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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O carnaval não amou

O carnaval acabou 
Me fantasiei pra você 
Beijei o teus lábios 
Eu desvendei teu céu 
Num carrossel dancei
Em tom lua de mel

O carnaval já passou
Nele fui teu rei
Sambei em teus passos
Te roubei um anel
Num carretel fiquei
Ao som d'um frio bordel

Agora o que faço sem o teu amor?
Sem peito de aço 
Só ressaca sobrou
Em quarta de cinzas 
Meu coração ardeu
Vem, minha bailarina
O carnaval não morreu
Em quarta de cinzas
Meu sambar definhou
Sem você na avenida
O carnaval não amou

Tchum tchaca tum du rum dum
Tum tum tum 
Tchum tchaca tum du rum ah



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tal vez

se pa a gen te fi ca a gos tar de ta a to to do tem po sem ta
se im por tan do com o fa lar
de mui tos tais que ex por tam os ais de tais fa tais a mor
se pa ra te bei jar
eu te nho que me se pa rar de me ves tir
dos a ni mais que mais a mim tem o pu dor
se pa pei vo ce em mi nha cei a
eu vo mi tei a noi te in tei ra
em in di ges tao de tais favor
se pa eu te nho que te en con trar
tal vez a vez se ja o lu gar
de a lu gar um ou tro chao
e en tao go zar o meu pra zer
de ter vo ce e de me per der

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Uma esmeralda carnavalesca

Tolice é esta minha mania de tentar revelar todos os sentimentos ou experiências saboreados em combinações numéricas e ortográficas de caracteres de um netbook. Sou tolo, mas ainda sim, inteligente o suficiente para saber que nem tudo se racionaliza na vida como tinta e papel.
Que confusão me encontro em minha mente. Quantas palavras quero gritar e revelar aos quatro vento. Engraçado como encontro, sedento pelo mesmo bálsamo que a todos banho e acalento as feridas. Eu queria um colo, dois olhos e um ouvido, já que não posso ter novamente em meu corpo entrelaçado firmemente pelos meus braços finos e trêmulos, aquele corpo não muito robusto, mas quente, não mais seguro que eu, mas que em trocas de segredos entre olhares de esmeralda e negros rubis se despiam muito mais que das vestimentas seguras por nós de cadarços ou velcro. Eram pedras preciosas, virgens, intocadas, reservadas para o encontro suntuoso da insobriedade carnavalesca.
Ah, que vontade de sentir novamente aquele cheiro ímpar em minhas mãos. Que desejo de sentir aquele mesmo hálito macular meu gozo, meu suco, saliva. Que saudades de descobrir a mim em selinhos que descartavam cartas de prisões e alforriava-me de minhas próprias prisões e medos. Que saudades do momento que me senti mas homem que todos os outros da avenida. Saudades de me sentir homem e pleno.
Impressionante como somos adestrados a mentir sempre para nós mesmos. Somos criados para a ilusão e fuga, e eu apenas ansiava viver um único momento de alfa e em ômega encontrar o meu destino. Me perdi nas sensibilidades de minhas próprias alegrias. Eu gostei de me senti assim, menino. De me ver à beira de um rio de águas espessas e produtivas e descobri que sou peixe deste mar, deste lago, desta veia de sucos que assinam o meu bem. Mas era novamente incentivado a fugir de mim e silenciar os meus calafrios. Que ódio tenho deles! Me vi na saída de não sair e trançar meus risos em cipós de seringueira. Elas cuidariam de produzir borracha e apagar da memória de todos aquilo que descreveria a minha real mácula, o sonho de ser simplesmente, e livre, feliz!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Num Carnaval

Assim com roncos de trovoadas deus feriu o céu o soprou na terra confusão e temor entre os seus, ao ouvir rumores de profanações sobre o carnaval. Numa ira tamanha de um deus, permitiu uma lágrima digna rolar entre suas nuvens ao reconhecer que havia falhado em seus filhos o carinho da sensibilidade de apenas contemplar toda a sua criação. Toda!
Mas não é de choro que se faz uma festa e ele acabou logo de gargalhar e fez chover dos céus purpurinas e serpentinas que trançavam de colorido o imaginário de crianças grandes que trataram ágil de saírem de casa e permitir pelo menos por quatro dias uma alegria informe e carnal invadir seus polos e traduzir em homens que desengonçadamente desfilava de mulher e mulher soberana se imaginava homem. Deus é muito sacado, e já arquitetara, nem que fosse em apenas um por cento dos dias do ano, homem saberia a dor de ser mulher em saltos e maquiagens e vice-versa, e isto produziria amor, muito amor.
De fantasias que camuflavam as mentiras que nos contamos o ano todo se costurou a minha memória de lembranças e infâncias. Eu era atropelado por crianças que corriam e floriam as avenidas em blocos de concretos maleáveis de risos que construíam minha única sensação única de felicidade. Soltem as notas das marchinhas e me deixem caminhar ao som de ser feliz e cantar a sorte.
Chega até ser engraçado algumas lembranças que sambam em minha mente. Umas tem tom de secreto, de sigilo, mas os gostos ecoará em minha saliva como samba enredo decorado a ferro e fogo. Há outras tais que me calam, que me param, que me gozam!
Foram dias de festas, de crenças, de amigos e alguns outros tumultos que maquinavam paralisar festejar e eu vi corpos assinando encontros que não falavam deste mesmo amor ou atmosfera. Possuídos pela sobriedade impertinente à festas, arranharam a alegria de alguns, por alguns instantes. Amedrontaram a segurança de alguns, por alguns instantes. E por muitos instantes inglórios produziram em minha retina o desagrado de ver menina de poucos anos ser lançadas como pedra, melhor, lixo discrepante do rebanho. Sem contar a história do menino que na pele do rosto sentiu de ser ultrajado pela força de quem deveria produzir segurança e paz. O ao menos assegurá-la. Neste instante fiquei à me questionar: será que os anjos da guarda haviam tirado férias para descanso nestes dias. Pois quem guarda estava armado e calibrado pra espancar. Deus poderia ter lhes ensinado, em treinamento, que eram as pessoas o mais importante da festa. Aquela lembrança também me povoou, o riso que em minutos passado eu vira, eram fluxos de lágrimas tingidas de rubro, e não era de paixão de carnaval, mas de desencontros de festejos. Minutos se seguiram eme pus a cantar a alegria outra vez e contar coisas bonitas. Sambei, sambei, sambei e quem sambou do compasso foi a tristeza e o penar.
Ah, como era belo o Carnaval e suas contos de amor que desenhava infância a todos os cantos! Como era lindo ver todo mundo se apaixonar e aproximar da fantasia. Quando eu crescer, quero ser igualzinho a deus e quem sabe, eu não faça dos outros 361 dias do ano também Carnaval.