Uma dose de amor
Eu já digo que te amo
Estou gritando meu calor
E a tristeza não engano
Bebi sete taças de vinho
Gargalhadas pelo ar
Três tesões por entre as pernas
Vou fruir, vou farrear
Vou viver sansões eternas
Bebi quatro copos de cervas
As feridas calam a dor
A nudez descobre do pano
O meu beijo quer ardor
O meu corpo quer fulano
Bebi dois quarto de cachaça
Trapalhadas ao andar
Tem vazio em minhas cisternas
Vou cair, vou externar
Vou viver paixões internas
Pedi um fígado, por favor
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Um porrete e umas palavras
não me fales palavras educadas, tampouco desvie teus olhares
eu sei dos empecilhos
que delineiam a nossa pseudo-amizade
somos brothers sem ser amigos
somos corpos sem ser carne
somos tudo o que nunca imaginamos que poderíamos ser
desencontro vocálicos
monossílabos atônicos
impossibilidades possíveis
e isto acontece em toda boa família
mas nem toda família é má
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
FIM DE FESTA: Aquela dos cigarros
MIGUEL - Oi, eu sou Miguel.
BIA - E eu sou Bia. Mas Bia mesmo. Bia
de Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas insistem em me chamar
de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não
Beatriz, Maria, Laisa...
MIGUEL - Mas agora o teu nome é Maria
44!
BIA - Caro, Miguel, eu sempre fico
pensando no real motivo que te leva implicar tanto com uma pessoa tão doce e
generosa como eu...
MIGUEL - Nossa! Fico feliz, você pensa.
BIA - Penso. Claro, que não
frequentemente, pois não vim a esta vida pra gastar tempo com pensamentos
reflexivos, mas para investir vida em meus pensamentos.
MIGUEL - Você está...
BIA - Eis a diferença entre nós dois, guy: eu vivo e respiro meus pensamentos,
você pensa e se sufoca neles mesmos. Fica a dica. Beijo no ombro!... Partiu?
(...)
É um fato que se estende a todos: todo
mundo tem algo a esconder. E todos fingem que nada esconde. E eu não poderia
estar excluído desta estúpida generalização...
Bia tinha o dom de nos ler as mais
corriqueiras “meia-verdades”. Não era um julgamento de meu comportamento. Era a
sabedoria dela que se manifestava na arte de reconhecer a árvore pelo fruto...
Fim de festa para o velório que me sepultava vivo no peito, era hora de dar
vida aos meus monstros e sentir o doce ou mesmo o amargo sabor da vida, pois a
mesma só é continuamente mel para aqueles que fazem de seus sonhos ou ilusões a
sua verdade absoluta e cristalizada.
Eu sentia em meu paladar que o meu real
desejo era de construir agridoces sabores em minhas realidades e então
desconstruir as verdades que as ilusões e sonhos que muitos construíram pra
mim. Se a vida é fugaz como uma fumaça que se esvai, será nos cigarros que
definharei a minha ilusão... E quem disse
que existe verdade? Já falamos sobre isto...
Parti pra festa. Parti pra balada! Parti
pra vida numa sede de viver como se não houvesse amanhã... Like there's no tomorrow! That's the point! Se joga? Não. Se voa, Miguel...
Eu sentia um incêndio acelerar carbono
em minhas veias. Precisava correr atrás dos anos passados. Tinha, de fato, uma
vida pra viver. Tinha sede por vida... Sede?
BIA - Você deveria começar bebendo
devagar...
Devagar anda a Terra. 365 dias para
percorrer o sol. Eu ando na velocidade da luz, preciso de muito álcool no meu
motor. A palavra é acelerar... Queima na
largada e morre e à beira-mar. Crianças
UMA MULHER AFIM DE MIGUEL - Eu não tenho
outra opção. Você é quem eu quero esta noite!
MIGUEL - Desculpe-me a estupidez, mas
com todo o respeito e educação: Eu não sou uma opção!...Grosso!
Que se foda! As mulheres pensam
simplesmente por serem mulheres eu tenho que estar sempre à disposição delas.
Reclamam que as tratamos como um produto no mercado, mas somos nós, homens, que
somos tratados como um objeto. Desculpem-me, mulheres, eu gosto da condição de
caçador. Por favor, não inverta a ordem dos produtos. Tenho a minha
masculinidade muito bem definida ao ponto de dizer um não à mais gata da
balada, simplesmente por não estar afim. Não achei o meu pau no lixo, tampouco
minha boca no... Eu sempre digo: bebeu?
Perdeu-se o filtro! Cadê o Wallita?
Nunca leve uma amiga que bebe mais que
você nos dias em que quiser tomar um porrete faraônico. Ela sempre tentará te
controlar ou ficará a dar toques de autocontroles o tempo todo. Se fosse beber
para ter controle de meus atos eu procuraria uma igreja evangélica e iniciaria
uma campanha destas qualquer. Foco?
Focamente desfocalizado!
