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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Até a tristeza já foi

Eu poderia dar a luz à um filho com toda esta força que faço para chorar. Sinto-me tão seco e solitário que nem as lágrimas me acompanham a presença hoje. Eu também não estou triste, a tristeza também já foi embora.
A gente se faz de tão forte e capaz, não é? Todavia somos frágeis, pequenos, pobres corpos cheios de seus eus. E o apego nunca vai embora.
Aparentemente somos apenas paixões pela beleza que contemplamos no espelho. Mas espelho mente. Se quebrar corta os pés e espalha o meu sangue. No fundo somos todos líquido vermelho. Uns A, outros B, O, negativados ou positivados por natureza. Eu queria ser apenas ar. E flutuar pelo ar. Atrair o meu semelhante.
Parem tudo. Silêncio. Um momento para esta penugem de lágrima que ameaça deslizar sobre minha pele negra e espessa. Os meus olhos esticam os seus braços para tocar o meu peito, pois no meu interior há tantas sentimentalidades não vividas que por entre suas pupilas e íris não conseguiu atravessar o sol.
Traga pra cá tudo, olhos. Derrame um rio sobre mim. Deixe-me chorar de mim e por mim. Desentupa o meu rancor e prepotência. Deixe-me fluir e fruir. Deixe-me ir, sem ter que voltar pra mim.

domingo, 11 de agosto de 2013

Pai dos dias dos pais

A gente se perpetua no sangue
Na cor da pele
Nos riscos das íris
Nas dobraduras em torno das mãos
No andar reto e torto
No ritmo do peito
Nos decibéis da gargalhada
Na dureza da cabeça
Na fluidez do coração
No sentido de vida e não de morte
No norte que nos aponta ao coração de pai
Tipo de pai pra filho
Tipo pra ontem
Tipo pra ontem
Tipo pra sempre
Tipo pra sempre
Sempre de tipo pai

sábado, 10 de agosto de 2013

Eu também serei velho um dia

Minha vó sorriu pra mim
Meu pai gargalhou seu escândalos
Os anjos correram para derramar as chuvas 
Sinalizando que o céu regozijava a alma azul
Ao tocar minha pele a chuva fria foi me aquecendo
A minha infância recobrindo cores
Eu cantei a cantiga que me ensinaram
Falei na língua que me descreveram amor
Dancei no tom da alegria 
Feliz é quem chora por saudades e amor
Ao perceber minha euforia eles foram se descolorindo
Perdendo o tom da tinta no papel
A chuva lentamente se mesclando ao sol matutino
Eles já plantavam caramelos nas árvores do céu
Aqui na terra fomos nos aproximando dos dias
Fomos tarde
Fomos noite
Fomos e partimos
Partimos e encontramos o inteiro
Lembramos o cheiro, o tempero, a voz,
O tom dos sapatos no chão vermelho
Neto cresceu e ficou velhinho
Nos sustos da fala inscreveu o hino
E também foi pai
Foi avô
Voltou ser filho
Deitado na cama cantou pra o seu sono sorrir
Cantou pra papai, vovó e Papai do céu


domingo, 4 de agosto de 2013

C-Oração de neto

As lágrimas que rolam apenas escrevem em minha face as poesias que tua simplicidade me compartilhou.
A solidão aparente se confronta e enfraquece diante à beleza de seus meigos sorrisos que ainda lembro claramente as marcas que os músculos de tua face desenhavam para o inscrever. Em suas rugas eu naveguei rios de emoção. Como eu ri contigo, de ti...!
Impossível não continuar sorrindo. Mas hoje me deixe chorar, gritar, deixe-me ser desesperado em minha dor.
Véia, não se pode conter um Paraíba que corre em direção ao mar. Não se pode conter o meu coração que caminha pro teu agora gelado, parado. Coração malvado que parou para te presentear com o calor e graça do coração de Deus. Hoje Ele deve está sambando de alegria e os anjos na ansiedade de primeira vez ouvir tuas histórias. Conta aquela do lobisomem nas capoeiras de Muzungum. Até Deus vai acreditar que lobo-mau existe.
E Véia, quando se encontrar com o meu pai, apenas sorria para ele. O meu riso é igualzinho ao teu. Ele ficará feliz em me ver através de ti, pois no céu também há saudades.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Carlinha

