Abro os meus braços
Embora cansado dos calos das ruas
Deixo aquela antiga nuvem dos olhos
Lavar o meu riso
Ela cavaca meu rosto, já não infantil
Entre as marcas do que ri e chorei
Arrasta os lixos que as dores deixou
Tatua a gola de minha camisa marrom
Das histórias que queria ter te contado
Entre as escrituras deixadas no piso de casa
E veias sangradas nas paredes
Sinto o teu cheiro percorrer entre os cômodos
Na tevê arranha o som do futebol
Mas sem o incômodo de ontem
Aceito o jornal
Adoro os deus em singularidades
Leio o teu livro
Até juro reviver-te em mim
A cozinha se perfuma da água doce do café fraco
Os cães ladram em cirandas
As plantas florescem
O riso retorna
Refaço as pazes com o tempo
E com o tempo
Ele me canta qualquer conto que fale de paz
Enquanto varro de casa a tristeza
E eu vejo você
E você, sem ser senhor, sorri
Eu, criança, corro
Pulo
E te revelo desenho rabiscado que pintei
E você, sem ser senhor, sorri
Eu, criança, durmo
Sonho
O sonho que farei de teu sorriso um abrigo
Pois as noites ficaram frias
Quem congelam a alma
E a chuva não cai
É, eu preciso de um...
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sábado, 21 de fevereiro de 2015
Pai
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Valdemy Braga
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Comum e normal
ela é branca
é neve
e eu sou chocolate
ela é verde
é azul
e sou castanho
ela é colorida
e eu sou todas as cores
ela é um
eu sou um
somos um mais uma pequena
somos grandes
somos pequenos
tantos e nem somos
brincamos
sorrimos
cantamos
dançamos
pintamos o sete no zero e dois
aloprados
sinceros
família
apoio e suporte de porte
de pote cheio, sacudido e transbordante
de amor
de irmão
de irmã
de princesa
de escolha
de mãe
de beijo
e choro
silêncio
e gargalhadas finas e descompassadas
que não passam, ficam
fincam carinhos no peito
do peito
do alto, falante
do infinito castelo
com palavrinhas mágicas
conto
encontro encantado
em cantado amor
gritado
revelado
tatuado
no branco
no verde
no chocolate
no castanho
nu
puro
simples
normal e comum
adriana
gabriela
e val
e alicinha
*Dedicado INsanamente à Gabriela, Adriana e Alice.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Raquelando os dias
![]() |
| Aniversário 1 ano - Raquel |
Parece... mas não foi ontem que elazinha completou o seu primeiro ano de vida. "O tempo passa, o tempo voa e" as minhas rugas já não continuam numa boa, rs!
Vigésimo oitavo dia do primeiro mês da década de 90, nascia a minha caçula irmã, Raquel.
Lembro-me como se fosse agora, os preparativos para a chega, papai na euforia de receber a sua primeira menina, mamãe na realização de poder enfeitar de laçarotes e leses a sua única princesa. Bem, acho que o INsano-mor está ficando velho. Alguém teria uma leve dose de botox?
Raquelando os dias
Menininha, vem brincar de envelhecer
Deixe os anos de inscreverem gargalhadas
Deixe os risos colorirem o paladar
Vem pra vida
Princesinha, me encante uma canção
Para que encontre os desenhos das nuvens
Vamos pintar o rio de cor-de-rosa ou urucum
Vamos ser estranhos e sermos nós
Roubemos os nós das gargantas
E amarremos as mãos
Oh, chatinha, vem correr juntos
Massagear as risadas com cócegas
Briguinhas
Roubos de chocolates
Biri-biribá, continuemos a brincar
Hoje ainda é vinte e oito
Está longe o carnaval da maturidade
Vamos Valdemyzar os sabores
Mateusalizar os tons de agudo
E por fim raquelizar os dias
Para que quando o sol se pôr ainda se levante a bandeira branca
Refletida no negro de nossa cor de dizer "te amo"
domingo, 15 de abril de 2012
Delegado, Tarzan, Neguim Mateus
Embora seja eu o Júnior, foi levo quem levou o legado de ser reconhecido como o filho de nosso pai. Quem já ouviu falar em Neguinho do Gás? Mas agora me diga, do Valdemy Braga, meu pai, ou do Mateus Araújo Braga, meu irmão?
É meu povo INsano, de um único Neguim não se constitui a história de minha família e ele veio pra trazer literalmente gás e jovialidade à esta história.
O Neguim é marrento, invocado, teimoso, metido à ser o mais forte entre todos, mas nunca vi alguém conseguir tocar tão profundo o coração e risos de uma criança e um idoso como ele. A velharada pira em meu irmão.E é bonito de ver isto, por que para compreendê-lo você precisa ter coração puro e sensível, ele não compete as interpretações coloquias e medíocres. Tem que ter coração para sentir o coração dele que também pulsa, como o teu e o meu. A diferença é que ele sabe o valor que o dele tem e não o expõe como moeda de troca de efêmeras sentimentalidades. É objetivo e direto. É forte. É um homem e é menino.
