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quinta-feira, 4 de setembro de 2025

ESPERE E VERÁS

eu te esperei 
aguardei
nos recôncavos da monta
de lembranças que guardei
no ruído dos louvores que, mal educadamente,
nos obrigava degustar
ouvia falar de tuas simplicidades e graça 
seu talento como bom contador de histórias 
e construtor de plot twists estratégicos
esperei por tuas surpresas
esperei por teu olhar de complacência indeléveis
esperei pela tão sonhada paz
eu era todo teu, Esperança 
depois de tua morte
e rezo nos grãos de minha mostarda 
pelo teu renovar 

que vida poderia suspirar 
sem a brisa leve 
de como um novo raio do velho sol 
acariciar meus rosto na manhãs

quarta-feira, 9 de julho de 2025

FÉ PRA RECOMEÇAR

tão fraco, vazio
descrente, impotente
me sinto sozinho
refém de minha mente

És Tu que preciso 
de Tua proteção 
da paz, Teu abrigo
me leva pra perto do Teu coração 

Jesus, eu rendo
não posso mais
só Tua graça traz-me a paz 
eu te oferto minha vida faz
o que queres, Senhor

Jesus, entrego em Tuas mãos
meu quebrantado coração 
o meu tudo no nada está 
nas notas deste clamor
na graça do Teu favor
na espera de Ti, Senhor

pois quando eu sou fraco, eu forte sou
quando nada tenho, chega o Senhor
quando era o fim
a fé recomeçou 

terça-feira, 15 de abril de 2025

ÚLTIMO DIA EM SÃO FIDÉLIS

se fosse hoje
o meu último dia em São Fidélis 
eu amanheceria de novo
com meus olhos molhados
e prometeria que uma vez mais viria te ver

correria desesperado pela ponte
tatuando no rosto o vento quente do Paraíba 
eu acenaria para toda gente 
e faria juras que logo voltaria 

se fosse hoje
meu último dia em São Fidélis 
eu adoçaria minhas palavras nos quindins 
invejaria os casadinhos 
observando-os na pracinha dos namorados 
ou a moça de seio perfeito
deitada no caminho para Angelim

oh, linda é essa poesia
tem sabor de chocolate 
solar como os quindins
dourado, prateado, rubro, negra
e destila boas rimas
na pureza de um amor coroado 

é de Vicente, de Paula, Ronaldo
é de Maria, de Antônio, Roberto
é de meu peito aberto

se fosse o meu último dia aqui
eu levantaria bem cedo
e de frente para São Fidélis rogaria
que fosse amanhã hoje outra vez

ah, São Fidélis 
quando estiver eu com meu corpo cansado
receba em tua terra
me acolha, me abraça, me aqueça 
para que possa eu germinar, brotar, crescer 
e outra vez florescer POEMA


terça-feira, 25 de março de 2025

LA PETITE MORT

"Não sou o último romântico, mas faço questão de ser o primeiro a ecoar as rimas dos poetas que conclamam o amor. 
Somos cínicos e melindrosos quando a pauta é a exposição de nós. Caminhamos receosos no ruído inicial de uma entrega e nos reservamos calados em nossos medos.
Nunca houve uma sociedade onde ser forte fosse tão propagado, exigido e cultuado. Efêmeras projeções de perfeição. Proclamamos a independência de nossos sentidos e nada sentimos. Somos sequenciais ressentimentos sem cura."
Essas eram as palavras que ecoavam em sua mente vasta enquanto Lulu Santos cantava "O último romântico", logo após as poesias de Cazuza. E isso não houvera sido combinado. Mas uma vez a vida se divertia rindo das peripécias que pregava para o coroar tolo da corte que o cortava friamente o sorriso da calma.
A casa, como de costume, seguia vazia. No sofá cor-de-alguma-pele repousava o seu corpo cansado de nada fazer e refeito de todas as sensações que inspirara gozar. La petite mort o sepultou sozinho, refém de sua mão.
Seus movimentos eram arcaicos, frígidos, doloridos. Sua voz, desculpa para um abraço. Seu olhar, reclamações de um cuidado que esperava receber na cumplicidade de ser acolhido ou, de fato, amado.
Nas paredes da sala pequena rasuras de promessas não cumpridas confundiam a esperança de que o minuto passado poderia reviver e cada frustração ser projeções únicas de seus medos.
Não se enganem, nessa vida o que te cabe é a responsabilidade de si, mas você nunca será pureza de quem é. O mundo vai mentir pra ti e de ti tirar a castidade do suspirar.
Ele soluçou vivaz. Seguiu-se desmontando num suspiro seco. Em sua face o que ficou foi a poeira da exposição de si. E Lulu nem cantava mais.
Cada um sabe da dor de si. Cada um procura a metade que perdeu ou o quarto que lhe restou feito o inquilino educado, doce e discreto. Ao outro o que cabe é o ferir.
O que é o homem senão o dom de iludir?
Ou o que é a ilusão senão uma puta que em pequenas mortes nos vela a cura?