Carlinha de Paulo, missionária
Não, hoje não é o aniversário dela. Não é para presenteá-la com meus desvaneios poéticos que me proponho escrever. Na verdade, hoje é apenas mais um dia onde vi muito do que ela me ensinou e confrontou, sendo revivido em sinapses de verdades e simplicidades...
(Foi com ela que aprendi este vício de em tudo colocar reticências, rs).
Eu não estou dizendo que ela é a mulher das verdades ou pre-julgamentos ela é simplesmente uma mulher de verdade, de entrega e investimento naquilo que de mais belo e sublime possa existir em toda esta completude de universo: o ser humano.
Carlinha de Paulo é uma corajosa mulher que ama pessoas e vive nos mais insonoros ecos do pronunciar deste verbo "amor" a responsabilidade disto. Ela ama tanto ao ponto de trazer emoções aos meus olhos  ao apenas me esbarrar com esta sua fotografia na net. Não sei se vocês, INsanos e INsanas, conseguem captar, como eu, a beleza que transpassa este minuto capturado por esta fotografia, mas espero que sim, pois se sim, vocês se sentiram amados hoje também.


Carlinha

Poetiza a vida com paixão
E menina fala de seus sonhos
Com o mesmo cuidado de quem brinca de "bem me quer, mal me quer"
E sempre quer bem
Sempre quer mais
Sempre crê que pra amanhã ainda há vida
E amanhece buscando palavras do sol
E gira o sol só pra si
E Compartilha
E ilumina os que se obscurecem do simples medo de se levantar
E sonha mais
Sonha
E anima
Ela é artista
É de simplicidades, mas não simplória
É rica e peculiar
Amante
Discreta
Felina
Evangelista
Surrealista
Ultrapassa as interpretações humanas
Ela é de fé
Não se explica
Se ama
E vive em amor
E ensinando o amar
Idealista
Diamante
Sem pista
Sem rumo
Com o mundo
E com um mundo de emoções pra ser
Carlinha

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sim, eu peco por amar

Nem sempre são de palavras doces que se tempera minhas glândulas salivares. Eu choro e o gosto das lágrimas misturadas aos amargos de meu paladar me produz um sabor diferente do mel que geralmente exalam minhas palavras. O meu humor tem dias que é agridoce. Outros insuportavelmente insípidos.
Eu tenho um problema, confesso, sempre penso ser amado por aqueles que amo e me esqueço que o ser humano é volátil, pragmático, adaptativo e sempre labuta por sua egoísta existência. E o que fazemos do amor, se o amor é entrega?
Este efêmero e desprezível sentimento entregamos à sorte do descaso.  Defraudação? Constante!
Fico no embate solitário e pessoal de entender como pode um ser caminhar por esta mesma terra que caminho e me alimenta e não perceber no pulsar de meus passos que tocam o solo que o mesmo, não desbrava o desconhecido mundo sozinho? 
Como pode o homem em seu cerne animal se projetar sozinho nesta civilização de descobertas, medos e frios? O bom da da vida é ter colo, ter zelo, ter amigos. E eu tenho. Tenho cheiro, tenho pele, tenho calor que me ensoberbece e alegra, como um delicioso vinho oferecido à Dioníso. E interpreto as paixões da vida com coragem e uma sensação de ser nobre e gigante.
Acho que ando tão à flor da pele que qualquer abraço de novela me faz chorar. E eu choro. Choro rios. Choro litros. Choro tesouros e lavo a minha alma nobre, e assim tempero os risos que sei que darei amanhã, quando o amor chegar outra vez e outra vez mais. E de de vez enquando sozinho!

domingo, 22 de abril de 2012

INsanos: Manifesto do sonho, amizade e amor

Marco Antônio Abreu, estudante
Às vezes as pessoas me perguntam de onde vem tanta inspiração para tal mundo INsano. Eu respondo: Eu me inspiro nas pessoas que me relaciono, nas imagens que capto pelas ruas e elas trazem à tona em mim o meu melhor inexplorado.
Dando prosseguimento às ilustres participações de meu-nosso mundo de INsanidades, ele não poderia ficar de fora... por escolha livre nos tornamos irmãos e por acaso temos na vida o mesmo valor e sensibilidade. Fidelense nato, amante do Vasco ( é, ninguém é perfeito), apaixonado pelos amigos e queridos por todos, Marco Antônio Abreu hoje nos compartilha de sua efêmera e inteligente forma de ler o mundo. E tenho que dizer, esta rapaz é um dos maiores pensadores desta Cidade Poema. Obrigado, irmão!