Sim, um menino que mesmo aos mais de duas décadas de vida ainda se perde nos delírios dos video-games. Não compreendo. E tem mais, vocês precisam vê-lo assistindo televisão. Chaves! Sim, este sim parece ter as chaves das gargalhadas de Mateus, mas isto a Raquel sabe contar melhor. São sempre os dois, entre filmes e seriados. Não, a Raquel sabe contar muitas coisas melhor que eu. Por exemplo, quando o Delegado Mateus resolveu trocar o distintivo pela tanga do Tarzan e escalar a mangueira lá de casa. Caiu como manga podre no chão e lá vai Marilene e Neguim no desespero! Olhem as costas deles e verão as marcas do homem que voou. Estou rindo muito aqui. Como eu queria lembrar a música que Raquel cantava. Gente, esta minha irmã tem o dom INsano de musicalizar os nossos momentos. Minha família não é normal!
Na verdade, o meu irmão é o mais normal de todos nós. Tipo, malha, come, come, come, malha, dorme, come, come, dorme, trabalha, come, dorme, trabalha... Bem, agora troquem o "come" por "cervas" ao cubo. Entendeu?
Tantas histórias passeiam por minha mente, mas juro que tenho medo de contar certos detalhes da saga de meu irmão. Ele é de fato muito mais forte do que eu. Ou pelo menos pensa que é, né?
Bem, moleque... eu ia te deixar mais de cara aqui, mas resolvi te poupar dos tumultos de minhas INsanidades. Feliz aniversário, Teu. E o melhor da vida pra você, irmão! Me espere, pois estou chegando!
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Lavínnia Araújo
Anjos tomam forma de crianças e como flores delicadas passeiam pela terra de nosso peito, perfumando o mais ríspido de nossa maturidade, que como pétalas se desprendem, desbotam e caiem pelo chão de nossa caminhada. Lavínnia como chuva serôdia chega neste fim de tarde, no3/4 de parte de uma sexta-feira 13 para acalentar com brilho e graça os nossos temores e medos. Vem menina, inocente e bela para falar de amor nas dissonâncias de seu choro.
Sua mãe, minha tia, irmã de minha mãe e filha de vó, minha doce Véia coroca, me foi de companhia nos crescimentos perpassando como a menina dos olhos de meu pai. Era a queridinha dele. E era a minha irmã-de-leite. (Risos). Provinciano, não é?Mas do mesmo leite que me amamentou os ossos que hoje esboçam vida e insanidades a alimentou o corpo franzino e pequeno de uma menina de apenas seis meses de gestação. Lavínia? Não, ela veio ao seu tempo, veio pra fazer de sua mãe mulher e ser marco. Veio pra trazer outras cores num lar preto e branco. Veio tão branca como a neve, uma branca de neve que me faz sentir-me como um anão de um metro e setenta centímetros de estatura. Cabeluda. Menina. Princesa.
Fico nesta distância de trezentos quilômetros imaginando as curvas que salientam sua face. O cheiro que a recobre como identidade. O choro que me embalaria os risos. Fico a imaginar logo os seus primeiros passos, gritos e pirraças. Fico a desenhá-la criança, menina e depois mulher que continuaria todas as histórias e canções que eu nunca aprendi a cantar.
Lavínnia, que se seja a tua música neste dia, o amor de ser bem-vinda!
segunda-feira, 26 de março de 2012
Cores e sons de Júlia
Pra mim ela é personificação mais exata da prima que eu desenhei ter quando criança. Não aquela pessoa que você sabe que sempre deixará escapulir o riso mais gentil e verdadeiro quando te ver chegar? É ela, e este lugar pode até ser um velório. Ela vai sorrir pra mim! Ela vai me cobrar um mundo de visitas, carinhos, abraços e telefonemas, mas vai me abraçar com toda generosidade do calor e presença de quem ama e admira. Ela um dia esmagará os meus ossos. É incapaz de entender que sou feito de 3/4 de líquidos e o resto todo é quase totalidade de ossos que se escondem timidamente entre um músculo e outro, mas o meu músculo maior, o meu coração pula em contrações de alegria e paz, apenas por sentir no seu abraço o seu peito sorrir pra mim.
Ele é meiga. É grande. É uma menina que tem o carisma de ser diferente de todos as outras. É, ela não é chata e fresquinha. É agradável, doce, mas tipo aqueles doces sem muito açúcar. É feito sobe medida de pura beleza revelada em pele branca, tão branca quanto a transparência que tem os nossos olhares em encontro. A gente brinca de ser honesto. A gente gosta de ser transparente e verdadeiro sendo simples e insanos. Somos mais que amigos, somos família!
Eu sempre digo que tem certas pessoas no mundo que Deus escolhe pra serem nossas e trazerem sentido e beleza à nossas vidas e penso, como seria a minha vida sem ela? Não teria os mesmos gritos pela rua. Seriam apenas caminhadas os meus círculos pelas avenidas. Seriam passeios sem cores nas flores, sem sol ou lua, seriam solidão. Mas da vida eu recebi a graça de tê-la em minha estrada e juntos colorimos a vida com brilhos de nossos risos e sons de gargalhas. Da vida eu recebi vida em Júlia.
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