quarta-feira, 18 de março de 2026

SENTIR

 talvez vencido pelo cansaço 

o pensamento que me atravessa

seja o parar


eu paro e me escuto

e no escuro desse tumulto

canto uma cantiga de ninar

para as vozes que salientes

dissipam minha paz 


tomo um tempo 

tomo água 

tomo um ar

e não temo

o céu nublado

alvejado por relâmpagos


movimento o meu corpo

em direção à chuva

eu abraço a tempestade

num ritual humano e sagrado

não culpo as dores

nem cultuo as flores

eu deixo ser 

e sou 

me deixou crer

me dou


ser humano é perfeito

o imperfeito é se endeusar 



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