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segunda-feira, 20 de abril de 2015

I lost my soul (Já nem sei quem sou)

Sometimes when I think of you
I get some parts of me
Why cannot touch your face, my love?

I saw you far from home and I cry
Tell me God why the loves die

I will try to fly away
Go into the Heaven and say
I love you (That I miss you)

I cannot remember what I have inside
I lost my control
I know nothing about myself
I´ve been trying to walk on me
Am I trying to forget you, my love?

You don´t know what I have inside
There are some thoughts walking inside my mind
Am I trying to forget your face, my dear?

I´ve trying to pray and say
I need your presence
I need your embrace
I need the touch and the love
That can cure my fears

I lost my soul
I lost my soul
I lost my soul
Já nem sei quem sou

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Pai

Abro os meus braços
Embora cansado dos calos das ruas
Deixo aquela antiga nuvem dos olhos
Lavar o meu riso
Ela cavaca meu rosto, já não infantil
Entre as marcas do que ri e chorei
Arrasta os lixos que as dores deixou
Tatua a gola de minha camisa marrom
Das histórias que queria ter te contado
Entre as escrituras deixadas no piso de casa
E veias sangradas nas paredes
Sinto o teu cheiro percorrer entre os cômodos
Na tevê arranha o som do futebol
Mas sem o incômodo de ontem
Aceito o jornal
Adoro os deus em singularidades
Leio o teu livro
Até juro reviver-te em mim
A cozinha se perfuma da água doce do café fraco
Os cães ladram em cirandas
As plantas florescem
O riso retorna
Refaço as pazes com o tempo
E com o tempo
Ele me canta qualquer conto que fale de paz
Enquanto varro de casa a tristeza
E eu vejo você
E você, sem ser senhor, sorri
Eu, criança, corro
Pulo
E te revelo desenho rabiscado que pintei
E você, sem ser senhor, sorri
Eu, criança, durmo
Sonho
O sonho que farei de teu sorriso um abrigo
Pois as noites ficaram frias
Quem congelam a alma
E a chuva não cai
É, eu preciso de um...


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Até a tristeza já foi

Eu poderia dar a luz à um filho com toda esta força que faço para chorar. Sinto-me tão seco e solitário que nem as lágrimas me acompanham a presença hoje. Eu também não estou triste, a tristeza também já foi embora.
A gente se faz de tão forte e capaz, não é? Todavia somos frágeis, pequenos, pobres corpos cheios de seus eus. E o apego nunca vai embora.
Aparentemente somos apenas paixões pela beleza que contemplamos no espelho. Mas espelho mente. Se quebrar corta os pés e espalha o meu sangue. No fundo somos todos líquido vermelho. Uns A, outros B, O, negativados ou positivados por natureza. Eu queria ser apenas ar. E flutuar pelo ar. Atrair o meu semelhante.
Parem tudo. Silêncio. Um momento para esta penugem de lágrima que ameaça deslizar sobre minha pele negra e espessa. Os meus olhos esticam os seus braços para tocar o meu peito, pois no meu interior há tantas sentimentalidades não vividas que por entre suas pupilas e íris não conseguiu atravessar o sol.
Traga pra cá tudo, olhos. Derrame um rio sobre mim. Deixe-me chorar de mim e por mim. Desentupa o meu rancor e prepotência. Deixe-me fluir e fruir. Deixe-me ir, sem ter que voltar pra mim.

sábado, 10 de agosto de 2013

Eu também serei velho um dia

Minha vó sorriu pra mim
Meu pai gargalhou seu escândalos
Os anjos correram para derramar as chuvas 
Sinalizando que o céu regozijava a alma azul
Ao tocar minha pele a chuva fria foi me aquecendo
A minha infância recobrindo cores
Eu cantei a cantiga que me ensinaram
Falei na língua que me descreveram amor
Dancei no tom da alegria 
Feliz é quem chora por saudades e amor
Ao perceber minha euforia eles foram se descolorindo
Perdendo o tom da tinta no papel
A chuva lentamente se mesclando ao sol matutino
Eles já plantavam caramelos nas árvores do céu
Aqui na terra fomos nos aproximando dos dias
Fomos tarde
Fomos noite
Fomos e partimos
Partimos e encontramos o inteiro
Lembramos o cheiro, o tempero, a voz,
O tom dos sapatos no chão vermelho
Neto cresceu e ficou velhinho
Nos sustos da fala inscreveu o hino
E também foi pai
Foi avô
Voltou ser filho
Deitado na cama cantou pra o seu sono sorrir
Cantou pra papai, vovó e Papai do céu


domingo, 4 de agosto de 2013

C-Oração de neto

As lágrimas que rolam apenas escrevem em minha face as poesias que tua simplicidade me compartilhou.
A solidão aparente se confronta e enfraquece diante à beleza de seus meigos sorrisos que ainda lembro claramente as marcas que os músculos de tua face desenhavam para o inscrever. Em suas rugas eu naveguei rios de emoção. Como eu ri contigo, de ti...!
Impossível não continuar sorrindo. Mas hoje me deixe chorar, gritar, deixe-me ser desesperado em minha dor.
Véia, não se pode conter um Paraíba que corre em direção ao mar. Não se pode conter o meu coração que caminha pro teu agora gelado, parado. Coração malvado que parou para te presentear com o calor e graça do coração de Deus. Hoje Ele deve está sambando de alegria e os anjos na ansiedade de primeira vez ouvir tuas histórias. Conta aquela do lobisomem nas capoeiras de Muzungum. Até Deus vai acreditar que lobo-mau existe.
E Véia, quando se encontrar com o meu pai, apenas sorria para ele. O meu riso é igualzinho ao teu. Ele ficará feliz em me ver através de ti, pois no céu também há saudades.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O meu maior medo é esquecer o rosto de meu pai