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Flâmula

O meu corpo chama pelo teu
E eu me queimo
As marcas se latifundiam na alma
E na pele se funde o silêncio ao pavor
Sem medo me povoo
Distribuo os meus calafrios aos risos fúnebres 
Eu salivo tua fúria e defraudação 
Na língua esculpo minha intenção 
Para que se lembre as chamas de meu tecer
Teço minha trama fina
Maculo minha organza 
E me deito em camas frias
Acariciado das mãos de teus bacanais
Sou flâmula de voce 
Beijos de teus desaforos 
Sou desejo atraído por paixão  
Sou paixão sem carbono
Sou brisa fria

sexta-feira, 11 de março de 2016

Rio

Todo mundo tem uma dor escondida
Uma ferida de estimação 
Um canto desafinado 
Todo mundo tem um não ter e desejar
Eu tenho um choro represado em torno as pupilas
Uma menstruação tingida nos olhos
Um Alasca nas íris 
Eu tenho um choro engasgado 
Que inundaria uma cidade 
Tendo um ombro amigo
Eu tenho um querer ter

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Me peça um abraço

Foi teu olhar que envenenou meu coração 
Certeiro como um golpe de capoeira
O teu ziriguidum entorpeceu e fraco estou
O que era solidão virou poeira

Foi teu sorrir que arrebatou o melhor de mim
Quem dera guardar eu essa pureza
O teu gracejo me enfeitiçou 
Grato estopim
Tão bom contemplar tua beleza

Bem, bem me olhando
Vem dançando
Vem tecendo o teu sorriso
Deixa eu me envolver

Ah, vem

Tem um desejo escondido 
No meu jeito
Me peça um abraço
O dou num beijo em você 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Boca

Let me see your boca
Deixa-me encontrar em seus contornos
The words that it already said sobre me
Deixe-me ser ministrado by the echo of its eterninty
Let me and do not leave
Be leve
And leve me 
Leve no taste of your palavras
Leve me hidratado pelo suco de tua saliva
Umidifique the words I do not digo
Inunda meu corpo com os teus olhares que fogem de mim
Que escapem os fears
Que rolem as tears
Que eu kiss você
Yeah, I always quis

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Com dengo

A cama era de casal
E não se sentirá em casa
O quarto estava escuro
Um quarto do que seria a noite
Funebre solidão
Na companhia do incêndio sob o lençol listrado
Azul e branco
Mas eram as marcas que datilografavam tua violência vermelhas
Calombos se formavam feito samba em sua pele
As juntas se intrigavam em harmonia
Com arte as articulações iniciavam guerras
Sem dó a terra da cabeça gritava sua dor
Não havia fé nem força
Suas pernas sacolejavam feito vara de bambu
Devera ter se deitado
Mas a chuva da segunda reclamavam os seus ais
Ais que clamavam sua dor
Dor que educadamente desenhava seu prazer
Com dengo ficou
Com dengo sentiu
À noite voltou, feito ninfeta em sua graciosidade
E outra vez no quarto
A cama era de casal e vazia
E o caso era dengue e azia

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A mulata da casa 345

Ela era bela e cinza
Os seus olhos eram cores em que desfilavam o bisturi
A sua morte fora celebrada como conquista de virgindade
A sua partida a anunciação de respostas outrora ministradas
Os homens exultavam a liberdade
Embora com o saudosismo do gosto de seu suor
Ah, era esse líquido que temperava o conservar de suas poucas alegrias
Era contrária às muitas mulheres que desconheciam o poder ser mulher
Nas curvas de teu corpo havia pecado
Nas trilhas dos lábios espermas de paixão 
E em suas paixões pequenas mortes
Calaram a voz da mulata da casa 345
Suspenderam os gritos que acordariam os galos
Alvejaram as manchas amareladas de seu colchão 
Assassinaram o bolero dos olhos
A escrita rupestre das unhas
O braile na pele
Assassinaram o incêndio das virgens
Mas era eterno o amor
E entre pelo, pele e poro das mulheres e homens que a conheceram
Estava registrado o seu epitáfio:
Eu sou o demônio, o capiroto, satanás 
Não tenho a alegria de dezembro
Sou fevereiro
Carne, sangue, sexo, gozo
Eu sou as lágrimas das bucetas e paus
Os rios que irrigam o prazer
E despe violentamente a pureza
Destrinchado a poeira de suas negações 
Eu sou o bem no mal
Sou o negado, escondido
Sou a jura
Sou tudo o que fui
Sou tudo o que deixei de ser
De amar
Querer
Viver
Sou a escolha não feita
Sou parte de mim
A parte que te afronta e amedronta
Sou espelho
Sou como todos
Sou o não sou
Sou a possessão de teu corpo
Os lábios molhados
A língua captura pelo dente
Sou terremotos em polo norte
Sou maremotos em polo sul
Sou a fraqueza das pernas
O arrepio, o espasmo, o suspiro
Sou eu quem te empresta a gargalhada
E não presta em choros
O infinito que habita o teu corpo e ama, decifra, tenta
Sou o teu nome
A revelação do mundo como primeira vez
Sou o que ficará 
Sou riso
Confundida como amor
Sou paixão 


