O tempo parou
E nesse meio tempo
Fiquei meio que...
Ah, não sei o que queria dizer
Mas disse
Eu confessei o meu mal
E mal tive tempo pra...
Com fé sei...
Não, não sei
Sem tempo fica difícil ficar
Com tempo fica fácil fixar
E eu fissurei o contra-tempo
Não que fosse contra o tempo
Ou o tempo contra mim
Éramos conta-gotas
E de gota em gota desgastamos o gás
Gostamos dos desgostos
Outros nos tornamos
Sem ter
Sem ter
Sentido
Não operante
Errante no tom da ópera
Sem tempo pro que antes era dom
Erra o som
O bom da coisa
A tal coisa coisada
O mau coise que opera o com do tempo
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Esqueci do que iria escrever
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Valdemy Braga
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Gozo, peido e paixão
O que buscava era qualquer dor que lembrasse o rosto que me feriu. Qualquer tom, qualquer quer, qualquer qual.
É que chega um momento na paixão que a única verdade que podemos exibir é a mentira. Tiras de fantasias são amarradas aos laços de fidelidade. O engraçado é pensar que nem fiel à mim fui.
Armadilhas brancas são costuradas às estabilidades transitórias. Juras que cobram juros sem correção, mas erros libertinos. Risos são trocados por gargalhadas. Arrotos e peidos amargos por educação fria e cognitiva. As rugas salientam-se como profundos rios que nunca naveguei, nem ri. Águas que nunca fluíram em meu gozo. Gozado imaginar que hoje estamos secos. Ou encharcados de tantos esforços.
Eu morreria hoje se hoje me amasses. Ouvi dizer que era pra sempre o amor e a morte um até breve. Eu te veria outra vez e outra vez haveria o amar.
Se preciso fosse eu iniciaria uma guerra. Silenciaria as batalhas que travo com meus pulmões. Se preciso fosse eu deixaria de precisar. Apenas seria penas. Ar. vento. Calmaria. Mas não seríamos paixão. Caixão.
Eu revi minha mágoas. Cada puta que amei e não pariu a graça.
Se o nosso olhar se cruzasse at least por uma vez mais, descobririam os intentos que tramamos contra os queres. Querer querer não querer mais.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Toda verdade sobre mim é mentira - PARTE II
Hoje vi uma borboleta. Sei que pode não haver absolutamente nada de interessante em começar falando isso. Borboleta. O que são borboletas? Mas me perguntei: quantas vezes vejo uma borboleta na semana? No ano? Na vida? Vejo lagartas em todas formosuras que conheço.
Poucas coisas têm mudado em minha vida. Meses passados eu mudava de grande amor a cada transa. Trepe, gozei, beijei na boca? Deixei de amar. Agora sinto-me preso ao último adeus que soletrei. E me pergunto se deveria ter me despedido com um "eu te amo". Por que as mulheres querem tanto ouvir isso, caralho? Se ao menos houvesse me pedido antes da transa, seria mais fácil, teria um motivo, razão e circunstância. Mas de graça? Gratuitamente, pra que mentir? Mas quer saber de uma coisa? Saquei algo. Amor castrado não é como coito interrompido, como costumo dizer. Amor castrado é como amor castrado, não vivido, podado. Não há outros parâmetros de comparação. É foda! Quero dizer, não é... O homem quer fuder. As mulheres querem que os homens se fodam. E assim seguimos o instinto de nos satisfazer. Esquecemos que há uma parte que também gozaria tão igualmente daquele momento. Só momentos...
(AARON e CINDY se encontram na bancada de um bar)
CINDY - Você tem fumado mais que o normal.
AARON - E você parece muito bem.
CINDY - Obrigada. Fui ao salão hoje. Percebeu. (Risos)
AARON - Tá sozinha?
CINDY - Ninguém nunca tá sozinha a essa hora no Print's... Estou com a tequila.
AARON - Tequila te...
CINDY - Tequila não "me". Tequila "nos". (Vira a tequila e beija ardentemente AARON)
AARON (Rindo surpreso) - Cindy.
CINDY (Levanta o anelar direito para o garçon, indicando outro shot) - Aaron Ford.
AARON - Eu estava achando que a gente...
CINDY - Achando? (Ri) Eu já encontrei. (Debruça no balcão) Disfarça e olhe pra trás. O moreno alto, forte, cabelos curtos e de camisa azul claro...
AARON - É o Marx.
CINDY - Sabe de uma coisa!? Ele beija bem, muito bem. Pegada, dança, pau, calor... Mas não fuma. E nada melhor que o gosto de tequila e cigarro misturado. (Risos)Tesão! Se importaria de me dar um...? Cigarro.
