Eu que de tanto gargalhar
Engasguei
Penetrados foram meus pulmões pelo gás da dor
Aguei a boca de tanto amargor
Bebi dos sucos de tuas vísceras
Bebi sem ter com quem brindar
Sete longos anos sem trepar me esperam
Mas a insônia é como uma amante
Que mesmo encharcada de gozo e prazer
Ainda escala montanhas à procura de novos mananciais
E eu sequei em mim
Fundi em banho-maria o pau de minha cara
Endureci o coração com lascas de mármore
Dispensei a febre e pus o ar ártico no lugar
Masturbo-me em meu ego por esquecer
Que à dois ou três seria melhor
Em silêncio afiado,
Feito o punhal que me contempla
Interrompido pela execução do perdão
O constante mantra que minha mente entoa
Para acalmar os resquícios do meu coração
Das lembranças amargas que saboreei
Calado
Porém sorrindo
E só
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
A deus sob sete palmos
Abraçada sou pelo concreto da caverna
Por entre os poucos feixes de luz que invadem a tumba
Permito minha pele se despedir das lamúrias da existência
Por entre o medo é o horror vou debulhando os grãos de minha lágrima
Choro em silêncio
Choro em gritos silenciados pela dor
A dor que despeço agora
Ela que me despedaçou por hora me encontra à mim
Que ódio tenho da vida que levei
O rancor se perpetua em minha carne
E costura a musculatura e ligamentos de meu falso riso
Tão estúpido quanto os olhares aos quais se dirigiam
O ódio se afeiçoou à mim
E eu descrente da esperança me entreguei a ele
Como virgem que romantiza o desmatar de suas matas
Ele massacrou meu verde e instituiu estradas
Que a nada leva se não ao jogo de me perder
Violentada fui por tratores que não trataram de cuidar do que roubaram
Maculada fui por pés descalços que me juraram resiliência
Eu fui destituída de meu prazer
Fui corrompida por puro prazer
Fui sem ao menos ser
Porém hoje de mãos dadas ao destino
Me repouso sob sete medidas de meus caminhos
Sepulto viva o meu pesar
Com peso e pessoal me deixo ir
Me tento
Me pecado
A cada dia que passo ultrapassam os meus ais
E desconheço uma razão plausível para continuar moribundo
Apodrecem os meus sonhos em mim
Apoderam-se de meus ossos a dor
Fina, aguda, silenciosa como a prostituta da luz vermelha
Essa goza múltiplas nascentes por naufrágio de mim
A cada dia que passo ultrapassam os meus ais
E desconheço uma razão plausível para continuar moribundo
Apodrecem os meus sonhos em mim
Apoderam-se de meus ossos a dor
Fina, aguda, silenciosa como a prostituta da luz vermelha
Essa goza múltiplas nascentes por naufrágio de mim
Que deus se perdoe, de por capricho e egoísmo
Depor favorável às Irínias e conceber à mim
Depor favorável às Irínias e conceber à mim
A deus entrego o adeus de minha carne
A deus entrego o que não prestou
E restou de si
Eu me entrego
A deus entrego o que não prestou
E restou de si
Eu me entrego
A man!
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quarta-feira, 25 de novembro de 2015
In tensões
Se a força eu tivesse
E o meu cristo morresse
Não seri eu o contador de minha história
Eu seria o som que se movimenta de sua boca
Que se costura em suas cordas vocais
E enforca minha reputação
Se a força eu tivesse
E o meu bicho morresse
Não seria eu o perdão que te libera
O egoísmo que te acalenta e sorri generoso
Eu seria a agulha que estupra a tua fronte
O ar que foge de teus pulmões
E sequela o teu tino
Se a forca eu tivesse
E o meu cristo vivesse
Eu seria suicídio.
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terça-feira, 24 de novembro de 2015
Escombros
Retiro a acelga da geladeira
Desligo a tevê e Wi-Fi
Tempero com sal e alfavacas um bife de terceira
Eu que era vegetariano me alimento de sangues
Frio
Eu que era vegetariano canto um novo drama pra mim
Ponho à mesa minhas solitudes
Disponho no corpo reais frustrações
Distraio o choro
Retraio o riso
Eu traio à mim em silêncio
Caio em mim em gritos que nunca esbocei
Mas são os mesmos que me sufocaram
Os mesmos que focaram o meu peito por moradia
E fincaram com jeito as armadilhas
Que me inventaram arrepios e pios
Ventaram sobre mim calmaria
Com porcão de cal que me caiou
E escondeu o esqueleto
Que resultou da carne fétida
E de terceira
Me alimento de mim fracassado
Tenho por sobremesa o coração assado
Com juras e boas intenções
Em tensões preliminares vou vomitando minhas destrezas
Rezas por mim
Pelo nome e amor de Deus me liberes
Do encontro com os escombros da casa que sonhei pra mim
E ti
Desligo a tevê e Wi-Fi
Tempero com sal e alfavacas um bife de terceira
Eu que era vegetariano me alimento de sangues
Frio
Eu que era vegetariano canto um novo drama pra mim
Ponho à mesa minhas solitudes
Disponho no corpo reais frustrações
Distraio o choro
Retraio o riso
Eu traio à mim em silêncio
Caio em mim em gritos que nunca esbocei
Mas são os mesmos que me sufocaram
Os mesmos que focaram o meu peito por moradia
E fincaram com jeito as armadilhas
Que me inventaram arrepios e pios
Ventaram sobre mim calmaria
Com porcão de cal que me caiou
E escondeu o esqueleto
Que resultou da carne fétida
E de terceira
Me alimento de mim fracassado
Tenho por sobremesa o coração assado
Com juras e boas intenções
Em tensões preliminares vou vomitando minhas destrezas
Rezas por mim
Pelo nome e amor de Deus me liberes
Do encontro com os escombros da casa que sonhei pra mim
E ti
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segunda-feira, 26 de outubro de 2015
R.I.P
Suddenly
Houve um ou dois suspiros
E tudo se fez black and blue
Os antigos coloridos das vestimentas
Se tonificaram no rubro que escapava dos olhos
Eram salientes as manobras que a vida escolheu
I wish I could cry or
Kill all the things I have within my alma
We are so cruel to each other
That we forget we're also another
Goddam!
Perceptível é a mazela humana
Quando a felicidade do outro
Começa a nos incomodar
E finda com o last of drop of beauty you had
Please, quando eu partir não velam o meu corpo
Depositando sobre ele a atenção que nunca me deram
Quando eu partir let me go
In peace
With all the piece de mim
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