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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Eu. Naufrágio

Chega de papo
 E papa a minha carne
O meu fogo está cozinhando o meu humor
Sinto em terras firmes o meu rio florescer
Hoje é sexta
E se fosse segunda ou quarta
O mesmo canto eu iria querer
Sou tempestade independente dos ventos
Sou saudade independente dos colos
Venha como vulcão e me cola nas paredes de tua casa
Destrua as paredes de minhas futuras gerações
Gere em mim suturas e abrigos
Costura as minhas aberturas
Ou preenche minhas cavidades solipsistas
Me queira em tua cama
E arme barraca em meu terreno para abrigar o teu corpo
Guerreie e sinalize paz  em meu tesouro
Seja amor, mas não me ame
Me come e rumine
Nojento
Tal como é o prazer e a vida
Chega de poesias
E rima
Rema
E eu? Sorrio em me afogar 
Em ti

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Luz, cama e ação

Me chame pra ver um filme
Comedie o nosso timbre
Vou colocar o vinho branco na temperatura ideal
E irrigar os nossos futuros beijos molhados do seco sabor da uva branca
Serei franca e pura
Vou roubar o teu relógio e esconde de ti o tempo
Não te darei tempo pra fugir de mim
Entre luz, cama e ação interpretarei o nosso caso
Sem fazer caso para o acaso das inconveniências
És convenientemente o caso que esperava assistir
És a trilha que musicaliza os meus pensamentos torpes
Sim, cheia de má intenção estou
E não escondo de mim as verdades que tuas mentiras me contam
O som que produz teus olhos quando piscam denuncia o teu real desejo
De ser real no reino que pinto e bordo pra você
Com chocolates e pimenta-do-reino moída sobre o queijo que tira-gosto dos etílicos
Pausa
Respiração
E retoma a cena que toma de mim a ré
E eu vou desprendida ladeira abaixo, acima, de lado
Em giros de películas e fotogramas preto e branco
Vermelho apenas as tuas cútis que constrangem em ti o meu gosto
Que perpetua em ti sem ponto final
Sem final feliz
Com feliz recomeço de continuações
Em saga, trilogia
Tri orgias
Eu, você e finalmente nós
Luz, cama e ação

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Leite de pedra (Final)

Carolina tinha como hábito repentino, porém já enraizado de fumar depois de suas transas, apenas daquelas que considerava uma boa transa, de verdade, com "t" maiúsculo, com tesão. Procurava no gosto dos cigarros o hálito de sua inocência e virgindade, o gosto do primeiro beijo que se perdia entre o dor da nicotina consumida. Transava com os desconhecidos, mas era com o cigarro que encontrava o sabor agridoce do amor.
Ele sentia o seu orgulho ferido ao se ver tratado como um mísero objeto, mas quantas vezes por ele mulheres foram tratadas assim? A única diferença entre Ernesto e os outros homens, é que este honestamente cria que era diferente. Mas desde quando homem é honesto? Esta era a pergunta que aquele animal arisco esboçava em sua maneira consumista de devorar seus parceiro, dos quais não constituíam parcerias. Os quais não se alimentavam da energia do sexo e morgavam enfraquecidos em sua cama. Mas é claro que isto não seria permitido pela Abelha Rainha.
Num rompante de uma pessoa que matam em suas palmas os mosquitos que as perturbam e bebem do sangue ela o ordenou que de sua casa saísse. Este riu, como se fosse uma bel piada que ouvira. Pegando-o pelo pescoço, como quem de uma cobra quer o veneno extrair, Carol o ordenou com fúria nos olhos transbordados de sangue. Fez das montanhas e vales que minutos atrás preenchiam o cenário de seu gozo, um planalto sem palmeiras ou erosão.
Atrevido como foi na primeira vez que a viu, ele a beijou e os morros se refizeram outra vez e não foi menos íngreme que antes. Mas desta vez houvesse uma avalanche monstruosa de seu cume, uma avalanche de água quente e volumosa. Ouviram som de muitas águas, muito suco, muito gozo. Carol se desfez em pó, sem rumo, sem força, e se refez como fênix das cinzas, mas não houve mais fogo para que a queimasse e Ernesto, houve paz e contato de olhos e mãos.
Carol é pedra fria, é pedra mármore e mãos sem fogo não a aquece, e ela esquece o que foi e se despede sem convites pra voltar. Ela se levantou do chão do corredor à esquerda, voltou a
área de serviço e pôs suas vestes. Penteou os cabelos como um distinta donzela virgem. Olhou-o como se contemplasse um estranho, e ele era. Disse-lhe um obrigado bem sincero, ele entendeu que era a porta a sua próxima estada e logo se prontificou. Se olharam como quem buscasse nos olhos de um e de outro um labareda sequer de faíscas, mas suas pedras já foram molhadas, encharcadas e não se tira fogo de pedra de leite já se derramou.