MIGUEL - Não quero foco. Quero perder o
foco, o auto-controle, o centro... E o orifício rugoso? Os de bêbado não tem
dono... Quero fogo! Quero fogo. Alguém tem um cigarro?
BIA - Você vai fumar?
MIGUEL - Não. Vou preencher o vazio de
meu pulmão e esvaziar-me de minha paz.
Poetizando os cigarros, eles são como
vazios que preenchem o vazio que carregamos afetivamente no peito. O cigarro
mata a nossa solidão. Preenche a boca, o pulmão, nos vazios mais minúsculos e
inabitados. Ignoro as estatísticas de morte e doença... Já que há tanto veneno
num trago de cigarro, que eles mortifiquem os meus medos e dores. Que eles
queimem minha solidão de mim a cada trago e então eu te trago o meu amor...
Álcool e cigarro não combinam. Ressaca
de cigarro? Pior ainda. Viver a vida como se não houvesse amanhã é pros fracos,
os fortes deliciam-se dos segundos que nos foge e então celebram a arte de viver.
Mas não precisa ser sóbrio! Claro!
(...)
MIGUEL - Eu não estou aguentando tanta
dor de cabeça...
BIA - Fuma mais um pouco, filho da puta.
MIGUEL - Acho que enchi tanto o meu
vazio que estou cheio de solidão.
BIA - Também, quer viver como se fosse o
último dia de vida.
MIGUEL - Bia se eu morrer você vai
chorar?
BIA - Chorar? Chorar é pros fracos.
Darei uma festa e tomarei um porrete apocalíptico, afinal nesta vida não vim
para...
MIGUEL e BIA - Sanidades!
MIGUEL - Fim de festa!
... Não precisa se preocupar em
apagar o cigarro. Afinal, nesta vida não viemos para sanidades, mas para
inundá-la os vazios... E se possível com muito álcool, pois se tem álcool é
sinal que a privacidade virou uma festa...
* Próximo capítulo: "Aquela do reencontro". Não percam!!!
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
FIM DE FESTA: Aquela da primeira vez
MIGUEL - Oi, eu sou Miguel.
BIA - E eu sou Bia, mas Bia mesmo. Bia de...
MIGUEL - ... Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas insistem em me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Claúdia. É, nós já decoramos!
BIA - Eu queria ver se você ia gostar se as pessoas te chamassem de Gabriel, Samuel, ou qualquer outro "el" da vida. Pimenta no orifício rugoso dos outros não arde, né?
MIGUEL - Bia, não fode, vai...
MIGUEL - Bia, não fode, vai...
(...)
Não fode! Que palavra bonita! Nada se compara a sonoridade de "vai se foder". Libertador! E quem nunca fudeu um dia? Ou pelo menos foi fruto de uma fodidinha? Ou você é daqueles que acham que seus pais estavam lendo história de contos de fadas quando te fabricaram? Sei, deveriam estar lendo a Bíblia, livro de Cantares de Salomão. Santa sensualidade, literalmente falando. Não entendo como podemos impor tamanho pudor e mito à cerca de algo tão natural e necessário para a garantia da perpetuação da espécie humana... Uma vida repleta de pequenas mortes! Este é o significado da palavra gozar, orgasmo!... Atire a primeira pedra quem numa morreu um dia, nem que tenha sido no banheiro ou com uma Gretchen estampando uma revista. Conga la Conga!...
Já parou para pensar em como é lindo e poético conjugar o verbo fuder? Vai se fuder, porra! Eu que havia conjugado este verbo no tempo futuro, agora o pronunciava em pretérito perfeito. Há, na vida, tempo para todos os propósitos. Impaciente como sou, tenho de confessar que nunca me agradei de tal pensamento. Deveria, ao meu ver, existir tempo situado por mim para as realizações de meus propósitos, ao meu jeito. Esperar é difícil e doloroso. Esperar e estar certo daquilo que não se vê ou toca. E eu precisava mais do que isto para ser grato. Mas de repente tudo estava para se tornar real e tangível. E entre toques e dor, a primeira vez aconteceu. Eu fudi! E me fudi!... Isto agora pegou mal!
Conselho de um recente ex-virgem. Transe bêbado. Melhor, embriagado. Pelo menos não terá na memória o registro do terror que se estende à uma primeira vez. Nunca vi algo cercado de tantos mitos e lendas como uma "primeia transa". Eu só queria transar, não estava afim de experenciar a mais linda história de amor de minha vida. Não era amor, era sexo! Corpo! Gozo! Calor!... Mas você pegou e se apegou! O sexo nunca cai das vezes num mesmo lugar. Ou seria raio? Ah, vá pro raio que o parte. Vai se fuder!... O problema foi que resolvi dar ouvidos a todos os estúpidos conselhos da Alambique ambulante. Mulher sexualmente madura e banheiro de boite... No way! É muito mais simples seguir o ritual de uma punhetinha, mas no ao vivo e à cores a situação é bem diferente. O cheiro é outro, o tempo é outro. Existe de fato a presença de um alguém que não está apenas em minha mente e que não dança somente conforme minha música, mas me convida ã dançar segundo uns passos que desconheço. E me atrapalho, me perco neste pas de deux espontâneo. Não há coreografia. Não há ensaio. Não há regra pré-estabelecida. Há descoberta!
