Havia uma
ferida profunda na alma
Um rasgo
multilateral dilacerara o riso
Uma fluidez de
sentimentalidades
Uma liquidez de
toda e qualquer sanidade
Atrás do
empenho por vida
Residia a
desistência pelo pote de ouro
No discurso já
não havia lugar para fantasia
A azia queimava
na garganta
E no coração
congelava o curso de outrora rio
Com a maestria
e pureza humana
De quem celebra
um ritual sagrado e profano
Pus-me, com
linha fina e agulha rígida e impetuosa
Costurar os
meus cacos humanos
Cada vez que
essa atravessava meu tecido
Sentia-me
vestir de novidade esperança
As lembranças
dos desaforos
Em meus poros
exalavam paz
E eu nem a
compreendia
Eu já não esperava
no cais sozinho
Tampouco temia
me lançar no rio
Que minhas
lágrimas produziram
Eu tinha a mim
como parceria, menino
Sempre é tempo
de alinhavar os cortes da dor
Sempre é tempo
de realinhar o ar com o interior
Não importa a
velocidade que vamos
Mas sim a direção
que estamos indo
Ouvi isso hoje
de um amigo
Ninguém é
imensidão sozinho