Teu ofegar mudou
Não escreve mais pra mim um texto
Monossilaborizou
Soletra sons de um pequeno brinquedo
Suas rugas não sorriem mais
Tua caixa torácica não dilata o esqueleto,
Invertebrado amor
As folhas de nossas árvores acenam para mim
Ensaiam intimidade com o particular conhecido
E eu me desconheço em quarto fechado e coração aberto
Ferido
Atravessado quebranto
As pilhas de teus livros inclinam pra direita
Não caem
Nem pilham as lembranças de nossas sentimentalidades
Que fogem do mundo que capturei em fotografias
Envelhecidas e amareladas na estante
Um instante apenas para me despedir
E despir minha alma da esperança de colorir as lacunas dos cômodos de casa
Casa que casou com a solidão e me dispensou
A tua manteiga com sal embolorou
Segundo a canção que fazia seus passos pelo assoalho
Acorde o teu pão que descansa em coma
E coma de mim um alimento que nos retorne vida em cor
À cor de acordo de acordar pro amor
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Ainda há amores que morrem em si
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terça-feira, 23 de outubro de 2012
Me transa em tranças destrancadas
O teu mar afoga o que em meu ser inunda
Encharca as salivas que se produzem em minha boca
O teu mar me abraça como eu oferenda pura
Ao mesmo tempo que me rejeita em ondas frias
Eu te devoto como santo desprotegido
Eu te inscrevo em meus alimentos santificados
E o devoro faminta e sedenta
E não me satisfaço de minhas intrigas
Brigo comigo para justificar os teus erros
E os lanço de volta ao mar
Nas profundezas dos espaços que rasam o teu amor
Submerjo os meus caracteres de emoção
Sufoco o meu rio que procura teu mar
Se desenho terra seca em minha pele
Ao ponto que meus hormônios dançam a chuva
E ela cai seca
E seca o meu riso caído
Destroça os guarda-chuvas que me irrigam
Desprotege o meu cais
Será que choverá esta noite?
Me destrança os cabelos que roubei do mar
Tirei de suas virtuosidades a segurança
E rendi a minha vida
Consagrei
Me destranca as comportas do céu
Que se esconde acima do céu
Me transa
E então fluirão os meus rios ao encontro de ti
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Valdemy Braga
domingo, 21 de outubro de 2012
Amor num buquê de flores
Sim, eu amo por amor
Eu amo por pavor
Eu amo por querer amar
Enfim, eu canto desamor
Espanto o por favor
Meu pranto é te ver me amar
Não sei quantas flores te darei
Talvez as rosas roubarei
Não desenho em pétalas coração
Não sei se tua graça viverei
Talvez a desgraça eu terei
Não desenho em corpos emoção
Eu amo por pavor
Eu amo por querer amar
Enfim, eu canto desamor
Espanto o por favor
Meu pranto é te ver me amar
Não sei quantas flores te darei
Talvez as rosas roubarei
Não desenho em pétalas coração
Não sei se tua graça viverei
Talvez a desgraça eu terei
Não desenho em corpos emoção
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Deus me fez anjo, mas a vida me possibilitou também demônio
Ao me ver passar não olhe os meus rastros
Meus caminhos não são seguimentos para covardia
Quando virar minhas costas não pronuncie o meu nome
Minha presença não é lixo para alimentar tuas iras
Não cole em mim
Por que dentro de meu estômago há um mundo de trabalhos mal feitos
Que me alimentam, sustentam, tornam homem de carne e osso
Que costuram em torno aos corpos os pecados maestrais
Não sou santo de pau oco
Tenho vida escondida por detrás desta santidade
Não sou sepulcro caiado
Sou sujeira que se banha para viver
Não sou puro, nem imundo
Sou eventualidades
Sou processo que processa sentimentos
Gases que implodem estúpidas convenções
E espalham no ar o colorido do medo da vida
Sou nobre e franca honestidade
Sem cera, sincero, negro
Sou filho de deus e nele encontro minhas tristezas
E são delas que se animam minhas pernas
E percorrem o mundo virgem
Que sangram com a penetração de meu pé
Sou aquele que destrói
Sou aquele que modifica
Sou daquele que não tem dono
Mais livre que o ar que falta em meu pulmão
Eu sou gente, sou humano
Sou aquele acerto que deu errado
Sou estes olhos que me lêem torto
Por cima dos ombros caídos
Estas bocas que me pronuncia cheia de salivas de condenação
Sou estes ouvidos que se constrangem ao reconhecer a própria voz
Anjo esculpido por deus e habitado em terras demoníacas
Prazer em se reconhecer?
Meus caminhos não são seguimentos para covardia
Quando virar minhas costas não pronuncie o meu nome
Minha presença não é lixo para alimentar tuas iras
Não cole em mim
Por que dentro de meu estômago há um mundo de trabalhos mal feitos
Que me alimentam, sustentam, tornam homem de carne e osso
Que costuram em torno aos corpos os pecados maestrais
Não sou santo de pau oco
Tenho vida escondida por detrás desta santidade
Não sou sepulcro caiado
Sou sujeira que se banha para viver
Não sou puro, nem imundo
Sou eventualidades
Sou processo que processa sentimentos
Gases que implodem estúpidas convenções
E espalham no ar o colorido do medo da vida
Sou nobre e franca honestidade
Sem cera, sincero, negro
Sou filho de deus e nele encontro minhas tristezas
E são delas que se animam minhas pernas
E percorrem o mundo virgem
Que sangram com a penetração de meu pé
Sou aquele que destrói
Sou aquele que modifica
Sou daquele que não tem dono
Mais livre que o ar que falta em meu pulmão
Eu sou gente, sou humano
Sou aquele acerto que deu errado
Sou estes olhos que me lêem torto
Por cima dos ombros caídos
Estas bocas que me pronuncia cheia de salivas de condenação
Sou estes ouvidos que se constrangem ao reconhecer a própria voz
Anjo esculpido por deus e habitado em terras demoníacas
Prazer em se reconhecer?
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Sobre estas paradas de amor e paixão
Quero um amor que não me dê rosas
Que conte mentiras e fale em prosas
Quero um amor desnaturado em si
Quero uma paixão que invada o peito
Que aguce o medo e confunda o leito
Quero um amor enraizado em si
Espero a paixão, humanidade, entrega
Espero o desejo, o finalmente e calafrio
Quero o amor, insanidade, espera
Espero o insejo, o advérbio e o cio
Que conte mentiras e fale em prosas
Quero um amor desnaturado em si
Quero uma paixão que invada o peito
Que aguce o medo e confunda o leito
Quero um amor enraizado em si
Espero a paixão, humanidade, entrega
Espero o desejo, o finalmente e calafrio
Quero o amor, insanidade, espera
Espero o insejo, o advérbio e o cio
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