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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Toda verdade sobre mim é mentira - PARTE II

Hoje vi uma borboleta. Sei que pode não haver absolutamente nada de interessante em começar falando isso. Borboleta. O que são borboletas? Mas me perguntei: quantas vezes vejo uma borboleta na semana? No ano? Na vida? Vejo lagartas em todas formosuras que conheço. 
Poucas coisas têm mudado em minha vida. Meses passados eu mudava de grande amor a cada transa. Trepe, gozei, beijei na boca? Deixei de amar. Agora sinto-me preso ao último adeus que soletrei. E me pergunto se deveria ter me despedido com um "eu te amo". Por que as mulheres querem tanto ouvir isso, caralho? Se ao menos houvesse me pedido antes da transa, seria mais fácil, teria um  motivo, razão e circunstância. Mas de graça? Gratuitamente, pra que mentir? Mas quer saber de uma coisa? Saquei algo. Amor castrado não é como coito interrompido, como costumo dizer. Amor castrado é como amor castrado, não vivido, podado. Não há outros parâmetros de comparação. É foda! Quero dizer, não é... O homem quer fuder. As mulheres querem que os homens se fodam. E assim seguimos o instinto de nos satisfazer. Esquecemos que há uma parte que também gozaria tão igualmente daquele momento. Só momentos...


(AARON e CINDY se encontram na bancada de um bar) 

CINDY - Você tem fumado mais que o normal.

AARON - E você parece muito bem.

CINDY - Obrigada. Fui ao salão hoje. Percebeu. (Risos)

AARON - Tá sozinha?

CINDY - Ninguém nunca tá sozinha a essa hora no Print's... Estou com a tequila.

AARON - Tequila te...

CINDY - Tequila não "me". Tequila "nos". (Vira a tequila e beija ardentemente AARON)

AARON (Rindo surpreso) - Cindy.

CINDY (Levanta o anelar direito para o garçon, indicando outro shot) - Aaron Ford. 

AARON - Eu estava achando que a gente...

CINDY - Achando? (Ri) Eu já encontrei. (Debruça no balcão) Disfarça e olhe pra trás. O moreno alto, forte, cabelos curtos e de camisa azul claro...

AARON - É o Marx.

CINDY - Sabe de uma coisa!? Ele beija bem, muito bem. Pegada, dança, pau, calor... Mas não fuma. E nada melhor que o gosto de tequila e cigarro misturado. (Risos)Tesão! Se importaria de me dar um...? Cigarro.


Sabe quando vem aquela vontade avassaladora de chorar? Dizem que ela nos atinge como um chute bem dado no saco, exatamente no ovo esquerdo - esse dói muito mais, uma dor que persiste, aguda. Eu nunca tive essa vontade. Em toda minha vida, chorei apenas uma vez. Mas não vou falar sobre ela. Eu nunca falo sobre. Nem a menciono. E já mencionei. Sou cercado por muita gente que chora pra se convencer de que sofre. Testificar a dor, carência, perda. Gente que troca atos de piedade e falso amor por mazelas de sofrimento. Valha-me Deus. Apenas observo o jogo que se constrói em volta do querer e o desdenhe. Nega que me quer que te convenço a me querer. Sem paciência pra tamanha brincadeira. Quando eu quero, eu quero mesmo. E quando não me quererem, poucas vezes me faço me quererem. Pra quê? Mas dou corda. Bato palmas pros loucos dançarem. Até que percebam que sou eu o meu querer. Minha masturbação. Meu gozo. Eu ri agora. Ri pra caralho. Porra! Meu antigo terapeuta sempre dizia que eu me desminto a todo momento. Eu continuo dizendo que ele deveria tomar no cu. Terapeuta da porra! Vou levantar agora dessa cama e fumar um baseado. De leve. Verde esperança. Paz! Tranquilidade. Agora estou olhando perdido para o teto. Eu não disse, mas nem sai da cama, o baseado sempre fica nessa caixinha preta com recortes de filmes em PB colados. Coisas que herdei dela. Essa cama... Não havia me dado conta do tanto que era imensa. Sabe quando vem aquela vontade avassaladora de chorar? Então, acho que caiu um cisco no meu olho.

Será que amanhã eu poderia te contar que nunca brochei?


[...CONTINUA...]

