sábado, 31 de janeiro de 2026

LINHA E AGULHA

Havia uma ferida profunda na alma

Um rasgo multilateral dilacerara o riso

Uma fluidez de sentimentalidades

Uma liquidez de toda e qualquer sanidade

 

Atrás do empenho por vida

Residia a desistência pelo pote de ouro

No discurso já não havia lugar para fantasia

A azia queimava na garganta

E no coração congelava o curso de outrora rio

 

Com a maestria e pureza humana

De quem celebra um ritual sagrado e profano

Pus-me, com linha fina e agulha rígida e impetuosa

Costurar os meus cacos humanos

 

Cada vez que essa atravessava meu tecido

Sentia-me vestir de novidade esperança

As lembranças dos desaforos

Em meus poros exalavam paz

E eu nem a compreendia

 

Eu já não esperava no cais sozinho

Tampouco temia me lançar no rio

Que minhas lágrimas produziram

Eu tinha a mim como parceria, menino

 

Sempre é tempo de alinhavar os cortes da dor

Sempre é tempo de realinhar o ar com o interior

Não importa a velocidade que vamos

Mas sim a direção que estamos indo

 

Ouvi isso hoje de um amigo

Ninguém é imensidão sozinho

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário