Os dias têm andado cinza
Isso nos dias que o dia anda
Ele não anda
Os dias se congelam turvos
Tons pastéis se misturam às cinzas
Meu estômago queimou em chamas
Se desfez nas lembranças
E elas não chamam por ti
Venha e desinventa a minha tristeza
Ou a distrai no sabor da saudade
Mesmo que não tenha tinta pra colorir o dia
Dê colo pr'eu rir do mesmo dia
E não solta de minha mão
Só ria
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segunda-feira, 11 de maio de 2015
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Pai
Abro os meus braços
Embora cansado dos calos das ruas
Deixo aquela antiga nuvem dos olhos
Lavar o meu riso
Ela cavaca meu rosto, já não infantil
Entre as marcas do que ri e chorei
Arrasta os lixos que as dores deixou
Tatua a gola de minha camisa marrom
Das histórias que queria ter te contado
Entre as escrituras deixadas no piso de casa
E veias sangradas nas paredes
Sinto o teu cheiro percorrer entre os cômodos
Na tevê arranha o som do futebol
Mas sem o incômodo de ontem
Aceito o jornal
Adoro os deus em singularidades
Leio o teu livro
Até juro reviver-te em mim
A cozinha se perfuma da água doce do café fraco
Os cães ladram em cirandas
As plantas florescem
O riso retorna
Refaço as pazes com o tempo
E com o tempo
Ele me canta qualquer conto que fale de paz
Enquanto varro de casa a tristeza
E eu vejo você
E você, sem ser senhor, sorri
Eu, criança, corro
Pulo
E te revelo desenho rabiscado que pintei
E você, sem ser senhor, sorri
Eu, criança, durmo
Sonho
O sonho que farei de teu sorriso um abrigo
Pois as noites ficaram frias
Quem congelam a alma
E a chuva não cai
É, eu preciso de um...
Embora cansado dos calos das ruas
Deixo aquela antiga nuvem dos olhos
Lavar o meu riso
Ela cavaca meu rosto, já não infantil
Entre as marcas do que ri e chorei
Arrasta os lixos que as dores deixou
Tatua a gola de minha camisa marrom
Das histórias que queria ter te contado
Entre as escrituras deixadas no piso de casa
E veias sangradas nas paredes
Sinto o teu cheiro percorrer entre os cômodos
Na tevê arranha o som do futebol
Mas sem o incômodo de ontem
Aceito o jornal
Adoro os deus em singularidades
Leio o teu livro
Até juro reviver-te em mim
A cozinha se perfuma da água doce do café fraco
Os cães ladram em cirandas
As plantas florescem
O riso retorna
Refaço as pazes com o tempo
E com o tempo
Ele me canta qualquer conto que fale de paz
Enquanto varro de casa a tristeza
E eu vejo você
E você, sem ser senhor, sorri
Eu, criança, corro
Pulo
E te revelo desenho rabiscado que pintei
E você, sem ser senhor, sorri
Eu, criança, durmo
Sonho
O sonho que farei de teu sorriso um abrigo
Pois as noites ficaram frias
Quem congelam a alma
E a chuva não cai
É, eu preciso de um...
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Valdemy Braga
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Ainda há amores que morrem em si
Teu ofegar mudou
Não escreve mais pra mim um texto
Monossilaborizou
Soletra sons de um pequeno brinquedo
Suas rugas não sorriem mais
Tua caixa torácica não dilata o esqueleto,
Invertebrado amor
As folhas de nossas árvores acenam para mim
Ensaiam intimidade com o particular conhecido
E eu me desconheço em quarto fechado e coração aberto
Ferido
Atravessado quebranto
As pilhas de teus livros inclinam pra direita
Não caem
Nem pilham as lembranças de nossas sentimentalidades
Que fogem do mundo que capturei em fotografias
Envelhecidas e amareladas na estante
Um instante apenas para me despedir
E despir minha alma da esperança de colorir as lacunas dos cômodos de casa
Casa que casou com a solidão e me dispensou
A tua manteiga com sal embolorou
Segundo a canção que fazia seus passos pelo assoalho
Acorde o teu pão que descansa em coma
E coma de mim um alimento que nos retorne vida em cor
À cor de acordo de acordar pro amor
Não escreve mais pra mim um texto
Monossilaborizou
Soletra sons de um pequeno brinquedo
Suas rugas não sorriem mais
Tua caixa torácica não dilata o esqueleto,
Invertebrado amor
As folhas de nossas árvores acenam para mim
Ensaiam intimidade com o particular conhecido
E eu me desconheço em quarto fechado e coração aberto
Ferido
Atravessado quebranto
As pilhas de teus livros inclinam pra direita
Não caem
Nem pilham as lembranças de nossas sentimentalidades
Que fogem do mundo que capturei em fotografias
Envelhecidas e amareladas na estante
Um instante apenas para me despedir
E despir minha alma da esperança de colorir as lacunas dos cômodos de casa
Casa que casou com a solidão e me dispensou
A tua manteiga com sal embolorou
Segundo a canção que fazia seus passos pelo assoalho
Acorde o teu pão que descansa em coma
E coma de mim um alimento que nos retorne vida em cor
À cor de acordo de acordar pro amor
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sábado, 10 de março de 2012
Desenhar um adeus
Hoje eu vi um pescador no canal jogando com fé sua rede ao mar em busca de peixes para sacramentar sua fome. Vi nas tramas de sua rede os nós que trançaram nossas histórias. Vi as linhas sensíveis que foram tramando nossa união, não sei se elas ressecaram pela força da ação do sol, ou eram apenas fraca o seu atar, mas se desprenderam de si e marcou um rasgo em nós.
