domingo, 13 de novembro de 2011

Esquecer

Já não sei separar o que são apenas marcas ou que foi só ilusão
Não sei separar o que foi apenas fatos do que foi coração
Não sei separar o que foram fotos do que foi talvez
Não sei separar o que foi que não foi do que fiz você
Não sei separar você me mim
Teu cheiro de minha pele
Teu nome de meus papos mais descontraídos
Teu gosto de meu paladar
Tua toalha de meu guarda-roupa
Você em minha minha rima pobre
O blasé do foda-se
A raiva do descontentamento
Não sei separar o caos do universo
Não separar-me do chão, do ar
Não sei separar dez de ilusão
Não sei separar as sílabas que constituem: Esquecer

sábado, 12 de novembro de 2011

Valdemypolitano

Eu não vou ficar a mercê dos julgamentos que me qualificam como um pirralho imaturo que nem mesmo se limpar ainda sabe. Não vou permitir intrusos interpretarem meu mundo que apenas eu habito. Não será construído em mim nações predadoras e exploradoras. Não vou.
Hoje transitei entre a dor e a alegria de reencontrar a beleza que me desbota o riso. Hoje vi pássaros verdes colorirem meu céu de esperança que em sua tumba descansava enfraquecida. Hoje eu vi você, como um céu azulado escuro abraçado por brancas nuvens que te aquecem o peito. Vi em teus olhos um sol florescer em minhas entranhas e desabrochar antigos botões de sentimentalidades. Louvado seja o santo que em seu escapulário estendia pra mim o perfume de teu corpo, ele servia como em santa ceia o teu sangue perfumado por águas florais, aquáticas e frescas, me inspirando liberdade, juventude e desequilíbrio por amor pela vida. A fragrância que nunca me esqueci, nunca confundi, nunca abandonei. Teu cheiro era em minha solidão o Cristo que na curvatura de tua coluna vertebral eu vi sacrificar o seu amor. Apenas por amar você!
Eu poderia conferir aos astros ou magos o discernir de minhas dores, mas somente você num sorriso de repente me descobriria as flores. Posso jurar o ódio, mas reconheço no meu pavor e indiferença toda natureza que em meu peito rumina vida por você. Posso jurar em nome dos deuses ou dos anciões, mas quando eu falar em minha língua verá em ti o amor mais lindo ressoar outra vez.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Um amor proporcional aos músculos I

Um rapaz jovem, de menos que vinte anos, alto, loiro, olhos claros, musculoso e másculo. O tipo homem nobre da Zona Sul carioca. Típico desejado por muitas mulheres. Um real cafajeste e canalha, um romântico enrustido em pele de lobo.
Nossa conversa começou como uma simples troca de vantagens sobre o universo feminino, conquistas, defraudações e seduções, conduzidas num jogo desigual e subumano, terminando em grandes confidências de fraqueza, medo e paixões.
Por detrás de todo grande homem, existe um enorme amor enclausurado. Seja pela sociedade, sexualidade ou gênero, ou pelo ego que se infra em bombeamentos sanguíneos em cilindros sociais. O homem pensa com a cabeça que conduz o seu prazer. Verdade?
Me senti maravilhado vendo que em seus olhos as mais bem-estabelecidas normas de condutas masculinas estavam sendo destruídas em cada rompante de curiosidade e desvendar de seus medos. Ele era velho de mais pra despojar de seus preconceitos, ou mesmo conceitos sobre o mundo,já era homem o menino demais para chorar ou ensaiar radicais mudanças, o jeito era se afinar com o medo e dançar conforme a dança.
Chegou ser engraçado quando ele me disse que o que procurava era qualquer coisa além de um jogo, eu ri. Sim, eu ri, pois bem sabíamos que todos vivíamos um jogo social de sedução e investidas, neste jogo ganha quem joga melhor e ele sabia que arma usar e fazia propaganda de ser craque no manuseio, sem pudor, sem vergonha e com prazer. Minhas bochechas rosaram. Imaginem, eu fiquei acanhado de ouvir sórdidos comentários, mas prossegui perguntando: Onde quer chegar? Mas uma vez ele foi direto: O que ela quer de mim? Eu franzi a testa, já que não consigo levantar uma sobrancelha e abaixar a outra e indaguei: Ela quem?
Tive que voltar um pouco no procedimento da conversa, ele já havia mencionado uma garota que havia ficado semanas passadas e que segundo ele, saqueou o seu coração. Verdade, este homenzarrão estava de quatro, apaixonado...
Querem saber como procedeu a história? Esperem pelo nosso próximo café de segunda-feira...

[CONTINUA]

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ah, manda você via sedex

Ela é aquela moleca que usa chá de erva doce pra curar dor de amor
Faz frase meia-dita e já desenha a sua história
Usa sorrisos educados em estampados blasé
Só ama quem conhece a nobreza de ter estilo de se conhecer
Soletrar o seu nome me faz roubá-la pra onde estou
Ah, manda aquele beijinho pra mim molhado de gloss
Ah, manda aquele abraço gostoso que só pra nós
O mundo parou pra ouvir valer loucuras sem demora
Vem, só eu e você em nós
Risadas, tonteiras e contos furados deslaça sempre
Camisa, par de meias, um terno antigo aperta e rejuvenesce
Não importam a costura ou a marca fina para si, tem sua própria grife
Se veste de finos declínios de ousadias sem fim
Roupa velha de brechó pra alinhar o esqueleto fashion
Moda sem modos nas ruas afrontando o perfeito
Guarda-roura sem reservas revirando o seu viver desarrumado
É linda, louca, é tudo nela e só
Ah, manda estes risos entre os ombros tomar no cu
Ah, manda este rio vazio ficar mais perto de Bauru
Ou vem pra cá pro teu preto, eu
Chá e biscoito com carinho e então o céu pra nós
Ah, manda você via sedex pra mim
Ah, manda você o que quer de mim

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pedidos perdidos

Eu não te pedi pra ser eu
Tampouco pra viver de mim
Na verdade te pedi apenas você
De começo, meio e fim
Não fala nada, silêncio
Dê-me um tempo pra digerir o caos
Por favor, a paz
Afaste-se, mas ainda não se vá
Eu quero você, você
Mas onde você se perdeu de mim
Deixa tudo assim como está
Sem maquiagens, sem as tinturas de cabelos
Sem o esmalte nas unhas curtas
Deixa o seu cheiro te perfumar
Por mim
Eu não me importo com as rugas
Sei que são por elas que escorrem suas lágrimas
São por elas que escorrem teu excesso de amor
Por mim
Eu confio em teu amor
Confio no meu peito
Apenas desconfio do mar que apaga o teu nome nas areias finas
Não, não diga nada, meu amor
Apenas ouça o que nunca te direi em palavras
Leia os meus olhos nos clichés das rimas
Leia as minhas saudades, minhas mentiras, meus motivos
Veja, meu bem, o sol saiu para nós dois
Veio trazer às minhas juras um brilho real
Pois na realidade minha realeza são sonhos
Que em noite e dia se completam à sós
Mentiras e juras se formulam em nosso corpo sem descanso
Eu não te clamei por verdades
Nem clavei mentiras em teu peito
Despeitado menti os sentimentos
Racionalizei os risos
Rabisquei os calafrios meninos
Na verdade nem sei o que pedi pra mim
Na mentira de mim te perdi no sei
Por mim