segunda-feira, 24 de setembro de 2012

4 ponto 16

Chave, porta, maçaneta, 701, elevador, porta, chave, espera...


Abre. Entra. Fecha. P. Desce...

Abre. Sai. Sai. Caminha. Flores. Árvores. Vira. Caminha. Ipod. Fone. Play. Left and Right opened. Outside closed. Vira. Andrea Bocceli. Vira. Caminha. Vira. Caminha. Caminha. Caminha. Atravessa. Caminha. Reticências... Caminha. Calminho. Caminha. Calminho. Olha. Se distrai e atravessa. Carro, buzina, pessoas, garçons ficaram pra trás. Caminha.
Inflaciona. Atropela carros. Costura. Pára. Olha. Corre. Caminha. Calminho mais ou menos, mais pra mais. Espera. Celular. Espera. Pessoas. Espera. Paquera. Ignora. Espera. Cigarros, dos outros. Puta que pariu de fumaça, vai tomar no cu. Porra. Espera. Estressa. Jack Johnson. Cigarro. Estressa. Se cala. Espera. Não sente o Allure Chanel. Cigarro do capeta. No cu. Espera. Jack Johnson no final. Espera.                     Sem mais calminho. Puto. Amália Rodrigues no meio. Já pelo meio.
Ônibus. 3 e poucas moedas. Cartão. Lugar mais alto, no fundo. Raso. Transborda. Cigarro em si. Mal humor.
No fone Rita Lee, relaxa.
Ri.
Sozinho. Muita gente, mas sozinho. Antipatia. Gosta dela. Ocúlos escuros, pernas cruzadas. Túnel.

Macumba. Oxalá. Orixá. Seu Jorge, Iemanjá. Anjos. Caboclos. Preto Velho. Flores. Espelhos. Pára.
Para.
E caminha rodas do quadricírculo de crianças maiores de 18 anos.
Estúpidos buzinam.
Turn up the  left and right. And go ahead. Fuck, esquece algo. Damn. Já foi. Prossiga.
Sapato, bota.
Olhar, fogo.
Metrô.
Main the gap. O cu. Senta.
Corre. Parado. Corre. Parado. Corre. Pára. Abre. Entra. Fecha. Corre. Parado. Segue. Parado. Para. Abre. Entra. Fecha. Falam. Falam. E corre. Parado. Corre. Parado. Em pé.
Cheio.
Cheiro. Mal odor.
Catinga. Cheiro de corpo, vulgo cecê.
Tenta sentir o Allure. Sente. Ri. Gosta.
Óculos. Antipatia. Luz. Sol. Mudança.
Cristo. Longe.
Inferno?
Não.
Marte?
Não.
Rio.
Rio sem salmão.
Cachimbal.
Maracanã. Prazer.
Muito prazer. Nome. Outro nome.
Não. Mangueira. Samba. Carnaval. Rio. Ri. Gargalha. Simpatia. Pra ela, uma puta mal educada e egocêntrica.
Tem boca. Foi à Roma. Fala. Ironia. Esquece. Foca. Escreve.
Lembra da música e canta o left and right. Sozinho. Muita gente. Sozinho. Maria Rita. Pula. Maria Rita. Pula. Maria Rita. Pula. Passa. Pula. Enfim Alanis Morissette.
Alanis. Ouve. Alanis. Chega.
Alanis? Não. Lugar.
Abre. Sai. Fecha nas costas. Caminha. Sobe. Vira. Caminha. Vira. Desce. Caminha. Calminho. Espera.                                 Espera. Poucas reticências e chega. Abre. Entra. Vazio. E cheio. Senta. Refaz tudo. Diferente. Fora da linha.
Do norte ao sul.
Ponto Final.
Chega, embora queira ir. Reticências.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Todos quengam

Eu quengo
Tu quengas
Ele quenga
Ela quenga
Nós quengamos
Vós quengais
Eles quengam
Elas quengam
Agora me expliquem onde esta o erro da conjugação da hipocrisia?
Atire a primeira pedra quem nunca quengou um dia.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

