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segunda-feira, 14 de abril de 2025

RECOMEÇAR

faça pão 
toma um vinho
faça dramas
abra caminhos

ensaia um não 
se dê um sim
costure as tramas
há começos no fim

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Puro desconhecimento

O amor não é puro
Assim como é santo o ciúme 
O amor é desconhecimento sabido
Terra virgem que se prostitui
O amor é equação de terceiro grau
Efetuada por terceiros
Quem irá nos proteger de nós?
Quem irá desatar os nós de nossa garganta?
Quem beijará o sapo que não transamos engolir?
Quem gozará por nós?
Se o amor fosse luz 
Onde se esconderiam minhas traições?
Se o amor fosse incondicional
Onde treparia a dor com querer?
O amor é trama ilegal
Subsequenciais medos arraigados com o risco
Tesão que não sambam as pernas
Porra que sempre é louca e quente
Amor é o querer você me dominar a não desejar
Ai, amor

terça-feira, 19 de abril de 2016

No dia em que Maria se morreu

Nem sei
Disseram que os dias passam
Mas os dias se enrugam
Gastam minhas utopias 
E nem pia minha gota d'água 
Eu se chama derrota
Que se acende sem escolta
Sem proteção do que nem se teve
E se atreve arriscar sinais
Nem sei se os sinos tocaram
Talvez pela sina sinalizaram os ais
Mas todos os dias eram talvez
E Maria era dor em vida
Risos coreografado sem sintonia
Com o que sinto
E sem cinto se situou no chão 
E nunca se levantou
Em si caiu
E ecoou no chão o seu silêncio 
Os sons que todos ouviam
E calavam
E traduziam
E adestravam
No dia em que Maria se morreu
Foi o único dia em que por mim
Se passou vida
Que descanse eu em paz
Ou morra de rir

sábado, 16 de abril de 2016

As ruas de tua boca

É bossa a harmonia do som de tuas palavras
É deleite
É manjar dos pecadores 
A textura de tua boca é o que deseja
A sequidão de meus lábios 
Tão vermelha quanto o fogo
Em contraste com o alvo de tua face
Onde se transcreve tua ingenuidade de menino
Onde se reflete as artimanhas de minhas mãos 
Ah, como me refresca o menta de tua saliva
Que não mente pra mim
Que me hidrata o coração 
Que me inunda de tesão
E imunda a tensão 
E a faz se sentir pertencente ao mundo
Tão natural quanto a luz dos olhos teus
Olhos que sangra pureza
E dilacera os lugares secretos em que se esconde a paixão 
E livra o meu peito 
Do livro que por saber ler
Me recuso inscrever
Ah, se eu pudesse capturar o cheiro que foge de tua boca
E penetrar os meus olhos com o gosto teu
Ah, se as ruas de tua boca falasse de mim
Ah, se tivesse eu pernas para em ti caminhar meus indicadores
Em todo amanhecer