[Fim}

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Leite de pedra (parte 4)

Cessaram-se as palavras, instauraram-se os diálogos sonoros da pele, o corpo cantava suas sensações e o vulcão se refez dominante mais uma duas, três, quatro e tantas outras vezes! Houve fogo, houve lava. Houve mais uma vez encontro de pedras, como beijos entre placas tectônicas. Quando se há compatibilidade de gostos e generosidades para o encontro, se faz possível fluir leite de pedra e alimentar uma multidão de eunucos.
O enlace de Carolina e Ernesto fazia pedras chorarem suas dores. Uma catarse das hipócritas punições que o bem-comum suscitava em todos nós. Mas Carolina sabia ser arisca, uma égua indomável!
Entre montanhas e vales, Ernesto pediu um pouco de café. Ela sorriu e direcionou a garrafa de prata maciça que aos alcance de seus olhos depositava um café forte e preto passado em coador de pano na manhã do dia passado. Já eram quase quatro horas da manhã e já era outro dia.
Ernesto já se sentia em casa, já criticava os pratos sujos na pia e o uso de uma esponja só, para copos e panelas engorduradas. Era exatamente a personificação do que mais ela temia num homem: se achar o dono do pedaço. Como um cachorro em cruzo ele marcava o seu território. Em mijos de espermas.
Carol. Sim, Carol, já me considero íntimo dessa nobre que eu converso os esqueletos, eu conheço muito mais que suas carnes, mas seus ossos, nervos, e também o coração que insisto crer não ser de pedra. Ela não era como estas mulheres que pra tudo dizem sim. Não era ela serva do "não", era fiel das eventualidades da vida. Carol cultuava a si e suas tripolaridades femininas mensais e calmamente ela levantou, pegou suas vestimentas, mas não as vestiu, gostava de andar em casa tal como o mundo a concebeu, dizia que roupa suja se lava em casa, assim sendo sempre as mesmas estavam por lavar, se sentia honesta consigo mesmo e questionava o que tinha os homens em seu corpo para esconde-los e sacos de vestimentas. Ela pegou na bolsa que usara um cigarro e pôs-se a fumar e conversar seus sentimentos nas fumaças que dançavam no ar, revelando do que transitava em seu pulmão cheio de lacunas e terríveis vazios. Irritado como já se mostrava ele recriminou. Por que fumar depois de tão profundo momento de prazer? Dizia isto, pois sabia que se a perguntasse se ela fuma por que gosta, ela diria que sentia prazer. Todos dizem isto, o prazer do gosto quente nos lábios e o charme do cigarro entre os dedos. No entanto ela disse: -Fumo um cigarro todas as vezes que transo, assim encontro no gosto deste mato queimando o mesmo do primeiro beijo que dei na vida e a primeira vez que me senti mulher, ainda sendo menina. Procuro no gosto do cigarro o hálito de minha inocência e virgindade. Com você eu transo, mas no cigarro, eu amo.
Ernesto sentiu o café descer mais amargo do que no primeiro gole parecia ser. Sentiu as salivas descerem quadradas, pesadas, mas permaneceu calado e tentou um beijo dá-la, mas esta... Ah, como eu disse, esta é como um animal arisco.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Leite de pedra (parte 3)