Horas para que a morte pudesse acontecer e me proporcionar pelo menos um momento de riso e satisfação. Aquela mulher me mordia como se eu fosse uma laranja em extração de suco. Tenho mais marcas no meu corpo do que a remanescente catapora da infância. Eu fui violentado. E ninguém fez nada por mim. E eu só tinha vinte e cinco anos. Uma criança indefesa à mercê de um apetite que me destroçavam os ossos. Ele queria me sugar para dentro dela e retrair de mim toda a minha energia, gente, aquela mulher era uma vampira! Tive que enfiar a estaca nela... e ela morreu! Ou será que fingiu estar morta? Ops, acho que isto não soou legal! O grande problema dos rapazes de poucos vinte anos, é que eles tem muita fome e não sabe utilizar os instrumentos, os talheres para comer o prato principal. Não saber se portar à mesa. Vão com sede ao pote e se assustam quando o pote tem muito mais água para o saciar. Crianças... Quanto mais eu conheço as mulheres, mas me apaixono pelo meu smartphone. Mas eis de confessar, tirando o álcool que me roubava a sensibilidade, foi a experiência mais gostosa de minha vida. Literalmente, gostosa! Todo mundo homem precisa viver. Todo homem precisa um dia proporcionar vida!
Sei, pensou que já estava acabando a história de hoje. Mas quando foi que não apareceu a Bia em meus dias de paz?
BIA - E aí, foi bom pra você? Me conta... vai!
Ela propôs um brinde para todo o bar. Em minha homenagem. Parecia aquelas mães que comemoram a primeira menstruação de suas filhas. Santo constrangimento! ... Rito de passagem nobre, meu jovem... Ela fez leilão de meu pau, me anunciava como um produto em promoção no mercado. O meu corpinho que mamãe passou talquinho e cuidou com amor! Os caras, todos, me davam aquele caloroso tapa no ombro. A minha comanda foi zerada. Não, não pagaram pra mim, eu paguei uma rodada e outras tais para todos. Coisas do tribufú da Bia. E virei o mais novo ex-virgem do pedaço. O último? Não sei... desça outro campari, sme laranja, por que a noite é uma criança, retida na camisinha, é claro!
Já parou para pensar em como é lindo e poético conjugar o verbo fuder? Vai se fuder, porra! Eu que havia conjugado este verbo no tempo futuro, agora o pronunciava em pretérito perfeito. Há, na vida, tempo para todos os propósitos. Impaciente como sou, tenho de confessar que nunca me agradei de tal pensamento. Deveria, ao meu ver, existir tempo situado por mim para as realizações de meus propósitos, ao meu jeito. Esperar é difícil e doloroso. Esperar e estar certo daquilo que não se vê ou toca. E eu precisava mais do que isto para ser grato. Mas de repente tudo estava para se tornar real e tangível. E entre toques e dor, a primeira vez aconteceu. Eu fudi! E me fudi!... Isto agora pegou mal!
Conselho de um recente ex-virgem. Transe bêbado. Melhor, embriagado. Pelo menos não terá na memória o registro do terror que se estende à uma primeira vez. Nunca vi algo cercado de tantos mitos e lendas como uma "primeia transa". Eu só queria transar, não estava afim de experenciar a mais linda história de amor de minha vida. Não era amor, era sexo! Corpo! Gozo! Calor!... Mas você pegou e se apegou! O sexo nunca cai das vezes num mesmo lugar. Ou seria raio? Ah, vá pro raio que o parte. Vai se fuder!... O problema foi que resolvi dar ouvidos a todos os estúpidos conselhos da Alambique ambulante. Mulher sexualmente madura e banheiro de boite... No way! É muito mais simples seguir o ritual de uma punhetinha, mas no ao vivo e à cores a situação é bem diferente. O cheiro é outro, o tempo é outro. Existe de fato a presença de um alguém que não está apenas em minha mente e que não dança somente conforme minha música, mas me convida ã dançar segundo uns passos que desconheço. E me atrapalho, me perco neste pas de deux espontâneo. Não há coreografia. Não há ensaio. Não há regra pré-estabelecida. Há descoberta!
