sábado, 7 de fevereiro de 2015

Ruas

Quando cheguei foi sol
Foi chuva
As tetas das árvores salivavam
As bocas dos paralelepípedos me chamavam 
Elas gritariam amanhã meus toques em suas peles
Anunciariam ao clitóris da esquina que seu amo chegou
Chegou aquele que ama a noite
A rua
Os ermos
Chegou aquele que nunca vem
Porque nunca se vai
Se penetra
Adentra
Se com vida é 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Verão em invernos

Quando passou a cor do outono 
Eu deixei de vestir o coração que me deu
O descansei com respeito no nosso guarda-roupa 
Troquei os tons avermelhados das folhas
Pelos acinzentados vestidos da última estação 
Não era porque você deixara de ser canção 
Simplesmente deixei de dançar aquele tango
Minhas pernas estavam cansadas do mesmo 1,2,3
E meus dedões calejados do conhecido peso de teu pisar
Meu corpo ansiava por coreografia nova
Meus cabelos necessitavam de outros ventos
Outros bagunçar 
Entende?
Sim, você sempre entende
E eu só queria ser confundida
Fundida entre ideias incongruentes
Fodida em verões constantes em meu equador
Você nunca encontrou,
Mas em meu equador represava um rio
Que quase secou na ausência de tua penetração 
Não se desculpe, ex-amor meu
Não se turbe
E fique com a paz que me ofereceste 
Troque teu luto 
Pelo branco-pastel que lhe cai bem
Circule tua ciranda
E quando partires desocupe do meu guarda-roupa 
A parte que não lhe pedi
Ainda sim,
Obrigada 


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Leva eu

O meu corpo chamou pelo teu
Mas teu toque era frio
Tuas mãos seguiram meu som
Houve asco, calafrios

É estranho encontrar o amor
Tons agora desconhecidos
Fui o teu corpo ardendo em calor
Hoje corpo apodrecido

Leva eu
Entrega eu pro ontem
Lava eu
Enterra eu no ontem

Leva eu
Oh, leva eu

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nuas, frias e secas

Me despedi
Despi das eternidades ditas
Pedi reembolso das despesas do mês passado
E sai com o rabo entre as pernas
Feito cão abandonado caminhei pelas ruas
Nuas
Frias
Secas
Encharcadas estavam apenas minhas meninas
Até os olhares que elas gritavam eram rachados
Suas palavras desenhavam os ecos de minha cabeça
Elipses infantil de tumultuadas dores
Secas
Nuas
Frias
Quentes estavam apenas a tatuagem que estampou em meu rosto
Até o riso que ensaiava ironicamente era gelado
Por me amar, se tornou cópia de meu amar
Carimbos de protestantismo afetivo em tintas azul e vermelha
Frias
Secas
Nuas
Cobertas estavam apenas as lágrimas que derramei depois
Depois que me despedi da prisão por amar
Sem reembolsado ser do coração que entreguei

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Em meio tom

É breve
Tão leve como a maré 
Disfarça entre as vogais
Suas mãos de veludo 
E desbota as cores dos lençóis 
É o riso no luto
Melancólica sinfonia 
Agressões escondidas entre notas
Foram desafinados desatinos
Gritos agudos calados
E que calejou 

É breve
Tanto deve quanto o ré
Disfarça entre os cais
Suas mãos de intruso
E sabota as dores dos bemóis 
É o friso do reduto
Melancólica companhia 
Agressões reveladas entre cotas
Foram mal finados destinos
Gritos graves falados
E que falhou