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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

FIM DE FESTA: Aquela do reencontro

MIGUEL – Oi, eu sou Miguel.
BIA – E eu sou Bia, mas Bia mesmo. Bia de Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas insistem em me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Claúdia... tampouco Alice.
MIGUEL – Bia, já deu.
BIA – Esta música melancólica também já deu.
MIGUEL – Você se lembra?
BIA – Sério!? Reviver? Figurinha repetida não completa álbum, Jomi. Get a move on, dear. E tem mais, tem hora que é preciso fechar o cliclo, né? Já deu. 
MIGUEL – Como se fosse fácil?
BIA – Se a vida fosse fácil era seria uma piriguete. Cervejinha?
MIGUEL – Não estou afim de beber. Mas a piriguete eu aceito.
BIA – Vai sair careta? Vai ficar no canto e nempegar resfriado. Te conheço, se joga, Jomi. Pois a noite é uma criança. E os meus novinhos dormem cedo. Festa!

(...)

...O mundo pode dar muitas voltas e demorar os seus fiéis 365 dias para retornar a sua primavera, mas algo é certo: um dia a gente ainda irá se encontrar... Depois de meses de fugas e outras fugas mais, o reencontro aconteceu. E quem se perdeu fui eu. Me perdi da imagem que sustentei durante estas últimas estações do ano. E eu não sabia se já era fim de meu inverno. Eu não sabia se eram flores temporãs. Eu não sabia que calor era aquele que sentia...  Calor num misto de frio na espinha e calafrios por toda pele. O constrangimento do conflito "te quero sem te querer querer"... Eu reconhecia aquele perfume de rosas. Eu reconhecia aquele olhar que defrauda. E Alanis Morissette outra vez cantou "Head over feat", só pra mim.

MIGUEL - Carla, que bom de te ver! Como está?

Bom te ver? Oh, meu Deus, e eu ainda tenho que ser agradável e esconder esta vontade sobre-humana que tenho entranhada de desviar o olhar destes olhos que me perfuram... E então encara e olha nos olhos,na crença desta fraudulenta verdade que olho no olho transmite verdade. Seria tão fácil, se assim fosse... Ela me olha e já sabe de tudo que formenta em minha língua dizer. Eu sei que ela, somente ela me conhece, talvez até mais que eu mesmo. Por quê ela tem de ser tão inconveniente e me ler num simples sorriso? Ela me perdeu. E nem depois disto me teve amor... Não é que damos valor às pessoas quando perdemos, mas muitas vezes ganhamos tanto amor que nem espaço ou ar para amar temos e assim nos sufocamos em todas as sentimentalidades que também gostaríamos de expressar. E então quando se acaba o amor, nos fica o comodismo de todo carinho recebido e a saudade de todo aquele calor. Isto não ainda não dar valor. Falta, valor e saudades são expressões muito diferentes...

MIGUEL - Sim, você vive. Morta em meu peito...
CARLA - Quem está morto não vive, Jomi. E você também vive em mim. Me lembro sempre de ti, mas...

Sem meio "mas" nem menos. Acabou! Ou pelo menos não pode ser outra vez. Todas as escolhas da vida são irrevogáveis. Podemos fazer novas escolhas e mudar o curso, mas não o passado. E ela seria apenas uma lembrança da qual me esquecerei com as luas cheias. Quando retorna a minguante, a lua é apenas uma lua. Se bem que nem para lua eu olho, não sou tão sentimental assim.

MIGUEL - Garçon, por favor, outra dose de cachaça.
CARLA - Não. Não traga. Ele já bebeu o suficiente.
MIGUEL - Você não é minha mãe. Vai se fuder...
CARLA - Não sou tua mãe, então não se comporte como uma criança. E pare de me culpar pelo o que aconteceu com a gente. Você tem tanta culpa nisto tudo como eu. Miguel, amor não enche a barriga de ninguém. Não fiz o que fiz por não amar você. Eu nem sei se foi por falta ou sobra de amor. Apenas fiz. Racionalmente fiz e não me arrependo. Eu fiz por mim. É o meu corpo. É a minha vontade. Não pense que é mais homem do que na verdade é, Miguel. E...

...E quando se ama tudo perdoa? E quando perdoa continua a se amar?...

MIGUEL - E... Eu nunca vou te perdoar. E isto também não é por falta de amor. Apenas pelo fato de te amar. Se fica feliz por saber, eu te amo sim. Agora faça muito bom proveito disto. Tenha uma boa noite. 
CARLA - Miguel, a gente precisa...

Eu precisava me desprender de mim para saber que ainda estava preso à ela?... Não me ame, pois ainda não aprendi a me machucar. E não me machuque, pois o meu amor é nobre. O homem é longe um animal interessante. Tem a proeza de pisar a lua e um coração como terra que ninguém anda... No certo ou no errado, me amarrei nos laços das condenações que o meu juízo agora me imperava. Assim vivi por muito tempo, mas eu também tinha o direito de ser livre... Do que? De quem? Nunca será livre no mundo, quem está preso em si mesmo... Não quero o castigo de resssuscitá-la como à um Cristo cada vez que a reencontrar. Não fui eu quem matei o amor. Não sou eu o assassino. Minhas mãos estão limpas. Não quero eu ser o Cristo. Eu não nasci pra ser deus tampouco, para o amor. 
O homem é muito estúpido. Fica neste filosofar de amores e se engana que o amor só se ama amando. Quem dizer que odiar não é amar? 
"And I've never wanted something rational. And I am aware now. And I am aware now."


(...)

BIA – Talvez tudo o que você tem que fazer é se libertar da obrigação de fazer algo, Jomi. 
MIGUEL – Eu a amei, Bia. E ela soube disto. Isto foi um erro?
BIA – Não sei, Jomi.
MIGUEL – Coloca mais um pouco de uísque pra mim.
BIA – Jomi, eu acho que você...
MIGUEL – Deixe o álcool ser minha companhia. Hoje eu o tenho. Ele e o cigarro que me preenche. Pode ir lá. Acho que estou bem acompanhado aqui. Vai lá.
BIA – Tem certeza.
MIGUEL – Sempre tenho.