À Santa Hipocrisia

Por que eu sou substituto de mim
Santa Hipocrisia
Graças à ti sou quem não sou
E protegido do medo que tenho de mim
Eu não quero ser eu,
Tu és suficiente
Amo a maneira que me representas desonestamente
Me cobre com o teu manto
Contra os olhares que me diagnostificam eu
Tu me constrói de tudo o que nunca poderia ser
Santa Hipocrisa
Sei que todos duvidam das histórias que conto
Mas tu, Santa Hipocrisias, és mãe de todos
Não quero me encarar
Quero tragar cada fôlego de tua verdade
É demais para mim ser eu
Tua vida circula em minhas entranhas
E já não estranho quem me tornei
Santa Hipocrisia
Sou grato
Quando fecho os meus olhos
Desconheço o homem que vejo turvo
Proteja-me dos raios de sol
Não quero marcas sobre mim
Pra que voar como os pássaros
Se posso adornar a minha gaiola?
Santa Hipocrisia, crave tua âncora em mim
Não quero os espelhos
Se posso construir minha beleza em suas máscaras
Posso ser doce ou amargo o fel
Na sua proteção caminho distante do inferno e do céu
Você me protege-me em suas asas
Eu fujo do mundo que sonharam pra mim

Aquele plano para me lembrar

Esta madrugada poderia ter sido uma simples noite de tristeza e carência... mas a minha bela,  Laisa Muniz, me surpreendeu ao som da Adriana Calcanhoto e então virou INsanidades!



                             


Aquele plano pra me lembrar

De ti
Naquele plano pra te esquecer
E nada disso amanhã vai ficar
Os meus poros serão sol secando as lágrimas
Esta dor que sinto se consumirá, breve
E logo o meu riso estarão ouvindo
As lembranças que tenho guiarão a minh'alma
Suscitarão as fagulhas que cegam em mim
As marcas das feridas entrego
Deixo-me livre dos julgamentos sem fim
Deixo-me livre dos tratados que nos destrataram
Deixo-me leve, frio
As marcas das feridas enterro
Suscitarão as fagulhas que enxergo em ti
As lembranças que tenho guincharão a tua alma
E logo o teu riso estarei sentindo
Esta dor que minto se denunciará, lenta
Os meus poros serão lua enobrecendo as lágrimas
E tudo isso hoje vai fincar
Naquele plano pra te lembrar
De mim

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O meu maior medo é esquecer o rosto de meu pai

Eu e papai, década de 80

Com todo o respeito e educação, posso falar?
Não precisa me ouvir
Temo macular teus ouvidos que gritam por santidade
Não, não estou alterado tampouco preciso respirar fundo
Preciso é respirar lento, raso, tímido
E quem sabe poluir as narinas dele com vida
Mas ele não respira mais
Morta estão tuas lembranças que assassinam essência
E Deus,
Deus amou o mundo de tal maneira 
Que tirou o meu pai dele
Entre lutos que se repetem 
procuro manter viva em mim suas gargalhadas
A maneira crente de esperar pelo Pai
Hoje eu acordei querendo ser Deus
Só pra dar vida novamente ao meu pai
Não, Deus
Não me venha com tua sentência 
És tu que sabe de todas as coisas
Eu não falo das coisas
Eu clamo pela existência
Não, Deus
Não chores, pois não estou proferindo setas inflamados contra tu
Estou retirando com minha frágeis mãos de homem
Os dardos que fazem o rio vermelho fluir de meus olhos
Eu disse que não precisava me ouvir
Isto não é uma oração
Respeite-me em meu secreto
E deixe-me clamar por mim
Hoje acordei humano
E é o meu pai terreno, o de carne e osso, que me acolheria
E restaram só os ossos
E eu nem sei onde estão
Não queimamos no inferno
E ardemos no fogo que o próprio homem maquina para o nosso fim
Estaria a vida eterna na permanência das lembranças?
O meu maior medo é esquecer o rosto de meu pai
Temo a morte em vida
Morrer e esquecer de repousar minhas lembranças
Hoje eu acordei moribundo
Morto
Vivo
Vivo
Mort
Viv
Vi
M