Dor é sentir saudade,
E matar a existência;
No peito, a verdade,
Que se chama ausência
Havia uma
ferida profunda na alma
Um rasgo
multilateral dilacerara o riso
Uma fluidez de
sentimentalidades
Uma liquidez de
toda e qualquer sanidade
Atrás do
empenho por vida
Residia a
desistência pelo pote de ouro
No discurso já
não havia lugar para fantasia
A azia queimava
na garganta
E no coração
congelava o curso de outrora rio
Com a maestria
e pureza humana
De quem celebra
um ritual sagrado e profano
Pus-me, com
linha fina e agulha rígida e impetuosa
Costurar os
meus cacos humanos
Cada vez que
essa atravessava meu tecido
Sentia-me
vestir de novidade esperança
As lembranças
dos desaforos
Em meus poros
exalavam paz
E eu nem a
compreendia
Eu já não esperava
no cais sozinho
Tampouco temia
me lançar no rio
Que minhas
lágrimas produziram
Eu tinha a mim
como parceria, menino
Sempre é tempo
de alinhavar os cortes da dor
Sempre é tempo
de realinhar o ar com o interior
Não importa a
velocidade que vamos
Mas sim a direção
que estamos indo
Ouvi isso hoje
de um amigo
Ninguém é
imensidão sozinho
eu me sinto só
mas não vazio
excesso
excesso de eu nos outros
de outros em mim
que nunca ficaram
fincam
sempre a(mar) sem amar a volta
sempre per(doar)
como quem doa o próprio ar
conjugo o amor no erro
eu fico
tu somes
ele promete
eu sonho com paz
mas namoro a trincheira
porque amar, pra mim
sempre foi guerra sem medalha
dispenso o conflito
mas conflito me escolhe
me disponho a dois
e me deixam em ímpar
meu voo é terra
porque cansei de cair do céu
achando que era destino
quando era abandono com asas
sou casa sem visita
porto sem chegada
coração em modo avião
esperando uma mensagem
que nunca aterrissa
e ainda assim
olha o vício:
se você bater
eu abro.
porque amar, em mim
não é verbo
é víscera