... Não precisa negar a paixão. Afinal nesta vida não viemos pra sanidades, mas pra vida e se possível com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...



* Próximo capítulo: "Aquela do Sexo à três". Não percam!!!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

FIM DE FESTA: Aquela dos cigarros

MIGUEL - Oi, eu sou Miguel.

BIA - E eu sou Bia. Mas Bia mesmo. Bia de Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas insistem em me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Laisa...
MIGUEL - Mas agora o teu nome é Maria 44!
BIA - Caro, Miguel, eu sempre fico pensando no real motivo que te leva implicar tanto com uma pessoa tão doce e generosa como eu...
MIGUEL - Nossa! Fico feliz, você pensa.
BIA - Penso. Claro, que não frequentemente, pois não vim a esta vida pra gastar tempo com pensamentos reflexivos, mas para investir vida em meus pensamentos.
MIGUEL - Você está...
BIA - Eis a diferença entre nós dois, guy: eu vivo e respiro meus pensamentos, você pensa e se sufoca neles mesmos. Fica a dica. Beijo no ombro!... Partiu?

(...)

É um fato que se estende a todos: todo mundo tem algo a esconder. E todos fingem que nada esconde. E eu não poderia estar excluído desta estúpida generalização...
Bia tinha o dom de nos ler as mais corriqueiras “meia-verdades”. Não era um julgamento de meu comportamento. Era a sabedoria dela que se manifestava na arte de reconhecer a árvore pelo fruto... Fim de festa para o velório que me sepultava vivo no peito, era hora de dar vida aos meus monstros e sentir o doce ou mesmo o amargo sabor da vida, pois a mesma só é continuamente mel para aqueles que fazem de seus sonhos ou ilusões a sua verdade absoluta e cristalizada.
Eu sentia em meu paladar que o meu real desejo era de construir agridoces sabores em minhas realidades e então desconstruir as verdades que as ilusões e sonhos que muitos construíram pra mim. Se a vida é fugaz como uma fumaça que se esvai, será nos cigarros que definharei a minha ilusão... E quem disse que existe verdade? Já falamos sobre isto...
Parti pra festa. Parti pra balada! Parti pra vida numa sede de viver como se não houvesse amanhã... Like there's no tomorrow! That's the point! Se joga? Não. Se voa, Miguel...
Eu sentia um incêndio acelerar carbono em minhas veias. Precisava correr atrás dos anos passados. Tinha, de fato, uma vida pra viver. Tinha sede por vida... Sede?

BIA - Você deveria começar bebendo devagar...

Devagar anda a Terra. 365 dias para percorrer o sol. Eu ando na velocidade da luz, preciso de muito álcool no meu motor. A palavra é acelerar... Queima na largada e morre e à beira-mar. Crianças

UMA MULHER AFIM DE MIGUEL - Eu não tenho outra opção. Você é quem eu quero esta noite!
MIGUEL - Desculpe-me a estupidez, mas com todo o respeito e educação: Eu não sou uma opção!...Grosso!

Que se foda! As mulheres pensam simplesmente por serem mulheres eu tenho que estar sempre à disposição delas. Reclamam que as tratamos como um produto no mercado, mas somos nós, homens, que somos tratados como um objeto. Desculpem-me, mulheres, eu gosto da condição de caçador. Por favor, não inverta a ordem dos produtos. Tenho a minha masculinidade muito bem definida ao ponto de dizer um não à mais gata da balada, simplesmente por não estar afim. Não achei o meu pau no lixo, tampouco minha boca no... Eu sempre digo: bebeu? Perdeu-se o filtro! Cadê o Wallita?
Nunca leve uma amiga que bebe mais que você nos dias em que quiser tomar um porrete faraônico. Ela sempre tentará te controlar ou ficará a dar toques de autocontroles o tempo todo. Se fosse beber para ter controle de meus atos eu procuraria uma igreja evangélica e iniciaria uma campanha destas qualquer. Foco? Focamente desfocalizado!

MIGUEL - Não quero foco. Quero perder o foco, o auto-controle, o centro... E o orifício rugoso? Os de bêbado não tem dono... Quero fogo! Quero fogo. Alguém tem um cigarro?
BIA - Você vai fumar?
MIGUEL - Não. Vou preencher o vazio de meu pulmão e esvaziar-me de minha paz.

Poetizando os cigarros, eles são como vazios que preenchem o vazio que carregamos afetivamente no peito. O cigarro mata a nossa solidão. Preenche a boca, o pulmão, nos vazios mais minúsculos e inabitados. Ignoro as estatísticas de morte e doença... Já que há tanto veneno num trago de cigarro, que eles mortifiquem os meus medos e dores. Que eles queimem minha solidão de mim a cada trago e então eu te trago o meu amor...
Álcool e cigarro não combinam. Ressaca de cigarro? Pior ainda. Viver a vida como se não houvesse amanhã é pros fracos, os fortes deliciam-se dos segundos que nos foge e então celebram a arte de viver. Mas não precisa ser sóbrio! Claro!

(...)

MIGUEL - Eu não estou aguentando tanta dor de cabeça...
BIA - Fuma mais um pouco, filho da puta.
MIGUEL - Acho que enchi tanto o meu vazio que estou cheio de solidão.
BIA - Também, quer viver como se fosse o último dia de vida.
MIGUEL - Bia se eu morrer você vai chorar?
BIA - Chorar? Chorar é pros fracos. Darei uma festa e tomarei um porrete apocalíptico, afinal nesta vida não vim para...
MIGUEL e BIA - Sanidades!
MIGUEL - Fim de festa!

... Não precisa se preocupar em apagar o cigarro. Afinal, nesta vida não viemos para sanidades, mas para inundá-la os vazios... E se possível com muito álcool, pois se tem álcool é sinal que a privacidade virou uma festa...

* Próximo capítulo: "Aquela do reencontro". Não percam!!!


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

FIM DE FESTA: Aquela da primeira vez

MIGUEL - Oi, eu sou Miguel.
BIA - E eu sou Bia, mas Bia mesmo. Bia de... 
MIGUEL - ... Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas insistem em me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Claúdia. É, nós já decoramos!
BIA - Eu queria ver se você ia gostar se as pessoas te chamassem de Gabriel, Samuel, ou qualquer outro "el" da vida. Pimenta no orifício rugoso dos outros não arde, né?
MIGUEL - Bia, não fode, vai...

