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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Um vinho avinagrado

Na taça de vinho tinto depositei minha dor
hidratei as traças que corroíam minha paz
tingi de rubro o alvo de meus dentes
era puro sangue a cor de meus olhos
era turvo o colorido das velas 
as que te sepultavam vivo
as que iluminavam o desamor

Eu queria sorrir
queria querer ser leve, breve, eve
mas eu era dia seguinte
era sombra dos pretéritos
embora não mais-que-perfeito
fui feito de mas
porém era avinagrada todas as vias
eu te via
tu que não me vestes
eu te ia, sem volta
porém hoje já não voltas mais

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Um fígado, por favor

Uma dose de amor
Eu já digo que te amo
Estou gritando meu calor
E a tristeza não engano
Bebi sete taças de vinho

Gargalhadas pelo ar
Três tesões por entre as pernas
Vou fruir, vou farrear
Vou viver sansões eternas
Bebi quatro copos de cervas

As feridas calam a dor
A nudez descobre do pano
O meu beijo quer ardor
O meu corpo quer fulano
Bebi dois quarto de cachaça

Trapalhadas ao andar
Tem vazio em minhas cisternas
Vou cair, vou externar
Vou viver paixões internas
Pedi um fígado, por favor

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Flores secas

Eu entrei pela porta
de entrada
principal
mas foi pelos fundos que você se acomodou em meu
coração
o teu corpo
tão quente como o sol nas noites de verão no Rio de Janeiro
cai como patinho feio em tuas águas traiçoeiras
a tua rede está aqui 
pendurada na parede como enfeite de natal
cheia de flores estampadas
celebrando meu descanso fúnebre
flores
eu poderia ser tua e festejar como tua
primavera
e amanhã secar e cair sobre o solo frio
todavia o meu perfume
te faria contemplar a mim em lembranças
como é triste se sentir
vazia
do corpo de você