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terça-feira, 28 de abril de 2015

Nue

Nue.
Nue.
Meu amor 
é tão grande que cabe o
meu amor
que se esbalda feito criança
na ânsia de
devorar os doces de festas infantis
devo orar pelo meu
amor?
devo encaixá-lo
nos corpos dos amantes que 
me gemem?
gêmeos são os desconhecimentos de 
meu amor
foram os cimentos 
que a ele mentiram 
me tiram o
meu amor
feito lobos
que tiram doces de bocas de
crianças
criam ânsias
em poucas poses de contos
e nada conto ao 
meu amor
só pra que 
meu amor
continue
nu e
meu amor.
Nue.
Nue.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

De roupa e sem -em-amor-

Eu investi os meus últimos sais 
para te convencer de parar nossa guerra e
então ouvir a rouca e tímida voz 
que se cansava à nossa espera
era um som que ruía do coração
- ex nosso- 
fuzilado por "foi tua culpa"
tentava outra emoção
-dis-posto-
engalfinhado entre suas multas
acalentado por tuas suas queixas 
quem ama não desleixa
se deixa correr pelos fluxos dos rios
quem ama se goza sem transas
se trança em lençóis
se doa
mesmo que doa
os amores se sepultam
porém os amores não morrem
quem morreu
fui eu
eu fui
e não soube voltar
tampouco subi ao céu
vivi a cultuar tua presença
ausente
e presente
em mim
que sem roupa limpa e clara
se sepulta em si
-em-amor-

domingo, 26 de abril de 2015

De roupa e sem mudo

Assim como se veste um defunto fresco e gelado
assim fui trocando minhas roupas claras
fui despindo o meu corpo dos cheiros das castanhas moídas
fui sepultando os paladares de teu hálito
esquecendo das texturas dos cravos de tua língua
cultuando o falecimento múltiplo de nossa paixão
eu via o mundo
você o ouvia
eu era cego
você...
ah, você era deficiência 
e então fomos parando
e pairando sobre nosso ar veio o cheiro das flores 
a sensação dos dias de Finados nos circulou
e foi ela a última graça que dividimos
sem jeito ficamos sem jeito
e o jeito foi fechar teus olhos
e dizer adeus
sem nada dizer
pois mudo também era eu
eu que sempre mudo
de roupa