terça-feira, 9 de outubro de 2012

Eu não preciso de tuas mentiras

Eu não preciso de tuas mentiras
O teu amor inscrito em minhas córneas
Já me cantam o teu te amo
E estas sonorizações perturbam o meu auto-amor
Auto-zelo
Auto-credo
Credo e cruzes, sigo-te como um piloto automático
Farejo o teu cheiro como cão sarnento e faminto
E satisfaço-me das migalhas
Que caem de teu pão sofrido por insônias
E refaço o meu humor
Acreditando que me queres 
E apenas se cala
Diante o medo do amor
Eu pinto pra mim a cena perfeita pra nós dois
Eu assovio a nossa trilha enquanto grito o teu nome
E despedaço minha pele correndo ao encontro de ti
Eu iludo minhas ilusões cansadas de arquitetar castelos de areia
Eu teatralizo Shakespeare, o inspiro
Eu sei que não gosta destes gêneros
Mas por eles hoje deixei de me matar seis vezes
Não teria coragem de morrer sem você
Eu sei que não vives por mim
Nem bebes de minha água
Eu sei
Eu sempre sei
Quem é que não sabe quando se sabe?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

É que as pessoas têm andado muito arrogantes

As palavras não estão  mais doces
Os sorrisos não mais abraços
Nem olhos ventilam a alma
O que vejá é muito eus
Os narizes nunca tão empinados
Perfuram o céu e sangra a vista de Cristo
Valha-me Deus, perdão
Os julgamentos se inscreveram moda
O umbigo masturbou o mundo
Vergonha alheia de meus semelhantes
Às vezes, até nojo
De mim
E os dedos?
O que falar do dedos
Que não mais esculpe coração na pele?
O que dizer do que aponta contando tudo?
Mas nem sempre é verdade
Tem vez que apenas uma ótica
De não enxergar
Se enxerguem
Antes mesmo que o telhado se quebre
Cuidado
Cacos de vidro no teu chão
Desculpe-me
É que as pessoas têm andado muito ocupadas
Consigo mesmo
E a tão solene arrogância
Ao ponto que nem se lembram dos olhos
E não olham mais a si no espelho
Quebrado

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Sabe aquele beijo que não encaixa? Pois então...

Teu corpo grudado no meu
Colado feito tatuagem maori
Apenas uma cor em traços tribais
Sobre mim
Sob mim
Menções de muitas paixões
Desejos
Insaciabilidades masculinas
Ansiedades por domínios
Subversões de poder
Versos de bela poesia
Versões contraditórias de nossos seus
Calor
Ternura
Cervejas
Frio
Calafrio
E o tua boca despedaçando bala Halls em minha língua
E então outras línguas falo
Falo e calo
Falo, desfalo, falador, fálico
Teus pelos
Teus seios
Cigarros
Sempre o fumo queimando insinuações
E temperando aquele beijo que se encaixa ao meu
Acontece

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Desaprendi a ficar sozinho

A porta bateu
Meu coração parou
Estátua
Morto
Vivo
O teu rosto não sorriu
Uma lágrima rolou
Amarga
Vivo
Morto
Vivo
A pele secou
O fígado desmaiou
Álcool
Vivo
Vivo
A cama engordou
A concha divorciou
Ecos
Morto
Morto
O silêncio pairou
A tevê conversou
Monólogo
Perdi


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Nu amor nu e sem poesias

Um amor que
cabe
nu
coração
vale muito mais que
o pão
de cada dia
sim
Um amor
maior
que o meu peito
peita
os meus trejeitos
E cala a fantasia
que
Um amor
descrito em palavras
cagueja
as estradas confundem
os pés das bíblias
e
realiza
o nu do amor que
não
amou poesias