Por vezes infindas e colossais o pescador foi lançando e relançando sua rede, mas peixe não viam ao seu encontro, exceto por duas ou três vezes, mas estes vazaram sabiamente por seu furo e voltaram à liberdade do mar. Era livre que eu te queria. Era nadando em seu mundo que eu gostava de te ver e observar. Não te esperava pra mim, te esperava pra nós. Sem nós de ataduras.
Me sinto triste em ver o não nos ver. Sinto-me triste em não reconhecer em nossos bate-papo's a mesma livre espontaneidade de outros tempos. Sinto-me doente em ver que nosso tempo já passou e eu nem tive tempo para ver a estação romper. O peixe morre pela boca e nossos nós morreram por cada palavras que não foram ditas.
A rede tocava na face das águas, mas estas bebiam o toque escondendo o constrangimento que o mesmo causava. Não havia mais intimidade e os dois sucumbiam em seus tristes desejos de fazer o tempo diferente e se unirem como num molhado beijo, mas o mar estava seco, assim como as linhas que costuravam a rede. Ela desenhava o seu adeus nas águas salgadas que agora tocava. As águas absorviam o adeus e sinalizava sua reciprocidade no vazio que colhia tímida a rede, já farta de tamanho esforço.
Hoje me vi como um pescador, reconheci nele a minha história, o meu pirão empelotado. E foi apenas você que em teu olhar eu quis pescar. E foi nosso nós desatados que a imensidão de teu rio desenhou. Num adeus com a profundidade do oceano e doçura que não tem o marque todos as nossas lembranças guardou no mais íntimo de seu ser.
Por vezes infindas e colossais o pescador foi lançando e relançando sua rede, mas peixe não viam ao seu encontro, exceto por duas ou três vezes, mas estes vazaram sabiamente por seu furo e voltaram à liberdade do mar. Era livre que eu te queria. Era nadando em seu mundo que eu gostava de te ver e observar. Não te esperava pra mim, te esperava pra nós. Sem nós de ataduras.
Me sinto triste em ver o não nos ver. Sinto-me triste em não reconhecer em nossos bate-papo's a mesma livre espontaneidade de outros tempos. Sinto-me doente em ver que nosso tempo já passou e eu nem tive tempo para ver a estação romper. O peixe morre pela boca e nossos nós morreram por cada palavras que não foram ditas.
A rede tocava na face das águas, mas estas bebiam o toque escondendo o constrangimento que o mesmo causava. Não havia mais intimidade e os dois sucumbiam em seus tristes desejos de fazer o tempo diferente e se unirem como num molhado beijo, mas o mar estava seco, assim como as linhas que costuravam a rede. Ela desenhava o seu adeus nas águas salgadas que agora tocava. As águas absorviam o adeus e sinalizava sua reciprocidade no vazio que colhia tímida a rede, já farta de tamanho esforço.
Hoje me vi como um pescador, reconheci nele a minha história, o meu pirão empelotado. E foi apenas você que em teu olhar eu quis pescar. E foi nosso nós desatados que a imensidão de teu rio desenhou. Num adeus com a profundidade do oceano e doçura que não tem o marque todos as nossas lembranças guardou no mais íntimo de seu ser.
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