o poeta nunca mentiu
quando disse que era eterno o amor
o poeta nunca mentiu
quando rimou o amor com a dor
o amor se eterniza no silêncio da casa
nas paredes rabiscadas em tintas de suor
o amor se eterniza no inverno da brasa
tão sublime como perdão sem pudor
o amor se eterniza do ódio que inflama
nas injúrias que atropelam a sinceridade
amor se eterniza na saudade que clama
feito albergue sem hospitalidade
o amor se desdém do amor
e deixa o amar sem jeito
o amor em si desbota a cor
muitas vezes é só um aperto no peito
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