(...)

Não fode! Que palavra bonita! Nada se compara a sonoridade de "vai se foder". Libertador! E quem nunca fudeu um dia? Ou pelo menos foi fruto de uma fodidinha? Ou você é daqueles que acham que seus pais estavam lendo história de contos de fadas quando te fabricaram? Sei, deveriam estar lendo a Bíblia, livro de Cantares de Salomão. Santa sensualidade, literalmente falando. Não entendo como podemos impor tamanho pudor e mito à cerca de algo tão natural e necessário para a garantia da perpetuação da espécie humana... Uma vida repleta de pequenas mortes! Este é o significado da palavra gozar, orgasmo!... Atire a primeira pedra quem numa morreu um dia, nem que tenha sido no banheiro ou com uma Gretchen estampando uma revista. Conga la Conga!...
Já parou para pensar em como é lindo e poético conjugar o verbo fuder? Vai se fuder, porra! Eu que havia conjugado este verbo no tempo futuro, agora o pronunciava em pretérito perfeito. Há, na vida, tempo para todos os propósitos. Impaciente como sou, tenho de confessar que nunca me agradei de tal pensamento. Deveria, ao meu ver, existir tempo situado por mim para as realizações de meus propósitos, ao meu jeito. Esperar é difícil e doloroso. Esperar e estar certo daquilo que não se vê ou toca. E eu precisava mais do que isto para ser grato. Mas de repente tudo estava para se tornar real e tangível. E entre toques e dor, a primeira vez aconteceu. Eu fudi! E me fudi!... Isto agora pegou mal!
Conselho de um recente ex-virgem. Transe bêbado. Melhor, embriagado. Pelo menos não terá na memória o registro do terror que se estende à uma primeira vez. Nunca vi algo cercado de tantos mitos e lendas como uma "primeia transa". Eu só queria transar, não estava afim de experenciar a mais linda história de amor de minha vida. Não era amor, era sexo! Corpo! Gozo! Calor!... Mas você pegou e se apegou! O sexo nunca cai das vezes num mesmo lugar. Ou seria raio? Ah, vá pro raio que o parte. Vai se fuder!... O problema foi que resolvi dar ouvidos a todos os estúpidos conselhos da Alambique ambulante. Mulher sexualmente madura e banheiro de boite... No way!  É muito mais simples seguir o ritual de uma punhetinha, mas no ao vivo e à cores a situação é bem diferente. O cheiro é outro, o tempo é outro. Existe de fato a presença de um alguém que não está apenas em  minha mente e que não dança somente conforme minha música, mas me convida ã dançar segundo uns passos que desconheço. E me atrapalho, me perco neste pas de deux espontâneo. Não há coreografia. Não há ensaio. Não há regra pré-estabelecida. Há descoberta! 
Horas para que a morte pudesse acontecer e me proporcionar pelo menos um momento de riso e satisfação. Aquela mulher me mordia como se eu fosse uma laranja em extração de suco. Tenho mais marcas no meu corpo do que a remanescente catapora da infância. Eu fui violentado. E ninguém fez nada por mim. E eu só tinha vinte e cinco anos. Uma criança indefesa à mercê de um apetite que me destroçavam os ossos. Ele queria me sugar para dentro dela e retrair de mim toda a minha energia, gente, aquela mulher era uma vampira! Tive que enfiar a estaca nela... e ela morreu! Ou será que fingiu estar morta? Ops, acho que isto não soou legal! O grande problema dos rapazes de poucos vinte anos, é que eles tem muita fome e não sabe utilizar os instrumentos, os talheres para comer o prato principal. Não saber se portar à mesa. Vão com sede ao pote e se assustam quando o pote tem muito mais água para o saciar. Crianças... Quanto mais eu conheço as mulheres, mas me apaixono pelo meu smartphone. Mas eis de confessar, tirando o álcool que me roubava a sensibilidade, foi a experiência mais gostosa de minha vida. Literalmente, gostosa! Todo mundo homem precisa viver. Todo homem precisa um dia proporcionar vida! 
Sei, pensou que já estava acabando a história de hoje. Mas quando foi que não apareceu a Bia em meus dias de paz? 

BIA - E aí, foi bom pra você? Me conta... vai!

Ela propôs um brinde para todo o bar. Em minha homenagem. Parecia aquelas mães que comemoram a primeira menstruação de suas filhas. Santo constrangimento! ... Rito de passagem nobre, meu jovem... Ela fez leilão de meu pau, me anunciava como um produto em promoção no mercado. O meu corpinho que mamãe passou talquinho e cuidou com amor! Os caras, todos, me davam aquele caloroso tapa no ombro. A minha comanda foi zerada. Não, não pagaram pra mim, eu paguei uma rodada e outras tais para todos. Coisas do tribufú da Bia. E virei o mais novo ex-virgem do pedaço. O último? Não sei... desça outro campari, sme laranja, por que a noite é uma criança, retida na camisinha, é claro!

(...)

BIA - E aí, comedor? Acordou bem?
MIGUEL - Pára com isto, né, Bia?
BIA - O cara mais invejado do pedaço...
MIGUEL - Poderia ser bem diferente, né? Mas tua boca...
BIA - Mas que sexo selvagem, hein! Quantas marcas! Você está mais mordido.Um Dálmata! 
MIGUEL - Eu sou selvagem!
BIA - Não foi o que ela me disse...
MIGUEL - Ela te disse... E o que ela te disse? Bia, você...?
BIA - Vem ni mim, Dalmatazinho, que to facim facim... 
MIGUEL - Bia, você a conhecia?
BIA - Sim, ela me devia uns favores.
MIGUEL - Beatrizzzzzzz!


 ... Não precisa esconder as marcas de tua fúria. Pra tudo há uma primeira vez e ninguém nasce sabendo. Afinal nesta vida não viemos como PHd, mas com vida e gás pra aprender e se possível com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...

