se o extraordinário vive no ordinário
o sobrenatural naturalmente se constrói
todo século é um diário
mesmo quando o construir me destrói
é sempre um respirar
entre um fôlego e outro
se o extraordinário vive no ordinário
o sobrenatural naturalmente se constrói
todo século é um diário
mesmo quando o construir me destrói
é sempre um respirar
entre um fôlego e outro
às vezes
o que você sente
mente pra você
te criando um mundo
que não te cabe
e sabe,
pode ser melhor
a solidão
que a companhia que te faz só
que te faz pó
e sem dó
parte em você
às vezes
é necessário se ser inteiro
e o às vezes pode ser sempre
conta para mim uma canção de amor
fala-me de teus erros e do teu pavor
diga que não vai ter fim todo esse calor
cala-me os segredos
e nus, pintamos de cor
me chama pra uma dança
meus passos te alcançam
te chamo pra minha vida
sem saída, sem despida, sem um logo mais
só um pouco mais
só pouquinho mais
um pouco sem mas
tudo contigo é tudo, é mundo
mesmo no nada
quero nadar no rio do teu beijo
colher no céu de tua boca estrelas
realizar desejos
me desbalança
quero nadar com você
eu te quero no tudo
sem a roupa se intrometer
te revelar meu mundo
que tal parar o relógio
e brincar de não esconder?
desfaço-me do lógico
das contas, mania de entender
quero nadar em ti
meu rio se deságua no teu paladar
o verão mora em ti
pecado é não dançar no teu arrastar
tudo em ti é música
desde a forma de falar
gosto que minha paz conduza
eu me esqueço até de respirar
talvez você não esteja adequado
talvez a festa só haja em você
talvez os brindes desçam amargos
talvez seja a ignorância que te vê
ainda assim
não se conforme
não tome pra si a forma do outro
ainda assim
não se isole
não se sacie dos risos de quem finge grandeza
e transborda vazio
transforme a ofensa
conforme a sentença
de ser único e espetacular
a luz sempre incomodará a cegueira
da escuridão que não sabe ver o belo
e desconhece o respeitar