Horas para que a morte pudesse acontecer e me proporcionar pelo menos um momento de riso e satisfação. Aquela mulher me mordia como se eu fosse uma laranja em extração de suco. Tenho mais marcas no meu corpo do que a remanescente catapora da infância. Eu fui violentado. E ninguém fez nada por mim. E eu só tinha vinte e cinco anos. Uma criança indefesa à mercê de um apetite que me destroçavam os ossos. Ele queria me sugar para dentro dela e retrair de mim toda a minha energia, gente, aquela mulher era uma vampira! Tive que enfiar a estaca nela... e ela morreu! Ou será que fingiu estar morta? Ops, acho que isto não soou legal! O grande problema dos rapazes de poucos vinte anos, é que eles tem muita fome e não sabe utilizar os instrumentos, os talheres para comer o prato principal. Não saber se portar à mesa. Vão com sede ao pote e se assustam quando o pote tem muito mais água para o saciar. Crianças... Quanto mais eu conheço as mulheres, mas me apaixono pelo meu smartphone. Mas eis de confessar, tirando o álcool que me roubava a sensibilidade, foi a experiência mais gostosa de minha vida. Literalmente, gostosa! Todo mundo homem precisa viver. Todo homem precisa um dia proporcionar vida!
Sei, pensou que já estava acabando a história de hoje. Mas quando foi que não apareceu a Bia em meus dias de paz?
BIA - E aí, foi bom pra você? Me conta... vai!
Ela propôs um brinde para todo o bar. Em minha homenagem. Parecia aquelas mães que comemoram a primeira menstruação de suas filhas. Santo constrangimento! ... Rito de passagem nobre, meu jovem... Ela fez leilão de meu pau, me anunciava como um produto em promoção no mercado. O meu corpinho que mamãe passou talquinho e cuidou com amor! Os caras, todos, me davam aquele caloroso tapa no ombro. A minha comanda foi zerada. Não, não pagaram pra mim, eu paguei uma rodada e outras tais para todos. Coisas do tribufú da Bia. E virei o mais novo ex-virgem do pedaço. O último? Não sei... desça outro campari, sme laranja, por que a noite é uma criança, retida na camisinha, é claro!
(...)
BIA - E aí, comedor? Acordou bem?
MIGUEL - Pára com isto, né, Bia?
BIA - O cara mais invejado do pedaço...
MIGUEL - Poderia ser bem diferente, né? Mas tua boca...
BIA - Mas que sexo selvagem, hein! Quantas marcas! Você está mais mordido.Um Dálmata!
MIGUEL - Eu sou selvagem!
BIA - Não foi o que ela me disse...
MIGUEL - Ela te disse... E o que ela te disse? Bia, você...?
BIA - Vem ni mim, Dalmatazinho, que to facim facim...
MIGUEL - Bia, você a conhecia?
BIA - Sim, ela me devia uns favores.
MIGUEL - Beatrizzzzzzz!
... Não precisa esconder as marcas de tua fúria. Pra tudo há uma primeira vez e ninguém nasce sabendo. Afinal nesta vida não viemos como PHd, mas com vida e gás pra aprender e se possível com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...
MIGUEL - Pára com isto, né, Bia?
BIA - O cara mais invejado do pedaço...
MIGUEL - Poderia ser bem diferente, né? Mas tua boca...
BIA - Mas que sexo selvagem, hein! Quantas marcas! Você está mais mordido.Um Dálmata!
MIGUEL - Eu sou selvagem!
BIA - Não foi o que ela me disse...
MIGUEL - Ela te disse... E o que ela te disse? Bia, você...?
BIA - Vem ni mim, Dalmatazinho, que to facim facim...
MIGUEL - Bia, você a conhecia?
BIA - Sim, ela me devia uns favores.
MIGUEL - Beatrizzzzzzz!
... Não precisa esconder as marcas de tua fúria. Pra tudo há uma primeira vez e ninguém nasce sabendo. Afinal nesta vida não viemos como PHd, mas com vida e gás pra aprender e se possível com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...
* Próximo capítulo: "Aquela dos cigarros". Não percam!!!
sexta-feira, 13 de julho de 2012
FIM DE FESTA: Aquele do vestido nude
MIGUEL - Oi, eu sou Miguel.
BIA - E eu sou Bia, mas Bia mesmo. Bia de Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por
que as pessoas sempre me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo
que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Claúdia...
MIGUEL - E quantas Bia’s tinham ontem na festa, hein?
BIA - Converse com a minha mão. Se preferir com o meu dedo médio...
MIGUEL - Calma, Bia, pelo menos, você estará em todas as revistas hoje. Ou aparentemente em
todas, né? Isto que dá comprar roupas de festas em lojas em liquidação. Bia,
eram quatro mulheres usando o mesmo vestido que o teu. Como lidar?
BIA - Que ódio! Bregas!
MIGUEL
– Oooo, você estava usando o mesmo vestido delas. Fica a dica!
(...)
Festa
de premiação do cinema nacioal, salão cheio de celebridades, personalidades da
arte, toda mídia reunida, muitos flashes, risos e Bia, acompanhando a tendência do "invista pouco e arraze muito", em um belo vestido nude comprado nestas muitas franquias
que imitam bom gosto nos shoppings da zona sul carioca. Resultado do
investimento: ela que saiu arrasada!