* Próximo capítulo: "Aquela dos cigarros". Não percam!!!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

FIM DE FESTA: Aquele do vestido nude

MIGUEL - Oi, eu sou Miguel.
BIA - E eu sou Bia, mas Bia mesmo. Bia de Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas sempre me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Claúdia...
MIGUEL - E quantas Bia’s tinham ontem na festa, hein?
BIA - Converse com a minha mão. Se preferir com o meu dedo médio...
MIGUEL - Calma, Bia, pelo menos, você estará em todas as revistas hoje. Ou aparentemente em todas, né? Isto que dá comprar roupas de festas em lojas em liquidação. Bia, eram quatro mulheres usando o mesmo vestido que o teu. Como lidar?
BIA - Que ódio! Bregas!
MIGUEL – Oooo, você estava usando o mesmo vestido delas. Fica a dica!

(...)

Festa de premiação do cinema nacioal, salão cheio de celebridades, personalidades da arte,  toda mídia reunida, muitos flashes, risos e Bia, acompanhando a tendência do "invista pouco e arraze muito", em um belo vestido nude comprado nestas muitas franquias que imitam bom gosto nos shoppings da zona sul carioca. Resultado do investimento: ela que saiu arrasada!
... Também pudera, era o mínimo que poderia acontecer. Justiça divina! Nude? Porque usar nude? Uma mulher não deveria nunca usar uma roupa nude, parece estar nua sem estar. Nude e bege nunca estão em tendência. Mas em declínio...
Penso que uma mulher tem que ter muita desenvoltura e afirmação de sua personalidade ao cruzar num grande evento, com uma outra mulher, uma linda outra mulher, vestida com o mesmo vestido que o seu. Tapete vermelho. Muitos fotógrafos. Muitos mesmo. Luz. Câmera. A atual esposa de teu ex-marido. Corta. A atriz que ficou com o papel do último teste que você fez para a próxima novela. Corta. A cantora mais querida dos últimos tempos. Corta. Tomada sete, cena dois do filme “Como se fud* numa noite que era para ser íncrível?” Ação. Gravando!
Bia costuma ser sempre irritada e azeda, embora louca, ensandecida, mas desta vez tinha o odor de azedar até mesmo o meu doce e suave cheiro de Chanel Allure.

BIA – Jomi, pode ser sincero, estou em melhor forma do que ela, não estou?

Ela necessitava ouvir que era melhor que a mulher que agora desfilava soberanda como namorada de seu ex-marido. Seria ideal mentir? Que espécie de amigo eu sou? Cruel em dizer a verdade?... Não importa o quanto ridículo pareça um mulher, nunca diga que está gordinha, estranha ou inapropriada. Para perguntas como, "Como estou?" A resposta é sempre: Incrívelmente linda, meu amor. O que fez? Tem algo de diferente. Cortou os cabelos... Juro que não queria mentir pra Bia. Éramos amigos!

MIGUEL – Bia, é que vocês são muito diferentes. Tão diferentes que os vestidos nem parecem ser o mesmo.
BIA – Diferentes como? Define.

Mulher é um bicho muito bom, mas muito complicado... Menos quando está usando nude. Uma mulher de nude, de bege está te dizendo delicadamente: "Quer me comer? Coma. Mas estou de bege." Ela está dizendo que não está afim. O sinal está fechado. Calcinha bege é mais segura que cinturão de castidade... Elas nunca se sentem bem com os próprios corpos e sempre te colocam na indelicada situação de comentar o seu estado... Não tinha como dizer que estava bem. Uma mulher de soutien bege, por exemplo, é como um peito sem auréola. Mamar na vaca elas não querem... E se tentamos ser sutis e delicados... Você dorme no sofá...
Algo deixava o meu alambique ambulante feliz como um hiena. O fato de não serem apenas as duas que desfilavam a premiação com os mesmos vestidos, mas também a atriz Beatriz Penna e a cantora Paula Bernardes. Mas a Paula no último ano recebeu o prêmio da celebridade mais cafona. Eu poderia ter ficado sem lembrá-la deste pequeno detalhe, mas boca de balde como sou... Os homens têm disto. Sempre dizem que as mulheres são fofoqueiras e não sabem guardar segredos, mas há um leve diferença entre os sexos. As mulheres contam o que querem e escolhem contar. Já os homens não, na crença da tal madura experiência, sempre deixam escapulir algo indevido... A situação só piorou quando um jornalista bem inconveniente a veio parabenizá-la por conta do teste que havia feito para a próxima novela. Ele estava falando de uma outra Bia, a que realmente era Beatriz. Haja tequila e sex on the beach para curar a baixa auto-estima de Bia.

(...)

MIGUEL - Bia saiu uma matéria na net sobre a festa. E...
BIA - Não quero saber.
MIGUEL - Fala de você.
BIA - É mais de três parágrafo?
MIGUEL  - Na verdade cinco.
BIA - Leia pra mim.
MIGUIEL - Se liga no título, “Nem só de exclusividades vive o tapete vermelho do FestCine”...
BIA - Pára. Nem ouse continuar.
MIGUEL - É, passarinho que come pedra sabe o cu que tem. 
BIA - Eu vou limpar o cu deles com este vestido...
MIGUEL - Se o cu for grande você tem mais três vestidos para terminar o serviço.

... Não precisa se cobrar ser exclusiva com a gente. Pode simplesmente ser você. E incomodar as normalidades. Afinal nesta vida não viemos pra sanidades, mas pra vida e se possível com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...

* Próximo capítulo: "Aquela da primeira vez". Não percam!!!


sexta-feira, 6 de julho de 2012

FIM DE FESTA: Aquela do tal beijo

MIGUEL - Oi, eu sou Miguel.
BIA - E eu sou Bia, mas Bia mesmo. Bia de Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas teimam em me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Claúdia...
MIGUEL - Mas é Bia mesmo ou Bio?
BIA - Olha, Miguel se for pra você ficar tirando sarro com a minha cara, é...
MIGUEL - Hei, calma! Estava apenas brincando.
BIA - Dispenso brincadeiras. E tem mais, eu fui muito mais homem que você. Pelo menos tive a coragem de fazer o que queria e tu?
MIGUEL - Sim, você foi mais homem mesmo... E fez a festa!

