domingo, 7 de agosto de 2011

Somente por ela

Por ela
Eu diria todas as palavras que ninguém nunca disse numa poesia
Eu cantaria todas respirações que ninguém nunca suspirou
Por somente ela eu calaria todas as métricas de uma doce melodia
E só por ela eu guardaria último o sopro de meu frágil amor

Por ela até mesmo o sol eu congelaria
Até mesmo da lua eu roubaria o véu
Sambaria no carnaval sem fantasia
E arremessaria laços no carrossel

Por ela
Eu tingiria cada nuvem que no céu desenha infantil alegria
Eu rabiscaria no jardim o seu nome em cada flor
Por somente ela eu tatuaria as emoções infames de minha euforia
E só por ela eu doaria o primeiro fôlego de meu nobre amor

Por ela até mesmo o Papa eu encantaria
Até mesmo da igreja eu roubaria o céu
Rezaria dois terços da Ave Maria
E adoçaria o inferno com favos de mel

Pela pele

Talvez se você o olhasse simplesmente pela aparência da pele que o encobre o corpo você diria que ele é bonito, interessante, ou mesmo que nem interesse algum suplanta em você. Talvez os seus olhos, cabelos, ou ainda as torneadas pantorrilhas não te levem à algum lugar de excitação ou espasmos, mas se teus olhos se abrissem ou recobrassem o sentido dos preconceitos e preceito, nem sei por quem estabelecidos, você se depararia com uma mente brilhante, uma sensibilidade de sábios, um menino matuto e ingênuo na procura simples de viver sua vida sem incomodar as formigas, nem tirar de alguns encontros vocais o trema. Sim, sua ambição era mais nobre, era como as de crianças que não conseguem abrir os potinhos de massa de modelar e grita pela mãe suplicando delicadamente por ajuda e atenção. Atenção é o sentido que ele me rouba quando mesmo ciberneticamente nos encontramos, fico como quem brinca com onça com vara curta, provocando suas respostas e cognição por temas polêmicos ou ainda mais simples, temas que tematizam as respostas que ninguém nunca deu, embora já pensou porém temeu falar. Como somos patéticos no julgar sermos grandes e soberanos. Chega farto-me de risos internos e envergonhados, ao reparar na arrogância de ser bicho-animal social, de não ser sutilmente tangido pelas verdades que nem verdades são, mas são vidas. Talvez se você o olhasse simplesmente pela aparência da pele que o encobre o espírito e coração você viria tudo aquilo que um dia em insanidade queria ter sido, mas o bicho homem te maculou.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Entre inverno e verão

No rio frio
eu pio um fio
de solidão

Um arrepio
um fino cio
calefação

Vou voltar pro sertão
aquecer o coração
ensolarar

Tingir o coração
De vermelho paixão
fantasiar

No rio quente
a gente mente
de solidão

Um de repente
ente impotente
sublimação

Vou sambar a poesia mais linda
desfilar os seus versos de mel
desenhar uma flor na ferida
enfeitar o inferno, sorrir meu céu

Vou fazer o meu mundo gigante
e pequena chorar minha dor
borboletas serão minh'as amantes
sua dança será minha cor

terça-feira, 28 de junho de 2011

Menti ao meu cérebro

Não tenho como não escrever o poema indecifrável que em meu peito chora. E desta vez não falo como poeta, como artista, ou observador, falo como pessoa Valdemy, no desconforto tímido das emoções que já o observa eufórica e inconveniente.
Já são quase duas da madrugada e o meu miocárdio acelera e paralisa seu canto, desorquestrando toda cognição que por horas à fio ensaiei comigo mesmo na maestria de tudo ao meu respeito conhecer, deter e ponderar. Malhei em séries de doze cada tecido dos músculos de meu cérebro, na imaginação de como contraio minha face na negação de um sorriso o mesmo poderia à mim mesmo defraudar, mas tolo enrubeci diante de seus imperdoáveis neurônios, axônios que gargalharam de minha ignorante infantilidade.
Ao menos se eu tivesse o exercitado com os pensamentos que de mim fugi, ou das leituras que eram tão óbvias, mas encarando a realidade do impossível eu teimei em brincar de imaginar o que nem a minha pele fazia transpirar.
Eu não sei, não sei o que meu corpo sentiu, nem menos os que sentiram muito por mim, apenas sei que enganei-me em minhas intelectualidades e não vi mais os mesmos sons sorrirem pra mim.
Sinto frio que algo mudou, sinto aquecido o medo deste sentir. Sinto muito por não mais viver a sorrir.

(...)

domingo, 19 de junho de 2011

Jogo das flores

Me cobri de rosas e avelãs e por ai dancei de maneira delicada aquele música que sei que tu te agradas, mas o que eu queria era embalar você.
Nem se me transportasse ao meu melhor avesso verias tu em mim a beleza que insacia os teus olhos por consumir.
Queria despedir-me de você frustado, com ódio, raiva, todavia encontro-me em você com carinhos subentendidos e claros, não encontrando a mim você, no teu riso, teu brilho, teu calor.
Queria te dizer todo o meu sentimento, meu momento que não é teu e poderia ser de nós, nós dois, nós e sós.
Tudo o que meus olhos te falam e tua polidez rejeita em analfabetar e eu revelo hoje em minhas palavras escritas e que nunca serão ditas, ou quisá apenas não compreendidas.
Eu não tinha a beleza das rosas, mas sentia os seu perfume em mim, eu sentia essência do que era belo, era nobre, sublime, mas o universo deveria criar muitas outras cores pra que você pudesse ver.
Talvez você espere que a esperança me acabe. Até mesmo considere que a força se esvai, como suor.
Talvez você apenas sorria ao se despedir, eu fui mais um jogo que te fez feliz. Fui mais uma jogo que você roubou, burlou, fui um jogo precipitado, sem perigos, jogo honesto, jogo amigo, fui um jogo sem excitação, um jogo sem riscos que sair riscado e sem emoção.