... Também pudera, era o mínimo que poderia acontecer. Justiça divina! Nude? Porque usar nude? Uma mulher não deveria nunca usar uma roupa nude, parece estar nua sem estar. Nude e bege nunca estão em tendência. Mas em declínio...
... Também pudera, era o mínimo que poderia acontecer. Justiça divina! Nude? Porque usar nude? Uma mulher não deveria nunca usar uma roupa nude, parece estar nua sem estar. Nude e bege nunca estão em tendência. Mas em declínio...
Penso
que uma mulher tem que ter muita desenvoltura e afirmação de sua personalidade
ao cruzar num grande evento, com uma outra mulher, uma linda outra mulher,
vestida com o mesmo vestido que o seu. Tapete vermelho. Muitos fotógrafos.
Muitos mesmo. Luz. Câmera. A atual esposa de teu ex-marido. Corta. A
atriz que ficou com o papel do último teste que você fez para a próxima novela. Corta. A cantora mais querida dos últimos tempos. Corta. Tomada sete, cena dois do filme “Como se fud* numa
noite que era para ser íncrível?” Ação. Gravando!
Bia
costuma ser sempre irritada e azeda, embora louca, ensandecida, mas desta vez tinha o odor de azedar até
mesmo o meu doce e suave cheiro de Chanel Allure.
BIA
– Jomi, pode ser sincero, estou em melhor forma do que ela, não estou?
Ela
necessitava ouvir que era melhor que a mulher que agora desfilava soberanda
como namorada de seu ex-marido. Seria ideal mentir? Que espécie de amigo eu sou? Cruel em dizer a verdade?... Não importa o quanto ridículo pareça um mulher, nunca diga que está gordinha, estranha ou inapropriada. Para perguntas como, "Como estou?" A resposta é sempre: Incrívelmente linda, meu amor. O que fez? Tem algo de diferente. Cortou os cabelos... Juro que não queria mentir pra Bia. Éramos amigos!
MIGUEL
– Bia, é que vocês são muito diferentes. Tão diferentes que os vestidos nem
parecem ser o mesmo.
BIA
– Diferentes como? Define.
Mulher
é um bicho muito bom, mas muito complicado... Menos quando está usando nude. Uma mulher de nude, de bege está te dizendo delicadamente: "Quer me comer? Coma. Mas estou de bege." Ela está dizendo que não está afim. O sinal está fechado. Calcinha bege é mais segura que cinturão de castidade... Elas nunca se sentem bem com os próprios
corpos e sempre te colocam na indelicada situação de comentar o seu estado... Não tinha como dizer que estava bem. Uma mulher de soutien bege, por exemplo, é como um peito sem auréola. Mamar na vaca elas não querem... E
se tentamos ser sutis e delicados... Você dorme no sofá...
Algo deixava o meu alambique ambulante feliz como um hiena. O fato de não serem apenas as duas que desfilavam a premiação com os mesmos vestidos, mas também a atriz Beatriz Penna e a cantora Paula Bernardes. Mas a Paula no último ano recebeu o prêmio da celebridade mais cafona. Eu
poderia ter ficado sem lembrá-la deste pequeno detalhe, mas boca de balde como
sou... Os homens têm disto. Sempre dizem que as mulheres são fofoqueiras e não sabem guardar segredos, mas há um leve diferença entre os sexos. As mulheres contam o que querem e escolhem contar. Já os homens não, na crença da tal madura experiência, sempre deixam escapulir algo indevido... A situação só piorou quando um jornalista bem inconveniente a veio
parabenizá-la por conta do teste que havia feito para a próxima novela. Ele estava falando de uma outra Bia, a que realmente era Beatriz. Haja tequila e sex
on the beach para curar a baixa auto-estima de Bia.
(...)
MIGUEL - Bia
saiu uma matéria na net sobre a festa. E...
BIA - Não
quero saber.
MIGUEL - Fala
de você.
BIA - É mais
de três parágrafo?
MIGUEL - Na verdade cinco.
BIA - Leia
pra mim.
MIGUIEL - Se
liga no título, “Nem só de exclusividades vive o tapete vermelho do
FestCine”...
BIA - Pára. Nem ouse continuar.
MIGUEL - É, passarinho que come pedra sabe o cu que tem.
BIA - Eu vou limpar o cu deles com este
vestido...
MIGUEL - Se o cu for grande você tem mais três vestidos para terminar o serviço.
... Não precisa se cobrar ser exclusiva com a gente. Pode simplesmente ser você. E incomodar as normalidades. Afinal nesta vida não viemos pra sanidades, mas pra vida e se possível com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...
* Próximo capítulo: "Aquela da primeira vez". Não percam!!!
sexta-feira, 15 de junho de 2012
FIM DE FESTA: Aquela das flores
MIGUEL - Oi, eu sou Miguel.