Eu e papai, década de 80

Com todo o respeito e educação, posso falar?
Não precisa me ouvir
Temo macular teus ouvidos que gritam por santidade
Não, não estou alterado tampouco preciso respirar fundo
Preciso é respirar lento, raso, tímido
E quem sabe poluir as narinas dele com vida
Mas ele não respira mais
Morta estão tuas lembranças que assassinam essência
E Deus,
Deus amou o mundo de tal maneira 
Que tirou o meu pai dele
Entre lutos que se repetem 
procuro manter viva em mim suas gargalhadas
A maneira crente de esperar pelo Pai
Hoje eu acordei querendo ser Deus
Só pra dar vida novamente ao meu pai
Não, Deus
Não me venha com tua sentência 
És tu que sabe de todas as coisas
Eu não falo das coisas
Eu clamo pela existência
Não, Deus
Não chores, pois não estou proferindo setas inflamados contra tu
Estou retirando com minha frágeis mãos de homem
Os dardos que fazem o rio vermelho fluir de meus olhos
Eu disse que não precisava me ouvir
Isto não é uma oração
Respeite-me em meu secreto
E deixe-me clamar por mim
Hoje acordei humano
E é o meu pai terreno, o de carne e osso, que me acolheria
E restaram só os ossos
E eu nem sei onde estão
Não queimamos no inferno
E ardemos no fogo que o próprio homem maquina para o nosso fim
Estaria a vida eterna na permanência das lembranças?
O meu maior medo é esquecer o rosto de meu pai
Temo a morte em vida
Morrer e esquecer de repousar minhas lembranças
Hoje eu acordei moribundo
Morto
Vivo
Vivo
Mort
Viv
Vi
M

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Este texto é de Valdemy: Ensaio sobre a morte de meu pai

Culto dominical - 1991
Em meio a tantos turbilhões de acontecimentos e novidades, sinto-me por vezes perdidos diante os focos e anseios de meu coração. Me apresento forte e decidido para as pessoas que me rotulam, claro, fomentadas pelas palavras que assino sobre o meu corpo e olhar, porém sou tão menino e sensível como aquele Cristo que se apresenta na cruz e confia ao pai os seus temores. Cristo também temeu e mesmo assim não acovardou em dores o amargo do cálice. Cristo, nem mesmo ele, foi por todos amados ou produto de tendência de alta costura. Quisá eu! (risos)
Eu sinto que preciso parar o meu mundo que gira em voracidade e me apresentar franco e destemido à mim. Sem medo de ser feliz! Livre! Livre de mim!
Oh, meu Deus, se eu pudesse dar vazão aos meus cara-miolos que me humaniza! Mas tememos as naturalidades. Transcender pode ser mais atrativo e justificador dos medos. Sem julgamentos, me diga: O que atrairia Deus ao homem senão a peculiaridade em ser humano? Deus tem os anjos cantarolando Sua majestade pela eternidade, não seria outro anjo que ele procuraria em mim. E eu nem sei cantar!
Eu me deparo comigo nesta madrugada e me felicito por ver em meus olhos, o mesmo amor que lapidava ternura anos passados. O corpo mudou, as rugas já traçam os seus sucos como traças que corroem madeira, mas minha cara-de-pau ainda se inspiram em esculturas e belezas. Não tenho mais a mesma voz e até o primeiro porre alcoólico já vivi, mas não é num gole de destilado que se destila a minha essência ou caráter, tampouco em meu justificar. Em meu corpo assino o meu mal e encontro com o meu bem da honestidade.
São as canções de infância que me fazem acalmar o espírito que nem agitado está, mas pior, adormece. As notas destas canções me lembram as notas de ensinamentos de vida que o meu pai me ensinou. E um novo rumo se acende. Esperança, a primeira que ressuscita!
Como podem os estúpidos dizer que o meu pai faleceu? Como posso eu, sendo filho dele, dar ouvidos aos tolos? Ainda mais tolo me pinto. Como pode morto está aquele que vive e respira orgânico através de mim e ainda outros dois mais?  
Falar sobre vida e morte angustia e sufoca as pessoas, mas quem não morrerá? Para morrer, só basta está vivo/ E morreu fedeu, acabou! Ou se continua. Normal! Natural! Mas não é desta morte que estou falando, se bem que, paradoxalmente à tudo que outrora disse: Existe morte?
Me leva que quero ver o meu pai! Não, eu não quero morrer ou me suicidarei, pelo amor de Deus, eu tenho amor aos momentos e este me reserva esta vida. Então a viverei, sem sentenciá-la o fim. Eu apenas quero ver o meu pai e hoje eu vi. E ainda vivo! E descobri outra vez, que ele vive em mim!
Este não é um texto para ser bonito ou te fazer chorar, este é apenas um texto que escrevi pra mim e o leio em voz alta, para que a parte em mim que abriga o meu pai possa escutar e ele se emocionar através de minhas pupilas que se dilatarão para que seu amor se revele em lágrimas e estas toquem o meu rosto, lembrando do carinho que ele sempre fazia em mim... nas madrugadas tão frias como a noite de hoje.