quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Nas dunas da praia do Forte

Me perco no que me procuro entender
Te fujo sem escuro
Educação que dispenso tecer
Descubro formalidades sem contornos
Coberturas sem formas
Que desformam os leitos de meus rios faciais
Eu vejo a tua ausência nas areias do forte
E minhas sensações se assinam nas dunas
Elas vão com o vento
Ainda assim não distraem de mim
Sufocam o peito que bóia
Bóia fria são respostas ao meu teor quente
Caibo no peito que acaba frio em mim
Caibo sozinho e que o São Paulo me perdoe em suas míseras verdades
Cruz e credo
Credo e cruz o meu peito fraco


domingo, 6 de janeiro de 2013

Quando se tem a si alugado

Pra você que sorriu
Deixo a minha dor
Pra você que cantou
Deixo a minha paz
Sensações inodor
Rosas cor de esgoto
Fluídos coloridos à mão
Lembranças que tange o meu humor
O meu partido é coração partido
O meu diálogo é experimentado
O meu prazer é sexo fudido
Sou companhia dos desesperados
Sou desespero de minha solidão
Aquela voz que cala quando grita minha fome
Nunces falsificadas de paz e auto-controle
Chances esgotadas de felicidade comum
Desejos sólidos
Arrotos finos
Coagulação que entope as vias de meus cômodos
Quando não se tem a si próprio ordenado
É no corpo dos outros que se aluga paixão
E o peito infla e expele aluguéis atrasados
Os preços se acumulam e aumentam
O meu peito diminui e sufoca o coração
Respirar

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Não fico doente por que não tenho uma namorada

No calor de minha febre que arde pra que meu peito não me leve muito a sério
Minhas insinuações transgridem a alma e trava as cordas vocais
Me calam e eu não aprendo
Me prendo nos calos de minha ronquidão em falsete
Às sete pras sete da manhã
Sete perfeições que tinjo de pecados capitais
Gula por santidade em solidão
Tal que me tumultua mutuamente na mutidão mutilada
Desde quando homem foi criado pra isto?
Desde quando cria humaniza criador?
Desde quando criador diviniza desdém?
Em minha insanidade finjo interpretar meus espasmos manual como normal
E hoje Norma sorriu pra mim no mar
E me afoguei 
Ateei fogo molhado em mim
O saco de meu Papai Noel se inscreve em estrias
Dói
Corrói
Destrói as conceituais normalidades
E me desprendo das idades
Quase três décadas
Quase um inteiro
Um inteiro quase e enfermo
E sua crença
Descença e elegância entre espirros e tosses
São as palavras arranhando as tais cordas
Ah, se eu fosse um violão
Eu atrairia você e minha efermidade fluiria pra longe de mim
Tenho doença de você
E nem sei quem você é, primeira pessoa
Quando eu tiver uma namorada me dedico a adoecer
Doce e enamorado pelo mal de amar

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Beleza não se põe em mesa, mas te leva pra cama

Acame o teu calor por entre corpos e lençóis. Destrone o meu porto. Desvie o meu percurso e ensine ao meu gozo o caminho de outros cursos. Sem curso de alfabetização. Me dê novidades ou invente histórias loucas. Minta pra mim, mas despista para que eu não saiba. Isto não lhe recobrará muitos esforços.Tenho beleza nas vísceras e estranhamentos na face. Digo, sou feio! Fito minha imagem no espelho e a fita que costura o auto amor e aceitação desata o nó do compromisso e engasga o nó que desafina o tom de minha garganta. Olho-me no espelho e o os meus olhos me respondem em reflexos espontâneos de desaprovação. Beleza não se põe em mesa, mas te leva para cama. Acamado e sem calma fundo o meu peito ao colchão tão duro quanto a mesa de jantar da sala, mas ninguém se alimenta de minha carne, não colore minhas maças, nem apalpam minhas batatas. Sou alimento anti-vegetariano. Sou gastronomia indigesta. Sou belo sem beleza ao olho nu. 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Ano novo de velhas coisas

Eu queria vomitar as palavras engasgadas por minhas espinhas
na verdade eu queria muitas coisas, mas nem aprendi
com gosto de carne suína sem abacaxi o meu paladar amargura os desejos
e ele nem conheceu o ninho
o coitado mal aprendeu a saber e já conheceu Aristóteles
é estranho saber que o meu eu sabe e nada compartilhou comigo
me desculpe você que me lê, mas eu não me leio
sou daquele tipo de pessoa que tem o dom do analfabetismo
mas eu esperava que o ano novo trouxesse novidades
mas ele trouxe os mesmos dilemas do outros tempos
tenho o dom da infelicidade
o dom do choro travado
a saga de ser persuadido por palavras doces e corpos tatuados
e naquela pele gritava o nome amor
e quem amou o meu coração?
quem desejou a sinceridade de meu corpo?
me envergonho em saber que os teus azuis não clamaram meu refrigério
eu os vi ver sangue no corpo dela
e de quem o bagulho que te tornou de pé
é dela
a mesma que sorriu pra mim e envelheceu as coisas novas