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sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Noite Negra de Luz


No ventre de Maria, nasceu o som do tambor,
ecoando na escuridão, um prenúncio de amor.
O céu estrelado, um manto de ébano, brilhou,
como os olhos de um povo que sempre lutou.

Nos braços de Maria, negra como o barro da vida,
o Menino chegou, trazendo a alma rendida.
José, com mãos calejadas, ergueu o olhar,
viu na palha o Salvador, pronto para libertar.

Os Reis Magos vieram, passos firmes na areia,
da África, trouxeram ouro, mirra e a ceia.
Guiados por um cometa que cortava o breu,
testemunharam o brilho do Menino de Deus.

Em volta do estábulo, dançou a capoeira,
os anjos cantavam em roda, na noite inteira.
Ali, no quilombo celeste, nasceu a esperança,
um Cristo menino que herda a herança.

A pele negra de Maria refletia a história,
de um povo que resiste, que guarda a memória.
E no rosto do Menino, um sorriso surgiu,
prenúncio de um mundo que ainda há de vir.

Que o Natal seja sempre um nascer de verdade,
um convite à justiça, um grito por liberdade.
Que o Menino da palha nos ensine a amar,
a lutar, a viver, e a não mais calar

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Natal sano

Nata
Natal
Nada o presente
E ausente afunda
Em raros sentidos não sentidos 
Ou pensados
Pesados leves fardos de parabéns
E de quem é a festa?
Nata a ceia
E mata a teia destes envelhecidos jingles
Afogue-os neste álcool de teus vinhos
Ou na gula de teus banquetes
Nata 
Natal
Em fatal comemoração
Que não com memora
Esquece
Deixa pra lá
Sem ata
Bata o ponto na lata
E finge amar
Afinal é início de Natal

sábado, 24 de dezembro de 2011

24 de Dezembro

Era para comemorar o seu aniversário que ele nos chamou. Feliz e sorridente orquestrou um banquete com as mais deliciosas iguarias para receber os seus e houve festa.
Naquele mesmo dia 24 de dezembro de alguns anos atrás, vi o seu coração se regozijar na satisfação de ter sua família reunida em prol unicamente de seus nascimentos, sim, nascimentos. Ele nascia todos os anos na mesma data, nascia todos os dias no mesmo exato momento. Nascia e morria, morria e escrevia nos seus as suas paixões e entregas. Ele escrevia histórias, era autor de vidas e outra vez ensaiou belo enredo e foi a mim que convidou a celebrar. Ele quis ser história em meus subtextos, quis se inspirar de mim. Quis apenas ser Jesus em minhas tramas. Logo eu que havia se esquecido das poesias infantis e dos desenhos em rabiscos. Com seu calor e sua graça relembrei uma cançãozinha que por diversas vezes ouvi meus pais cantarem. E em sua festa timidamente arrisquei "um parabéns pra você". Jesus chorou de muita alegria.