Just be

While the tears came down
It was thinking about the stars
It poured out its heart 
It opened up its stupid mind
Trying to be gentle with itself
Trying with its all
It tried with my soul
But I was dead 

Close your eyes and remember the hurts you made 

Open your closet and find the character you were 
Set your sex to the fire and find me
Find us
And just try do not let it go 
Let your words burn in your mouth
Taste your lies
Be 

However to add a insult to the injury, it started to rain 

And it was afraid of the thunders 
It was afraid to go into the rain and see its skin 
It has been trying to have your closet's key
Trying to be gentle with you 
Trying with its all
It tried with my soul 
But I was dead

I was

And you never be 

By the way when start to rain again 

Please, do not be of anything 
Take its clothing off and wait
The stars are going to appear once again
At this moment do not think
Be
Just be


Vida que segue

A vida segue
Entre trancos e barrancos segue
Sem perder as estribeiras segue
É jovem e consegue ser feliz 

Que seja leve como a dor

Ou mesmo breve como o vinho
Não a releve com ardor
Tampouco embale-a em carinho

A vida segue

Entre prantos e encantos segue
Sem pender-se em pirambeiras segue
É jovem e consegue ser feliz

Que seja pura como o ódio 

Ou mesmo dura como o riso
Não há brandura no sódio 
Tampouco ternura no siso 

A vida segue

Entre ranço e espantos segue
Sem prender-se pelas beiras segue
É jovem e consegue ser feliz

Vida que segue...



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

In tensões

Se a força eu tivesse
E o meu cristo morresse
Não seri eu o contador de minha história 
Eu seria o som que se movimenta de sua boca
Que se costura em suas cordas vocais
E enforca minha reputação
Se a força eu tivesse 
E o meu bicho morresse
Não seria eu o perdão que te libera
O egoísmo que te acalenta e sorri generoso
Eu seria a agulha que estupra a tua fronte
O ar que foge de teus pulmões 
E sequela o teu tino
Se a forca eu tivesse 
E o meu cristo vivesse
Eu seria suicídio.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

R.I.P

Suddenly
Houve um ou dois suspiros
E tudo se fez black and blue
Os antigos coloridos das vestimentas
Se tonificaram no rubro que escapava dos olhos
Eram salientes as manobras que a vida escolheu
I wish I could cry or
Kill all the things I have within my alma
We are so cruel to each other 
That we forget we're also another 
Goddam!
Perceptível é a mazela humana
Quando a felicidade do outro 
Começa a nos incomodar
E finda com o last of drop of beauty you had 
Please, quando eu partir não velam o meu corpo
Depositando sobre ele a atenção que nunca me deram
Quando eu partir let me go
In peace
With all the piece de mim 


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Love is word

I was talking to the butterfly
that sat down in my bed today
I don´t know if it could
or not
understand one of my flights
anyway
I let my breath tell about my heavens
I set up my rules
hunt for prey
raven
that´s not because you are
but who you have been
you´re here and you´re far
´cause they told about sin
are they be able to drink me?
are they ready to taste my blood?
No
that´s the real answer
they talk about the King
but they do not know Him
they just kill to wash their mind
they just kill to cash their bind
are they be able to sink me?
are they ready to fast?
Me!?
I will be
I will be
I´ll be back
Don´t be sad
Love is word
Words are mad

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Esqueci do que iria escrever

O tempo parou
E nesse meio tempo
Fiquei meio que...
Ah, não sei o que queria dizer
Mas disse
Eu confessei o meu mal
E mal tive tempo pra...
Com fé sei...
Não, não sei
Sem tempo fica difícil ficar
Com tempo fica fácil fixar
E eu fissurei o contra-tempo
Não que fosse contra o tempo
Ou o tempo contra mim
Éramos conta-gotas
E de gota em gota desgastamos o gás
Gostamos dos desgostos
Outros nos tornamos
Sem ter 
Sem ter 
Sentido
Não operante
Errante no tom da ópera
Sem tempo pro que antes era dom
Erra o som
O bom da coisa
A tal coisa coisada
O mau coise que opera o com do tempo