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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Quando as borboletas partiram deixei de meus dentes escovar

Quando as borboletas partiram deixei de meus dentes escovar
Cavei dez centímetros no chão do apê e me escondi
Fugi das lembranças que estavam nas areias da praia
Escapei das gotas de mijo no chão
Das cuecas atrás da porta do banheiro
Eu sumi
Em suma
Somei minhas dores e não prestei conta
Já pra nada prestava
E nadei naquele conforto do chão
Ali submersa prestava atenção na respiração que falhava
Não temi morrer
Tomei meus calafrios como ternura
Me acariciei do medo
Deve ter sido a dor
Ela somente saberia me adormecer
Ela me devia a proteção
A libertação do casulo de meu interior abandonado
Só pode ter sido a dor
Ela semeou sua beleza em minha pele
Fez brotar feridas como flor
E atraiu as lagartas sem brilho
Que se alimentaram de meus lábios
Me beijaram feito crianças sedentas
E quando borboletas
Partiram
Em partes, partida estou
E quanto aos dentes não tenho o que falar



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A pequena morte da borboleta negra

A borboleta que veio trazer as boas novas pra mim já alçou o seu voo
Com tempo tudo naturalmente torna a sua fórmula
E os desencontros formulam as preces
A borboleta que veio espanar as minhas poeiras se perpetuou de despedidas
Borboleta negra
Inseto incestuoso
Sensações de derrota
Você pode beijar cem bocas num amanhecer
Pode transar dez corpos numa tarde
E sequer ter o coração fragilizado
O teu coração pode nunca beijar as mesmas mãos que o prende
A borboleta vem e vai quebrando o silêncio deste quarto
Onde apenas a melodia dos roncos dos carros na avenida comparece
A borboleta faz aparecer as minhas folhas secas
Tão necessitadas de água como a minha saliva amarga
Minhas hortelãs não disfarçam meu hálito
E eu transo com o mundo para preenche a minha multidão
Assim como a sávia, lichia ou manjericão também me equilibro em busca do sol
Mas eu caio, vacilo e não me vacinaram meus pais
A borboleta se fantasia de lagarta num carnaval que dura o ano inteiro
Mas minha fantasia está dura demais para mim
E de repente a borboleta cai
O pó se espalha sobre meu ombro
E eu saboreio o gosto de gozar sem querer
Nem sempre o sexo é à dois ou à três