Sabe quando vem aquela vontade avassaladora de chorar? Dizem que ela nos atinge como um chute bem dado no saco, exatamente no ovo esquerdo - esse dói muito mais, uma dor que persiste, aguda. Eu nunca tive essa vontade. Em toda minha vida, chorei apenas uma vez. Mas não vou falar sobre ela. Eu nunca falo sobre. Nem a menciono. E já mencionei. Sou cercado por muita gente que chora pra se convencer de que sofre. Testificar a dor, carência, perda. Gente que troca atos de piedade e falso amor por mazelas de sofrimento. Valha-me Deus. Apenas observo o jogo que se constrói em volta do querer e o desdenhe. Nega que me quer que te convenço a me querer. Sem paciência pra tamanha brincadeira. Quando eu quero, eu quero mesmo. E quando não me quererem, poucas vezes me faço me quererem. Pra quê? Mas dou corda. Bato palmas pros loucos dançarem. Até que percebam que sou eu o meu querer. Minha masturbação. Meu gozo. Eu ri agora. Ri pra caralho. Porra! Meu antigo terapeuta sempre dizia que eu me desminto a todo momento. Eu continuo dizendo que ele deveria tomar no cu. Terapeuta da porra! Vou levantar agora dessa cama e fumar um baseado. De leve. Verde esperança. Paz! Tranquilidade. Agora estou olhando perdido para o teto. Eu não disse, mas nem sai da cama, o baseado sempre fica nessa caixinha preta com recortes de filmes em PB colados. Coisas que herdei dela. Essa cama... Não havia me dado conta do tanto que era imensa. Sabe quando vem aquela vontade avassaladora de chorar? Então, acho que caiu um cisco no meu olho.
Será que amanhã eu poderia te contar que nunca brochei?
[...CONTINUA...]
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Toda minha verdade é mentira - PARTE I
As pessoas
tendem a nos julgar segundo os seus próprios medos e fraquezas. Se não
temêssemos tanto os efeitos das drogas, viveríamos todos mergulhados em gostos
e cheiros de maconhas ou sintéticos. Drogas não tem esse nome porque não
prestam. São drogas porque se fossem doces a julgamento seria em torno de que
engordam. Não vou dizer que não estou fazendo apologias, não me sentiria um
ponto e vírgula culpado se tuas forças te motivassem ao primeiro teco. Na
desculpa, é claro, ter sido sugestionada por mim.
O meu vício foi
e é esse senso de liberdade que corrói minhas veias, engano-me a mim no
propósito de ser dono de meu nariz e razões. Hipócrita, eu sou. Somos todos
escravos de nós mesmos. No anseio de o outro dominar.
(AARON e CINDY
sentados lado a lado no sofá bege. O menor do conjunto de três e dois lugares.
AARON bebe uísque, fuma e balança as pernas. CINDY enrola os cabelos com os
dedos. Ambos olham fixamente pra frente)
AARON - Por que tá chorando?
CINDY - Não sei. Acho que mesmo sabendo que não é você tem uma parte de mim que queria que tivesse sido.
AARON - A gente vai continuar amigo.
CINDY (Roendo a unha do anelar esquerdo) - Não, Aaron. A gente para aqui.
AARON - Por quê?
CINDY - Porque já tem muita parte de mim dentro de você. E eu que dei. Me dei. E já não posso reivindicar.
AARON - Se arrepende...?
CINDY - Eu vivi. E é essa história que vou contar.
AARON - Boa?
CINDY - História.
AARON - Boa?
CINDY - Toda história fica boa um dia. É só esperar.
AARON (Vira todo o uísque) - Eu...
CINDY - Não. (O encara) Você não foi a pessoa que mais amei.
Ando
meio assim. Ando meio anão. Ando pela metade. Desando. Talho. Azedo. Avesso.
Ando meio talvez. Pra não assumir minha culpa fui incorporando esta mentira no
meu diálogo. A mentira de que havia amado. Eu nunca a amei. Desejei. E tive.
Penetrei e exorcizei de meus músculos toda sorte de volúpia e paixão. Tendemos
confundir o que é ótimo no agora com o que poderia ser bom no pra sempre. Eu só
queria o ótimo, perfeito. E acabou. Fui me convencendo de que era verdade o meu
conto, afinal, poderia contá-lo mil vezes ou mais. Sou paciente... Assim como
esse trago de cigarro que agora dou e não libero. Fumo a fumaça. Essa sim me
preenche e dá prazer. Tomo um gole do uísque e umedeço as palavras que nunca a
disse e a fumaça sussurrará feito incenso. Lenta. Bailarina. Ladra.
Prostituta. E amiga. Mas não era essa exaltação que ansiava o meu deus.
Libero-a lentamente. A fumaça. E ela. Torno a tragar. Posso contar essa mentira
que criei pra nós pelo resto de nossas vidas, mas ela nunca deixará de ser
mentira. Contando e recontando, no máximo, ela passar a ser a nossa realidade.
E o REAL nem sempre é o VERDADEIRO. E o verdadeiro é essencial?
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quarta-feira, 11 de junho de 2014
Sobre sintomas de pré-apaixonar
Um nó
fita e embrulha o peito
aperta o estômago
seco
torce a lágrima que cai
para que caia minha cor
e ela não para
macula o meu jeito
torto
magro
eu
só
torço pela perda
do peito
e deito
esqueço e lembro
o rosto queima
o coração cora e congela a saliva
as mãos acompanham o balanço das pernas
danço agora sem música
eu
e os pensamentos
sobre o peso do travesseiro
travesso e leve
sem razão
sem ação
são os nunca é
é o sempre seria
você
fita e embrulha o peito
aperta o estômago
seco
torce a lágrima que cai
para que caia minha cor
e ela não para
macula o meu jeito
torto
magro
eu
só
torço pela perda
do peito
e deito
esqueço e lembro
o rosto queima
o coração cora e congela a saliva
as mãos acompanham o balanço das pernas
danço agora sem música
eu
e os pensamentos
sobre o peso do travesseiro
travesso e leve
sem razão
sem ação
são os nunca é
é o sempre seria
você
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