(...)

E da costela do homem Adão criou Deus a mulher. Não poderia ter criado à partir do coração? De certo, há muito mais coisa entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia. Dizem os físicos que os opostos se atraem e os semelhantes se repulsam. Equilibração ou estúpidas pegadinhas que nos propõe a vida? Acho que tem muita gente tentando entender o amor. Possível?
Disfarço e olho um casal perto do bar. Que semelhança vejo entre os dois? Ou, que oposição? O fato de ser um homem e o outro, uma mulher, explica esta agarração toda? Sem puritanismos ou condenações. A gente se diverge muito e intensamente dentro de nós mesmos. Vivemos uma dicotomia de valores, desejos e desapegos... Acho que vou casar comigo mesmo e minhas diferenças. Haja terapia!
Uma das melhores coisas em frequentar uma área de fumante, além de perfumar, é claro, a roupa, o cabelo e o espírito de nicotina, é a possibilidade mais certeira de se fazer novos relacionamentos. Acho que estas áreas deveriam se chamar “zona franca de azaração certeira”. Grande, né? Mas faz sentido. Tudo muito intenso!
Pedir um isqueiro emprestado, na desculpa de não ter trazido o seu ou esqueceu com a amiga, sempre funciona. A pessoa te empresta o isqueiro e geralmente se dedica a degustar o belo cigarro na tua companhia. Neste momento precisa-se ser muito rápido e agilizar no prosseguir da conversa. Sem ser indelicado, claro.

BIA – Jomi, me empresta o teu isqueiro ae...
MIGUEL – Isqueiro? Não Bia, o isqueiro ficou com você.
BIA – Não. Eu te entreguei.
MIGUEL – Bia...
BIA – Vai, pega ae, no bolso esquerdo de tua calça.
MIGUEL – Bia...
BIA – Afff, Miguel. Que lerdeza! Me dê este isqueiro aqui. Obrigado! Agora, vai. Beija, com gostinho de cigarro é bem melhor!

Juro que nesta hora tudo o que eu mais queria ter era uma bomba-relógio pra trancafiar naquela boca de balde. Poderia ela ser um pouco mais indelicada? Acabou com a minha cena e pra piorar... Isto depende do ângulo observado. Tudo estava melhorando pra você, mas... É isto mesmo. O meu flerte não havia funcionado. Aquela filha da puta que eu achei que estava de olho em mim, estava, na realidade, me usando como um cavalo para chegar até a Bia. Pangaré dos infernos! E nem foi preciso muitas salivas para convencer a Bia a viver uma nova experimentação afetiva. E fui eu quem saí afetado... 
... Um dos maiores fetiches masculino é ver duas mulheres se pegarem e um sonho, poder participar da diversão... Mas era a Bia. Não rolava. Se pelo menos fossem duas mulheres desconhecidas. Não, definitivamente eu não poderia participar. E ainda havia sido trocado pelo alambique ambulante. Qual será o meu problema com as mulheres? Mas é vendo cenas como estas que fico a pensar neste cliché de homem e mulher, ou oposições que se atraem. Se somos diferentes em nós mesmos e mutantes em processo, por que contemplar no sexo a definições de minha escolha? Somos muito homens e mulheres dentre de nós... Acho que Deus deve ficar bem entristecido com as limitações que temos nos proposto como humanos. Limitar ou castrar a natural liberdade de sua obra também deveria ser pecado... Aquele tal beijo me feriu o ego, normal, homens tem desta estupidez, mas paradoxalmente me alegrou a alma, é bom saber que fora de nós existe um mundo muito rico e colorido a espera de ser explorado. Desbravemo-lo!

(...)

BIA - Jomi, a vida é muito curta pra ficar projetando muitos pensamentos. O lema é: se joga!
MIGUEL - Sim, eu vou te jogar apartamento abaixo daqui a pouco.
BIA - Você está puto por que não pegou a menina? Qualquer homem daria tudo pra nos ver nos beijando. Alimenta a inspiração, sabe? Você perde muito tempo! Eu fiz isto por você!
MIGUEL - Oooou, vai dormir com os porcos!
BIA - Só com as leitoa, querido! Beijo no ombro!
MIGUEL - Bia, você é gay?
BIA - Rótulos!
MIGUEL - Não, entendimentos e organização.
BIA - Sou de pessoas. Na multiplicação, mais com mais dá mais, menos com menos dá mais e menos com mais, menos. Bem, acho que saquei o sentido da positivação. Se joga, Jomi!

... Não precisa ser mais ou menos com a gente. Pode ser simplesmente você. Afinal nesta vida não viemos pra sanidades, mas pra vida, somando ou subtraindo... e se possível com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...

* Próximo capítulo: "Aquela do vestido nude". Não percam!!!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

FIM DE FESTA: Aquela do efeito dominó

MIGUEL - Oi, eu sou Miguel.
BIA - E eu sou Bia, mas Bia mesmo. Bia de Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas insistem em me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Claúdia... 
MIGUEL - Bia era Bia e quando bebe, persegue Paula, que procura Antônia, que nem sabe quem é... 
BIA - E tua mãe, aquele velha gorda, vai bem?
MIGUEL - Oooo, amigos, amigos e família à parte... 
BIA - Afff, Jomi! Vai ver se estou lá na esquina, vai.
MIGUEL - Pra quê? Pra brincar de pique-esconde igual ontem?
BIA - Cara, larga mão de ser insensível. Eu só estava preocupada com os meus amigos. Feliz a nação que me tem Bia como amiga...
MIGUEL - Gostei disto. Amizade leal! Tipo, se um cair, cai todos. Unidos pelo efeito ébrio da vida! 

(...)

