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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Eu não beijo os beijos que beijo

Eu não
Você talvez
De vez e outra
E outra e tal
Vez de eu
Eu de todos
Dos teus e eus
De muitos e poucos
E poucos não
De todos sim
De sim
De menos
Nos mesmo ais
Em cais
Em esmo
Com sais e cios
Sem cia
Com ia
E foi
E vai
E nunca
Em sempre
Quem pressente
Te sente
Ou não
O beijo
Que nunca beijou


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Eu não beijo os beijos que beijo

Eu sinto teu paladar e descubro o que comeu ontem no almoço
Eu almoço teu corpo como carne sapecada no rolete
Ingiro os teus calafrios como se fossem água potável
Eu sugo teus fluxos e livramentos
Sou daquelas pessoas baixas que expelem palavras torpes
Te chamo pelos nomes mais hostis
Te nomeio puta, vadia e ordinária
Na verdade, eu minto em cada um dos espasmos que subscrevem teu riso
Com o tempo a gente aprende deixar de ser agente de nós
E então agimos contra o nosso favor
Suturas de amadurecimentos
Cicatrizes transferidas das fronhas e lençóis que trocamos 
Entre pequenas mortes e minúsculas camisas o que vamos descobrindo?
Cobrimos e descobrimos minha torre, nem sempre impetuosa
Mas nada descobrimos de nós
Gozamos solitários e o restante do nosso corpo goza de nós
Ainda sinto o calor de tua gengiva bonita
Eu gosto de gengivas
E também dos alimentos que restam entre um dente e outro
Me alimento de teus restos
O que mais poderia esperar de mim?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Uma esmeralda carnavalesca

Tolice é esta minha mania de tentar revelar todos os sentimentos ou experiências saboreados em combinações numéricas e ortográficas de caracteres de um netbook. Sou tolo, mas ainda sim, inteligente o suficiente para saber que nem tudo se racionaliza na vida como tinta e papel.
Que confusão me encontro em minha mente. Quantas palavras quero gritar e revelar aos quatro vento. Engraçado como encontro, sedento pelo mesmo bálsamo que a todos banho e acalento as feridas. Eu queria um colo, dois olhos e um ouvido, já que não posso ter novamente em meu corpo entrelaçado firmemente pelos meus braços finos e trêmulos, aquele corpo não muito robusto, mas quente, não mais seguro que eu, mas que em trocas de segredos entre olhares de esmeralda e negros rubis se despiam muito mais que das vestimentas seguras por nós de cadarços ou velcro. Eram pedras preciosas, virgens, intocadas, reservadas para o encontro suntuoso da insobriedade carnavalesca.
Ah, que vontade de sentir novamente aquele cheiro ímpar em minhas mãos. Que desejo de sentir aquele mesmo hálito macular meu gozo, meu suco, saliva. Que saudades de descobrir a mim em selinhos que descartavam cartas de prisões e alforriava-me de minhas próprias prisões e medos. Que saudades do momento que me senti mas homem que todos os outros da avenida. Saudades de me sentir homem e pleno.
Impressionante como somos adestrados a mentir sempre para nós mesmos. Somos criados para a ilusão e fuga, e eu apenas ansiava viver um único momento de alfa e em ômega encontrar o meu destino. Me perdi nas sensibilidades de minhas próprias alegrias. Eu gostei de me senti assim, menino. De me ver à beira de um rio de águas espessas e produtivas e descobri que sou peixe deste mar, deste lago, desta veia de sucos que assinam o meu bem. Mas era novamente incentivado a fugir de mim e silenciar os meus calafrios. Que ódio tenho deles! Me vi na saída de não sair e trançar meus risos em cipós de seringueira. Elas cuidariam de produzir borracha e apagar da memória de todos aquilo que descreveria a minha real mácula, o sonho de ser simplesmente, e livre, feliz!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Beijo gosto maça e limão

Eu sentia a minha cruel acusação maquinar me tirar o delírio nas assinaturas de meu mau humor, mas nem ela poderia tirar o cheiro de seus cabelos dourados que tatuavam em minhas mãos o perfume de seu banho e temperatura em ebulição. Eu sentia o seu ar escapar tímido e frio de tuas narinas, ouvia seus dentes sapatearem uns nos outros o que ele sabia que poderia em minutos acontecer. Não vou mentir, eu morria de medo, tinha medo de mim e da impetuosa coragem que misturas de maça e limão poderiam me assassinar. Entrelacei minha mão à sua através de nossos dedos que coreografavam inocência. Sentia seu suor, como se sua mão tão macia quanto o rosto de nosso querer revelassem-nos o suco que se produzia em sua boca e era que eu queria encontrar e permitir o meu rio inundar como água doce ao encontro do mar. Eu senti meus lábios encontrarem com os dele. Senti a maciez de onde saiam as palavras que eu maduramente sabia quem mentiam pra mim, mas era minhas mentiras que as concretizavam verdades. Seja homem, seja mulher, seja adulto ou criança, nunca me senti tão...