segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

PEPITA

a gente silencia o peito
embora ainda pulse o coração
nessa vazia caixa torácica 

minha mente que constrange o riso montado 
lamenta os trilhos 
que eu mesmo desenhei pra mim

um picadeiro de falsas ternuras 
um abraço de frios acolhimentos
sofrimentos que não choram

hoje teu nome mergulhou
profundamente em águas áureas comigo

você não vale pepita alguma


domingo, 28 de dezembro de 2025

RODA DA VIDA

a vida é uma sequência de ciclos 
que se iniciam, nos confundem, fundem 
sucubem e se findam
dando com extrema generosidade 
um lugar nobre para um novo recomeçar







a vida é um silêncio sem pecado
um prazer maculado pela razão 
a distância do ao lado
e a presença da continuação 






a vida é a certeza do nada sei

mas da permanência pulsante de se aventurar

sem a pretensão de ser rei,
sem a criatividade de ser lei
e com toda simplicidade para o respirar





a vida é ausência 
a ausência é presença 
um presente do passado 
o passado já passou, soou e ressou






eu tenho saudade é do futuro 





terça-feira, 2 de dezembro de 2025

COMPASSO E HARMONIA

 hoje
meus pensamentos se enrodilham
espasmos em sustenido
risos em bemol
lamentos vestidos de silêncio

um grito
sem voz
dentro do peito
pulsante fora de mim

terça-feira, 25 de novembro de 2025

ENSAIO DA PROTEÇÃO

 desenhei lábios ao vento
esperando teu sopro de sal
calcei os dias com lembranças
e dancei sozinho o nosso ritual

vem esse medo, úmido, antigo 
segurar minha boca, fechar o tempo
eu quis ser abrigo e me perdi
no eco surdo do teu silêncio

componho desculpas em sílabas tortas
para o peso de me querer inteira
mas teu abraço é deserto de promessas
e minha sede grita na beira

se amar doeu antes,
amar agora custa menos 
talvez porque me aprendi inteira
no verso onde teu nome morre,
e meu nome escolhe renascer

renascer pra mim
para as vozes doces minhas
que tempero com pimenta chocolate
no ensaio da proteção 

sou forte, sou bela, sou livre
sou carente, sou insegura, sou deseja por teus braços 
posso ser muitas
queria teu suporte aqui
para minha essência voar

a concepção de se bastar
interceptação do querer
por acepção o entregar
por cor de mulher agir naturalmente 

se está livre pro amor
por que foges do querer?

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

ESPARRAMAR

 desenhei mil desculpas
para as culpas de teu ego
disfarcei minhas rugas
e nuas relevei os desencaixes do Lego

o medo é a proteção que nos fere
olhos terceiros são segredos que se calam
talvez se me perguntar eu negue
ainda temo por falas que embalam
tuas auto afirmações 

inventei nenhum perdão
para o meu esparramar
teu sim se performa em não
teu olhar dispara amar