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Toda minha verdade é mentira - PARTE I

As pessoas tendem a nos julgar segundo os seus próprios medos e fraquezas. Se não temêssemos tanto os efeitos das drogas, viveríamos todos mergulhados em gostos e cheiros de maconhas ou sintéticos. Drogas não tem esse nome porque não prestam. São drogas porque se fossem doces a julgamento seria em torno de que engordam. Não vou dizer que não estou fazendo apologias, não me sentiria um ponto e vírgula culpado se tuas forças te motivassem ao primeiro teco. Na desculpa, é claro, ter sido sugestionada por mim.
O meu vício foi e é esse senso de liberdade que corrói minhas veias, engano-me a mim no propósito de ser dono de meu nariz e razões. Hipócrita, eu sou. Somos todos escravos de nós mesmos. No anseio de o outro dominar.

(AARON e CINDY sentados lado a lado no sofá bege. O menor do conjunto de três e dois lugares. AARON bebe uísque, fuma e balança as pernas. CINDY enrola os cabelos com os dedos. Ambos olham fixamente pra frente)

AARON - Por que tá chorando?

CINDY - Não sei. Acho que mesmo sabendo que não é você tem uma parte de mim que queria que tivesse sido.

AARON - A gente vai continuar amigo.

CINDY (Roendo a unha do anelar esquerdo) - Não, Aaron. A gente para aqui.

AARON - Por quê?

CINDY - Porque já tem muita parte de mim dentro de você. E eu que dei. Me dei. E já não posso reivindicar.

AARON - Se arrepende...?

CINDY - Eu vivi. E é essa história que vou contar.

AARON - Boa?

CINDY - História.

AARON - Boa?

CINDY - Toda história fica boa um dia. É só esperar.

AARON (Vira todo o uísque) - Eu...

CINDY - Não. (O encara) Você não foi a pessoa que mais amei.

Ando meio assim. Ando meio anão. Ando pela metade. Desando. Talho. Azedo. Avesso. Ando meio talvez. Pra não assumir minha culpa fui incorporando esta mentira no meu diálogo. A mentira de que havia amado. Eu nunca a amei. Desejei. E tive. Penetrei e exorcizei de meus músculos toda sorte de volúpia e paixão. Tendemos confundir o que é ótimo no agora com o que poderia ser bom no pra sempre. Eu só queria o ótimo, perfeito. E acabou. Fui me convencendo de que era verdade o meu conto, afinal, poderia contá-lo mil vezes ou mais. Sou paciente... Assim como esse trago de cigarro que agora dou e não libero. Fumo a fumaça. Essa sim me preenche e dá prazer. Tomo um gole do uísque e umedeço as palavras que nunca a disse e a fumaça sussurrará feito incenso. Lenta. Bailarina. Ladra. Prostituta. E amiga. Mas não era essa exaltação que ansiava o meu deus. Libero-a lentamente. A fumaça. E ela. Torno a tragar. Posso contar essa mentira que criei pra nós pelo resto de nossas vidas, mas ela nunca deixará de ser mentira. Contando e recontando, no máximo, ela passar a ser a nossa realidade. E o REAL nem sempre é o VERDADEIRO. E o verdadeiro é essencial?


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Sabe aquele beijo que não encaixa? Pois então...

Teu corpo grudado no meu
Colado feito tatuagem maori
Apenas uma cor em traços tribais
Sobre mim
Sob mim
Menções de muitas paixões
Desejos
Insaciabilidades masculinas
Ansiedades por domínios
Subversões de poder
Versos de bela poesia
Versões contraditórias de nossos seus
Calor
Ternura
Cervejas
Frio
Calafrio
E o tua boca despedaçando bala Halls em minha língua
E então outras línguas falo
Falo e calo
Falo, desfalo, falador, fálico
Teus pelos
Teus seios
Cigarros
Sempre o fumo queimando insinuações
E temperando aquele beijo que se encaixa ao meu
Acontece

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

FIM DE FESTA: Aquela dos cigarros

MIGUEL - Oi, eu sou Miguel.

BIA - E eu sou Bia. Mas Bia mesmo. Bia de Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas insistem em me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Laisa...
MIGUEL - Mas agora o teu nome é Maria 44!
BIA - Caro, Miguel, eu sempre fico pensando no real motivo que te leva implicar tanto com uma pessoa tão doce e generosa como eu...
MIGUEL - Nossa! Fico feliz, você pensa.
BIA - Penso. Claro, que não frequentemente, pois não vim a esta vida pra gastar tempo com pensamentos reflexivos, mas para investir vida em meus pensamentos.
MIGUEL - Você está...
BIA - Eis a diferença entre nós dois, guy: eu vivo e respiro meus pensamentos, você pensa e se sufoca neles mesmos. Fica a dica. Beijo no ombro!... Partiu?

(...)