Sonhar é o que mantém a nossa vontade de viver. Nos alimentamos de sonhos, tão diariamente como o ar que a gente respira!
Para viver basta apenas ser feliz, acreditar em um futuro melhor e ir trilhando o caminho que leva à realizar seu sonho. Isso sim é construir um futuro... Hoje em dia quase não temos esperança e os sonhos entraram em extinção. Vivemos como se fôssemos máquinas humanas e não seres humanos.
- Mandou bem, Marco. Tem um texto meu, antigo, que penso sobre este lugar que temos trilhado como humanindade e chego a comparar o humano à monstro, como se passássemos hoje por um processo forçado de mutação. Seríamos monstro sapiens? - 
O amor se tornou um dos grandes problemas da atualidade. As pessoas têm que aprender a saber o verdadeiro significado e a verdadeira atitude do amor. Quando a gente ama deixa a pessoa livre. A liberdade é a porta pro amor só ela te diz se ama ou não, pois amor que é amor nunca vai embora. 
- Não sei, irmão. As pessoas mudam e os seus sentimentos também, Um processo natural! Ou talvez, mudam por que buscam no amor apenas a projeção de si? É, você tem razão. - 
Não ter vergonha de demonstrar os sentimentos é uma prova de amor. Amor vai muito além de cara-metade. Amizade, por exemplo. Esse sentimento é sentimento de irmão, de família, e todos nós somos dignos de amar. 
Amizade é quem enxuga nossas lágrimas derramadas pelo amor, pois quem acha que o amor é um conto de fadas se engana. Pra ser sincero, para você amar mesmo, certamente sofrerá por esse amor. Mas a amizade vai muito além disso, ser amigo é estar disposto, ser sincero, é ter até opiniões contrárias, mas uma proteção e cuidado incomum pelo outro. Ser amigo é ser irmão apesar das diferenças.
Talvez o segredo da vida, e a fonte da felicidade esteja na junção dessas três coisas, você como homem não pode ter medo de andar pra trás, de admitir um erro, a gente só aprende caindo. Sonhar é não ter medo da queda, mesmo se ela for absurdamente grande, amar é dar liberdade e o direito de uma outra pessoa amar. E a amizade é ser incondicionalmente irmão.

INsanos e INsanas, é incontestável, este rapaz me ensina muito. Me ensina a ser simples e grato! Abraços, Marco. Abraços, Chico! 





segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Outra vez sobre amor

No left e no right de minhas pequenas caixas de som ela canta sua dor, adocicada pela beleza de sua voz acordeada por notas suavemente tocadas num clássico piano de calda. Paradoxalmente suas notas de dor e amargura eram delicadamente esculpida naquelas teclas alvi-negras como estaca no peito do Drácula que sangra a fome de se hospedar em meu corpo. Havia dor eterna.
Não poderia ser outra a embalar os picos dramáticos da dor da saudade que ardia em meu peito. Eu não pedi para me apaixonar. Tampouco me dispus para desbravar o amor, mas ele salientemente chegou pra mim. Tua falta de educação e compostura me roubou o sossego de viver simples e inteiro pra mim. Risos, agora rabiscam em minha face, como criança sem controle motor desenhando seu sonho num papel com giz-de-cera. Não era eu inteiro sem a tua companhia que me preenche de sentimentalidades que como poeta da vida e amor, desconhecia. Você me apresenta à mim. Isto, quando amamos somos apresentados à nós mesmos, como se nunca tivéssemos nos visto no espelho. Há certas sentimentalidades que não se esboça na pele como maquiagem que defini nosso sexo e ousadia. Certas sentimentalidades apenas nos rompem quando pedras lançadas repentinamente nas ruas nos agridem e então, nos vemos estúpidos e tolos. Quem sou eu depois de você?
Tantas vezes falei de amor e paixão? Quantas vezes disse estar apaixonado ou amando? E quantas vezes amei? Quantas vezes você passou por mim? Não sei. Mas retorne à mim e me faça me sentir estranho e em casa outra vez. Você que me faz me sentir meu amor, você me ensina um amor por mim que desconheço, mas não temo. Me sinto herói. Me sinto gigante, homem!
Me lance no ar outra vez. Como pássaro liberto da gaiola quero voar, mas com você sei que pra ela tenho que voltar. Apenas por uma questão de proteção. Você me protege de meus próprios sentidos de desbravura. Me equilibra em selos que rompem virgindades e me revela outras cores além das que penumbram em meu armário cheiroso a mofo e inverno.
Notas agudas agora afinam em uníssono notas finas desta voz que conta minha alegria em tom de melancolia. Sou o único ser em amor neste mundo cheiro de amores declarados como um vazio bom dia. Sou eu quem outra vez queria ouvir você me falar com o gosto de cigarros e vodca de teu beijo tímido. Beija-me outra vez e desvele à nós dois do amor ou qualquer coisa parecida da qual como poeta não encontrei nome para chamar.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Unfollow

