sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Verão em invernos

Quando passou a cor do outono 
Eu deixei de vestir o coração que me deu
O descansei com respeito no nosso guarda-roupa 
Troquei os tons avermelhados das folhas
Pelos acinzentados vestidos da última estação 
Não era porque você deixara de ser canção 
Simplesmente deixei de dançar aquele tango
Minhas pernas estavam cansadas do mesmo 1,2,3
E meus dedões calejados do conhecido peso de teu pisar
Meu corpo ansiava por coreografia nova
Meus cabelos necessitavam de outros ventos
Outros bagunçar 
Entende?
Sim, você sempre entende
E eu só queria ser confundida
Fundida entre ideias incongruentes
Fodida em verões constantes em meu equador
Você nunca encontrou,
Mas em meu equador represava um rio
Que quase secou na ausência de tua penetração 
Não se desculpe, ex-amor meu
Não se turbe
E fique com a paz que me ofereceste 
Troque teu luto 
Pelo branco-pastel que lhe cai bem
Circule tua ciranda
E quando partires desocupe do meu guarda-roupa 
A parte que não lhe pedi
Ainda sim,
Obrigada 


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Leva eu

O meu corpo chamou pelo teu
Mas teu toque era frio
Tuas mãos seguiram meu som
Houve asco, calafrios

É estranho encontrar o amor
Tons agora desconhecidos
Fui o teu corpo ardendo em calor
Hoje corpo apodrecido

Leva eu
Entrega eu pro ontem
Lava eu
Enterra eu no ontem

Leva eu
Oh, leva eu

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nuas, frias e secas

Me despedi
Despi das eternidades ditas
Pedi reembolso das despesas do mês passado
E sai com o rabo entre as pernas
Feito cão abandonado caminhei pelas ruas
Nuas
Frias
Secas
Encharcadas estavam apenas minhas meninas
Até os olhares que elas gritavam eram rachados
Suas palavras desenhavam os ecos de minha cabeça
Elipses infantil de tumultuadas dores
Secas
Nuas
Frias
Quentes estavam apenas a tatuagem que estampou em meu rosto
Até o riso que ensaiava ironicamente era gelado
Por me amar, se tornou cópia de meu amar
Carimbos de protestantismo afetivo em tintas azul e vermelha
Frias
Secas
Nuas
Cobertas estavam apenas as lágrimas que derramei depois
Depois que me despedi da prisão por amar
Sem reembolsado ser do coração que entreguei

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Em meio tom

É breve
Tão leve como a maré 
Disfarça entre as vogais
Suas mãos de veludo 
E desbota as cores dos lençóis 
É o riso no luto
Melancólica sinfonia 
Agressões escondidas entre notas
Foram desafinados desatinos
Gritos agudos calados
E que calejou 

É breve
Tanto deve quanto o ré
Disfarça entre os cais
Suas mãos de intruso
E sabota as dores dos bemóis 
É o friso do reduto
Melancólica companhia 
Agressões reveladas entre cotas
Foram mal finados destinos
Gritos graves falados
E que falhou


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Amores sem fundos

Disse "obrigado, abraço" e um riso escrito em "rs"
No interior era tomado pela razão de que isso não se agradecia
Filia-se entre os nós que faleciam
Que não descansa em paz
E se cansa de paixões
Como um câncer
E era de touro com os pés no chão
Quando o amor fali e resta a educação o corpo inflama
Outrora inflamado por desejos
Agora congelado por despeitos
Antes houvesse pavor, dor e descontentamento
Quando os íntimos se distraem o que resta é vazio
E nele se atraca o meu âmago
Amargo ele se refaz em manhas
Todas as manhãs se desfaz das lingeries mal-dormidas
E se alimenta dos mal-comidos banquetes
Pus a banca e não banquei o meu peito
Assinei cheques de amores sem fundo
Fundi-me em banho-maria
Banhado de ira me fudi em copo sem fundo
Creditei o cu como garantia
Acreditei que haveria refluxos
Por Crer, ditei luxos contínuos
E leiloei a mim
Quando o estômago do amor se satisfaz, o que resta é o arroto
E nesse som não reconheci meu nome 
Por fim a conta paguei
Sem me dar conta de que já houvera sido contada essa estória
Sem me dar contra a parede
Nem entre as coxas 
Ele disse: pare de encontrar
Desencontre e entre
Eu parei
E ele foi
Parando foi
Educadamente
Educa mente a parede
Sem me dar conta de mim