É um fato que se estende a todos: todo mundo tem algo a esconder. E todos fingem que nada esconde. E eu não poderia estar excluído desta estúpida generalização...
Bia tinha o dom de nos ler as mais corriqueiras “meia-verdades”. Não era um julgamento de meu comportamento. Era a sabedoria dela que se manifestava na arte de reconhecer a árvore pelo fruto... Fim de festa para o velório que me sepultava vivo no peito, era hora de dar vida aos meus monstros e sentir o doce ou mesmo o amargo sabor da vida, pois a mesma só é continuamente mel para aqueles que fazem de seus sonhos ou ilusões a sua verdade absoluta e cristalizada.
Eu sentia em meu paladar que o meu real desejo era de construir agridoces sabores em minhas realidades e então desconstruir as verdades que as ilusões e sonhos que muitos construíram pra mim. Se a vida é fugaz como uma fumaça que se esvai, será nos cigarros que definharei a minha ilusão... E quem disse que existe verdade? Já falamos sobre isto...
Parti pra festa. Parti pra balada! Parti pra vida numa sede de viver como se não houvesse amanhã... Like there's no tomorrow! That's the point! Se joga? Não. Se voa, Miguel...
Eu sentia um incêndio acelerar carbono em minhas veias. Precisava correr atrás dos anos passados. Tinha, de fato, uma vida pra viver. Tinha sede por vida... Sede?

BIA - Você deveria começar bebendo devagar...

Devagar anda a Terra. 365 dias para percorrer o sol. Eu ando na velocidade da luz, preciso de muito álcool no meu motor. A palavra é acelerar... Queima na largada e morre e à beira-mar. Crianças

UMA MULHER AFIM DE MIGUEL - Eu não tenho outra opção. Você é quem eu quero esta noite!
MIGUEL - Desculpe-me a estupidez, mas com todo o respeito e educação: Eu não sou uma opção!...Grosso!

Que se foda! As mulheres pensam simplesmente por serem mulheres eu tenho que estar sempre à disposição delas. Reclamam que as tratamos como um produto no mercado, mas somos nós, homens, que somos tratados como um objeto. Desculpem-me, mulheres, eu gosto da condição de caçador. Por favor, não inverta a ordem dos produtos. Tenho a minha masculinidade muito bem definida ao ponto de dizer um não à mais gata da balada, simplesmente por não estar afim. Não achei o meu pau no lixo, tampouco minha boca no... Eu sempre digo: bebeu? Perdeu-se o filtro! Cadê o Wallita?
Nunca leve uma amiga que bebe mais que você nos dias em que quiser tomar um porrete faraônico. Ela sempre tentará te controlar ou ficará a dar toques de autocontroles o tempo todo. Se fosse beber para ter controle de meus atos eu procuraria uma igreja evangélica e iniciaria uma campanha destas qualquer. Foco? Focamente desfocalizado!

MIGUEL - Não quero foco. Quero perder o foco, o auto-controle, o centro... E o orifício rugoso? Os de bêbado não tem dono... Quero fogo! Quero fogo. Alguém tem um cigarro?
BIA - Você vai fumar?
MIGUEL - Não. Vou preencher o vazio de meu pulmão e esvaziar-me de minha paz.

Poetizando os cigarros, eles são como vazios que preenchem o vazio que carregamos afetivamente no peito. O cigarro mata a nossa solidão. Preenche a boca, o pulmão, nos vazios mais minúsculos e inabitados. Ignoro as estatísticas de morte e doença... Já que há tanto veneno num trago de cigarro, que eles mortifiquem os meus medos e dores. Que eles queimem minha solidão de mim a cada trago e então eu te trago o meu amor...
Álcool e cigarro não combinam. Ressaca de cigarro? Pior ainda. Viver a vida como se não houvesse amanhã é pros fracos, os fortes deliciam-se dos segundos que nos foge e então celebram a arte de viver. Mas não precisa ser sóbrio! Claro!

(...)

MIGUEL - Eu não estou aguentando tanta dor de cabeça...
BIA - Fuma mais um pouco, filho da puta.
MIGUEL - Acho que enchi tanto o meu vazio que estou cheio de solidão.
BIA - Também, quer viver como se fosse o último dia de vida.
MIGUEL - Bia se eu morrer você vai chorar?
BIA - Chorar? Chorar é pros fracos. Darei uma festa e tomarei um porrete apocalíptico, afinal nesta vida não vim para...
MIGUEL e BIA - Sanidades!
MIGUEL - Fim de festa!

... Não precisa se preocupar em apagar o cigarro. Afinal, nesta vida não viemos para sanidades, mas para inundá-la os vazios... E se possível com muito álcool, pois se tem álcool é sinal que a privacidade virou uma festa...

* Próximo capítulo: "Aquela do reencontro". Não percam!!!