Eu tenho um problema. Confesso. Não tenho problema com problema, mas o problema é que não gosto de problema. Então, problema resolvido. De boa, sem problema! Bem, a última noite poderia ter se resumido nesta falta de problema, mas a minha digníssima amiga, Bia, parece ser um chamariz de tumultos e a loucura mais uma vez aconteceu. Claro que depois do terceiro copo de cachaça... Por baixo!
O problema de festas abertas é que todo mundo se sente no direito de achar que a festa é sua. Particular e privada! Não estou dizendo que não gosto de gente, de povo, de calor humano, mas nesta vida vim pra ser vip - a very important person! Qual parte disto que a Bia não compreendeu? Ela se achava íntima de todos. Bebia de todos os copos, de todas as bebidas, numa amizade de cinco anos! Como lidar?... Mas o álcool tem esta capacidade sobrenatural de relacionar as pessoas. Todo mundo fica um pouco... Como posso dizer?... Ahmm? Dadas... E nossa noite estava dada ao fracasso! Eis o problema!
Éramos um grupo de mais ou menos oito pessoas. Tirando as centenas de tietes que paravam-nos para pedir um autógrafo ou uma foto. Inoportuno! Mas este problema não vem ao ponto. Acho que, na verdade, era eu o problema maior. Mau-humor, cansaço e fome. Homens também sofrem de TPM, mulheres. E no meu caso, ela se traduz em, "tensão pré-matar" Bia! Eu que sempre reclamo por ela sair pegando geral, daria uma vida para ela se atracar com alguma boca... Pega, mas não se apega. Mantenha o foco... Mas a louca estava apegada às pegadas de sua última pegação. Bêbada, apaixonada e sozinha, resolveu fazer a mãe cuidadora de todos. E então iniciou-se o caos! 
Bia encontrou com o seu paquera, uma criança de bem menos que duas décadas de primaveras e o que ouviu foi exatamente: Pode ficar tranquila, gatinha. Até antes da noite acabar eu te dou uns beijinhos... Ela surtou! A pior coisa que uma mulher pode fazer para um homem que se acha ou sabe que é, digamos, interessante, é mostrá-lo que você acha isto. Homens que se estruturam na auto-beleza, se escondem do medo e fragilidade que o impera. Então para afirmar sua virilidade, ele cospe no prato que comeu e ainda diz entre os amigos que a comida não era boa, estava fria, ou azeda. Minha mãe os chama  de homens gavolas... Eu sentencio: Síndrome do pau pequeno. Dez centímetros, aproximados, para um ego de imensidão... Louca e desdenhada ela começou a saga de procurar por suas amigas que estavam vivendo. Espalhando o amor, como diz um conhecido nosso. Mas a Bia sentia que tinha que protegê-las das garras destruidoras dos homens. E então começou: Bia procura Cíntia que se pegava com um homem bem mais velho, que era amigo do cara que a Pâmela pegava. Pâmela que também estava pegando o Bernardo que agora pegava a Jéssica, que eu queria pegar e que já pegou a Bia. É, a Bia tem destas coisas quando bebe. Espalhar o amor! Mas agora ela queria juntar as agulhas no celeiro. Seria comédia se não fosse trágico! Logo o desespero se espalhou entre todos, como um incêndio num campo seco. A amargura afetiva de Bia se difundiu entre os casais que ensaiavam romance e todos se espalhavam e confundiam como peças de um dominó. E mais uma vez ela dominou a festa!
Em menos de trinta minutos estava todo mundo correndo atrás de todo mundo, menos a Cíntia que estava vivendo e hidratando a pele. Até que a Bia pára e grita: Meu Deus, eu estou sentindo, a Cíntia está correndo perigo. Temos que salvá-la!... Nunca mande uma pessoa histérica se acalmar, mas entre na loucura dela, Livro das Sabedorias capítulo 7, versículo 9... Ao amanhecer encontramos a Cíntia, linda, loira e feliz!... Eis o segredo dos homens mais velhos, eles sabem te conduzir numa dança e não martelam o teu pé no afoito e atropelar os passos. Step by step. Panela velha não somente faz comida boa, como mantém a temperatura por mais tempo, sem se fundir, mas fudend... Ops, inapropriado... 
E a Bia? Chorava, chorava e gritava! O velho? Ah, coitado, depois de tudo que a Bia o disse, acho que só num asilo ele paquerará novamente... Ou não!

(...)

BIA - Na próxima vez vou prender todo mundo numa corrente em fila indiana.
MIGUEL - Você estava muito histérica. Eu ri muito! O melhor, você dizendo que a Cíntia estava correndo risco... Só por que o cara era velho. Fala sério! Que preconceito! Logo você que é uma mulher tão moderna.
BIA - Você parece não ter coração. Não entende que não é preconceito. Eu estava preocupada com a minha amiga e ela estava bêbada.
MIGUEL - Ninguém ali estava mais bêbado que você, louca! E você gritando: Preciso ajudar a minha amiga, ela precisa de mim!
BIA - Eu gritava?
MIGUEL - Gritar é pouco. Sem contar que de repente começou a chorar. Muito divertido!
BIA - Divertido!? Mas agora me diga, sou ou não sou uma grande amiga?
MIGUEL - Na saúde e na doença. 
BIA - Na riqueza e pobreza.
MIGUEL - Na velhice e juventude.
BIA - Não, na juventude e meia-idade. Até que o álcool nos separe! Beijos no ombro!

... Não precisa se preocupar em levantar todas as peças do dominó. Afinal nesta vida não viemos pra sanidades, mas pra vida e Vip... se possível, com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...

* Próximo capítulo: "Aquela do tal beijo". Não percam!!!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

FIM DE FESTA: Aquele do telefonema

MIGUEL – Oi, eu sou Miguel.
BIA – E eu sou Bia, mas Bia mesmo. Bia de Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas insistem em me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Claúdia... tampouco Alice.
MIGUEL – O teu discursso não muda, hein?
BIA – Me desculpe, senhor. Eu não consigo te escutar muito bem. Será que poderia falar pausadamente e mais perto do telefone?
MIGUEL – Não achei nada engraçado. Muito solidário de tua parte ficar...
BIA – Sério!?
MIGUEL – Sim. Como amiga você deveria agora estar me ajudando a pensar numa maneira de contornar a situação... Como que vou encará-la agora depois de tudo que falei?
BIA – É meu querido, a boca fala do que está cheio ao coração. E depois do quarto shot de cachaça... Precisa aprender: se beber, não use o celular.

(...)