Eram os dois apenas na área de serviço que compreendia também a cozinha, mas eram no momento, três à ensaiar as projeções como em pegação de fadas contada: Ele, ela e a sonoridade que discrepava a harmonia atual. Peixe morre pela boca, mas foi o que saiu dela que instaurou uma muralha da China em dias de dezembro à março entre os dois. O verbo, que outrora se fez carne, a crucificou abruptamente ao passo que era tão veloz quanto uma tartaruga. A fome outrora indomada deu origem à este inoportuno terceiro ser. O que era somente carne estupidamente ansiou malhar também outros músculos no corpo e não apenas bombear sangue para a descapada cabeça. Em pleno fogo de prazer e excitação homeopatizou em teu ouvido palavras das quais segundo o tempo que insanamente eles se desconheciam não tinham em si graça maior do que serem apenas vazias, diabéticas e mentirosas.
Ao ouvir tais declarações, ela, cerrou os seus lábios como quem quer conter a fúria de um rio em encontro ao mar, águas que não se misturam, que se discutem e acusam. Havia um tráfego livre para que milhões de microscópios seres a refém do Egito conquistasse a sua única morada segura, pelo menos por um certo período de criação de vida, mas ao surgimento do terceiro e intruso ser, viu-se o mar vermelho que antes se separou ao ser impetuosamente tocado pela enorme e viril vara se fechar em rupturas de promessas. E não houve proposta de vida futura.
Eu poderia tecer muitos nós para confundir a tua interpretação da história, mas não, era claro e alvo o que havia ele visto em seus olhos ainda onde dançavam se insinuando na frente dos outros. Com falsetes de cafajestices driblou a armadura de insensível mulher que dançava na noite à procura aparente de uma simples transa e encontrou por entre as cores frias e neutras de seu cartão de visita que contrastava com seu vestido vermelho decotado, não havia algo mais óbvio entre as mulheres que a escolha do sangue para revelar sua volúpia. Ele viu em tuas olhos a mesma fragilidade que via em todas as mulheres, a procura de um grande amor, mas sinto informar, meus caros Insanos, ele se enganou, não em relação à ela apenas, mas à muitas mulheres. Posso até crer que as mulheres de meus avós tenham sucumbido ao sufocar de seus instintos, mas esta que sambava em valsa o seu apetite sabia que poderia ser muito mais que apenas uma perpetuação de herdeiros, mas herdeira de seu próprio gozo.
Aos ouvir as palavras que ele pronunciara, ela enrijeceu suas pupilas que não mais se dilatavam com o fogo que dele aquecia suas pernas. E riu. Novamente riu. Até que gargalhou.
Não esperava ela por príncipe encantado, montado num belo cavalo branco. Ela preferia o cavalo ao príncipe. Preferia a dança que o seu cavalgar a convidava às translações das órbitas de um "papai e mamãe". Ela sabia que poderia ser mulher. E não ser apenas bicho! Ela sabia ser livre, e era livre de si mesma, não era menina escrava de seu pudor ou sentimentalidades moldadas pelo social. Isto me fazia gostar dela, ler isto me fez admirar e respeitá-la. Me perdoem se pareço querer persuadi-los. De longe é minha intenção.
Aquelas ainda eram as poucas palavras que eles haviam trocado. Não haviam tido tempo para isto. Por que falar se uma ação fala mais que mil palavras? Mas também foi válido lembrar que uma palavra é capaz de inoperar ação que mil verbetes não descrevem. Diante do embaraço estabelecido ele dispôs-se ao diálogo e seu nome perguntou. Ela, faceira como sempre, de vermelho nos rosto como denúncia de cansaço e suor, mas ainda muito vívida e disposta, sussurrou quase inaudível e rouca: Carolina.
O estúpido, logo tratou-se de chamar-lhe pelo apelido Carol. Mas esta o censurou, afinal, Carol era só para os íntimos. E o que era o rapaz com quem ela se atracou violentamente e agora se deitava entre as roupas sujas de sua área de serviço? Este era apenas uma transa, uma boa foda, um calor compartilhado. Para ela isto que era a definição perfeita do que acontecia entre os dois corpos que os históricos das marcas dos choros e risos desconheciam, um calor compartilhado, justo e honestamente dividido entre si. Uma transa sem sexo, não tinha amor, não tinha paixão, era apenas prazer. Tímido, mas ousado, paradoxal, ele disse: Muito prazer, doce Carolina. Ernesto Muracho, ao seu dispor! Cessaram-se as palavras, instauraram-se os diálogos sonoros da pele e o vulcão se refez dominante mais uma duas, três, quatro e tantas vezes!

[CONTINUA...]

