domingo, 19 de fevereiro de 2012

Uma xícara de chá de cevada, um comprimido de calmante e uns palavrões

Eu sabia que ninguém poderia entender o cansaço de minhas permas que demarcaram incessantemente o lugar onde sua cabeça repousaria e o gosto daquela terceira saliva seria rememorado. Meu incômodos mediante a certeza do impossível vocacionava-me a uma cerco de Jericó. Mas de construção de muralhas de fez o meu peito desalinhado.
Era ainda domingo de carnaval e a lua no céu clareado pelo tímido sol minguava minhas fantasias e apunhalava o meu lobisomem com sua chuva de prata produzida pelo choro que não derramei.
Confesso, eu me sentia traído e usado. Sentia-me ingênuo e imbecil. Uma vara de ferro fina e maleável que não estruturara minhas emoções e eu achava ter tudo sobre controle. Estúpido!
Ah, aquele teu hálito. O teu braço que ainda encontrava aquecido pelo fogo daquele terceiro corpo agora me envolvia a nuca, mas eu não correspondia. Você poderia até aquecer o meu peito, mas o meu corpo não incendiaria mais sensações. E eu ainda tive de te ouvir reclamar os seus medo. Eu tenho o generoso dom por deus compartilhado de não receber amor por aqueles que em meu peito produzem brilho.
Eu tenho um oceano de vida para revelar em minhas palavras, mas quem ouviria este estúpido coração? Minto se disser que ninguém: uma xícara de chá de cevada, um comprimido de calmante e uns palavrões.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Conjutivite

Me confunde e retarda como se tivesse nas pontas dos dedos da mão direita o controle dos ponteiros de meu relógio biológico. Faz me sentir como uma estúpida criança que não sabe o não receber ou desprezar um punhado de balas de um desconhecido pelos jardins. Constrói no meu peito um montueiro de raiva e ódio próprio que rabisca os meus olhos de sangue quente chapiscado à areias finas que emboçam minhas pseudo-proteções. Sabia me ridicularizar em minhas idiotas emoções e sentimentos. Calava a minha visão. Secava o meu brilho. Mesclava meu preto ao branco e produzia cegueira. Queria ver produzir em mim um manancial de soro fresco e frio que pudesse acalmar meu oceano de irritabilidades, queria ver suas águas irrigarem rosas brancas que do chá eu bebia o repouso. Oh Santa Luzia, dê luz às escuridões que este amor imaturo e egoísta me produz. Seque a paixão em mim. Rache o terreno de meu coração e não faz produzir crianças sedentas de meu leite. Cale-me deste canto besta em ladainhas do amor, para que eu vejo a beleza que ainda pode haver ou surgir em mim.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Beijo gosto maça e limão

Eu sentia a minha cruel acusação maquinar me tirar o delírio nas assinaturas de meu mau humor, mas nem ela poderia tirar o cheiro de seus cabelos dourados que tatuavam em minhas mãos o perfume de seu banho e temperatura em ebulição. Eu sentia o seu ar escapar tímido e frio de tuas narinas, ouvia seus dentes sapatearem uns nos outros o que ele sabia que poderia em minutos acontecer. Não vou mentir, eu morria de medo, tinha medo de mim e da impetuosa coragem que misturas de maça e limão poderiam me assassinar. Entrelacei minha mão à sua através de nossos dedos que coreografavam inocência. Sentia seu suor, como se sua mão tão macia quanto o rosto de nosso querer revelassem-nos o suco que se produzia em sua boca e era que eu queria encontrar e permitir o meu rio inundar como água doce ao encontro do mar. Eu senti meus lábios encontrarem com os dele. Senti a maciez de onde saiam as palavras que eu maduramente sabia quem mentiam pra mim, mas era minhas mentiras que as concretizavam verdades. Seja homem, seja mulher, seja adulto ou criança, nunca me senti tão...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Oração por Heitor Silva


Deus, é só olhar através de minha janela, que vejo nestes raios de sol que nos aquece em São Fidélis a soberania de teu poder e graça. Pai, você nos fez em cuidado e inteligência, de fato, nos sonda e conhece cada centímetro, milímetro e curva das células que nos cobre, como pele, que assinam tua sensibilidade artística.
Tua palavra, Senhor, fala de vida, fala de renovo, de ar, de sopro e por ela que anseio neste momento. Eu anseio ouvir você nos falar ao pé do ouvido e colocar aquele ingênuo e amigo menino de pé. Deus, foi você que desenhou o Heitor. Foi o Senhor que construiu o seu coração, não somente de músculos, mas de gentileza, doçura e amor!
Deus, a gente espera ouvir mais uma e muitas vezes o som de seu violão que acalmava os nossos corações, cantar sua alegria em melodias de romances e paixão. Queremos ouvir tua voz, como criança, agradecer à você e festejar sua cura. Deus, o Senhor, pode isto e tudo muito mais. O Senhor tem o dom da vida. Tuas palavras tem dom de vida eterna e paz. Canta pro Heitor desta vez, meu Paizinho! Canta uma melodia angelical com sua doce voz que me lembra o som de muitas águas, isto, você tem um oceano em tuas palavras, eu, apenas tenho o salgado rio de sinceras lágrimas em meu olhar, mas tenho fé, tenho graça, tenho você como Deus!
Hoje o meu coração se une a muitos outros corações, e estes se casam para bombear fé ao coração delicado do menino Heitor. Hoje nos unimos em família, em corpo, numa só voz. Fala através de nós, em nome de Jesus, o teu Filho.
Obrigado, Deus, pelo o que creio que fará por esta família, que hoje só por você pode esperar. Amém!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Tempero agridoce

A única palavra que eu poderia dizer naquela hora era que eu o amava como sempre jurei amar os amores que outrora povoaram meu peito. Não era um amor em si diferente, era um amor como os outros. Quando se ama, ama e basta. Mas quando há paixão são as labaredas de fogo que semeiam as guerras, extinguindo a paz.
Eu ainda tinha o sabonete de teu corpo no meu paladar inocente. Tinha sua higiene nas minhas salivas, mas elas eram os únicos fluidos que o meu corpo produzia, o mais era apenas pautas corporais como coreografias contemporâneas. Eu já não o amava, ou apenas não havia mais faíscas em minhas coxas, peitos, umbigo abaixo.
Eu não entendo como um homem tão gracioso como ele poderia ser remunerado com poucas míseras carícias de terceira, mas também sabia em meu pré-consciente que era este o fato. A sua doçura e dedicação e sufocavam o espírito e desoxigenava meu carvão. Um amor é de degustação aprazível quando não é amargo, nem doce, mas delicadamente agridoce. Sem temperos de perfeição.
Eu sabia que os labirintos de seus ouvidos ansiavam por outro declarar de afetos, mas antes ouvir minhas verdades à ser surdo e ignorante. Eu vacilei?
Não queria maquiar meus verbos como os soutienes e bojos que coloco em meus adultos seios de nove primaveras para camuflar meus real despeito e medo. Pra muitos isto lê-se como inseguranças de mulher, mas pra mim se gritava como real realidade de plebeia.
Tive peito para soletrar meu saco cheio, mas não tive saco para carregar seu corpo em putrefação no peito.