Bem, desta vez eu tinha que concordar com a Bia. E desta vez ela estava duplamente certa. Primeiro, realmente falamos o que temos no coração ou mente. Segundo, álcool entra e a verdade sai, e isto nem era novo. Ela só faltou ter me lembrado de uma única coisa: Se beber, não use o celular. Antes. Mas isto era esperar muito da Bia. Na festa de ontem, o beyblede foi por minha conta.
É de lei, tequila com Miguel não combina. Tequila, Miguel e cachaça é suicídio certo. Antes eu tivera me suicidado, pelo menos não teria que lidar com este peso da ressaca moral. Se arrependimento matasse... eu estaria enterrado e chacoalhando no túmulo agora de tanto que o meu nome estaria sendo injuriado pela Carla.
Quem é a Carla? Carla é a minha ex-namorada. A penúltima entre os muitos problemas que eu arrumo com as mulheres de minha vida. Assim como álcool e direção não combinam, Miguel e as mulheres são combinações mortíferas. Uma bomba ambulante. Definitivamente nesta vida só fui feito para Bia... Ela que não saiba disto, ou o ego implodirá todo o quarteirão... Mesmo querendo matá-la em cada mísero segundos que tenho ao seu lado, eu amo esta mulher... Já dizia o meu pai, quem desdenha quer comprar.
A festa de ontem tinha tudo para ter sido a balada mais pica das galáxias do universo. Até que resolvi que tomaria um porrete faraônico, apocalíptico... Porretes faraônicos são os do tipo, todas as mentiras e imaginações tomam forma e conteúdo em tua mente. E então vivemos como se não houvesse amanhã, Imagine aquele lugar onde os sonhos são reais e a realidade não existe: Porrete Apocalíptico.
Eu não tenho a mínima noção de quantas bocas beijei. Lembro-me vagamente de ter feito juras de amor à uma amiga da Bia que havia acabado de conhecer, mas não me lembro o seu nome. Era um amor de cinco anos. E o intervalo que perdurou entre esta paixão efêmera e as lembranças de meu estômago sendo sufocado em estrangulamentos de refluxo... Tradução simultânea: no momento em que começou a vomitar.
Só me lembro de quantas vezes deixei na caixa postal recados que denunciariam hoje o real desejo de meu coração em relação à Carla. Vomitei em palavras todas as emoções de sentimentalidades que tinha escondido, até mesmo de mim, nestes últimos sete meses de separação. Não valendo apenas das mensagens na caixa postal, ainda restavam os registros das sms’s que gritavam as minhas saudades e paixão. Eu precisava me desprender de mim para saber que ainda estava preso à ela?... Não me ame, pois ainda não aprendi a me machucar... No certo ou no errado, me amarrei nos laços das condenações que o meu juízo agora me imperava.
Nem pensem em esboçar no lado direito superior dos lábios este riso mesquinho e sarcástico de julgamento. Atire a primeira pedra quem nunca cometeu o pecado de ministrar o celular ao álcool. Estamos todos no mesmo barco e este afunda no oceano de constrangimentos que esta própria paixão me produz. Eu amei a Carla como a única mulher de minha vida. Este é o meu erro, eu sempre amo como se fosse o maior amor... Não pode haver amor sem ter compromisso... Eu não aprendi. Sempre soube que esquecê-la seria uma tarefa difícil e cruel para mim, mas depois de tudo o que aconteceu isto se tornou sacerdócio real para o meu coração e ele vacilou comigo. Nunca ouçam o teus corações.

(...)

BIA – Talvez tudo o que você tem que fazer é se libertar da obrigação de fazer algo, Jomi. Deixe o teu coração livre pra escolher o que pode viver hoje. Não é nenhum super homem.
MIGUEL – E ele já é maduro o suficiente pra saber escolher?
BIA – Isto você só saberá se permiti-lo errar... Se cobre menos. A situação já foi por demais dura pra você.
MIGUEL – Se cobre menos. Agora a gente fica nessa de errar, de se permitir errar.
BIA – Pelo menos Mertiolate não arde mais...
MIGUEL – O pior de tudo é ela que nem respondeu às minhas mensagens. E foram tantas...
BIA – Bêbado. Ela sabe que era só por isto. Sabe que nada mudou.. Você a ama demais para perdoar o que fez. E ela sabe disto.
MIGUEL – Eu não a perdoo pelo o que ela fez e nem me perdôo pelo o que deixei de fazer. E assim vamos errando... Sem saber se machucar.

... Não precisa se cobrar ser Super-Homem com a gente. Pode errar e aprender. E ainda voltar a errar. Afinal nesta vida não viemos pra sanidades, mas pra vida e se possível com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...

* Próximo capítulo: "Aquela do efeito dominó". Não percam!!!


sexta-feira, 15 de junho de 2012

FIM DE FESTA: Aquela das flores

MIGUEL - Oi, eu sou Miguel.
BIA - E eu sou Bia, mas Bia mesmo. Bia de Bia, não é Bia de Beatriz. Não sei por que as pessoas sempre teimam em me chamar de Beatriz. Caralho, se estou dizendo que me chamo Bia é por que sou Bia e não Beatriz, Maria, Claúdia...
MIGUEL - Bia, você já disse isto na última vez.
BIA - Pois é válido repetir para que não haja desculpas de má compreensão. Sabe como é este povo... A gente tem que falar, falar e em alguns casos ainda desenhar. E você não fala muito não. Por que depois do vexame...
MIGUEL - Já estava demorando. 
BIA - Que vergonha! Come sardinha e arrota caviar. Se bem que no teu caso...
MIGUEL - Atire a primeira pedra quem nunca... nunca... nunca... É... Você está pronta, Beatriz?
BIA - Beatriz é nome da tua...
MIGUEL - Pare de tagarelar e vamos embora que a festa já começou.

(...)

