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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

In tensões

Se a força eu tivesse
E o meu cristo morresse
Não seri eu o contador de minha história 
Eu seria o som que se movimenta de sua boca
Que se costura em suas cordas vocais
E enforca minha reputação
Se a força eu tivesse 
E o meu bicho morresse
Não seria eu o perdão que te libera
O egoísmo que te acalenta e sorri generoso
Eu seria a agulha que estupra a tua fronte
O ar que foge de teus pulmões 
E sequela o teu tino
Se a forca eu tivesse 
E o meu cristo vivesse
Eu seria suicídio.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bata a porta ao sair

Queria sorrir
Do fundo do meu coração raso, queria
Todavia só tinha forças para o desvencilhar 
Eram poucas as energias que me mantinham vivo
Me autofagia nos cemitérios de minhas recordações 
Ah, se eu pudesse te dizer de minha dores
Talvez pudéssemos replantar aquelas flores verdes
Não
Novas flores
Sim
Ainda há samba em mim
Bossa nova em desarmonia com jazz
Mas esse esqueleto em ruínas não dança mais
Dancei

Ali jaz minha voz 
Que repetidas vezes te amou
Repetidas vezes repeti em amor
Repetidas vezes vi as flores murcharem
Tão quanto murcharam minhas pálpebras 
Fluiu tanto sal que os olhos secaram
E o coração, por loucura, não conseguiu mais parar
A alma se abrigou nas pautas de tuas cartas
E nao descarta me deixar de vez
De vez em quando a gente morre
De vez em outra sorri

Quando sair bata a porta, por favor

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Inevitável quando ha paixão

Jardim sem flores
Flores sem jasmim
Jasmim sem cores
Cores sem carmim

Sem tom, sem dom
sem calor ou paz
Jardim sem cores
São jardins reais

Pra mim são dores
Dores são sem mim
Sem mim não fores
Fores sem o afim

Sem som, sem com
Sem amor ou voz
Pra mim as dores
O amor em nós

domingo, 6 de novembro de 2011

Carta vermelha

Um amor quando se é simples em si mesmo é necessário ter muito mais que belas mágoas para riscar suas cores. Na realidade um amor quando é simples em si mesmo se faz desnecessário das cores que colorem o brilho ou enfeitam os ais. Amor quando é amor verdadeiro se refaz das dores, nos choros e lástimas.
Claro que não ensaio masoquismos em minhas declarações, apenas trago os eixos que suplantaram minhas foto-realidades por ti. Eu que te amei no inverno e verão, no rancor e na paixão, no amor e nas saudades. Eu que simplesmente fui estúpido.
Seria estúpido, sim, negar os sangues que derramei por você, seria estúpido dizer que não foi por estas mesmas sentimentalidades que me fariam sangrar mais uma vez, que chorei flores. Afff, pois como uma vez eu disse: te amo com um amor incondicional, um amor unilateral, um amor que simplesmente amo viver. Por que tanto amor para uma única pessoa?
Eu queria uma dose a menos deste amor que me embriaga, queria uma dose a menos de teu ópio que me desnorteia, queria teu sul, meu chão, pois neste jogo já risquei e rabisquei minha carta branca, ficou-me então a vermelha e não era vermelho de paixão.