É, maldosamente ofereci. E inconvenientemente a Bia queria maiores esclarecimentos e ele prosseguiu. Gases! Eu juro que tinha gás o suficiente para mandar todos para a puta que os pariu. Na perfeita conjugação do verbo! E o meu pai ainda dizia que as flores são românticas. Tempos modernos! Eu via toda a minha reputação sendo sepultada em cada palavra que aqueles dois delinquentes pronunciavam. Fim de festa pra mim. Eu tinha que ir embora, mas como? Pior seria deixar a Bia por perto. E ainda mais com este novo rolo que não tirava os olhos dos seios da Patrícia... Aprenda uma coisa, caro amigo, amigas que têm o dom de resolver os seus problemas por você, sim, aquelas que sempre querem falar por vocês, sempre tem um jeitinho de te conseguir as coisas, estas são as menos confiáveis para interceder por ti. Abram os olhos. Pense naquela paquera que você tinha e que de repente a tua melhor amiga pegou. Aposto que ela te disse: Só estava me aproximando e tornando íntima por tua causa. Agora não queira detalhes de até onde foi a intimidade... Claro que a Bia e o seu rolo estúpido, não iriam propor um ménage à trois. Ou sim?... Mas algo é certo, quer conquistar uma mulher, chegue você mesmo nela. E afaste os infortúnios. Isto pode fazer toda a diferença... A coisa de fato não estava cheirando acabar bem. E como dizia o meu pai: Merda o quanto mais mexe fede. Antes que a privada entupa, melhor cair fora. Com o alambique ambulante!
BIA - E eu sou Bia, mas Bia mesmo. Bia de Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas sempre teimam em me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Claúdia...
MIGUEL - Bia, você já disse isto na última vez.
BIA - Pois é válido repetir para que não haja desculpas de má compreensão. Sabe como é este povo... A gente tem que falar, falar e em alguns casos ainda desenhar. E você não fala muito não. Por que depois do vexame...
MIGUEL - Já estava demorando.
BIA - Que vergonha! Come sardinha e arrota caviar. Se bem que no teu caso...
MIGUEL - Atire a primeira pedra quem nunca... nunca... nunca... É... Você está pronta, Beatriz?
BIA - Beatriz é nome da tua...
MIGUEL - Pare de tagarelar e vamos embora que a festa já começou.
(...)
Existem certos rituais que merecidamente devem ser respeitados quando num plano de sair para uma festa. Beber bastante água durante o dia e logo no início da noite tomar um comprimido de Omeprazol, seguido de um outro quando retornar pela manhã, garantem um bom estado para o seu organismo físico. O fígado e estômago agradecem! Mas também não comer muitas leguminosas, feijão, ervilhas, lentilhas, te deixarão em ótimo estado. Digamos que deixarão o ambiente ao teu redor em ótimo estado! O olfato de teus colegas agradecem! ... Se bem que o melhor de estar numa balada é poder soltar altos e performáticos "pum" musicalizados pelas ensurdecedoras músicas... Você alguma vez na vida já peidou ( me perdoe o verbo) cheirando flores? Não? Esqueçam os desodorizadores de ar e comam salada de flores de orquídeas. O efeito resultando é satisfatório. Ou garantimos a devolução de teu dinheiro!
Todo mundo espera uma coisa de um sábado à noite, mas tudo o que eu menos esperava era ser assediado por uma combustão feroz de gases intra- intestinais... Quem está com a mão amarela aí?... Eu não entendo como tenho sobre mim esta unção macabra do "dedo podre". Caramba, eu tenho o dom de me envolver nas situações mais embaraçosas!
Estava em casa sem ter o que fazer e de repente ela me liga. Ela. Patrícia Bernardes! Linda, loira, olhos caramelos e oblíquos, voz tão calma quanto o contraste de minhas intenções, a mulher que tenho diretamente flertado nesses últimos meses e sem sucesso algum. Também, quem que me mandou paquerar amiga de Bia? Com certeza aquele alambique ambulante deve ter metido o dedo no investimento e azedado a sopa. E o pior, querendo ajudar. Sei que no fundo não é só álcool!
A Patrícia tinha uma festa. Um jantar fino com o pessoal de seu estágio e fui com ela. Numa noite regrada à bons vinhos e conversa sobre bolsa de valores, investimentos em capital internacional e fim-de-semana em Jurerê Internacional, me rendi à salada afrodisíaca de flores de orquídeas. Um sabor peculiar e delicado, mas com o propósito de celebrar a minha morte!...Por que as mulheres gostam tanto de flores se elas tem cheiro de morte?... João Miguel da Silva Trancoso, mulher bonita, vinho e flores, não combinam. Resultado uma combustão de indelicados liberar de gases aromatizados à flores. Juro que queria estar numa balada, mas não, a única música ambiente que tinha era o Jazz que meu intestino produzia. Deu ruim! E a Patrícia ainda me abraçando forte na despedida! Eu parecia aqueles brinquedinhos de criança que cantam quando apertamos a barriga.