Existem certos rituais que merecidamente devem ser respeitados quando num plano de sair para uma festa. Beber bastante água durante o dia e logo no início da noite tomar um comprimido de Omeprazol, seguido de um outro quando retornar pela manhã, garantem um bom estado para o seu organismo físico. O fígado e estômago agradecem! Mas também não comer muitas leguminosas, feijão, ervilhas, lentilhas, te deixarão em ótimo estado. Digamos que deixarão o ambiente ao teu redor em ótimo estado! O olfato de teus colegas agradecem! ... Se bem que o melhor de estar numa balada é poder soltar altos e performáticos "pum" musicalizados pelas ensurdecedoras músicas... Você alguma vez na vida já peidou ( me perdoe o verbo) cheirando flores? Não? Esqueçam os desodorizadores de ar e comam salada de flores de orquídeas. O efeito resultando é satisfatório. Ou garantimos a devolução de teu dinheiro!
Todo mundo espera uma coisa de um sábado à noite, mas tudo o que eu menos esperava era ser assediado por uma combustão feroz de gases intra- intestinais... Quem está com a mão amarela aí?... Eu não entendo como tenho sobre mim esta unção macabra do "dedo podre". Caramba, eu tenho o dom de me envolver nas situações mais embaraçosas!
Estava em casa sem ter o que fazer e de repente ela me liga. Ela. Patrícia Bernardes! Linda, loira, olhos caramelos e oblíquos, voz tão calma quanto o contraste de minhas intenções, a mulher que tenho diretamente flertado nesses últimos meses e sem sucesso algum. Também, quem que me mandou paquerar amiga de Bia? Com certeza aquele alambique ambulante deve ter metido o dedo no investimento e azedado a sopa. E o pior, querendo ajudar. Sei que no fundo não é só álcool!
A Patrícia tinha uma festa. Um jantar fino com o pessoal de seu estágio e  fui com ela. Numa noite regrada à bons vinhos e conversa sobre bolsa de valores, investimentos em capital internacional e fim-de-semana em Jurerê Internacional, me rendi à salada afrodisíaca de flores de orquídeas. Um sabor peculiar e delicado, mas com o propósito de celebrar a minha morte!...Por que as mulheres gostam tanto de flores se elas tem cheiro de morte?... João Miguel da Silva Trancoso, mulher bonita, vinho e flores, não combinam. Resultado uma combustão de indelicados liberar de gases aromatizados à flores. Juro que queria estar numa balada, mas não, a única música ambiente que tinha era o Jazz que meu intestino produzia. Deu ruim! E a Patrícia ainda me abraçando forte na despedida! Eu parecia aqueles brinquedinhos de criança que cantam quando apertamos a barriga.
Não bastando todo o desconforto, quem aparece de brinde de sobremesa quando eu já me despedia para sumir dali? Quem se chama pelo nome inconveniência? Ela mesma, a miss Etílico. Bia. 

BIA - Oi, gente. Não sabia que estavam aqui. O Jomi, não me disse que vocês estavam saindo. Podemos nos sentar na companhia de vocês? Obrigada!

Eu logo tratei de informá-la que era um jantar reservado para a equipe da Patrícia e que eu estava indo já, mas a Bia não se importava em ser indelicada e os seus casos também não eram diferentes. Começaram-se o consumo de caipirinhas e sex on the beach's, mas eu tratei logo de oferecê-los a bela salada de flores. O que ouvi?

O CASO DESTA NOITE DE BIA - Não, obrigado. Nunca coma flores. São lindas, coloridas e suaves, mas o efeito no intestino é devastador. São piores que bomba atômicas.

É, maldosamente ofereci. E inconvenientemente a Bia queria maiores esclarecimentos e ele prosseguiu. Gases! Eu juro que tinha gás o suficiente para mandar todos para a puta que os pariu. Na perfeita conjugação do verbo! E o meu pai ainda dizia que as flores são românticas. Tempos modernos! Eu via toda a minha reputação sendo sepultada em cada palavra que aqueles dois delinquentes pronunciavam. Fim de festa pra mim. Eu tinha que ir embora, mas como? Pior seria deixar a Bia por perto. E ainda mais com este novo rolo que não tirava os olhos dos seios da Patrícia... Aprenda uma coisa, caro amigo, amigas que têm o dom de resolver os seus problemas por você, sim, aquelas que sempre querem falar por vocês, sempre tem um jeitinho de te conseguir as coisas, estas são as menos confiáveis para interceder por ti. Abram os olhos. Pense naquela paquera que você tinha e que de repente a tua melhor amiga pegou. Aposto que ela te disse: Só estava me aproximando e tornando íntima por tua causa. Agora não queira detalhes de até onde foi a intimidade... Claro que a Bia e o seu rolo estúpido, não iriam propor um ménage à trois. Ou sim?... Mas algo é certo, quer conquistar uma mulher, chegue você mesmo nela. E afaste os infortúnios. Isto pode fazer toda a diferença... A coisa de fato não estava cheirando acabar bem. E  como dizia o meu pai: Merda o quanto mais mexe fede. Antes que a privada entupa, melhor cair fora. Com o alambique ambulante!

(...)

BIA - Você é muito parado. Ficou a noite toda com ela e não falou, não fez nada. E ela dando a maior condição. Um merda, Jomi! Você é uma merda com cheiro de flores!
MIGUEL - BIa, só pra você se sentir um pouquinho mais e explodir: pela primeira vez na vida você está certa.
BIA - Primeira vez que você consegue ter a capacidade de enxergar os meus ensinamentos, né? Eu não te coloco em furada. Sou uma mulher vivida, experiente. Eu sei das coisas.
MIGUEL - Mulher que sabe de algo é minha mãe, melhor, minha avó. Fugia de casa com desculpas de ir fazer tarefas do lar, aprender corte e costura, dava pros caras, deixava-os loucos e sem imaginar ter sido deflorada casava-se como uma Maria virgem. E sem engravidar. Você é fichinha? 
BIA - Primeiro, mulher não dá nada a homem algum. Emprestam, por que levam de volta pra casa. Segundo, se tua mãe é tão boa, então convide a Pati pra tomar um chá na casa dela. Duvido que ela vá. Demônio de sogra...
MIGUEL - Olha, Bia... Você...
BIA - Miguel, já se limpou hoje?
MIGUEL - É impossível falar sério com você.


.. Não precisa falar sério com a gente. Pode brincar sério, afinal nesta vida não viemos pra sanidades e se possível com muito álcool, pois se tem álcool, é sinal que a privacidade virou uma festa...


* Próximo capítulo: "Aquela do telefonema". Não percam!!!