sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Dois sóis

 a gente se ama

só não transa mais

a gente já não faz amor

mas do amor fomos feitos


assim desse jeito

assim nos dizendo sim

acolhendo-nos no peito

pra gente há feliz

nunca fim


deita ali no quarto ao lado

a cama já pequena está pra dois

nós dois que fizemos duas pequenas

removamos os lençóis 

e nossos sóis serão o pra sempre


nunca foi de repente

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Ameixa

 já é verão no Arpoador

desse sol que mora em teus olhos

me prova o sabor

ali a água é salgada

doce são os sucos de meus molhos


você é calor inteiro 

de janeiro ao rio

tô com sede

me beija

me tinjo no sol

sou tua ameixa 

não finjo por mal

deixa isso pra lá 

foi a deixa, me beija


é que nasci no rio

mas sou do amar

elo, contato, encontro

não aprendi ser fio solto

sou trama emocionada de querer 


e hoje tem espaço pra você 

No encaixo do subverter 

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

a cá

a cá o amor

amortece

a morte

a morte ser

tecer-te 

o mundo

fundo, profundo 

em pró 

duto dura muito o segundo

fecundo com você 

oriundo ser

que acaba

a cá

rápido

sábado, 2 de novembro de 2024

Um homem que amei

 eu te guardaria nas nuvens

lá não há pensamentos

te conjugaria nos vens

de onde nascem os ventos


eu te namoraria no silêncio 

onde os olhos calam segredos

e nossos corpos tensos

nos acendem e falam em dedos


eu depilaria teu corpo 

e nu te inscreveria o desejo

assim de um jeito ríspido, louco

eu te deixo, sem deixar


seja na Lapa

ou no reservado das giras

eu em ti oferenda

você em minha boca 

tecendo rendas


às vezes você vira poeta

eu coleciono em ti rimas

para que o Rio aberta

pro Cristo

nos aproxima a cisma

Degustação

 eu chupando tua língua feito romã 

misturando saliva e o tom do hortelã 

brindando o raiar da quente manhã 

a gente sem manha

destrinchando-nos feito poncã