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Leite de pedra (parte 2)

A temperatura dos cômodos estreitos daquele apartamento à beira mar se prescreveu apimentada, quente, altamente quente!O sofá foi cama, cama foi mesa, teto foi piso, parede foi chão e caminhadas animalescas desenharam rastros de fúria no chão dos que apetitosamente caminhavam sem chão e sim, flutuavam nas nuvens que se formavam da condensação de seu libido produzido na pele.
Pareciam dois cachorros o cio. Pareciam dois animais que desconheciam a compostura e os bons modos. Se bem que de um modo ou de outro, não somos muito diferentes dos animais. Que raça temos nós? Que animal enjaulamos por entre nossa pele e ossos? Eis um animal que se dependesse deles não entrariam nas listas mundiais de extinção: a carne. Esta não era fraca, mas forte e bem tratada.
Entre pronúncias de carícias e amasso aconteceu um tapa. No rosto. Forte! Seco! Chegou como um antagonista que rouba a cena. Chegou em cena em cantos de ópera e na cadência do funk ela sussurrou, bem baixinho: Se fosse pra ter carinho, eu correria para o colo de meu pai. E se for pra ser homem, que seja em caps lock. Ele entendeu o que pulsava alvo das entrelinhas e uma batalha de Mc's começou. Só canela. Só canela. De só canela preencheu o ar, quente e afrodisíaco.
Eu já havia dito outrora, que pedras quando se chocam se aquecem, queimam e seus estilhaços ferem e machucam quem as rodeiam. Basta olhar a casa como ficou, reduzida ao pó, abalada e sacudida. E a vizinhança? Estes se constrangiam, como criança que espera Papai Noel o ano inteiro, na esperança desbotada em amarelo ferrugem, de um brinquedo e é exatamente o que ganham, brinquedos e animações de fantasias. Ela não, sabia ser jovem e inocente, mas vivia dos supra sumo de suas realidades. Não, ela não tinha fantasias, mas fantasia o real e dá realeza ao gozo da vida e foram uma, duas, três e outras vezes mais. Até que de repente, o som mais esperado por todas as mulheres ouviu, mas este brochou o sua atmosfera e fez da fantasia ilusão indesejada. Eram os dois apenas na área de serviço que compreendia a cozinha, mas eram no momento três à ensaiar as projeções como em pegação de fadas contado: Ele, ela e a sonoridade que discrepava a harmonia atual.


[CONTINUA...]

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Leite de pedra (parte 1)

Aquela noite prometia ser uma noite digamos que ousada! Ou, apimentada, quente, altamente quente! Muito louca!
Ela já saiu de casa no instinto "hoje viverei como se não houvesse amanhã". E há quem diga, que devemos mentalizar o que ansiamos e então surpresas podem acontecer. E assim foi.
Ela, menina travessa ao som de Naughty girl, dançou, encantou, atraiu o calor pra si e manisfestou no salão um atrevido perfume que ardia em seu suor. Era impossível não se ater em seus movimentos os desejos que corroíam o íntimo desenhado em formatos geométricos questionáveis. Daquele mato não sairia coelhos, mas abrigaria adestradamente venenos de uma cobra astuta. Sim, haveria de ter nobreza e astúcia para driblar os seus famintos lábios que cantavam grosserias entre as salivas produzidas em sua vontade de professar o seu credo. E houve. Teve quem se digladiasse por seu corpo, mas houve um outro que virilmente se encantou por algo que todos não viram.
Quando este invadiu sua visão ela se atrapalhou em meio ao seu encanto e coreografia. Sabia que seus olhos denunciavam que algo a fragilizava a dança. Mas este foi sublime e delicado, como em tempos não via, se encontrou com um cavalheirismo que a comovia o espírito. Ela sabia ser mulher, mas desconhecia-se menina. Entre relutâncias adolescentes se entregou num primeiro beijo. Não sei se você alguma vez na vida já viu duas pedras fortemente se chocarem, uma com a outra feroz. Este encontro produziu faíscas, e logo incendiou num cubículo entre escadas que interligava curiosos e constrangidos. Pedras quando se chocam se aquecem, queimam e seus estilhaços ferem e machucam quem as rodeiam. Estas tais, foram marcados pela pancada de desejar ser muitos menores que si, serem moscas, formigas e se deliciarem ao assistir os pedregulhos se triturarem e produzirem rios. Sim, há quem tem a maestria de tirar leite de pedra!
Cambaleando e se esbarrando entre degraus e maçanetas foram se perdendo ao encontro do caminho de casa e entre muitas quatro paredes uma destruição pode acontecer. E houve fogo e dilúvio. Houve montanhas e planaltos, houve vale. Houve valer de tudo, houve tudo valer de nada e as descobertas de si, de encaixes de beijos, de aberturas se salientarem. Houve cola na escola. Repetição de série. Houve quem ouviu a quilômetros de distâncias os uivos de suas cantorias. Houve gozo! Na verdade, gozos!


[ CONTINUA...]