Não bastando todo o desconforto, quem aparece de brinde de sobremesa quando eu já me despedia para sumir dali? Quem se chama pelo nome inconveniência? Ela mesma, a miss Etílico. Bia.
BIA - Oi, gente. Não sabia que estavam aqui. O Jomi, não me disse que vocês estavam saindo. Podemos nos sentar na companhia de vocês? Obrigada!
Eu logo tratei de informá-la que era um jantar reservado para a equipe da Patrícia e que eu estava indo já, mas a Bia não se importava em ser indelicada e os seus casos também não eram diferentes. Começaram-se o consumo de caipirinhas e sex on the beach's, mas eu tratei logo de oferecê-los a bela salada de flores. O que ouvi?
O CASO DESTA NOITE DE BIA - Não, obrigado. Nunca coma flores. São lindas, coloridas e suaves, mas o efeito no intestino é devastador. São piores que bomba atômicas.
(...)
BIA - Você é muito parado. Ficou a noite toda com ela e não falou, não fez nada. E ela dando a maior condição. Um merda, Jomi! Você é uma merda com cheiro de flores!
MIGUEL - BIa, só pra você se sentir um pouquinho mais e explodir: pela primeira vez na vida você está certa.
BIA - Primeira vez que você consegue ter a capacidade de enxergar os meus ensinamentos, né? Eu não te coloco em furada. Sou uma mulher vivida, experiente. Eu sei das coisas.
MIGUEL - Mulher que sabe de algo é minha mãe, melhor, minha avó. Fugia de casa com desculpas de ir fazer tarefas do lar, aprender corte e costura, dava pros caras, deixava-os loucos e sem imaginar ter sido deflorada casava-se como uma Maria virgem. E sem engravidar. Você é fichinha?
BIA - Primeiro, mulher não dá nada a homem algum. Emprestam, por que levam de volta pra casa. Segundo, se tua mãe é tão boa, então convide a Pati pra tomar um chá na casa dela. Duvido que ela vá. Demônio de sogra...
MIGUEL - Olha, Bia... Você...
BIA - Miguel, já se limpou hoje?
MIGUEL - É impossível falar sério com você.
.. Não precisa falar sério com a gente. Pode brincar sério, afinal nesta vida não viemos pra sanidades e se possível com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...
MIGUEL - É impossível falar sério com você.
.. Não precisa falar sério com a gente. Pode brincar sério, afinal nesta vida não viemos pra sanidades e se possível com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...
* Próximo capítulo: "Aquela do telefonema". Não percam!!!
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Teu coração como prato principal
Depois de generosas doses de caipirinha ela começou a desafogar suas mágoas e revelar sua dor.
Era uma mulher jovem, aparentemente uns trinta anos, desculpe-me a indelicadeza de revelá-la a idade, mas penso ser importante saber quantas primaveras antecederam aquele inverno frio que a perturbava mesmo num verão escaldante num país tropical.
A tudo eu avistava da mesa ao lado. Parecia inquieta, sufocada por seus próprios cachos que cobriam-lhe o rosto meigo, branco, salpicado com algumas sardas, sensuais sardas de sol. À princípio pensei que se tratava de uma espera, um compromisso que por alguns constrangedor motivo se encontrava atrasado, muito atrasado, mas seu corpo comunicava ao longo do tempo que sofria por na verdade não esperar alguém.
Deus dó de ver moça tão linda no abandono de uns goles de bebidas, mas logo me lembrei da filosofia de minha irmã mais nova: tem muito pouco homem no mercado, e homem, homem de verdade é um produto em quase extinção. Confesso que um enorme sentimento de lhe ser um gentil cavalheiro me roubou o sossego por alguns minutos, ela era linda, porém quando um palma a bunda da cadeira levantei para em sua direção dirigir toda minha parcela de participação nos quase extintos machos existente. Meu deus, falo como se criado em cativeiro eu fosse, se bem, que foi assim que me sentir nos minutos antecedentes, um grande bicho-homem enclausurado em seu ser e medo. Mais uma vez minha irmã acertou: homem tem medo de mulher.
Mas ela não se deteve, e num rompante só de coragem depositou nos ouvidos do garçom todas as suas lamúrias e descontentamento. Fora traída, enganada e abandonada por disse ter dedicado o seu amor e escutado juras de eterna paixão. Num dado momento gritou em voz estridente preferir a morte à possibilidade de escrever os seus dias sem tal infinito amor. Resmungou: eu o amei muito que um dia pensei que poderia amar à mim.
Eu apenas pude ouvir, calado, indefeso, sentia sua aflição tanto quanto sofria com os dias de final de campeonato de futebol. Imaginava que realmente deveria ser a maior dor do mundo, como em final de campeonato não ter uma cerveja gelada na geladeira. Eu podia sentir seu descontentamento. Mas quem mandou amar?
Depois de passados três minutos do início do choro, juro que já comecei a me irritar. Por que mulheres choram tanto. Levam uma vida para se maquiarem, mas se destroem em segundos por tão pouco. Deveriam fazer valer a minha espera.
