o teu toque calafrios que derretem gelo no fogo
Olho o teu corpo e vejo o suor percorrer minha nuca
Sinto gigantes se guerrearem em mim
Sinto o teu desejo de não ser
Minto uns risos maduros
Pinto um quadro de entendimentos
E dispenso paixão
Escolho como prato principal a carne
Que sangra cevada pura
E alimento o meu platônico prazer