Eu precisei desenhar pra mim as profundidades das rasuras que teu unfollow me assinou. Todavia eu não chorei, embora sentia que minhas pupilas estavam ilhadas, como cidadelas neste verão de janeiro. Mas o verão não mais aquecia teu nome, nem me chamava para o teu mar calmo e belo. Este verão inundava minhas saudades, num banho de água fria e seca.
Era muito mais que um jogo social, foi de minha casa aberta e meu mundo transparente que fantasiei nossa realidade virtual, como num cartaz de uma peça qualquer. Eu senti a confirmação desta exclusão sangrar uma dor estranha em mim, mas eram de risos que eu respondia. Eu confiei em você, e só agora vi que me permitir de fato ser eu e entregue. Vulnerabilizado pela simplicidade que tua idade me comunicava.
Meu Deus, como podemos ser tão imundos simplesmente por amar?
Talvez fosse pelo erro de amar quem de mim não era próprio, mas apenas um produto que me vendia sensibilidades e talento. Eu me envolvi no esquecimento de que onde se ganha o pão, não se come o beijo. Errei por dedicar a minha ingenuidade e beleza.
Caramba, como me sinto pequeno e inválido agora. Como me sinto um nada. Como me sinto sem cinto, sem segurança ao encontro do colapso de tuas mãos que assinaram disfarçadamente o delete.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Eu dancei com Jesus

As palavras que ele foi pronunciando foram aos poucos acalmando aqueles espasmos que me entorpecia a mente. Ele tinha o dom das palavras doce e que em meu peito produziam vida. Era uma voz semelhante à muitos rios, uma avalanche de sentimentalidades de amor, diferente de todos os outros amores que já havia experimentado, ou que já me experimentaram.
Ele atraia pra junto de si, me seduzia com raios de sol e de repente um relâmpago escreveu meu nome no céu. Eu soube que era sonho, até que choveu e um banho de água fria aqueceu meu peito e eu cri novamente em mim, no instante que cria em si. Eu dancei. Eu dancei. Dancei com Jesus.

sábado, 12 de novembro de 2011

Valdemypolitano

Eu não vou ficar a mercê dos julgamentos que me qualificam como um pirralho imaturo que nem mesmo se limpar ainda sabe. Não vou permitir intrusos interpretarem meu mundo que apenas eu habito. Não será construído em mim nações predadoras e exploradoras. Não vou.
Hoje transitei entre a dor e a alegria de reencontrar a beleza que me desbota o riso. Hoje vi pássaros verdes colorirem meu céu de esperança que em sua tumba descansava enfraquecida. Hoje eu vi você, como um céu azulado escuro abraçado por brancas nuvens que te aquecem o peito. Vi em teus olhos um sol florescer em minhas entranhas e desabrochar antigos botões de sentimentalidades. Louvado seja o santo que em seu escapulário estendia pra mim o perfume de teu corpo, ele servia como em santa ceia o teu sangue perfumado por águas florais, aquáticas e frescas, me inspirando liberdade, juventude e desequilíbrio por amor pela vida. A fragrância que nunca me esqueci, nunca confundi, nunca abandonei. Teu cheiro era em minha solidão o Cristo que na curvatura de tua coluna vertebral eu vi sacrificar o seu amor. Apenas por amar você!
Eu poderia conferir aos astros ou magos o discernir de minhas dores, mas somente você num sorriso de repente me descobriria as flores. Posso jurar o ódio, mas reconheço no meu pavor e indiferença toda natureza que em meu peito rumina vida por você. Posso jurar em nome dos deuses ou dos anciões, mas quando eu falar em minha língua verá em ti o amor mais lindo ressoar outra vez.