quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Ar-ma de fogo

Não sou apenas uma bu-
ceta
so-ou muitos outras entradas
sou boca, ou-
vidos
narinas, olhos e mil po-ro-si-da-des
você poderia ter explorado este uni-
verso
de po-e-sias que con-fundem
e se-pa-ram sílabas de meu dis-
curso
eu cai e não der-rubei
roubei os meus passos
e continuou a canção
descanse esta ar-ma de fogo
arma o peito e ateie o teu in-cêndio
em minhas pupilas
me me-tra-tra-tra-tra-tra-lha com palavras
mas elas são amantes do ventoooooooo
este ladrão que me rouba a embriaguez
o vento é veloz
não separa sílabas
ca-val-ga sem espaços
e o meu peito é l-e-e-e-e-e-e-e-ento
quase
sempre
nunca
talvez
se 
pa-ran-do

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A pessoa errada certa

Cansei de esperar que teu coração expresse falas em rugas
Estou colocando o meu pra dormir e ele acordará esquecido das birras de hoje
Eu poderia esperar que a queda te abatesse o nariz arrebitado
Mas não tenho mais a vocação para maternidade
Sua infantilidade secou em mim a graça por babies
Ela não é a pessoa certa pra você
E não serei eu que te engatinharei isto
Não vou jogar "mamãe da-dá" com cueca plástica
Você já deveria ter levantado para golfar
Ah, ela é a pessoa certa pra você
E o amor é feito de soma de matemática perfeita
Papai Noel também existe e logo chega o Natal, ho ho ho
Você dá vozes às pessoas que não falam no idioma de teu pulso
E elas só falam do que sempre falam
Já decoraram as ladainhas e nem dão ouvidos às vozes
E tua atitude fria comigo dá eco às suas estupidez
Você está certo que quer ela?
Ela nem chega aos joelhos de meus saltos
Essa eu quero ver
Você correndo atrás de mim
Mas não sou hospital de bonecas

Poderia o céu stop de respirar? Hoje até o vento bothers me

Cale de atacar os my ears with your feminina voice
Minhas conchas acústicas are already calejadas de educações
You've got away from me e agora eu já can believe
That's not meu ending, sem happy end
Você and I
I de mim que esperei por tua hope
Você ensinou meu coração corar a pele de constrangimentos
You e eu
Teus kisses are like the vento que toca minha pele
Ele apenas toca, num exercício de sem why
É verdade que primavera é fim de solidão?
Where is Clarice Lispector right now?
Por mim hoje já poderia o vento calar sua voz
E você já decorou minha reação
E me sou como old novidades
Poderia o céu stop de respirar?
Hoje até o vento bothers me

domingo, 2 de dezembro de 2012

Simples assim

Eu espero que com paciência você me ensine não ver a hora passar
Quero ficar amarrotada com minhas experiências de simplicidades
E não me importar com as roupas que deixei de lavar e seguem sujas
As marcas que as tatuam escrevem as doses de vida que levei no corpo
E o meu corpo fala de minha alma menina e intrepidez
Grita de meu desespero e fome por vida
Não tenho o dom de ser esquelética, franzina, ser meio
Tenho a sina de ser intensa e insaciável de dia pós dias
Eu sou simples
Não complique os meus sons
Falo em sinfonias de gente, de carne, coração
Sou como terra seca e preciso de chuva
Mas as chuvas que me encharcam são chuvas tempestuosas
Eu gosto de tudo com intensidade
Gosto de vida que tenha vida e amo viver
Amo colorir os risos com gargalhadas
E os silêncios com rompimentos de euforia
Eu quero morrer cheia de tudo aquilo
De todos os sins e nãos reservados para minhas perguntas
Até as que eu não fiz e respondo
Sabe aquela pessoa que tem a constância de amar?
Esta sou eu, que corre louca pelas areias das praias
Sabe aquela pessoa que tem o tudo no sincero do nada?
Esta sou eu, que gargalha do simples pão dormido com margarina
E nem gosto de margarina
Apenas gosto do gosto de ser
Gosto de enlaço o tempo com as unhas
Sem administrá-lo controles
Espero que você tenha a urgência de me ensinar ver a hora passar
Por que senão, que me desculpe o tempo
Mas ele se cansará de minha infância que grita por mais tempo de ser feliz
Sou assim, simples assim

Coisas de dezembro

Dezembro finalmente chegou
Sorrateiro e malandro subscreve o fim
As hortelãs secaram hoje ao sol
E na outra janela a flor laranja apareceu
O boldo está amargo, assim como deve ser
E o meu peito?
As chuvas de verão já ensaiam os alagamentos
O calor do mar esquece o planos de disciplina
As coisas se despedem e introduzem
Tiro férias das normas que criei pra mim
E o meu peito?
Não me prenda em teu laços
Não amarre tuas intenções em mim
Desgostos destas sinas de amanha e depois
Eu atraso e me desencanto outra vez
Assim como vem dezembro depois de novembro
Outra vez
Psiu, não descreva os batimentos
Sou daquelas que deixam o som que há de ser, ser ouvido
Mas às vezes ele é boca
E sorri pra ti,
Mas quem vê sorrisos não tange coração