Bem, como um bom e exume garçom, ele ficou com ouvidos servidos pra tanto derramar de lágrimas. Ela foi se acalmando e logo pediu que a servisse algo para comer. Pediu o melhor da casa. Estava faminta, bêbada, realmente precisava se recuperar. Ele foi ligeiro, doce e categórico, a serviu o seu próprio coração como prato principal. Ela não entendeu a analogia e audácia de lhe servir uma iguaria de qual era dona. E se enfureceu com o mesmo pobre homem que a sustentou carinho e cordialidades.
Gritou enfurecidamente: Se eu quisesse comer o meu coração eu o assaria em casa e o engolia inteiro. Era uma mulher fora de si em meio a tantos choros e ranger de dentes, e prosseguiu o malgrado: Se tivesse pelo menos me servido os rins daquele maldito que a este coração destruiu... Tenho vergonha de todo este amor que o compartilhei sozinha. É bem, sabido que nesta hora houve mais choro, muito mais choros. Mas, gentilmente ele sorriu e poucas palavras soletrou: coma com prazer e sabor inigualável, senhora, e sinta-o pulsar inocente dentro você. Coma e tenha amor por ti.
Bem, eu? Neste momento eu... quase chorei, mas não chorei.
Era uma mulher jovem, aparentemente uns trinta anos, desculpe-me a indelicadeza de revelá-la a idade, mas penso ser importante saber quantas primaveras antecederam aquele inverno frio que a perturbava mesmo num verão escaldante num país tropical.
A tudo eu avistava da mesa ao lado. Parecia inquieta, sufocada por seus próprios cachos que cobriam-lhe o rosto meigo, branco, salpicado com algumas sardas, sensuais sardas de sol. À princípio pensei que se tratava de uma espera, um compromisso que por alguns constrangedor motivo se encontrava atrasado, muito atrasado, mas seu corpo comunicava ao longo do tempo que sofria por na verdade não esperar alguém.
Deus dó de ver moça tão linda no abandono de uns goles de bebidas, mas logo me lembrei da filosofia de minha irmã mais nova: tem muito pouco homem no mercado, e homem, homem de verdade é um produto em quase extinção. Confesso que um enorme sentimento de lhe ser um gentil cavalheiro me roubou o sossego por alguns minutos, ela era linda, porém quando um palma a bunda da cadeira levantei para em sua direção dirigir toda minha parcela de participação nos quase extintos machos existente. Meu deus, falo como se criado em cativeiro eu fosse, se bem, que foi assim que me sentir nos minutos antecedentes, um grande bicho-homem enclausurado em seu ser e medo. Mais uma vez minha irmã acertou: homem tem medo de mulher.
Mas ela não se deteve, e num rompante só de coragem depositou nos ouvidos do garçom todas as suas lamúrias e descontentamento. Fora traída, enganada e abandonada por disse ter dedicado o seu amor e escutado juras de eterna paixão. Num dado momento gritou em voz estridente preferir a morte à possibilidade de escrever os seus dias sem tal infinito amor. Resmungou: eu o amei muito que um dia pensei que poderia amar à mim.
Eu apenas pude ouvir, calado, indefeso, sentia sua aflição tanto quanto sofria com os dias de final de campeonato de futebol. Imaginava que realmente deveria ser a maior dor do mundo, como em final de campeonato não ter uma cerveja gelada na geladeira. Eu podia sentir seu descontentamento. Mas quem mandou amar?
Depois de passados três minutos do início do choro, juro que já comecei a me irritar. Por que mulheres choram tanto. Levam uma vida para se maquiarem, mas se destroem em segundos por tão pouco. Deveriam fazer valer a minha espera.
Bem, como um bom e exume garçom, ele ficou com ouvidos servidos pra tanto derramar de lágrimas. Ela foi se acalmando e logo pediu que a servisse algo para comer. Pediu o melhor da casa. Estava faminta, bêbada, realmente precisava se recuperar. Ele foi ligeiro, doce e categórico, a serviu o seu próprio coração como prato principal. Ela não entendeu a analogia e audácia de lhe servir uma iguaria de qual era dona. E se enfureceu com o mesmo pobre homem que a sustentou carinho e cordialidades.
Gritou enfurecidamente: Se eu quisesse comer o meu coração eu o assaria em casa e o engolia inteiro. Era uma mulher fora de si em meio a tantos choros e ranger de dentes, e prosseguiu o malgrado: Se tivesse pelo menos me servido os rins daquele maldito que a este coração destruiu... Tenho vergonha de todo este amor que o compartilhei sozinha. É bem, sabido que nesta hora houve mais choro, muito mais choros. Mas, gentilmente ele sorriu e poucas palavras soletrou: coma com prazer e sabor inigualável, senhora, e sinta-o pulsar inocente dentro você. Coma e tenha amor por ti.
Bem, eu? Neste momento eu... quase chorei, mas não chorei.
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